O disco raríssimo que David Gilmour preferiu deixar enterrado; "Tenho tanta vergonha"
Por Bruce William
Postado em 22 de agosto de 2026
Muito antes de "The Dark Side of the Moon", "Wish You Were Here" ou dos solos que transformariam David Gilmour em referência para gerações de guitarristas, houve um disco de cinco faixas gravado quase como lembrança particular. Em 1965, sua então banda, Jokers Wild, entrou no Regent Sound Studios, em Londres, e saiu de lá com um LP de um lado só que hoje é uma das peças mais raras ligadas à história do Pink Floyd.
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O próprio Gilmour nunca tentou engrandecer aquela aventura. Em entrevista à Record Collector em 2003, definiu o projeto de maneira bastante seca: "Era um projeto de vaidade." Foi ele quem reservou o estúdio, e o grupo viajou de Cambridge a Londres para registrar cinco músicas do repertório que já tocava ao vivo. "Nós não fazíamos absolutamente ideia do que estávamos fazendo", recordou.
Não havia composições próprias no pequeno álbum. O Jokers Wild gravou versões de músicas como "Why Do Fools Fall in Love", "Walk Like a Man", "Big Girls Don't Cry" e "Beautiful Delilah". Apenas 50 exemplares do LP e outros 50 de um compacto foram prensados, destinados basicamente a amigos e seguidores da banda na região de Cambridge.
Esse número minúsculo teve uma consequência previsível décadas depois. As poucas cópias sobreviventes se tornaram objetos cobiçados por colecionadores. Em 2005, relembra a Far Out, uma delas apareceu num leilão da Bonhams; a casa e a revista Record Collector haviam colocado o título entre os cem discos mais raros de sua relação, e aquele exemplar acabou vendido por pouco mais de 500 libras incluindo taxas.
Gilmour, entretanto, nunca pareceu compartilhar o entusiasmo dos arqueólogos de sua carreira. Quando perguntaram em 2003 se pretendia fazer alguma coisa com a gravação, respondeu simplesmente: "Não!" Ele admitiu possuir a fita master estéreo original guardada em seus arquivos, mas dizia não ter grande interesse nesse tipo de retrospectiva.
A postura combina com outra lembrança daquele período. Anos mais tarde, Gilmour contou que começou a tentar escrever músicas quando uma formação posterior do grupo estava vivendo na França, em 1966 e 1967. Ele ainda se lembrava de uma delas, mas recusou-se até a revelar qual era: "Tenho tanta vergonha", brincou.
O Jokers Wild continuou mudando de formação e chegou a passar temporadas tocando na Espanha e na França antes de desaparecer. Pouco depois, Gilmour recebeu o convite que alteraria completamente sua história: entrou para o Pink Floyd no começo de 1968, inicialmente com a ideia de dividir espaço com Syd Barrett.
Assim, aquele LP praticamente artesanal de 1965 terminou numa situação curiosa. Quanto mais David Gilmour avançou na carreira, mais valiosas ficaram as 50 cópias que sobreviveram - enquanto o próprio músico continuou tratando a gravação exatamente como ela nasceu: uma experiência de juventude que não via grande motivo para desenterrar.
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