O guitarrista que Brian May achava ser louco e perigoso; "muito à frente de todos nós"
Por Bruce William
Postado em 23 de agosto de 2026
Brian May costuma aparecer em qualquer conversa sobre os grandes guitarristas do rock, mas nunca teve dificuldade para reconhecer quem o impressionou antes de o Queen se tornar gigante. Entre seus heróis está Ritchie Blackmore, cuja combinação de peso, técnica e imprevisibilidade deixou uma marca profunda no futuro guitarrista de "Bohemian Rhapsody".
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Ao comentar uma lista de grandes nomes da guitarra para a Total Guitar, May nem tentou esconder o entusiasmo. "Ele é louco. Quer dizer, era extraordinário vê-lo tocar. Acho que é um dos guitarristas mais perigosos de todos os tempos - e digo isso da melhor maneira possível. Lindo! Ele estava muito à frente de todos nós" disse, em fala republicada no seu próprio site, Brianmay.com.
May conheceu o trabalho do Deep Purple ainda nos tempos de universidade, no fim dos anos 1960. Roger Taylor já havia falado com ele sobre Blackmore, e o guitarrista logo passou a acompanhar uma geração que estava tornando o rock cada vez mais pesado. Led Zeppelin, The Who e Deep Purple estavam entre as bandas que chamavam sua atenção naquela fase.
No caso de Blackmore, havia algo além do peso. Conforme a Far Out, sua formação e interesse pela música clássica apareciam nos solos, nos arpejos e na maneira como construía riffs, numa época em que esse vocabulário ainda estava longe de se tornar corriqueiro no hard rock. A partir dali surgiria uma linhagem enorme de guitarristas influenciados por essa mistura.
May seguiu por um caminho bastante diferente. Em vez de reproduzir Blackmore, desenvolveu com a Red Special um som baseado em harmonizações, camadas de guitarra e efeitos que se tornaria imediatamente reconhecível. Ainda assim, aquela disposição para fazer da guitarra uma força dominante dentro da música tinha antecedentes que ele próprio nunca escondeu.
Os dois acabariam dividindo música também. Em 1989, May convidou Blackmore para participar da gravação beneficente de "Smoke on the Water", feita pelo projeto Rock Aid Armenia para arrecadar recursos após o terremoto que atingira o país. May recordaria esse encontro ao falar de sua admiração pelo guitarrista.
"Louco" e "perigoso", portanto, não tinha sentido depreciativo. May falava de um músico capaz de dar a impressão de que alguma coisa inesperada poderia acontecer a qualquer momento - tecnicamente brilhante, agressivo e pouco domesticado no palco. É uma definição especialmente adequada para Blackmore. Antes da guitarra pesada ganhar dezenas de escolas e fórmulas próprias, Brian May já via nele alguém que estava "muito à frente de todos nós".
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