Lucifer's Friend: Ex-Uriah Heep, John Lawton volta aos 71 anos

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Por Luiz Pimentel, Fonte: Blog do Luiz Pimentel
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O cara tem 71 anos, cantou na grande fase do Uriah Heep e desde 1969, entre idas e vindas, faz parte do Lucifer's Friend. Este é um momento de vindas, pois está saindo no Brasil o mais recente disco do grupo alemão (apesar de John Lawton ser inglês), "Too Late to Hate", de 2016. E é uma porrada roqueira o trabalho.

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O vocalista britânico, que mora parte do tempo na Bulgária, conversou comigo sobre tudo isso e sobre os 50 anos de carreira.

Luiz Pimentel - Eu admito que não esperava algo tão pesado e roqueiro como "Too Late to Hate", já que a banda tem quase 50 anos e os membros estão na casa dos 70 anos. De onde você tira energia?

John Lawton - Oi Luiz... Eis uma boa pergunta... Acho que é a própria música que nos mantém em pé. Porque ficamos ausentes por um tempo. Gravar e tocar mantém a adrenalina.

LP - Você está cantando há mais de 50 anos. Como mantém sua voz em forma?

JL - Eu não sei, eu realmente não pratico muito. Se não tocamos por um tempo, normalmente vou até o fundo do meu jardim com minha guitarra e grito.... Eu acho que posso dizer que sou sortudo.

LP - Você nasceu na Inglaterra, formou uma banda na Alemanha, decidiu morar na Bulgária... Por que tão internacional?

JL - Bem, na verdade eu não vivo na Bulgária. Sim, eu trabalho muito ali, filmando e tocando, mas minha casa principal está no Reino Unido. Mudei para Hamburgo (Alemanha) em 1970 e foi quando conheci os rapazes da Lucifer's pela primeira vez. Eu acho que a maioria dos músicos vê-se como sendo internacional para expandir a carreira no exterior.

LP - Quais são as suas melhores lembranças dos anos sessenta em Hamburgo, onde os Beatles fizeram carreira alguns anos antes. A cena, eu suponho, ainda era ótima?

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JL - Perdi a maior parte da cena sessentista de Hamburgo. Quando cheguei em 1970, a cena de Hamburgo ainda estava forte e a cidade era conhecida como o lugar para tocar. Os rapazes de Lucifer's sabem tudo sobre esse tempo e contam histórias às vezes sobre os músicos que conheceram... infelizmente, mudou ao longo dos anos e locais como o "Star Club" não são os mesmos.

LP - Na década de setenta, você teve uma enorme responsabilidade substituindo David Byron, no Uriah Heep. Como foi isso para você?

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JL - No começo, era um pouco estranho para os fãs de Heep. Quero dizer, David era uma grande parte da banda e substituí-lo não era fácil. Eu acho que depois de terem ouvido o primeiro álbum, "Firefly", e alguns shows ao vivo, eles começaram a me aceitar, mas sempre houve comparações e ainda hoje há.

LP - Quais são as melhores e piores lembranças do tempo que você passou na banda, gravando três álbuns?

JL - Para ser bastante honesto, lembro-me apenas dos bons momentos, como a primeira turnê norte-americana com o Kiss e as lendas da música que conheci ao longo do caminho. Gravar "Innocent Victim" e ouvir uma música que eu escrevi, "Free And Easy", sendo tocada pelos caras foi uma grande emoção. Durante o período que tive com o Heep, tivemos bons momentos juntos. Trevor Bolder foi uma grande perda para a banda e para mim, pessoalmente, já que nós dois nos juntamos ao Heep ao mesmo tempo.

LP - A indústria da música está tentando se reinventar. Você ainda recebe dinheiro com suas obras anteriores ou tem que trabalhar gravando e fazendo turnês para ganhar a vida?

JL - Eu ainda obtenho royalties das gravações que fiz junto com os amigos no Heep e Lucifer's e porque assumi a filmagem e direção de documentários de viagem para a televisão búlgara. Eu estou bem. No entanto, ainda ganho tocando ao vivo e enquanto os fãs ainda quiserem me ouvir, acho que vou continuar.

LP - Você voltou ao Lucifer's com o álbum "Too Late to Hate", de 2016. Como é seu relacionamento com os outros membros?

JL - Nós sempre fomos amigos ao longo dos anos, quer atuemos juntos ou não. Quer dizer, nos conhecemos há quase 40 anos e, claro, temos nossas próprias memórias. Na verdade, nunca dissemos "tudo bem, vamos terminar", pois sempre pensamos que voltaríamos em algum momento. Eu acho que a banda pode ser chamada de "negócio inacabado".

LP - Como você se juntou à indústria de TV/filmes, com documentários de viagem e coisas assim?

JL - Eu costumava fazer filmes curtos para o meu site quando estava viajando para shows etc. E um dia eu recebi uma ligação do chefe da televisão CKAT na Bulgária perguntando se gostaria de fazer o mesmo tipo de coisa, mas especificamente sobre a Bulgária. Eu disse que sim, e os tenho feito nos últimos 10 anos. Cada um tem 30 minutos de duração (após a edição) e são exibidos todos os domingos à tarde na TV. Então fui abordado por um produtor de filmes (novamente na Bulgária) para participar de um filme de cinema chamado "Love.Net". Fiz e essa foi uma ótima experiência. Consegui que Mick Box (Uriah Heep) fizesse parte do filme e, juntos, tivemos um bom tempo para fazê-lo. Foi um grande sucesso no nas bilheterias, mas, infelizmente, nunca teve um lançamento mundial. Uma pena porque a história era boa.

LP - Por que você colocou um selo em seu site explicando que você não possui nenhum tipo de conta de redes sociais, como Facebook e Twitter? Você encara a Internet como inimigo da música?

JL - Isso foi colocado lá para permitir que as pessoas saibam que qualquer John Lawton no Facebook não é feito por mim ou por minha equipe. Eu sei que há alguns Facebooks em meu nome, mas eles não têm minha autorização. Eu não tenho Twitter. Eu acho pessoalmente isso uma perda de tempo. Eu tenho um site johnlawtonmusic.com e sempre há o site Lucifer's Friend e o Facebook da banda. Não, eu não vejo a Internet como "inimiga da música". Abriu o mundo para música e artistas que você nunca conheceríamos se não fosse através disso. Ela tem seus lados baixos, mas não poderíamos sobreviver sem isso agora.




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