Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra; a biografia do Led Zeppelin por Mick Wall
Por Pedro Henrique Aragão
Postado em 17 de setembro de 2024
A biografia Led Zeppelin – Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra, é um daqueles livros que viciam desde a capa. Muito disso vem do legado que banda inglesa deixou, mas não podemos deixar de sublinhar o estilo de escrita de seu autor, o renomado jornalista britânico especializado em rock, Mick Wall, que tem em seu currículo biografias de outros gigantes do rock como Guns’n’Roses, AC/DC e Metallica, para citar alguns; destaque também para a certeira tradução de Elvira Serapicos. Para quem espera uma coletânea de histórias picantes sobre o hedonismo dos anos 70 talvez decepcione-se um pouco, elas estão lá em algum momento é claro, mas o foco é o desenvolvimento dos personagens que criaram esse monstro sagrado do rock n roll.

Nas suas quase 500 páginas, a biografia toma o cuidado de começar pelo começo, narrando a trajetória dos cinco personagens centrais na história do Led, a se saber: o icônico (por todas as razões possíveis) empresário Peter Grant; o baixista, arranjador e multi-instrumentista John Paul Jones; aquele que é considerado um dos maiores, se não o maior baterista de rock de todos os tempos, o explosivo John Bonham; o frontman e deus dourado (e irmão gêmeo de Patricia Pillar, risos), Robert Plant; e a pedra angular, o homem que começou tudo, o mago da guitarra e também produtor, Jimmy Page.
Mick Wall destrincha através da trajetória musical e pessoal de cada um, o que levou cada um deles ao momento que Jimmy resolveu reformar o Yardbirds, seminal grupo britânico que já havia contado com Eric Clapton e Jeff Beck em sua formação, e criar o Led Zeppelin, definitivamente algo mais pesado que o blues psicodélico de seu antigo grupo.
A partir daí, o autor detalha com incrível riqueza de minucias como aquela aposta incerta de Jimmy Page, tornar-se-ia uma das maiores, para não poucos a maior, banda de rock de todos os tempos. O sucesso avassalador nos EUA; a luta para ter credibilidade no Reino Unido; as imensas turnês em estádios de futebol; o envolvimento problemático com drogas e groupies e as tragédias que rondaram a banda desde o seu início e que por fim decretaram o seu fim diante da morte de John Bonham em 1980.
Outro tema bastante abordado minuciosamente por Mick é o sério envolvimento de Page com o ocultismo, principalmente sua fascinação pelo famoso bruxo inglês Aleister Crowley. Muitos apontaram o dedo para o Led entrelaçando essa fato com as tragédias ocorridas com a banda, que também incluíram um grave acidente de carro sofrido por seu cantor e tempos depois a morte repentina de seu filho.
Mas o tema do oculto, segundo o autor, além de criar uma aura em torno da banda (nem sempre uma aura saudável), também ajudou no processo de criação das suas lendárias músicas; que versavam não apenas sobre sexo e drogas, mas também sobre mitologia nórdica, paganismo e ocultismo, como pode servir de exemplo o clássico absoluto Stairway To Heaven.
Fato é, que a música do Led foi tão avassaladora quando seu sucesso e seu fim. Mick Wall tenta, e arrisco dizer que conseguiu, através de seu texto dimensionar, principalmente para os que assim como quem vos escreve não viveu aquela época, o tamanho da força motriz que o Led representava; suas 500 páginas são um deleite ao fã de rock e do Led. Uma escrita bastante dinâmica, tão cara ao jornalismo, e a preocupação em alternar a dinâmica interna da banda com o quadro geral do período faz dessa uma leitura não apenas necessária com imensamente prazerosa.
O único ponto de sútil desagrado é justamente o título da biografia, que a meu ver não faz jus ao evento cataclísmico que foi o Led Zeppelin. Ao invés de Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre A Terra, título mais apropriado seria: Quando Os Deuses Estavam Entre Nós.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Corpos dos Mamonas Assassinas serão cremados para homenagem póstuma
Churrasco do Angra reúne Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Fabio Lione e mais
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Bruce Dickinson cita o Sepultura e depois lista sua banda "pula-pula" favorita
O que já mudou no Arch Enemy com a entrada de Lauren Hart, segundo Angela Gossow
Max Cavalera celebra 30 anos de "Roots" com dedicatória especial a Gloria Cavalera
Aos 94, "Capitão Kirk" anuncia álbum de metal com Zakk Wylde e Ritchie Blackmore
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
A maior canção de amor já escrita em todos os tempos, segundo Noel Gallagher
A melhor música da história do punk, segundo o Heavy Consequence
As melhores músicas de todos os tempos, segundo Dave Gahan do Depeche Mode
Humberto Gessinger e a linha tênue entre timidez e antipatia: quem está certo?
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Michael Amott diz que nova vocalista do Arch Enemy marca um passo importante
10 discos de rock que saíram quase "no empurrão", e mesmo assim entraram pra história

O primeiro solo de guitarra que Jimmy Page ouviu na vida, e que ele levou até "Stairway"
A banda que tinha música, tinha talento... mas não tinha o "pacote" do Led Zeppelin
O disco clássico que fez Steve Vai começar a tocar guitarra
A banda sem frescura que tinha os melhores músicos do rock, segundo Joe Perry
Filmagem rara do Led Zeppelin em 1972 é disponibilizada online
A melhor música do Led Zeppelin de todos os tempos, segundo Ozzy Osbourne
A banda dos anos 80 que Jimmy Page disse definir "o que é rock'n'roll"
Quando Chris Cornell temeu que o Soundgarden fosse comparado com Black Sabbath ou Led Zeppelin
O icônico guitarrista que se tornou o maior herói de Dave Mustaine
O indiscutível maior mérito de Jimmy Page enquanto guitarrista, segundo Regis Tadeu
Heavy Metal: A História Completa (Ian Christe)
Run For Cover: The Art Of Derek Riggs


