A banda de metal com quem Ian Anderson toparia tocar sem cobrar um centavo
Por Bruce William
Postado em 03 de setembro de 2026
Ian Anderson nunca construiu a carreira pensando em virar músico de estúdio para outros artistas. Ainda assim, o líder do Jethro Tull gosta de sair de seu terreno habitual quando aparece uma colaboração que lhe parece interessante - especialmente quando precisa descobrir como encaixar sua flauta em contextos pouco óbvios.
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Foi exatamente por isso que ele disse que toparia tocar com o Metallica. Anderson contou que já participou de trabalhos ligados ao hard rock, metal e até thrash metal e encara esse tipo de convite como um desafio para um instrumento que normalmente parece frágil demais diante de guitarras pesadas.
"Se o Metallica me ligasse ou mandasse um e-mail dizendo: 'Você pode tocar nesta faixa?', eu diria: 'Sim'", afirmou em entrevista de 2014. A resposta, porém, viria acompanhada de uma condição prática: nada de atravessar o Atlântico para entrar em estúdio com a banda.
Anderson pediria apenas uma mixagem preliminar da música e alguma indicação do que o grupo gostaria de ouvir. A partir daí, gravaria sozinho e devolveria o arquivo. "Digam onde querem que eu toque, deem uma descrição vaga do que estão procurando e me deixem solto", explicou. Se o Metallica gostasse, poderia usar. Caso contrário, bastaria apagar.
E não haveria cobrança. Anderson contou que nunca aceitou cachê ou royalties por participações desse tipo. Para ele, tocar em discos de outras pessoas funciona justamente porque não existe obrigação comercial: aceita quando sente vontade, seja o convite de uma banda famosa ou de um artista desconhecido.
A disposição ganha uma graça especial por causa da história entre Jethro Tull e Metallica. Em 1989, conta a Far Out, o álbum "Crest of a Knave" venceu o primeiro Grammy de Melhor Performance de Hard Rock/Metal, superando "...And Justice for All". A decisão provocou vaias e virou uma das maiores piadas da história da premiação, embora Anderson sempre tenha tratado o episódio com bom humor.
Décadas depois, não parece existir qualquer ressentimento do outro lado. Anderson já elogiou o Metallica e, se algum dia James Hetfield e companhia decidirem que uma música está precisando de flauta, sabem pelo menos que existe um voluntário de prontidão - e que a conta viria em zero.
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