O motivo que fez Liminha definitivamente perder o encanto pelos Mutantes
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de agosto de 2026
Existem bandas que continuam carregando o mesmo nome depois de mudanças profundas na formação, mas nem sempre preservam aquilo que seus próprios integrantes consideravam essencial. Foi mais ou menos essa sensação que Liminha experimentou nos últimos tempos de sua passagem pelos Mutantes, quando começou a perceber que o grupo já não era aquele pelo qual havia se apaixonado.
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Em entrevista ao podcast Roland Talks, apresentado por Charles Gavin, Liminha contou que as sucessivas mudanças fizeram com que começasse a sentir falta de antigos companheiros. "Comecei a olhar para trás e falar: 'Pô, cadê o Dinho? Cadê o Arnaldo?'", recordou o músico, referindo-se ao baterista Dinho Leme e a Arnaldo Baptista.
Na avaliação de Liminha, a ausência de Arnaldo teve um peso especialmente grande. Embora os Mutantes fossem formados por músicos de personalidades fortes, ele considera Baptista uma espécie de comandante da banda. "O Arnaldo era o líder, cara. Era o líder. Apesar do Sérgio ter uma personalidade forte, a Rita ter uma personalidade forte, o Arnaldo era o líder."
Quando Arnaldo deixou o grupo, portanto, algo importante teria desaparecido. "Quando ele sai, fica meio acéfala a coisa", afirmou Liminha. Para ele, não se tratava apenas da ausência de um instrumentista: o músico também exercia uma função importante na dinâmica e no direcionamento artístico dos Mutantes.
A saída de Rita Lee também provocou uma transformação significativa. Liminha explicou que a cantora ajudava a manter um elemento que diferenciava os Mutantes de outras bandas de rock da época: o humor. "Quando a Rita sai, a banda fica muito séria, porque a Rita tinha aquele lado do humor. Aí ficou todo mundo sério e progressivo", contou.
Essa mudança coincidiu justamente com o aprofundamento dos Mutantes no rock progressivo. Liminha lembrou que o contato com bandas como Yes teve enorme influência sobre aquela fase. Lúcia Turnbull apresentou "The Yes Album" ao grupo, e o baixista ficou particularmente impressionado com o som de Chris Squire. "Quando eu ouvi aquele baixo, falei: 'Caraca, mano, que isso?'", recordou.
A influência acabou levando o grupo ainda mais longe do formato que havia consagrado os Mutantes. Segundo Liminha, aquela descoberta musical teve consequências imediatas: "Aí nós enveredamos no progressivo". O problema não estava necessariamente no gênero, mas no fato de a transformação acontecer ao mesmo tempo em que figuras fundamentais para a personalidade da banda desapareciam da formação.
Para Liminha, portanto, o encanto começou a diminuir quando percebeu que já não encontrava ao seu redor a combinação de músicos e personalidades que havia tornado os Mutantes especiais para ele. Dinho não estava mais ali, Arnaldo havia levado consigo a liderança e Rita, o componente de irreverência. O próprio músico resumiu aquela nova realidade: "Ficou todo mundo sério e progressivo"
Confira a entrevista completa abaixo.
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