O pensamento por trás da música "O lobo" de Pitty
Por Manuela Rother
Postado em 10 de setembro de 2026
Pitty é uma artista de grande influência nos tempos atuais, no início de sua carreira solo ela lança o álbum "Admirável chip", lançado em 2003, que contém as músicas de grande relevância em sua carreira.
Por Manuela Rother
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Entre elas está a música "o lobo", que traz uma reflexão sobre pensamentos filosóficos de Thomas Hobbes e John Locke. A cantora traz a observação do egoísmo, de como fazemos qualquer coisa para ter aquilo que desejamos, fazendo a comparação aos instintos do lobo, isso é perceptível quando ela escreve:
"Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais
O homem é o lobo do homem, o lobo
O homem é o lobo do homem, o lobo"
Suas palavras transparecem o quanto a racionalidade humana desde sempre o deixa empático pelo outro, deixando para trás o cuidado com o próximo de maneira nojenta e desprezível. Sua letra mostra que no início talvez nossos ancestrais viveram em harmonia, antes de problemas sociais mudaram esse cenário de paz; mas fica entre as entrelinhas que isso nunca poderia ser possível, já que desde sempre o ser humano quer se beneficiar da maneira que for. Ela também faz alusão às guerras e o sangue que a violência provoca na sociedade.
"Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais
Veio a fome e então a guerra
Pra alimentá-los como animais
Não houve tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais"
Em um vídeo postando em seu canal no Youtube "por trás da letra O lobo", ela diz:
"O Lobo é uma faixa inspirada em filosofia, em vários filósofos da época, principalmenteem Thomas Hobbes, que eu estava lendo bastante, o Contraponto a John Locke, e questiona essapossibilidade de o quanto a gente consegue ser humano e empático e o quanto a sociedade ainda recorre à 'visceralidade' no sentido irracional para se proteger."
Assim concluindo que a história do ser humano sempre viveu em torno ao caos, em conflitos com a própria espécie, sempre agindo de forma animalesca, trazendo o argumento que a paz nunca foi um estado em que vivemos verdadeiramente.
A obra que a cantora se inspirou para compor a música, foi "O homem é o lobo do homem" de Thomas Hobbes, ele defendia as monarquias absolutistas, e para defender essa opinião a forma de governo, ele trouxe uma reflexão sobre o homem em estado da natureza e sobre a violência sobre essa condição. O significado do título de sua obra impõem que se não houverem regras que o homem deve seguir, ele se perde e acaba se tornando seu próprio inimigo, e vive numa "guerra contra todos".
Ao ler essas duas obras a ideia que fica é que não importa o tempo em que vivemos, sempre haverão conflitos acontecendo nessa espécie egoísta e autocentrada, que só consegue enxergar o próprio umbigo ao meio de tantos que possuem menos, mas por mais que tenham, mais querem possuir; nunca satisfeito e sempre querendo mais, se afogando em sua própria autocontemplação. Viver com o pensamento de ambição, acaba ocasionando em autossabotagem, fazendo com que o pensamento de que não somos autossuficientes surja e se acomode, surgindo assim a vontade de ser maior incondicionalmente. Isso também sempre traz consigo o problema de comparar as conquistas do outro as suas, deixando assim nossas conquistas inferiores e sem importância, vivendo na eterna angústia e tristeza de não ser o melhor em tudo, assim o problema se generaliza.

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