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Mr. Big: "Os fãs de rock brasileiros fazem que eu enlouqueça!", diz Eric Martin

Por Homero Pivotto Jr.
Fonte: Abstratti Produtora
Em 09/08/17

Grandes artistas não deixam que seus egos fiquem maiores que o talento pelos quais são conhecidos. E fazem esforço para manter a estatura em tempos nos quais atividades culturais são cada vez mais diminuídas. Eric Martin, o vocalista do Mr. Big, é um bom exemplo. Viu a popularidade de sua banda crescer rapidamente nos anos 1990 para, alguns anos depois, perder espaço nas paradas de sucesso. Mas, com perseverança e a maior das boas-vontades — sem falar na qualidade de seu trabalho —, voltou a figurar entre os gigantes do rock. Se não em vendagens, ao menos em qualidade. Em julho deste ano, o quarteto californiano lançou o nono disco da carreira, 'Defying Gravity'. Além disso, segue protagonizando shows grandiosos por onde passa. Às vésperas de uma nova turnê pelo Brasil, o cantor concedeu entrevista exclusiva à Abstratti Produtora, responsável pelo show de Porto Alegre, em 22 de agosto. No bate-papo, o vocalista fala sobre como manter a grandeza atualmente e o que é necessário para continuar um frontman acima da média no palco.

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O Mr. Big fez shows memoráveis em Porto Alegre: no Opinião (2011) — para onde a banda retornará em 22 de agosto — e no Pepsi on Stage (2015), uma casa maior. Quais suas lembranças das apresentações por aqui? Prefere locais menores ou grandes casas de show?

Eric Martin — Amo os palcos pequenos como artista solo, quando toco acústico ou tenho poucos músicos comigo. A sensação de intimidade, de estar próximo, é meu tipo favorito de show. Mas com o Mr. Big tudo tem de ser grande. Temos uma parede de som bombástica que é melhor se houver espaço para detonar. Nossa banda soa melhor em locais maiores. Porém, dito isso, um dos meus discos ao vivo preferidos entre os que gravamos foi registrado no Hard Rock Café de Singapura. Devia ter umas 300 pessoas.

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Vocês lançaram um novo disco em julho deste ano. Considerando o atual contexto da indústria musical, o Mr. Big poderia ser tão grande quanto foi no cenário dos anos 1990? Por quê?

Eric Martin — O clima no meio musical mudou há muito tempo e não demos bola. Tivemos altos e baixos, como qualquer um. Apenas fomos com o fluxo. Teria sido ótimo obter o mesmo sucesso que tivemos nos 90’s, mas a vida é o que é. Não estou lamentando. Eu apenas tento fazer os melhores discos que posso. Assim, vou para a estrada cantar e detonar com todos vocês.

Quais apontaria como as grandes mudanças na indústria fonográfica desde que o Mr. Big começou?

Eric Martin — As gravadoras de antigamente eram grandes e poderosas. Elas assinavam com qualquer um e dispensavam os que não tinham hits. Fomos mais sortudos que muitas outras bandas. Mas eles não observavam no contexto geral de se construir uma carreira. Depois de ‘To Be with You’ detonar, eles continuaram em busca de um novo sucesso como esse por alguns álbuns. Eu não era um compositor de hits, acho. Pensava que fazíamos excelentes músicas, mas não era o que a companhia desejava e, eventualmente, fomos dispensados. Hey, são negócios…ha! As gravadoras que cuidam dos nossos discos agora fazem o melhor que podem. A Frontiers, na Europa, tem nos apoiado em todo o caminho muito bem, e a WOWOW, no Japão, é como família para nós.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

O Mr. Big está prestes a completar três décadas de carreira. Qual você considera a grande conquista que a banda fez durante esse tempo?

Eric Martin — Óbvio que ter o single número em 15 países foi além de qualquer expectativa. Fomos abençoados em viajar pelo mundo diversas vezes. Tivemos alguns contratempos e uma ou duas grandes rupturas, mas encontramos nosso caminho, nos reunimos e agora estamos maiores e melhores espiritualmente do que antes. Teve também uma ocasião especial em que fomos a atração principal de um festival na praia de Santos (SP), tocando para 100 mil pessoas. Ainda posso me ver andando na passarela entre o palco e o público, em noite de lua cheia, cantando ‘Addicted to the Rush’ e sentindo aquele calor da plateia. Que noite sensacional e que lembrança maravilhosa!

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Todas as outras vezes que o grupo passou pelo Brasil protagonizou performances intensas. A banda está sempre em boa forma. Como manter esta grande paixão por tocar ao vivo?

Eric Martin — Amo o que faço! Eu vivo para o Mr. Big e os fãs de rock brasileiros fazem com eu enlouqueça!

Quais foram as grandes influências da banda no início e quais artistas fazem vocês vibrarem hoje em dia?

Eric Martin — Fomos todos influenciados por bandas dos anos 1970 quando iniciamos. Eu sou fã do Paul Rogers, vocalista do FREE/Bad Company, há décadas. Ele era e sempre será meu ídolo. Já vi o cara ao vivo algumas vezes e tive a chance de cantar o clássico "Alright Now" com ele. Vi a passagem de som dele uma vez e aquilo foi surpreendente. Ele é impecável, um imortal! Um nome novo que eu tenho escutado e curtido é John Mayer, um dos melhores guitarristas desde Eric Clapton. Suas músicas têm muito significado, como se fossem escritas pessoalmente para mim. Ele tem uma voz de veludo que me encanta. E parece como um filho da puta sarcástico que consegue te irritar, mas você continua o amando como um amigo. Não somos amigos… ainda!

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O que você diria para convencer as pessoas a estarem com você nos shows dessa nova gira pelo Brasil?

Eric Martin — Sinto o amor que vocês têm pelo rock e a paixão e a energia que produzem como audiência. O público do Brasil estabeleceu padrões altos para o rock’n’roll americano. Não podemos ser desleixados, até porque o Mr. Big não faria isso. Nossos shows tem de ser quase perfeitos. Precisamos estar sincronizados. Me incomoda quando leio algo como ‘ eles não foram tão bons quanto da última vez’. Tivemos apresentações monumentais no Brasil e estou me preparando para gastar cada pedaço da minha alma entretendo vocês. Vamos detonar!

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Sobre Homero Pivotto Jr.

Pai do Benjamin, jornalista e assessor de imprensa. Idealizador e apresentador do videocast O Ben para todo mal (que entrevista pessoas ligadas à música para falar sobre filhos e som). Vocalista da Diokane e da Tijolo Seis Furos (TSF).

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