CJ Ramone: se não gostasse daqui, não viria tão frequentemente

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O baixista Christopher Joseph Ward, mais conhecido como CJ Ramone, está (mais uma vez) de volta ao Brasil para shows em várias cidades. CJ foi chamado para substituir Dee Dee Ramone em 1989 e ficou no quarteto até o fim da banda. Depois foi chamado para integrar o METALLICA e sua resposta foi, acreditem, não (mas ele teve um motivo muito justo). CJ conversou comigo sobre todos esses assuntos e me contou que gosta mesmo do nosso país ("não voltaria tão frequentemente se eu realmente não me sentisse tão bem", "não chego na Europa, na Austrália e digo 'este é meu lugar favorito pra tocar') , além de fazer mais algumas revelações que você confere logo abaixo. Os shows terão alguns clássicos dos RAMONES mas vão focar na carreira solo de CJ e nos discos "Reconquista" e "Last Chance To Dance". Junto com CJ nesta turnê estão os músicos Steve Soto (guitarra - ADOLESCENTS), Dan Root (guitarra - ADOLESCENTS) e Pedro Esteban Sosa (bateria), além de Jiro Okabe, que vai abrir os shows de CJ divulgando seu álbum "Return Of The Kamikazi".

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Daniel Tavares - Antes de tudo, é uma grande oportunidade conversar com você, claro, mas eu vou começar essa entrevista te dando um pouco de background sobre a casa em que você vai se apresentar em Fortaleza, pra onde você vai voltar no final de outubro (ele tocará também em Belém, Uberlândia, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades). Os donos da casa tinham um bar chamado "Hey Ho", que se tornou um importante local de shows na cidade na década de noventa e no começo dos anos 2000. Ela está na memória afetiva dos roqueiros da cidade. Esta casa fechou alguns anos atrás, mas tem uma nova versão agora, bem próxima da casa original e gerenciada por alguns dos mesmos proprietários. A segunda casa chama-se "Let's Go". Não é por nenhuma outra razão senão porque este é o segundo verso de "Blitzkrieg Bop", dos RAMONES. É uma homenagem não só à casa original, mas também uma homenagem aos Ramones. Você sabia disso?

CJ Ramone - Não. Eu não sabia disso. Isso é ótimo.

Daniel Tavares - Esta será a quinta vez na América Latina como CJ RAMONE, além de muitas outras vezes com os RAMONES e outras bandas. Você gosta mesmo de tocar pra gente, no Brasil e na América Latina?

CJ Ramone - Eu sempre disse que fazer turnês na América do Sul é sempre o lugar em que mais gosto de tocar. Eu sempre disse isso desde o começo. Eu não vou pra, sabe, Europa e digo "este é o meu lugar favorito pra tocar", eu não vou pra Austrália e digo isso. Eu sempre disse isso da América do Sul. Os fãs são definitivamente o mais emocionados de qualquer lugar no mundo. Os fãs mais doidos estão definitivamente na América do Sul. Existe uma paixão única que os fãs sul-americanos tem pelos RAMONES e isso faz com que seja excitante ir aí, desde a primeira vez. E toda vez que vamos, nos divertimos muito, nós ainda nos sentimos muito gratos em todas as perspectivas.

Daniel Tavares - E sobre o Brasil, particularmente? Que boas memórias você tem do nosso país, da comida, das bebidas, das pessoas...o que você mais gosta no Brasil?

CJ Ramone - Bem...é...obviamente quando eu era um cara mais novo o que eu mais gostava no Brasil eram as garotas. Mas eu sempre gostei da experiência inteira. Sempre foi ótimo. Não só os shows foram ótimos, mas as noites, sair depois dos shows, encontrar as pessoas e se divertir. Eu sempre, sempre, sempre me diverti aí. Eu acho que tem sido cinco anos seguidos agora em que eu tenho voltado ao Brasil. Eu não voltaria tão frequentemente se eu realmente não me sentisse tão bem. Então, sabe, eu sempre me sinto muito benvindo. As pessoas me tratam bem e, sabe, eu realmente aprecio isso.

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Daniel Tavares - Uau, isto é realmente legal. Esta será a sua segunda vez em Fortaleza. O que os fãs de Fortaleza e do Brasil inteiro podem esperar desse show?

CJ Ramone - Este ano nós vamos fazer quase todas as canções dos meus dois álbuns solo e menos canções dos RAMONES. Antes, quando eu vinha, eu costumava fazer tipo metade-metade. 50% RAMONES, 50% meu próprio material, mas, dessa vez, nós vamos fazer muito mais do meu próprio material.

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Daniel Tavares - Ok. E sobre o "Last Chance To Dance", como você tem visto a recepção do álbum pelos fãs.

CJ Ramone - Tem sido ótima. Eu quero dizer, as pessoas tem me dado muito feedback, tenho recebido muito feedback dos fãs, eles sabem o nome das músicas quando eu as toco, até sabem as letras e cantam junto. E até na minha página no Facebook as pessoas mandam grandes reviews do álbum, eles dizem que gostaram dele tanto quanto do "Reconquista".

Daniel Tavares - E você estará trazendo Jiro Okabe para os shows. O que você pode nos revelar sobre esta parceria?

CJ Ramone - Jiro é um grande amigo meu. Nós temos trabalhado juntos por um longo tempo. Ele também toca baixo e eu escrevi algumas letras do seu álbum e toquei algumas faixas também. O estilo dele é um pop-punk e se encaixa no que estou fazendo. Deve ser bom. Deve ser um show divertido.

Daniel Tavares - O Presidente Obama e os Estados Unidos recentemente abriram as portas para Cuba. E recentemente você também tocou lá, em setembro, eu creio. Quase ao mesmo tempo em que o Papa Francisco também fez uma visita histórica. Como foi o show e que impressões você teve do país?

CJ Ramone - Foram dois shows. Sabe, pra te dizer honestamente, Cuba me lembrou muito como a maioria dos países da América Latina em que estive. Não é diferente do Brasil ou da Argentina. É muito, muito parecido. Obviamente, você sabe, a economia não é boa, no sentido que as pessoas de lá vivem é muito mais simples, mas nós nos divertimos muito. Os fãs amaram e muitas pessoas vieram para os shows. Eles nos trataram bem, ficamos em um hotel bacana. E sabe, eu sou um grande fã de Ernest Hemingway. Ele foi meu autor preferido desde que eu era jovem. Então, eu sempre quis viajar pra Cuba, então, foi algo que eu queria fazer há muito tempo e foi bom ir lá.

Daniel Tavares - Os RAMONES são uma das bandas mais importantes do mundo. Ter feito parte da história dos RAMONES foi um grande feito, mas também uma grande responsabilidade. Como você concilia isso? O quanto isso é importante pra você?

CJ Ramone - Estar nos RAMONES, mesmo eles sendo famosos a nível mundial e isso tudo, no fim a coisa que mais importa pra mim em estar nos RAMONES é estar entre amigos como Johnny and Joey. Eu realmente tenho grandes lembranças de estar na banda, dos shows e tudo mais, mas a maioria das minhas melhores lembranças vem de quando eu estava apenas me divertindo com Johnny e Joey. Mas, sabe, eu sempre tento manter os RAMONES como eu os via ao vivo, eu sempre toco as canções deles ao vivo, eu tento tentar manter a chama viva. E isso faz com fique difícil às vezes quando eu lanço meus próprios discos porque eu tenho o nome RAMONE e isso faz com que haja muita pressão para que seja um disco realmente muito bom, até chegar um ponto em que eu ache que eu tenha feito o melhor trabalho que eu poderia fazer para fazer boa música e para que seja boa o suficiente para usar o nome dos RAMONES. Isto é tipo tudo o que eu me preocupo. Enquanto eu conseguir fazer bons discos, manter o nome dos RAMONES com orgulho, isso é tudo o que me importa.

Daniel Tavares - Além de você e da sua banda, quais outras bandas na cena punk estão mantendo a chama acesa, como você disse?

CJ Ramone - Novas bandas?

Daniel Tavares - Sim

CJ Ramone - Existem bandas novas muito boas. Eu realmente gosto de uma banda chamada MEAN JEANS, de Oregon. Eles são uma banda muito boa e eu gosto muito deles. E eu não conheço muitas das novas bandas, sabe. Eu ouço mais as coisas com as quais eu cresci, as primeiras coisas PUNK. Isso é realmente o que eu escuto, mas eu tento manter meus ouvidos abertos para novas bandas, e de vez em quando ouço algo que me agrada. MEAN JEANS é uma dessas bandas mais novas, apesar de que eles estejam por aí por dez anos ou algo assim. Não são assim tão novas. Eu realmente gosto deles. Acho que eles foram influenciados pelos RAMONES e eles entendem o que fez dos RAMONES uma grande banda.

Daniel Tavares - E eu sempre faço esta pergunta para todos os meus entrevistados. Existe alguma banda brasileira que você goste, que você ouça em sua casa, ou até que tenha tido alguma influência na sua música ou no seu estilo de tocar?

CJ Ramone - Boa. Eu tenho estado por aqui por tanto tempo a ponto de ter sido exposto a várias bandas brasileiras, mas a maioria das bandas às quais fui mais exposto são do mesmo tempo em que eu estava com os RAMONES, como SEPULTURA, RATOS DE PORAO...Todas essas bandas, eu gosto demais. Devido a não termos muita música de outros países tocando nos Estados Unidos, eu tive sorte de ser exposto a essas bandas nas turnês, mas, eu acho que, pra mim, o SEPULTURA está acima de todo o resto. O álbum "Roots" deles, eu sei que é bem velho, é um dos meus álbuns favoritos de metal de todo o tempo.

Daniel Tavares - E sobre o METALLICA. Você foi convidado para preencher a vaga de Jason Newsted quando ele saiu, mas recusou para cuidar de seu filho, o que se provou depois como tendo sido a decisão pessoal mais correta. Se a oportunidade batesse à sua porta novamente hoje, qual seria a sua decisão?

CJ Ramone - [Risos] Eu aceitaria num segundo. Eu adoraria tocar com o METALLICA. Eu tenho sido um fã deles por um longo tempo, mas, usualmente você não tem duas chances. Você usualmente só tem uma chance. Mas, como você disse, eu não me arrependo por ter dito não. Eu estou realmente orgulhoso do meu filho, ele tem mandado muito bem. E vai para a faculdade no ano que vem. Ele realmente justifica minha decisão por não ter me juntado a eles. Mas se eles oferecessem de novo eu aceitaria.

Daniel Tavares - Claro, eu também daria a vida por meu filho. Mudando de assunto, assim como outro roqueiro chamado Ward, Bill Ward, ex-baterista do BLACK SABBATH, você também tem se dedicado à pintura. Você pode me dizer o que o atraiu na arte da pintura? Como tem sido esta experiência?

CJ Ramone - Ah, sabe, é algo que eu fiz em colaboração com um grande amigo meu chamado Jesse Mosher. Eu gostei. Eu adorei. É tão diferente de toda coisa que eu já fiz. Eu nunca pensei que iria fazer isso, mas, quanto mais velho você fica, esperançosamente, fica mais mente aberta. Eu estava apenas colaborando num projeto, mas espero fazer muito mais no futuro.

Daniel Tavares - Eu agradeço pela sua atenção, mas estamos chegando ao final da nossa entrevista. Eu gostaria que você deixasse uma mensagem para os seus fãs, para os fãs dos RAMONES, especialmente para aqueles que vão assistir aos seus shows no Brasil. Em Fortaleza, principalmente, onde eu vou estar para vê-lo.

CJ Ramone - Eu espero ver todo mundo nos shows. Vai haver muito da minha própria música nessa turnê. E RAMONES para sempre.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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