O álbum que fracassou no Brasil e virou hit na América Latina com outro nome
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de setembro de 2026
Existe um álbum dos Paralamas do Sucesso que afundou em vendas no Brasil e, ao mesmo tempo, tocava em todas as pistas de dança da América Latina - com outro nome na capa. Trata-se de "Severino", lançado em 1994, rebatizado de "Dos Margaritas" na edição hispânica. Em conversa com o canal Pitadas do Sal, João Barone tratou o episódio com bom humor: para ele, foi a vingança do disco.
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O sétimo trabalho do trio era ambicioso a ponto de assustar. A produção ficou com o inglês Phil Manzanera, ex-Roxy Music, e o time de convidados incluiu Brian May, do Queen, Tom Zé, o poeta jamaicano Linton Kwesi Johnson e o argentino Fito Páez. A capa reproduzia um manto bordado por Arthur Bispo do Rosário. Como registra o Popline, o resultado sofisticado abriu mão de refrões palatáveis e não foi bem recebido por crítica nem por público.

A escolha do single ajudou a complicar. A banda apostou em "Cagaço", faixa que, segundo o Célula POP, era chamada de "Fracasso" nas conversas internas do grupo. As rádios ignoraram e preferiram o romantismo de "O Amor Dorme". Barone ri da própria ingenuidade ao lembrar que esperavam execução em rádio para uma música com aquele título. O álbum vendeu cerca de 55 mil cópias no país.
Do outro lado da fronteira, a história foi outra. "Dos Margaritas" emplacou no México, no Uruguai e na Argentina a ponto de dar nome à edição latino-americana inteira do álbum. O clipe rodou na MTV Latino, a faixa entrou nas boates do continente e o disco ampliou a popularidade do trio nos países de língua espanhola. "Lavou a alma", resumiu o baterista.
A serenidade com que ele conta o caso vem de uma decisão consciente. Barone afirma que a banda parou de medir criação por resultado comercial e cita "Sinais do Sim", de 2017, produzido por Mario Caldato, como disco que passou em brancas nuvens sem que isso incomodasse ninguém. "A gente nunca quis usar uma régua de sucesso anterior para medir o que a gente pode fazer hoje em dia", disse. Para ele, disco lançado é como filho: ganha o mundo e não pertence mais a quem o fez.
Trinta anos depois, o veredito virou. "Severino" foi reeditado em vinil pela Universal e hoje carrega o status de obra cult dentro da discografia. A turnê que o disco gerou, aliás, resultou no ao vivo "Vamo Batê Lata", que ultrapassou um milhão de cópias vendidas - o fracasso comercial de 1994 acabou financiando o maior sucesso de público da banda.
Confira o vídeo completo abaixo.
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