Noturnall: Fernando Quesada comenta passado e presente

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Por Haggen Kennedy, Fonte: Haggen Kennedy
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Fernando Quesada, baixista do NOTURNALL, conversou com o Whiplash.Net dia 15/05/15 e, com muito bom humor e super acessível, falou sobre a turnê com o Adrenaline Mob e Republica, os shows sem Thiago Bianchi, o disco novo, censura, Brasil, a vida de banda por detrás dos holofotes, a agenda apertada do batera-polvo Aquiles Priester e até sobre um possível futuro projeto com Christian Passos [WIZARDS]. Confira na íntegra essa entrevista exclusiva com o Whiplash logo abaixo.

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WHIPLASH: O que aconteceu com o Bianchi, que faltou ao show de Curitiba?

Fernando Quesada: Cara, o Bianchi perdeu completamente a voz e não pôde comparecer. Nossa solução foi tocar com a voz dele gravada [N. do E.: em playback] durante o show.

Mas ele tem faltado desde o começo da tour? Que shows ele fez?

Não, ele fez quase todos. Fez BH, Rio, São Paulo e Juazeiro do Norte. No de Juazeiro ele já estava bem mal. Porque no de São Paulo ele cantou, só que ele já não estava bem. Mas ele fez mesmo assim, e lá [em Juazeiro] eu acho que ele acabou de arrebentar [a voz]. Quando chegou em Juazeiro ele já estava cuspindo sangue e tudo, mas ele não quis arregar, quis fazer o show, pois ele já estava lá. Então a gente falou "olha, então você faz, mas nesses dias seguintes você vai ter que ir no médico e a gente vê o que acontece" (porque a gente teria 3 dias de folga). E aí não deu pra ele seguir com a gente.

Mas e como é fazer essa turnê sem vocal?

É, a gente tem explicado isso [ao público] na hora [do show]. O Aquiles vem e explica o que aconteceu antes do show e a gente tenta ganhar a galera assim. Porque a gente não queria criar nenhum tipo de rejeição antes de entrarmos no palco, por isso fazemos desse jeito. Mas é um show realmente muito diferente! Ontem, por exemplo [N. do E.: "ontem" foi dia 14/05/15, data do show em Guarapuava/PR], foi a primeira vez na minha vida que toquei sem vocal no palco. A gente fez 4 músicas com o vocal gravado [N. do E.: em playback], aí eu cantei uma, o Juninho cantou outra, o Léo cantou outra, o Aquiles fez um drum solo e a gente finalizou com Pantera [N. do E.: cover de Cowboys from Hell]. Hoje a gente vai finalizar com o Russel cantando junto com o vocalista do Republica. É como se fosse uma festona no final.

O que aconteceu com o show no Chile? Por que ele foi cancelado?

Não teve Chile, o que aconteceu foi o seguinte: quando começamos a fechar a tour, a gente fechou com o Adrenaline Mob os shows no Brasil e também o Chile. Mas quando fomos conversar com o empresário do Adrenaline, ele falou "cara, no Chile eu tenho exclusividade com tal pessoa, então não consigo liberar o Chile", e a gente teve que abrir mão do país e voltar ao que estava antes. Porque nossa negociação era de 8 datas com o Adrenaline, e a gente chegou a conseguir o Chile, mas, pela exigência de exclusividade, não foi dessa vez.

É uma pena, porque eles ficaram sem vocês e vocês ficaram sem a divulgação do trabalho.

Sim, mas tudo bem, porque a gente já está conversando com eles pra datas futuras. Vamos voltar lá no Chile sem o Adrenaline, não sei se vai ser com o Michael Kiske ou se só com a gente, vamos ver ainda como fazer.

De quem foi a ideia de tocar Cowboys from Hell ao vivo?

É que no Noturnall o Pantera é uma marca pra gente, foi uma banda que fez um crossover. O Pantera, quando começou, era uma banda bem mais leve, e fizeram um crossover de virar uma banda mais pesada. Pra gente foi mais ou menos isso que aconteceu com o Noturnall: a gente veio do Shaman, o Aquiles veio do Hangar, do Angra... são bandas que o vocal não tinha esse tipo de grito [mais agressivo] nas músicas, não tinha nada assim. A gente não chegou no peso do Pantera, mas tentamos fazer essa mesma [passagem], um tipo de prog-thrash. Então a banda que eu mais me baseei pra criar riffs foi o Pantera, foi a banda que eu mais ouvi pra falar "bom, é por aqui".

Quando você diz "eu mais me baseei", isso foi com relação aos riffs do Dimebag mesmo ou foi nas linhas do baixista Rex?

Não, do Dimebag, mesmo, porque no Noturnall, as coisas são assim: eu e o Thiago iniciamos as composições. Eu e o Thiago fazemos as bases de guitarra – inclusive, no disco, eu mesmo é que geralmente gravo as bases de guitarra. O Leo faz os leads, solos, e tal, mas as bases de guitarra, a grande maioria eu é que acabo fazendo.

Mas então você toca pra caralho. Aquelas bases são super seguras.

[risos] Toco não, tô tentando ainda. Mas é que o meu instrumento oficial mesmo é a guitarra, eu sempre toquei mais guitarra. No Shaman é que eu fui pro baixo, e agora no Noturnall a gente pôde recuperar isso, porque o Leo é um guitarrista mais de hard rock e eu sou um guitarrista mais pesado, então a gente dividiu legal o que cada um ia fazer. E eu ouvia e ainda ouço muito o Dime, ele foi uma das minhas grandes influências de riff. Acho gênio o jeito que ele faz riff junto com voz e tudo mais, por isso que a gente acabou escolhendo o Pantera, porque [essa banda] foi mesmo uma marca pra gente.

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Eu lembro de uma entrevista antiga que li com o Petrucci [DREAM THEATER] em que ele afirmava que o Dimebag era uma grande influência pra ele também, inclusive pelos riffs.

Pois é. É que é antigo, né, cara. Imagina que você ouve aquilo e diz "esse cara teve essa ideia de fazer isso lá atrás", porque não é que nem agora, com toda essa influência que a gente tem hoje pra poder ter uma ideia. Ele teve lá atrás, sem muito riff de influência. O cara é fenomenal. Daí a gente ter colocado o Cowboys from Hell, porque é uma marca pra gente, é um momento que a gente falou "viramos uma banda mais pesada", daí incorporamos umas influências diferentes.

Como foi fazer o disco novo de vocês, "Back to Fuck You Up!", de 2015?

Esse disco foi assim: quando a gente fez o primeiro [N. do E.: "Noturnall", de 2014], estávamos há muito tempo sem fazer nada no Shaman, então tínhamos um monte de coisas guardadas. A gente começou a fazer aquele disco e [ele nos] empolgou pra continuar mais ideias. Em novembro de 2014, durante a turnê que a gente fez aqui no Brasil, ainda no ônibus, começamos a fazer umas ideias novas. Aí quando cheguei [em SP] com o Thiago, a gente sentou e falou "cara, vamos fazer". Porque a nossa meta com o Noturnall é todo ano a gente lançar um CD, e no fim do ano [lançar] um DVD. Vai ser sempre assim: esse ano a gente lança de novo um DVD no fim do ano, e ano que vem novamente a gente lança um CD no começo do ano, e no fim do ano DVD... enfim, a gente vai permanecer com essa meta pelo menos durante os 4 primeiros anos de banda. Nós sabemos que somos uma banda nova, e sabemos também que pra entrar e ficar no mercado, temos que ter trabalho pra mostrar, daí queremos ter coisa nova sempre.

Vocês estão construindo o portfolio da banda.

Um portfolio, exatamente. Aí esse disco foi nesse caminho, a gente viu que tinha sobrado coisa do outro disco e já estávamos com mais vontade de fazer coisas pesadas. E essa banda, como viemos do Shaman, a gente se dá super bem. A gente não se vê só pra tocar, a gente se vê como amigo, mesmo, muitas vezes. Então acaba tendo muita ideia junto. E o Aquiles, que também entrou nessa estória, ele é completamente louco, adora fazer disco, adora sair tocando sem parar. Então a gente sentou e fez esse disco em 3 meses, desde o começo da produção até a masterização, foram só 3 meses, foi rápido pra caramba [risos]. A gente sentou, começou a fazer, ligou pro Aquiles e falou "Aquiles, quando você está livre pra gravar?", aí ele falou "cara, vou sair pra uma turnê, tenho livres do dia 1 ao 10 de fevereiro [de 2015] pra gravar a batera". Daí a gente marcou essas datas, e ele dizia "mas cara, não tem música nem nada ainda", e eu falava "mas até lá vai ter" [risos]. Aí a gente gravou as bateras até 10 de fevereiro, sentou lá, ficamos praticamente morando no estúdio esses meses até terminarmos. Então a produção desse disco é inteira nossa, [foi] o Thiago que mixou e masterizou o disco. Sonoramente ele é muito próximo do primeiro, porque ele foi feito no mesmo estúdio, sob os mesmos moldes. Mas [esse segundo disco] é um pouco mais pesado, musicalmente falando.

Ele foi feito inteiramente aqui no Brasil, então.

Sim, tudo no Brasil. No primeiro disco, fomos lá gravar as vozes com o Russel, mas não pelos equipamentos nem pela "qualidade". Foi porque a gente admira o tipo de voz que ele faz. Hoje essa estória de gravar fora é um pouco demodê, você falar disso, gastar uma grana pra gravar fora. A gente tem os mesmos equipamentos aqui, temos a mesma qualidade, a gente tem profissionais que são contratados de fora para gravar. Então a gente tem todas as condições possíveis de fazer um disco que concorra com qualquer qualidade gringa. Por isso eu considero hoje um dinheiro um pouco mal gasto, sinceramente. Eu faço parte de publicidade da banda, trabalhei bastante com publicidade, e acho que qualquer dinheiro que você tem, o que você vai gastar com a sua banda é pra você pensar na marca dela e como garantir a continuidade dessa marca. E você gastar muito mais pra ter um som de guitarra que não muda nada do som brasileiro, eu já não acho mais essa vertente tão aceitável.

Ou seja, o Brasil já tem plenas condições de fazer um som de nível mundial.

Sim, tanto que eu fui agora pra Nova York pra resolver uma pendência da turnê, e 3 produtores que trabalhavam aqui já estão [trabalhando] lá. Então, assim, o Brasil tem a mão de obra. Inclusive tem gente que é exportada pra lá pra fazer. Então isso de que gravar fora fica bom e gravar aqui fica ruim, isso não existe. Se você pegar um disco gravado aqui e um gravado fora, e você colocar numa sala de 100 pessoas, duvido que duas delas consigam dizer se ele foi gravado fora ou aqui.

Então vocês produziram tudo sozinhos mesmo, sem ajuda externa.

Isso, porque o Thiago é produtor, grava diversas bandas e tudo mais...

Ah, a questão do produtor. Lembro que em 2010 vocês apareceram no programa Login, da TV Cultura, dizendo justamente isso. Fizeram a vocês uma pergunta sobre a gravação do disco, e o Thiago falou assim "bem... é que aqui é uma banda de produtores, sabe..."

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[rindo] Exatamente! Ou seja, é a banda mais chata de se gravar, na verdade [risos]. Porque assim, o Thiago é produtor, já gravou mais de 100 bandas por aí; eu também sou produtor, inclusive no IG&T e no EM&T dou aula de produção musical, gravação, mixagem etc.; o Léo [Mancini, guitarra] também é produtor, grava várias coisas; o Juninho [Carelli, teclado] é produtor de vídeo, então todos os nossos vídeos, DVDs, videoclipes etc. são feitos pelo Juninho, pela produtora dele; e tem o Aquiles, que é o músico da banda, mesmo.

A produtora do Juninho é a Fusão?

Não, a Fusão é do Thiago, que é de áudio. A do Juninho é a Foggy, de vídeo. Aí juntando os dois, nós fazemos todo o nosso material por aí. Por isso que é legal, porque a gente conseguiu fechar uma estrutura inteira, bem fechadinha, e por isso que temos facilidade de soltar tanto material rapidamente, porque a gente consegue diminuir os custos pra poder fazer clipes, DVDs e tudo mais. A gente acabou formando um time legal nessa estória, e todo mundo é muito competente no que faz, por isso o disco ficou muito bom com o Thiago, e os videoclipes ficam muito bons com o Juninho. Inclusive pra esse disco agora, nós já temos 3 videoclipes. São 4 finalizados, mas a gente vai soltando aos poucos.

Aquele clipe do Shaman, Finally Home, foi feito pelo Juninho também?

Foi pelo Juninho junto com outro diretor, que é o Alex [Batista], ficou super bom. E o clipe do Nocturnal Human Side, nosso primeirão, com o Russel Allen, foi demais porque foi [feito] só com uma única câmera, sem iluminação, sem nada. A gente foi só com essa câmera e com o Juninho.

E ficou profissional.

O nosso jeito é esse, a gente preza muito pelo talento da pessoa. O equipamento está aí, você tem que saber utilizá-lo. Mas a gente fez aquele clipe com o Juninho e uma câmera só, usando luz natural, tudo aquilo, foi muito bacana.

Mas a câmera era o quê? Uma GoPro?

Foi uma câmara legal pra gravação. Não foi uma câmera absurdamente cara. Era uma Canon 7D, que relativamente está entre as profissionais de TV e uma câmera caseira. Essas câmeras atualmente têm uma qualidade muito boa, então ficou muito bacana.

Você comentou que havia usado sobras do disco do Shaman pro Noturnall, mas as sobras foram esgotadas no primeiro disco? Ou seja, esse segundo também usou unicamente aquelas sobras ou tem algo novo?

O primeiro disco era o disco do Shaman inteiro, ele já estava pronto. O Ricardo [Confessori, batera do SHAMAN] inclusive já tinha gravado todas as baterias, mas aí tivemos lá os nossos problemas e a gente acabou decidindo não lançar pelo Shaman o disco. Só que como o disco foi inteiramente composto por mim, pelo Thiago e pelo Júnior, a gente acabou sentando com o Ricardo e falando "olha, já que não vamos lançar pelo Shaman esse disco, a gente vai fazer uma banda nova, porque a gente fez essas músicas e achamos que elas merecem ser lançadas de alguma maneira". Então o disco inteirinho era pra ser do Shaman, mas virou da Noturnall.

Eu sempre achei que eram as composições que estavam prontas. Não sabia que tinha chegado a esse ponto de o Ricardo já ter inclusive gravado a parte dele. Todos os instrumentos então já estavam gravados. Ou seja, o disco estava, efetivamente, pronto.

Sim, tanto que o Aquiles gravou em cima das bases inteiras prontas. Foi um disco diferente.

Ou seja, o disco não foi lançado com a linha de bateria do Confessori. Foi a do Aquiles, mesmo.

Exato, o Confessori já tinha gravado, mas quando a gente ouviu as músicas, já estávamos buscando uma sonoridade mais pesada, não era o mesmo esquema que o Confessori estava procurando. A gente estava numa época, não só musicalmente, mas numa época da nossa carreira um pouco diferente. A gente brinca que é como se fosse uma montanha: o Confessori chegou no ponto alto da montanha, teve uma carreira excelente, ele já estava naquela fase de sossegar. Era o caminho inverso do nosso, porque a gente estava tentando escalar a montanha pra chegar lá em cima. E como a gente se cruzou no meio do caminho, nessa montanha, em algum momento a gente quis seguir novamente caminhos separados. A gente queria dar um gás animal, e o Confessori já pensava num lançamento um pouco diferente, sem correr tanto atrás das coisas, sem fazer tanto investimento. Foi por isso que decidimos não lançar [o disco pelo Shaman]. Como as músicas eram de autoria minha, do Thiago e do Júnior, nós tiramos a gravação da bateria [do Confessori] e o Aquiles foi gravar em cima das músicas já prontas. Então pro Aquiles foi uma coisa estranha, e pra gente também, porque a gente nunca pensou em gravar um disco com a bateria gravada por último [risos]. Afinal, a bateria geralmente é a primeira coisa a ser gravada, né. Mas ficou legal pra caramba, foi uma experiência estranha, diferente, mas foi excelente, a gente gostou bastante. Esse novo disco a gente já gravou do jeito "mais normal", que foi o Aquiles gravando primeiro a bateria. E a gente já tem uma unidade maior de banda também, por isso que o primeiro disco ainda tem alguns resquícios de power metal, algumas coisas assim. O disco novo quase não tem resquício mais do melódico.

"Quase" não tem, porque essa faixa Rise Now! é a cara do melódico.

[rindo] É verdade, essa é melódica mesmo! O disco é bem pancadaria, daí vem uma balada, que também tem uma parte pesada [N. do E.: ele se refere à 7ª faixa, This is Life], e aí tem essa [Rise Now!], que é uma música bem melódica, mesmo. Na verdade, essa é uma raiz mais do Léo do que de qualquer outro integrante da banda. [Essa música] tem esse tipo de solo mais melódico, o tipo de linha etc., mas é bom ter variedade no disco também, a gente acabou colocando uma melódica ali.

E essa Fight the System, que zorra de bateria é essa?

Essa aí, quando o Aquiles estava tocando, a gente achou que a bateria ia decolar [risos]. O cara parecia um helicóptero tocando. O legal é que a letra é do Mano Brown [N. do E.: vocalista do grupo rap Racionais MC's], tem isso de legal nesse disco. Porque inclusive a capa, muita gente falou "vocês aproveitaram essas manifestações que estão rolando agora, né", mas na verdade a gente já tinha encomendado essa capa há 8 meses, porque ela poderia ser de um DVD ou de outro CD ou coisa do tipo. A gente já conversava sobre esse disco, sobre uma capa assim. Não que ela precisasse ser uma capa de disco em si, mas era uma arte nova que a gente estava bolando. E realmente a capa caiu num momento exato pra gente, foi o momento mais certo possível, porque o nosso jeito de protestar contra o que está errado é através da música. Não tem outro jeito, acho que é assim que o músico protesta. Então o disco é conceitual. Ele não é contra nenhum partido político nem governante específico, não é nada disso. É contra 20, 30 anos de corrupção contínua no Brasil que hoje está estourando, porque alguma hora isso tinha que estourar. Então agora a gente vai passar por um momento de transição brabo, mas espero que desse momento de transição saia alguma coisa útil depois.

Você se antecipou e respondeu minha próxima pergunta, que era se o disco era conceitual. Pois percebi que as letras têm muito a ver com essa temática da situação política e da corrupção, e que inclusive tem tudo a ver com a capa.

Sim, tem a ver com a capa. No Shaman as letras eram sobre cosmos, energia, coisas assim. Já esse disco tem mais a ver com isso.

É mais "pé no chão".

É mais pé no chão, e a Fight the System principalmente, porque a letra foi em parte do Mano Brown e em parte do Thiago, que costuma fazer músicas com mais críticas sociais, mas o time inteiro buscou fazer isso também. Se você for analisar o heavy metal antigo, ele surgiu como uma música de revolta, e o punk também. Em algum momento essa revolta se perdeu e o heavy metal passou a ser um estilo mais mainstream, essa revolta se perdeu. A nossa tentativa é usar também a música do heavy metal, porque já que é um som pesado, colocamos uma letra pesada também.

Uma verdadeira volta às raízes.

Exatamente, uma volta às raízes, mas com um som mais complexo.

Mais complexo e principalmente mais pesado, mostrando a indignação com a situação atual...

[risos] Toda a indignação, quebrando instrumentos e tudo mais!

Bateria voando e tudo.

[risos] Imagine.

Notei também que, além do título da faixa de abertura estar em português [N. do E.: Enquanto a Trégua Não Vem], há trechos efetivamente cantados em português nesse disco, como é o caso na própria Fight the System. Esse disco parece ser uma coisa bem Brasil.

Sim, esteticamente o nosso estilo de música [N. do E.: o heavy metal] não é feito pra língua portuguesa. Então às vezes perguntam por que ele é [feito] em inglês, mas no fundo mesmo é porque a estética musical combina mais com a língua inglesa. Tem essa estória de [que o som é] feito pra fora, mas com o mundo globalizado isso nem existe mais, porque se você faz MPB em português, isso vai ser consumido lá fora do mesmo jeito que uma letra em inglês é consumida. Então é uma questão da estética. Com esse som pesado nós sentimos algumas brechas em que daria pra colocar [a letra em português], e a gente gostou muito. E pra ser sincero, a gente achou o resultado da letra em português muito legal também. Então nos próximos materiais a gente vai colocar mais coisa, porque a gente gostou desse lance meio heavy, meio assim em português dentro da música. Quanto à música, eu gosto de falar que a gente não faz nada "pensado". O que eu quero dizer é o seguinte: quando a gente vai fazer [uma música], muitas vezes ela te leva a usar uma letra em português ou em inglês, enfim, a gente usa o que der. Pela estética hoje a gente canta mais em inglês, mas podemos ir mudando ao longo do tempo, vamos ver.

Onde vocês buscaram inspiração pra This is Life? É uma balada bem diferente.

A verdade mesmo dessa música é o seguinte: a gente tinha saído pra falar sobre qual seria o enredo do clipe da [música] Back to Fuck You Up! – nem era nem dessa [This Life]. O clipe não saiu ainda, ele está sendo gravado agora, e vai sair depois da turnê [N. do E.: turnê com o Republica e o Adrenaline Mob, que terminou dia 17/05/15 com um show em Buenos Aires]. Mas enfim, a gente estava discutindo, e quando voltamos para o estúdio, o Thiago estava cansado, foi pra cama, mas eu estava totalmente sem sono. E na época tinha uma outra balada, que era um pouco mais melódica, e eu fiquei ouvindo aquela balada e pensei "cara, eu não queria uma balada melódica". Era 1:00 da madrugada, sentei a bunda na cadeira e [trabalhei ela] até as 5 da manhã. Aí gravei tudo no violão, fiz um programa na bateria, gravei guitarra, baixo, fiz as vozes, tudo, e quando chegou de manhã, mostrei pro Thiago às 6 da manhã e ele falou "é, legal!", e no fim ficou uma balada totalmente diferente do que a gente tinha feito. A gente sentou, deu uma produzida nela e ela ficou. Então foi uma balada que saiu do enredo do clipe!

Eu achei interessante porque lá pelo meio ela de repente fica pesada, muda tudo. Eu estava ouvindo e pensei "peraí, o que tá acontecendo? É outra música?"

[risos] É, a gente nunca tinha feito uma balada que ficasse pesada, então foi legal porque a gente deu uma mudada nos estilos de baladas.

Não só nas baladas, mas em todo o resto o CD está muito bem feito também.

Fico feliz de você dizer isso. No encarte dentro a gente fez um pôster legal também...

No primeiro de vocês, o "Noturnall", o encarte vira pôster também.

É, a gente sempre faz pôster, porque quando eu era moleque eu adorava pegar os CDs e colocar na minha parede. Então a gente pensa isso, "pô, eu queria pegar o CD e pôr na parede". E tem até mais coisas: a gente lançou esse CD novo, e também o primeiro, com alguns vale-brindes dentro, e sempre por um preço que não ultrapasse o valor de um lançamento que a gente acha merecido. Por exemplo, esse CD a gente lançou por R$ 18 na pré-venda, já com um vale-brinde dentro dele. A gente acredita que o CD é um material que não é mais "a mídia do momento", porque tem muita gente que nem consegue mais tocar CD no aparelho de som do carro; ou o computador ou ultrabook já não toca mais etc. Só que ele ainda pode ser um item para quem gosta da banda. Então até tem onde tocar, mas ele precisa ter algum atrativo a mais do que só o CD. Por isso que a gente faz sempre um pôster, pra ter esse atrativo do pôster... colocamos alguns prêmios dentro, então a pessoa vai ganhar alguma coisa. Pega o CD e tem um vale-brinde lá dentro: teve gente que ganhou as baquetas do Aquiles, a pele do bumbo... no outro CD a gente colocou guitarra e violão, nesse colocamos microfone...

...uma noite tórrida com o Fernando Quesada...

[risos] Esse aí ninguém vai querer, vai vender muito menos se eu colocar [muitos risos]. Mas dessa vez a gente colocou uns banners gigantes de 2 metros de altura da capa...

"2m"?! São maiores que eu.

Pois é, são bem grandes, uma coisa linda, da capa do disco, mesmo, e quem leva o CD pode ganhar isso. Acho que foram colocados 120 banners nos CDs, é um jeito de colocar esse material para as pessoas comprarem. Inclusive, conversei hoje com o dono da Die Hard [N. do E.: loja de CDs e heavy metal em geral na Galeria do Rock, em SP], que é a loja que está fazendo nossa pré-venda, e felizmente a gente está de novo entre os mais vendidos. Passamos todos os gringos que estão à venda, batemos o recorde da loja com o primeiro disco e já estamos quase batendo com esse segundo. Então a gente está super feliz com isso.

Deve bater, porque o disco está realmente muito bom.

A gente fica muito feliz com isso, cara, porque numa época que é tão difícil de vender CD, a gente está tendo um retorno muito bom de vendagem de CD. O Aquiles, por exemplo, é um cara que a gente admira muito o tipo de filosofia dele sobre produtos dentro da banda, sobre como fazer a marca e tudo mais, e realmente a gente acredita que quando você faz um investimento numa coisa e as pessoas percebem que você fez aquilo, não é que elas vão "ajudar", mas de alguma maneira elas sentem que você está trabalhando pra chegar até algum lugar, então elas consomem, elas vão no show e tudo mais...

Elas respeitam o esforço.

"Respeitam o esforço", exatamente. Acho que essa é a melhor definição possível. E é isso que a gente sente com o nosso material. Hoje a nossa banca de merchandising é muito grande. Então se alguém for no show e olhar a banca, vai ver que temos desde mousepad até squeeze, caneca, a gente tem tudo possível da banda. É uma banca grande de merchandising, porque a gente acredita que quanto mais produtos estiverem rodando com a sua marca dentro, mais você vai divulgar essa marca e mantê-la. Tanto que hoje a gente tem nossa própria produção também de merchandising: temos a nossa própria máquina de fazer toda a parte de canecas, toda a parte de mousepads, toda a parte de prensagem... pra tudo temos as nossas próprias máquinas, que a gente acaba fazendo dentro de um círculo, pra podermos diminuir custos também pra banda. Se um terceiro fizesse a minha caneca, eu pagaria de custo R$ 25 pra poder revender no meu show. Mas eu tendo a máquina, consigo ter um custo de R$ 5, e aí eu posso vender por um preço mais acessível, em vez de precisar colocar um preço que nem eu mesmo compraria de alguma banda. Então eu acho legal esse estilo de pensar, que a gente é uma empresa. E uma empresa precisa saber onde cortar custos, onde colocar mais custos etc. Que é o caso das turnês também, a gente sabe que fazer turnê é assim: tem shows muito lotados, tem shows menos lotados. Não é assim, fez um único show, ganhou. Da mesma forma que não é assim com o merchandising, que você vende uma coisinha e pronto, ganhou. É uma questão de você fazer um treinamento de 2, 3 anos, sabendo que você vai passar por problemas, sabendo que vai ter show com 30 pessoas ou 20 pessoas, mas também vai ter show com 700, 800 ou 1.000. Então é uma balança que vai [se equilibrando] ao longo do tempo. Mas pra segurar essa balança você precisa de pessoas que realmente gostem do que estão fazendo, porque não é a coisa mais fácil do mundo fazer isso.

Com certeza, ainda mais que é um mercado tão saturado e você ainda tem que competir com bandas que já estão muito consolidadas. Se a pessoa vê um CD do Iron Maiden ou o novo do Megadeth na prateleira, como fazer para que ela pegue o do Noturnall? É bem difícil isso.

Exatamente, é difícil quando você está na prateleira. E hoje a internet deixou as coisas mais difíceis ainda. Porque às vezes a pessoa fala "ah, com a internet ficou mais fácil de se divulgar", e eu costumo falar assim: "imagina que o seu CD estivesse na prateleira de uma loja com 300 títulos. Já seria difícil alguém escolher o seu título. Imagina agora que você está numa prateleira de 3 milhões na internet".

Na verdade, nem sequer existe limite para o número de títulos dessa "prateleira" que é a internet.

Exato, nem tem limite. Já era difícil antes com aquela prateleira... o que é mais fácil agora é você colocar o seu produto na prateleira, só que essa prateleira é gigantesca. Pra você fazer alguém chegar até o seu produto, mesmo com a internet, não é simples. Há uma série de investimentos e conhecimentos que você precisa ter. Hoje eu dou um curso no EM&T chamado Music Business em que eu vejo muita banda boa que não sabe nem o que fazer com o CD que vai lançar, nem sabe por que está lançando aquele CD, se de repente não era melhor ter lançado um single ou alguma outra coisa, e eu sempre falo pra eles: viver de música é possível? É. Eu sou a prova viva disso, e todo mundo dessa banda também. A gente vive com luxo e riqueza? Não. A gente vive como pessoas batalhadoras do nosso estilo que aprenderam a viver com o mercado do jeito que ele é, ao invés de ficar reclamando do mercado, ou que alguém não consumiu você. A gente vive, seja por lei de incentivo à cultura, seja por turnê, por investimento empresarial, seja por onde for, a gente se adaptou ao meio e consegue viver hoje desse meio. Então eu acho importante as bandas saberem disso, o que fazer, como lançar, não gastar dinheiro à toa, saber que, como toda empresa, você precisa de investimentos no começo, então tem que saber como você vai buscar esse investimento e tudo mais. A gente faz parte desse trabalho que é tão difícil. Poucas bandas se sobressaem e conseguem sobreviver disso. Seja com sucesso ou sem sucesso, tanto faz! Tem muita banda que sobrevive sem sucesso, mas sobrevive daquilo. E tem muita banda que faz sucesso, estoura e morre depois de um tempinho, porque não soube lidar com aquilo que ganhou. Então realmente é importante saber como ter uma balança [equilibrada] em tudo isso pra você poder ter uma longa vida e não parar sem planejamento.

Quem fez a capa do disco novo?

O Carlos Fides. Ele trabalha com a gente desde o Shaman. O cara é animal, faz as melhores artes possíveis e representou direitinho o que a gente pediu, que foi a nossa mascote, essa zumbi, mas já um pouco mais crescida, mais velha. Porque na outra capa ela nasceu, e nessa ela se revoltou com o que estava acontecendo, aí resolveu, nesse cenário aí, tacar fogo em tudo. Obviamente sofremos censura em alguns lugares, do tipo "não podermos divulgar seu disco aqui", por conta dessa capa mesmo, porque tem figuras públicas, como o planalto sendo queimado e tudo. Mas realmente a gente não se importa com isso, porque a nossa imagem foi passada. Obviamente não é uma coisa real, ninguém aqui quer instigar ninguém a colocar fogo em nada, mas é o que o nosso coração sente hoje, tipo quando ligo o jornal pra ver as notícias e vejo que R$ 6 bilhões foram desviados para um lado, mais R$ 6 bilhões para o outro. Acho que é o que praticamente todo mundo sente vendo essas coisas.

Talvez esse tipo de represália e censura, de não poder divulgar uma obra pela capa, seja até parte desse trabalho de protesto. Até o Iron Maiden já passou por isso, quando mataram Margaret Thatcher. E no caso de vocês é mil vezes mais justificado.

[rindo muito] Aquilo lá da Margaret foi demais também.

Como vocês fazem pra encaixar Aquiles nessa agenda louca que ele tem? Como se ele já não tocasse em muita banda, agora tem mais uma, a Blackwelder.

[risos] O Aquiles é uma das pessoas com quem eu mais gosto de trabalhar dos últimos tempos. Eu admiro muito o jeito dele de trabalhar. Tem essas estórias de que ele é um cara difícil de trabalhar e tudo mais, mas ele simplesmente é um cara profissional dentro de um meio que às vezes não é tão profissional. O Aquiles é uma pessoa assim: se eu combinei com ele às 16 horas, 12 minutos e 13 segundos ali na porta, ele vai estar ali na porta nesse horário. Ele é um cara extremamente profissional, e o que se fala com ele é mantido. E ele é muito bom de trabalhar com agenda. A gente senta e temos uma agenda virtual de todas as bandas dele. Na verdade, não só dele, porque tem o Juninho também, que tem um outro projeto, e o Léo também, ou seja, é uma agenda combinada inteira, e a gente faz turnês. Vemos quando o tempo fica livre. Por exemplo, nós vimos que tinham essas duas semanas livres, aí já definimos que faríamos a nossa tour. Agora em agosto vai ter mais uma tourzinha, e em setembro tem o Rock in Rio com mais uma tour, então a gente vai colocando tudo na agenda e já define. É uma questão de programação, mesmo. Tanto que na turnê é difícil a gente pegar shows isolados do tipo "vai ter show da Noturnall em tal lugar, tal dia, e só". É difícil acontecer, e por conta da agenda de tudo mundo, a gente prefere fazer turnês. Não só por conta da agenda, mas por conta daquilo que eu falei antes, que a gente busca um modelo que não seja nem ruim para o contratante nem ruim pra gente. E com a situação atual que está, esse modelo de um show isolado só, é difícil você chegar num coeficiente comum de lucro para ambas as partes. É melhor quando você faz uma turnê, porque você faz 4 datas e tem uma flexibilidade de perder ou ganhar algumas datas e rachar custos entre os demais contratantes. Por isso que a gente acaba fazendo só turnê, isso acaba sendo mais fácil, porque a gente não tem nenhum show avulso que vá quebrar a agenda. Então a gente está se dando muito bem, não tem problema de agenda, desse tipo de coisa. Óbvio que toda banda tem discussão, mas conosco sempre é pelo bem de todos, não é por uma pessoa exclusiva só.

Tenho uma última pergunta, que na verdade é uma curiosidade pessoal minha: afinal, você tocou no Wizards ou não?

O Christian [Passos, vocalista do WIZARDS] é um dos meus melhores amigos até hoje. Quando eu tinha 16 anos ele me chamou pra tocar violão e voz em alguns lugares, e desde então a gente pegou uma amizade forte, inclusive ele também é um baita amigo do Thiago. E teve uma época que eu sentei com ele e falei "Chris, faz o Wizards de novo, meu. É uma puta banda". E pra mim ele é um dos melhores vocalistas do Brasil, disparado. Eu acho ele demais, o cara é muito bom mesmo. E aí ele falou pra mim "pô, faz comigo então, pra me dar um incentivo", e a gente sentou e começou a fazer. Infelizmente, na época, quando o disco já ia ser terminado, o Shaman saiu pra fazer outras coisas e eu tive que ir junto. Aí entrou um baixista no meu lugar [N. do E.: Fernando Giovannetti, que já passou pelo Aquaria, Glory Opera e Karma, e está no Mad Old Lady desde 2013]. Então eu não cheguei a tocar mesmo com o Wizards. Cheguei a começar um disco com ele, e pela minha amizade muito grande com ele a gente chegou a compor algumas músicas juntos do disco, e eu gravei algumas no disco, mas os shows eles fizeram com outros baixistas.

Isso tudo aconteceu no mesmo disco que o Léo Mancini tocou?

Foi, isso.

Então foi o "The Black Knight", de 2010.

Isso mesmo, o "Black Knight". Foi a gente que falou "Léo, vem aqui fazer esse disco com a gente", porque ele também já era amigo.

Ou seja, vocês todos já se conheciam.

Todos nós, isso. Todo mundo é conhecido, a gente é super amigo. Inclusive a gente tem conversado com o Christian de novo – recentemente, ele nos mandou 3 músicas que fez, e ele falou "cara, mas eu queria lançar com outro nome", porque o Wizards é uma banda que é também dos companheiros, e pra usar esse nome de novo, tem que conversar com tal e tal pessoa etc. Mas as músicas que ele mandou pra gente são demais! São músicas excelentes, e o Thiago vai produzir no Fusão, que é o estúdio dele, não sei [por] que [banda isso] vai ser [lançado], nem como vai ser, mas eu vou tocar também e a gente vai fazer uma coisa nova com o Christian também, porque ele merece.

Concordo porque ele é um cara que não pode sair do meio musical. Tanto por ele quanto por nós ouvintes, que estaríamos perdendo muito.

Com certeza, ele canta muito. E eu adoro ele, é uma pessoa excelente, daquelas que você passa o mês inteiro com ela e nem percebe, porque ele é uma pessoa calma, sem ego, sem problema, super bom coração. Na verdade, ele tem o coração tão bom que até passaram a perna nele algumas vezes no meio musical. Mas ele é um cara extremamente puro até hoje, por isso é tão legal ser amigo dele e conviver com ele. Então vamos fazer alguma coisa nova com ele, com certeza.




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Sobre Haggen Kennedy

Nascido ao fim dos anos 70 e adolescido em meio ao universo metálico, Haggen Heydrich Kennedy já trabalhou e atuou numa vultosa gama de atividades, como o jornalismo, o desenho, a informática, o design e o ensino, além de outros quefazeres. Atualmente vive em Atenas, Grécia, onde estuda História, Arqueologia e Grego Antigo na Universidade de Atenas. A constante nesse turbilhão de ofícios, todavia, sempre constituiu-se de dois fatores: as línguas (ainda hoje trabalha com tradução e interpretação) e a música - esse último elemento, definitivo alimento espiritual.

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