1976: grandes álbuns lançados naquele ano

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Por Doctor Robert
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Aproveitando da recente visita de sir Paul McCartney em nosso país e o relançamento de seu histórico álbum “Wings Over America”, de 1976, este colaborador do Whiplash.net (que por um acaso nasceu naquele mesmo ano) vem humildemente listar algumas sugestões de grandes álbuns lançados também em 1976 – em ordem aleatória, não de preferência ou cronológica. A maioria deles é tida como clássicos pelos fãs dos artistas envolvidos e são conhecidos do grande público, mas mesmo para estes, sempre “vale a pena ouvir de novo”.

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Paul McCartney and Wings – Wings Over America


Por que ouvir? – Sir Paul provou que havia vida após os Beatles, superou a depressão do rompimento do grupo, lançou álbuns clássicos (“McCartney”, “Band On The Run”) e saiu fazendo shows pelo mundo afora. O registro da turnê de 1976 mostra uma banda extremamente entrosada, executando uma grande leva de canções clássicas tanto dos Fab Four quanto dos álbuns solos de Paul e dos gravados com os Wings. Impossível não gostar.

Melhores momentos: dentre muitos, a antológica abertura com “Venus and Mars/Rockshow” e “Jet”, o set acústico com “Bluebird”, “I’ve Just Seen a Face”, “Blackbird” e “Yesterday”, além das clássicas “Maybe I’m Amazed”, “Live and Let Die” e “Band On The Run”.

Queen – A Day at the Races


Por que ouvir? - Se não é o melhor trabalho do Queen, é um registro da fase áurea do grupo, ainda esbanjando criatividade e com aquele ímpeto e arrogância de querer dominar o mundo. Assim como em seu trabalho anterior (“A Night At The Opera” – guardadas as devidas proporções, claro), o quarteto faz de tudo um pouco: hard rock, gospel, baladas, valsa, etc.

Melhores momentos: o rockão rasgado de “Tie Your Mother Down”, a intrincada “The Millionaire Waltz”, a singela “Long Away”, o peso de “White Man” e a mais do que clássica “Somebody To Love”.

Rush – “2112” e “All The World’s a Stage”


Por que ouvir? – Poderíamos simplesmente dizer “porque é o Rush, cara!”, mas não é só isso: é o Rush explodindo e aparecendo para o mundo, saindo do underground e caminhando rumo ao estrelato. “2112” foi responsável por isso, introduzindo de vez o Rush entre os fãs de hard rock e de rock progressivo, e “All The World’s a Stage” era o retrato ao vivo desta fase, demonstrando que aqueles três rapazes do Canadá conseguiam sim reproduzir ao vivo tudo o que criavam em estúdio.


Melhores momentos: Em “2112”, além da faixa título, “A Passage to Bangkok” rapidamente se tornou uma das favoritas entre os rushmaníacos. Já em “All The World’s a Stage”, impossível não se render a “Bastille Day”, que abre o play arrebentando tudo, a apoteótica “By-Tor and The Snow Dog”, a pesadona “What You’re Doing”… e claro, “2112” e ainda o solo do Professor Neil Peart.

Aerosmith – “Rocks”


Por que ouvir? – O Aerosmith disputava com o Kiss na década de 1970 o título de maior banda do hard rock norte-americano, tendo ambas estourado um ano antes – estes com “Toys In the Attic”, aqueles com “Alive!”. Aqui o quinteto de Boston alia sua criatividade com peso, sem perder a energia característica do grupo, sendo tratado pelos críticos como “uma cria raivosa dos Rolling Stones”. “Rocks” disputa até hoje com “Toys In The Attic” o posto de álbum favorito entre os fãs das antigas. Se duvida, pergunte ao Slash…

Melhores momentos: “Back In The Saddle”, com Joe Perry com um baixo de 6 cordas “grunhindo” em suas mãos; a velocidade contagiante de “Rats In The Cellar”; “Last Child”, grande contribuição de Brad Whitford, assim como a pesada “Nobody’s Fault”.

Kiss – “Destroyer” e “Rock And Roll Over”


Por que ouvir? – São duas facetas bem distintas de uma banda no topo do mundo. O Kiss ganhou exposição mundial com “Alive!” um ano antes, e agora podia contar com dinheiro e bons recursos em suas gravações. Se em “Destroyer” trouxeram Bob Ezrin (Alice Cooper, Pink Floyd) para uma produção mais elaborada, aventurado-se por estilos diversos e até mesmo incompreendidos por muitos fãs, em “Rock and Roll Over”, lançado no mesmo ano, víamos o Kiss voltando às origens de seu rock básico e direto, sendo produzidos por Eddie Kramer, muito conhecido por trabalhar com um certo Jimi Hendrix.


Melhores momentos: são dois discos para serem ouvidos “de cabo a rabo” (apesar de “Beth”), mas se é pra destacar algumas, em “Destroyer” ficamos com as óbvias “Detroit Rock City”, “King Of The Night Time World”, “God Of Thunder”, “Shout It Out Loud” e “Do You Love Me”, e em “Rock and Roll Over” temos “I Want You”, “Makin’ Love”, “Hard Luck Woman”, “Calling Dr. Love”, “Take Me”, “Ladies Room”…

Genesis – “A Trick Of The Tail”


Por que ouvir? – Porque registra um momento crítico na carreira do grupo, sobrevivendo de maneira brilhante à saída repentina de seu carismático frontman Peter Gabriel, “promovendo” o baterista Phil Collins ao posto. Ou seja: mesmo com o baque, a qualidade do trabalho do agora quarteto foi mantida, com excelentes temas, arranjos virtuosos e uma produção esmerada, em um dos melhores registros do Genesis.

Melhores momentos: a insana faixa de abertura “Dance On a Volcano”; a melodiosa faixa título; “Mad Man Moon”, com um inspiradíssimo Tony Banks nos teclados, e a fantástica instrumental “Los Endos”, que ao vivo era precedida sempre de um dueto de bateria por Phil Collins e Chester Thompson.

Thin Lizzy – “Jailbreak” e “Johnny The Fox”


Por que ouvir? – O Thin Lizzy infelizmente nunca foi tão reconhecido como deveria. Donos de grandes músicas, temperadas com as famosas “guitarras gêmeas” que fariam escola no heavy metal anos depois, e contando ainda com um letrista fantástico como Phil Lynott, o Lizzy atingiu seu ápice em 1976, e os dois álbuns lançados naquele ano comprovam a qualidade de seu trabalho. Saindo em uma grande turnê norte-americana no ano seguinte, Lynott adoeceu, a excursão foi abortada, e o Lizzy caiu em esquecimento para a grande massa, infelizmente...


Melhores momentos: em “Jailbreak”, destacamos a faixa título com seu clima soturno, a pesada “Emerald”, o hino “The Boys Are Back In Town”, seu maior hit; já em “Johnny The Fox”, a poética “Don’t Believe a Word” merece audição cuidadosa, assim como a pesada “Massacre” (as duas regravadas, respectivamente, por Def Leppard e Iron Maiden”), além da funkeada “Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed” (impossível não notar a semelhança de seus primeiros acordes de guitarra com “Snowblind”, do disco solo de 1978 de Ace Frehley, do Kiss).

Led Zeppelin – “Presence” e “The Song Remains The Same”


Por que ouvir? – Bem, muitos realmente podem contestar a inclusão de “Presence” nesta lista, por não ser um dos melhores trabalhos do Led. Mas ainda assim, encontramos momentos brilhantes, e convenhamos, um Led Zeppelin menor ainda é maior do que muita coisa que ouvimos por aí. Já “The Song Remains The Same” dispensa maiores apresentações e justificativas: o primeiro duplo ao vivo do grupo, que acompanhou o lançamento do filme nos cinemas (ambos gravados em 1973, mas só lançados então).


Melhores momentos: em “Presence” são obrigatórias a galopante “Achilles Last Stand” e a ótima “Nobody’s Fault But Mine”, além de “For Your Life”. Já em “The Song Remains The Same”, os clássicos atemporais “Rock and Roll”, “Stairway to Heaven” e “Whole Lotta Love” dividem espaço com as (extremamente) estendidas versões de “No Quarter” e “Dazed and Confused” (que ocupava um lado inteiro no vinil). Na versão expandida lançada recentemente, os fãs ainda ganharam registros do quilate de “The Ocean”, “Since I’ve Been Lovin’ You”, “Over The Hills and Far Away” e “Black Dog”.

Peter Frampton – “Frampton Comes Alive”


Por que ouvir? – O simples argumento de ser o disco ao vivo mais vendido de todos os tempos já valeria pelo menos para ouvir de curiosidade (na época, chegou até a ser vendido pelos correios nos EUA, uma novidade!). Mas seria subestimar um grande trabalho, com Peter Frampton desfilando ótimas músicas e belos solos de guitarra.

Melhores momentos: mesmo que você não suporte mais ouvir, “Baby I Love Your Way” é um dos maiores destaques, assim como a contagiante “Show Me The Way”. Destaque também para a abertura com “Something’s Happening” e para a surpreendente versão de “Jumpin’ Jack Flash”, dos Stones.

Rainbow – “Rising”


Por que ouvir? – Em 1976, o Deep Purple não existia mais: após a debandada de Richie Blackmore, muitas divergências internas levaram Jon Lord a jogar a toalha após a turnê de “Come Taste The Band”, e logo em seguida o guitarrista Tommy Bolin veio a falecer de overdose. O novo grupo de Blackmore, que já tinha obtido reconhecimento com o primeiro álbum um ano antes, aqui presenteia os fãs com uma obra-prima do rock pesado. Todos dão um show, seja o mago das guitarras, seja Ronnie James Dio com seu vocal poderoso, seja Cozy Powell demolindo sua bateria. Para muitos, foi o primeiro pilar do chamado Power Metal, com suas músicas velozes e arranjos sinfônicos.

Melhores momentos: A abertura com “Tarot Woman” já é de tirar o fôlego, que ainda consegue ser ofuscada pelas brilhantes “Stargazer”, gravada junto à Orquestra Filarmônica de Munique (e com performances antológicas de Dio, Powell e Blackmore), e pela veloz “A Light In The Black”, com seus solos dobrados de guitarra e teclado e com sua bateria de dois bumbos, que se tornariam clichê décadas depois no heavy melódico...

Scorpions – “Virgin Killer”


Por que ouvir? – Para aqueles que acham que os “vovôs” do metal alemão são apenas a banda que fez “Still Loving You” e “Wind Of Change”, que tal descobrir um grupo vigoroso, com canções esbanjando energia? “Virgin Killer” serviu de passaporte para o Scorpions fora da Europa, em uma época em que ainda contavam com os préstimos do virtuoso Uli John Roth. Não se atenha à polêmica sobre a capa original (que trazia uma garotinha nua), coloque o álbum pra tocar e aumente o som!

Melhores momentos: “Pictured Life” abrindo o disco a todo vapor, ritmo que é mantido em “Catch Your Train” (resgatada anos mais tarde no álbum acústico do grupo). Há ainda a divertida “Hell Cat”, cantada por Roth, “Backstage Queen” e “Polar Nights”.

AC/DC – “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”


Por que ouvir? – Porque AC/DC é sinônimo de rock do bom, sem firulas, simples e direto. Foi aqui que os australianos começaram a aparecer para o mundo, conseguindo seus primeiros sucessos. E ainda tínhamos aqui a crueza original no som do grupo, além do saudoso e carismático Bon Scott nos microfones.

Melhores momentos: sem dúvida o grande destaque é a faixa título, ainda hoje uma das favoritas dos fãs. Mas ainda há “Squealer”, “Problem Child”, “Ride On”... e a versão original australiana trazia “Jailbreak” encerrando o play, faixa que até então havia sido lançada apenas como single.

Eagles – “Hotel California”


Por que ouvir? – Para derrubar o preconceito que a grande maioria da nação roqueira tem com o grupo, por conta da faixa título que tocou à exaustão, chegando inclusive a ser apelidada de “Motel California” por ser melosa demais para seus detratores. Um disco com boas músicas executadas por instrumentistas extremamente competentes.

Melhores momentos: obviamente a faixa título, com um show à parte dos guitarristas Don Felder e Joe Walsh; “Life In The Fast Lane”, sobre a agitada vida de um casal moderno – cujo título veio de uma frase de um fornecedor de drogas do grupo, e cujo riff de guitarra surgiu espontaneamente enquanto Joe Walsh aquecia no estúdio, esperando para gravar; e ainda a épica “The Last Resort”, versando sobre o declínio da sociedade e fechando o disco com chave de ouro.

Estes são alguns dos grandes momentos do rock em 1976. E você leitor, sugere mais algum?

Os responsáveis são citados no texto. Não culpe os editores. :-)

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Post de 09 de março de 2015

Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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