A música do Queen que Freddie Mercury achava difícil até para Brian May superar
Por Bruce William
Postado em 23 de agosto de 2026
"The Millionaire Waltz" nunca foi uma das músicas mais óbvias do Queen, e talvez justamente por isso tenha permitido ao grupo exagerar sem muita preocupação. Escrita por Freddie Mercury para "A Day at the Races", de 1976, a faixa mistura piano, mudanças de compasso, baixo extremamente ativo de John Deacon e uma quantidade quase absurda de guitarras sobrepostas por Brian May.
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Mercury já sabia que havia saído bastante do caminho habitual da banda. Ao apresentar a música no programa de Kenny Everett, em novembro de 1976, definiu-a como algo "bem fora do formato do Queen" e brincou que talvez tivesse enlouquecido um pouco durante a composição. Quando a faixa terminou de tocar no estúdio, porém, sua primeira reação foi simples: "Ooh, adorável!"
O elogio seguinte foi para May. "Brian fez um trabalho muito bom nas guitarras. Ele realmente levou sua orquestração de guitarra ao limite. Não sei como algum dia vai conseguir superar essa." Mercury também fez questão de destacar o baixo de Deacon, antes de brincar que os integrantes estavam novamente "dando tapinhas nas próprias costas".
Não era exagero falar em orquestração. Conforme relembra a Far Out, anos depois, May tentou lembrar quantas guitarras havia empilhado em determinado trecho e chegou a algo entre 18 e 20 pistas, distribuídas em diferentes oitavas. O resultado lhe soava quase como um órgão de parque de diversões, efeito conseguido apenas multiplicando as partes da Red Special.
Mercury usou uma descrição ainda mais visual em 1977: segundo ele, May havia feito a guitarra passar por sons que lembravam tubas, flautins e violoncelos. O trabalho levou semanas e transformou uma composição que começava como um elegante walzer em algo que mudava continuamente de tamanho e textura.
"The Millionaire Waltz" também mostrava o quanto o Queen ainda queria levar adiante a lógica de "Bohemian Rhapsody", sem simplesmente reescrevê-la. Roger Taylor chegou a comparar as duas pela complexidade dos arranjos e pelas mudanças de compasso, embora a faixa de 1976 tivesse menos overdubs vocais.
Curiosamente, a música nunca virou um dos grandes cartões de visita comerciais do Queen. Ficou como faixa de álbum e acabou ofuscada por "Somebody to Love", "Tie Your Mother Down" e outros destaques de "A Day at the Races". Para Freddie, entretanto, havia pelo menos uma coisa ali difícil de ignorar: Brian May havia encontrado uma maneira de fazer uma guitarra soar como uma pequena orquestra - e ele não tinha certeza de que o próprio guitarrista conseguiria fazer melhor depois.
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