Hair metal: 10 grandes discos lançados no século 21 por bandas dos 80's
Por Igor Miranda
Postado em 10 de novembro de 2016
Há quem considere hair metal um termo pejorativo. Para mim, é só uma forma de diferenciar o hard rock popularizado e tipicamente praticado na década de 1980 dos demais. Afinal, é um pouco difícil compreender Poison e Led Zeppelin em um mesmo subgênero.
Muito se fala que o hair metal morreu no início da década de 1990 e, desde então, as poucas bandas que continuaram a praticar um som do tipo não conseguiram bons resultados. Não é verdade.
Discos incríveis do estilo foram lançados neste século (ou nos últimos 16 anos), tanto por bandas que se destacaram na década de 1980, quanto por grupos que foram formados dos anos 1990 em diante.
Melhores e Maiores - Mais Listas
Esta lista reúne 10 grandes discos de hair metal, lançados no século 21, por bandas que se formaram ou se consagraram na década de 1980. Em cada trabalho, não se deve esperar a mesma sonoridade de anos atrás: alguns se aliaram ao hard rock convencional, outros se aproximaram do heavy metal e há quem tenha flertado com o AOR.
A lista está em ordem alfabética, não em ranking de preferência. E é claro que estão faltando vários nomes - Europe, Quiet Riot, Gotthard, Pink Cream 69... não foram esquecidos, mas por aqui são só 10.
Danger Danger - 'Revolve' [2009]
O disco mais AOR do Danger Danger é, também, um de seus mais consistentes. E olha que estamos falando de uma discografia sem pontos fracos.
'Revolve' consolida a fórmula da banda: composições de Bruno Ravel e Steve West, feitas para que o guitarrista e o vocalista (na ocasião, Rob Marcello e Ted Poley) brilhem. Funcionou.
Mötley Crüe - 'Saints Of Los Angeles' [2008]
Não é exagero pensar que 'Saints Of Los Angeles' será o último disco do Mötley Crüe. A banda se aposentou das turnês e, quando lançou material depois de 2008, se contentou com singles.
Triste, porque 'Saints Of Los Angeles' é um disco grandioso. O hard festeiro e direto do Crüe ganhou um ar contemporâneo, necessário para que o álbum não fosse somente uma festa retrô.
Mr. Big - 'What If...' [2011]
O Mr. Big se separou em 2002, já com o guitarrista Richie Kotzen no lugar de Paul Gilbert. Mas sempre imaginei que voltariam - e com Gilbert em seu posto original.
'What If...' mostra porque o quarteto voltou: eles se completam perfeitamente quando tocam juntos. Tudo faz sentido com esses quatro. O disco seguinte, '...The Stories We Could Tell' (2014), também é ótimo, mas não supera esse petardo.
Ratt - 'Infestation' [2010]
O Ratt demorou 26 anos para fazer um disco tão bom quanto 'Out Of The Cellar' [1984]. Mas o fez.
'Infestation' mostra a maturidade conquistada ao longo do tempo pelo Ratt, que sempre teve pitadas generosas de heavy metal em seu hard rock, mas era ignorado pelos headbangers graças ao sucesso que fez com o visual glam e os hits radiofônicos. Tudo soa perfeito (e pesado) por aqui aqui: instrumentos, produção, vocais e composições.
Treat - 'Coup de Grace' [2010]
Parece curioso, mas o Treat lançou o melhor álbum de sua carreira, supostamente, fora de seu auge comercial. O grupo sueco formado na década de 1980 nunca conseguiu soar tão bem quanto em 'Coup de Grace', de 2010 - nem antes, nem depois.
Ao longo do álbum, o Treat se manteve fiel ao hard rock praticado na década de 1980, mas sem soar pedante ou retrô. Acrescentou, ainda, boas doses de melodia ao seu som cortante.
Trixter - 'New Audio Machine' [2012]
São raros os casos de bandas consagradas em décadas passadas que conseguiram, de fato, evoluir com o tempo. Foi o caso do Trixter, formado em 1983 e cujo disco de estreia só veio a sair em 1990. O grupo se dissolveu em 1995 e retomou suas atividades em 2008, ainda melhor do que antes
A prova disto é 'New Audio Machine', lançado em 2012. O álbum mostra muita consistência. Precisão no instrumental e carisma no repertório. Hard oitentista de primeira qualidade.
Tyketto - 'Dig In Deep' [2012]
Formado em 1987, o Tyketto só lançou seu primeiro disco, 'Don't Come Easy', em 1991. Mas é, genuinamente, uma atração oitentista. A banda se desfez em 1996, já sem seu vocalista, Danny Vaughn, e retornou em 2008.
O primeiro álbum do Tyketto após sua reunião, 'Dig In Deep', só saiu em 2012. Aqui, o grupo mergulha de vez no AOR. A voz de Danny Vaughn já é o suficiente para valer uma posição nessa lista, mas há outros destaques, como o repertório e a produção seca, porém certeira.
W.A.S.P. - 'Babylon' [2009]
Antes de decepcionar com 'Golgotha' (2015), o W.A.S.P. havia, curiosamente, lançado um de seus melhores trabalhos: 'Babylon', em 2009.
Neste disco, o hard n' heavy do W.A.S.P. atingiu um patamar diferenciado. A pegada oitentista se mesclou com a necessária atualização e proporcionou um bom repertório, com um Blackie Lawless afiadíssimo.
(Observação: não dá para chamar o W.A.S.P. de hair metal, propriamente dito, mas em algum momento a banda se enquadrou, sim, neste subgênero)
Whitesnake - 'Good To Be Bad' [2008]
Ok, o Whitesnake é da década de 1970, mas só explodiu mesmo nos anos 1980. Tão pertinente nesta lista, o grupo de David Coverdale conseguiu mostrar relevância em seus lançamentos mais recentes.
'Good To Be Bad' tardou (a banda não lançava nada novo desde 1997), mas não falhou: divulgado seis anos após o retorno definitivo do grupo, o disco mostrou a força da parceria entre David Coverdale e Doug Aldrich. A fase criativa mais recente do Whitesnake em estúdio, complementada por 'Forevermore' [2011], é tão boa quanto os seus dias de ouro.
Winger - 'Better Days Comin'' [2014]
O Winger se dissolveu em 1994 e voltou entre 2001 e 2003, mas o retorno definitivo do grupo só ocorreu mesmo em 2006. A banda lançou 'IV' (2006) e 'Karma' (2009), trabalhos nada além de bons.
A união entre peso e melodia, que caracterizou os primeiros trabalhos do Winger, só voltou a ser bem reproduzida de verdade em 'Better Days Comin''. Voltou a soar como banda. O repertório ajuda: músicas muito boas vieram da parceria entre Kip Winger e Reb Beach.
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