A música que David Gilmour vetou na reunião histórica do Pink Floyd
Por Bruce William
Postado em 14 de setembro de 2026
Depois de tantos anos de brigas, processos e praticamente nenhum contato, talvez fosse otimista imaginar que David Gilmour e Roger Waters conseguiriam colocar o Pink Floyd novamente no palco sem discordar de alguma coisa. Em 2005, bastou começar a escolher as músicas do Live 8 para a velha dinâmica reaparecer.
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A apresentação teria apenas cerca de 20 minutos. Waters queria incluir "Another Brick in the Wall (Part 2)", um dos maiores sucessos comerciais da banda e provavelmente uma escolha óbvia para muita gente. Gilmour não quis saber.
"Roger queria tocar 'Another Brick in the Wall', mas eu não achei apropriado", explicou posteriormente. Como o Live 8 chamava atenção para pobreza e outros problemas enfrentados pela África, ele não gostava da ideia de colocar crianças africanas cantando "não precisamos de educação. Não houve discussão. Eu estava absolutamente certo", recordou.
Mas a incompatibilidade não era apenas política. Gilmour também nunca colocou a faixa entre suas grandes paixões dentro do catálogo. "Eu não gosto muito dela. É boa, mas não faz parte daquele grande repertório emocional", disse, em declaração retomada pela Far Out.
A negociação do repertório mostrou rapidamente que reunir fisicamente o Pink Floyd não significava restaurar sua antiga dinâmica sem conflitos. "As músicas que Roger queria não eram as que eu achava que deveríamos tocar", admitiu Gilmour. "Os arranjos também não eram como Roger queria. Mas eu meio que insisti."
Waters também havia sugerido "In the Flesh", enquanto "Money" acabou sobrevivendo à negociação. O set definitivo ficou com "Breathe", "Money", "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb", escolhendo músicas que, na visão de Gilmour, funcionavam melhor para um reencontro carregado de memória e emoção.
A reunião acabou entrando para a história e seria a última apresentação dos quatro integrantes da formação clássica juntos. Richard Wright morreu três anos depois, e Gilmour e Waters jamais retomaram uma parceria duradoura. Até naquela breve trégua, porém, ficou evidente que certas coisas no Pink Floyd continuavam exatamente como antes: bastava escolher quatro músicas para os dois começarem a discordar novamente.
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