Belphegor: "os médicos me salvaram e não um bastardo em uma cruz"

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Por Guilherme Niehues, Fonte: Horns Up
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A HORNS UP bateu um papo com Helmuth - frontman da banda Belphegor - referente ao novo lançamento Conjuring the Dead, lançado este ano pela Nuclear Blast. Além disso, conversamos um pouco sobre a experiência como músico e pessoa, e sobre estar à frente por mais de duas décadas de uma das bandas mais icônicas do cenário mundial. Confira na íntegra a conversa.

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HORNS UP - A banda já tem mais de 20 anos de estrada. Belphegor continua sendo Belphegor em sua totalidade: brutal, único e fantástico. Você achou que ainda estaria pregando a palavra da banda por mais de 20 anos?

Helmuth - Obrigado pela suas palavras, cara. É uma honra quando vejo que as pessoas respeitam e entendem o que fazemos aqui. Belphegor ainda domina o gênero Death/Black, eu digo a essência de ambos os estilos (que todos conhecemos desde 1993) com o nosso som pouco ortodoxo. Não há nenhuma outra banda que se aproxime de nosso som.

É surreal quando eu olho para trás na minha carreira. Eu nunca pensei que estaria aqui por tanto tempo. Eu já viajei o mundo algumas vezes, conheci muitas pessoas da cena, e toquei inúmeros shows memoráveis, tive a oportunidade de visitar vários pontos turísticos que são impressionantes e obter o espírito mágico destes lugares. É um prazer, e eu sou grato por isso. É ótimo que muitas pessoas nesse gênero ainda compram nossos CD's e nos suportem para que continuemos vivos e marchando pelo mundo a fora.

HORNS UP - "Blood Magick Necromance" (2011) foi super aclamado e trouxe o Belphegor para um novo nível. Três anos e meio podemos finalmente saborear a nova blasfêmia da banda, intitulado "Conjuring the Dead".

Helmuth - Quando olho nossa discografia, eu preciso dizer que realmente fizemos alguns bons discos, e eu não mudaria nada. Nós evoluímos muito como músicos ao longo dos anos. Eu não gosto muito de comparar álbuns. Eu queria um álbum mais Death Metal com nosso novo álbum, "Conjuring the Dead", algo mais nervoso, crú e claro vicioso. Era hora de voltarmos as nossas raízes.

Meus problemas de saúde e recuperação afetaram todos os aspectos do novo álbum, o processo de escrita, a banda, minha vida. Houve muitos atrasos e eu tive que me submeter a novas limitações. Eu nunca havia trabalho tão duro em um outro lançamento. Eu sempre tive um pensamento, e temia por minha vida, poderia ser o último álbum do Belphegor. Portanto, eu não queria fazer as coisas corretas.

Você sabe, sempre fizemos nossas coisas. Por isso ainda vivemos todo esse tempo. Em cada álbum, nós experimentamos, adicionamos novos elementos/estruturas, trabalhamos com diferentes músicas e produtores, sempre trazendo novo sangue e ideias. Com Erik Rutan encabeçando a produção, nos levando a ser melhores do que nunca, nós somos vitoriosos.

HORNS UP - Existe algum significado por de trás do título? Quanto as letras, quais temas serão abordados neste novo álbum? E qual inspiração levou você a escrever sobre?

Helmuth - O título foi influenciado pela minha dança com a morte, a morte me conjurou... mas eu voltei. Eu trouxe um monte de volta quando meu coração parou por 6 horas durante minha operação no peito. Também tem relação com a queda de toda a humanidade. Um monte de coisas perigosas acontecem no planeta nesse momento... o tempo está acabando. Mas, como sempre, nós louvamos a blasfêmia, Anti-Deus - Anti-Vida, os versos são mais sérios agora, na verdade, todo o projeto é, eu poderia dizer.

HORNS UP - "Conjuring the Dead" possui uma arte de capa única feita por Seth Siro do Septicflesh. Qual a ideia para trazer esta magnifica arte? Você já tinha um rascunho ou deixou Seth à vontade para criar toda a parte criativa?

Helmuth - Eu gosto de seu estilo e de trabalhar com ele. Ele também fez a arte do álbum Pestapokalypse (2006). E sim, as ideias, resultam do trabalho em equipe, nós dois trouxemos nossas visões e trabalhamos por meses nos pequenos detalhes, símbolos ocultos e etc., e ele ainda contribuiu com alguns símbolos próprios durante o processo. Seth é um excelente artista.

Esta é uma representação conceitual sobre o mundo de terror em que vivemos. É sobre como vejo a humanidade hoje em dia, como nós destruímos a vida/natureza, envenenamos nós mesmos de diversas maneiras por diversos motivos. A indústria nos fornece alimento de baixa qualidade e nós ficamos cada vez mais fraco. Nós trabalhamos duro para devastar tudo e cavar nossa própria cova, além de destruir a Terra no nome da ganancia e poder.

HORNS UP - Além das 10 faixas convencionais, existirá alguma edição especial ou faixas bônus para este lançamento?

Helmuth - A edição limitada Européia virá com um DVD bônus com um show de mais de 70 minutos para os fãs do Belphegor. É um muito obrigado para todos vocês que nos apoiam, de qualquer forma, nestas duas últimas décadas. Estas pessoas são a razão pelo qual ainda tocamos músicas, eles fizeram isso acontecer e ainda temos a honra de viajar pelo mundo, continuar a lançar novos álbuns. Obrigado pessoal, é um prazer para nós.

HORNS UP - Por um bom tempo, Belphegor têm sido um duo. Como é o processo para incluir membros convidados para executar suas partes nos álbuns? Este aspecto também influência no processo criativo ou de gravação?

Helmuth - Desde 2006 nós marchamos como um duo e recrutamos músicos experientes para nosso rituais ao vivo, garantindo que os maníacos que vão nos ver, presenciem um ótimo show. Basicamente, o núcleo sempre está no comando enquanto nós trazemos sangue novo para mantermos a chama da banda viva.

Quanto ao processo de criação, eu sou o principal compositor dos riffs. Como eu realizo os vocais, eu sei exatamente em que direção eu quero que as músicas marchem. Então, eu gravo todas as ideias que tenho e envio elas para o Serpenth (baixista) e nosso baterista convidado, Marthyn. Na sala de ensaios, nós começamos a trabalhar com as músicas pela bateria, nosso baixista Serpenth traz suas ideias e o que ele quer adicionar ou mudar. Ele, em especial, se preocupa com a bateria e as músicas aos poucos tomam forma. Algumas vezes precisamos apenas de alguns meses para uma faixas, outras vezes precisamos de quase dois anos, como por exemplo, "Rex Tremendae Majestatis", e se não estamos confiante com uma faixa, nós a deixamos de lado.

HORNS UP - Belphegor sempre melhora sua técnica, sempre sendo mais brutal e trazendo diversos elementos em seu som, porém sempre me mantendo único. Podemos esperar a mesma linha para o novo álbum ou teremos um som mais experimental tanto lírico quanto instrumental?

Helmuth - É um dos nossos lançamentos mais maduro e forte. Eu quero dizer, hoje é difícil, muitos querem que a banda soe da mesma forma em cada lançamento, existem pessoas comentando, e nós precisamos de coisas novas/modernas. Nós fazemos nossas coisas da nossa maneira, se as pessoas gostam, ótimo e muito bem apreciado por nós. Nós nunca mudamos nosso som drasticamente. Ainda continua sendo Death Metal!! E isso não mudará..

Então você pode ver como tentamos novos elementos e experimentados dentro de nosso estilo, o que é importante para a evolução/desenvolvimento.

HORNS UP - Em sua última visita no Brasil, você pegou uma doença e teve que cancelar vários shows. Mas, existem planos para vir ao Brasil? Tirando a doença, como vocês descreveria sua passagem pelo Brasil? Como você poderia descrever o público brasileiro?

Helmuth - Nós realizamos turnês pela América do Sul algumas vezes, e sempre foi surpreendente. Tenho várias boas memórias da comunidade Metal brasileira. Em setembro de 2011 foi diferente, minha doença começou no terceiro show, eu acho. Nós tocamos em São Paulo com o Ragnarok. Eu estava de ressaca na manhã seguinte e tomei água da torneira. Ainda assim, nós realizamos todos os oito shows no Brasil. No final eu fiquei tão doente que eu precisei cancelar alguns shows, algo que nunca havia feito antes. Ainda estou chateado com isso, porque vocês sempre nos apoiam, vocês respiram e vivem Metal e é algo que eu respeito. Mas, não havia saída...

Quando eu retornei para a Áustria, e levou uma semana para me diagnosticarem com Malária. Eu tive uma cirurgia onde meu peito foi aberto e meu coração parou por seis horas. Graças aos médicos que salvaram minha vida, e não a um bastardo que estava em uma cruz, rastejando e se ajoelhando em uma igreja fedorenta.

Enquanto tocávamos no Brasil, os soldados da morte que iam aos nossos shows eram selvagens e nos davam energia extra para executar nossas músicas com brutalidade para nosso público. Realmente, estou ansioso para retornar em Dezembro e tocar novamente no Brasil.

HORNS UP - O que podemos esperar do Belphegor para esses novos shows? Um setlist de toda a carreira da banda? E claro, se há algo em especial que nós - brasileiros - devemos esperar?

Helmuth - Música Brutal. Será uma compilação, um passeio por toda nossa discografia. As apresentações do Belphegor são intensas, hoje em dia é mais um ritual do que um show de Metal. Junte-se a nossa viagem ao inferno...

HORNS UP - Em 2002, a banda gravou um álbum ao vivo, mas não um DVD para os fãs. Existe algum planejamento após "Conjuring the Dead" para um novo álbum ao vivo ou DVD? Quero dizer, existem várias músicas que podem ser apreciadas ao vivo, algumas são uma verdadeira obra de arte e ao vivo soam ótimas.

Helmuth - Talvez teremos um DVD em 2015. Mas, no momento, o novo álbum é prioridade. Nós iremos promover o novo álbum este ano e em 2015.

Se as pessoas nos apoiarem e comprarem nosso novo álbum, o que eu acredito que será feito, em dois meses nós veremos, e eu estou certo de que iniciaremos um novo projeto, mas com certeza não antes do final de 2015. Então, se vocês quiserem um outro lançamento brutal do Belphegor, comprem nosso novo álbum e apoiem nosso legado.

HORNS UP - O tema lírico da banda varia entre Satanismo, Blasfêmia e etc. Por que utilizar estes assuntos para serem incorporados no som da banda? Existe alguma experiência de vida que levou você a explorar esse lado lírico? Ou é uma filosofia que você segue?

Helmuth - Eu me descrevo como um ateísta, com alguns aspectos niilista. Sempre foi dessa maneira. Eu uso a filosofia sobre Satan/Lucifer - o portador de luz em nosso conteúdo lírico como orgulhoso, exaltado, uma figura majestosa que resiste contra todas as influências. Um sedutor, um tentador. Um para tomar suas próprias decisões, traçar seu próprio caminho como um rebelde, um zombador contra as massas. Vitorioso!!

Eu estava e ainda sou impressionado pelos aspectos negros da humanidade. Emocionado por tudo que é diferente e não-conformista, e conceitos de Anti-Deus. Toda esse fascínio começou quando era uma criança assistindo Vincent Price, e todas as coisas sobre Drácula e Frankstein. Há muito tempo atrás.

Então eu descobri o Marquês de Sade por volta de 1996, que serviu de inspiração até meados de 2000. Mesclamos nossa blasfêmia com o BDSM e o sadismo, e acho que nenhuma banda tenha feito isso antes de nós. De qualquer forma, algumas pessoas gostaram e outras não... e no fim, nós não nos importávamos, como eu disse, nós fazemos o que queremos. Eu poderia preencher um livro com todos os prazeres que vi e vivi durante estas últimas duas décadas.

HORNS UP - Por utilizar este tipo de assunto, a banda já sofreu alguma retaliação pelo público ou promotores?

Helmuth - Eu diria que sim, nós nunca fomos uma banda satânica ou ortodoxa, nunca tentamos ser. Nós ganhamos este rótulo por algumas press/revistas. Eu nunca entendi o porque. Talvez por causa de nossa intensidade e rituais ao vivo. Belphegor é Death Metal, brutal - obsceno, sem compromisso, do jeito que deve ser. As vezes temos problemas aqui e não podemos tocar em vários países, mas novamente - eu não ligo. Eu pratico o que eu prego. Liberdade de expressão, liberdade de arte é importante. Eu desprezo a censura, e pessoas que acham que tem o direito de dizer o que devo assistir ou ouvir, não é justo.

HORNS UP - Existe alguma banda que o Belphegor ainda pretende excursionar com? Quem sabe um ídolo.

Helmuth - Eu fui afortunado por ter tocado com quase todas as bandas ainda ativas que sempre adorei.

Eu tive alguns convidados especiais pela primeira vez em Conjuring the Dead, na música Legions of Destruction. Meu vocalista favorito, Glen Benton (Deicide) e meu vocalista favorito de Black Metal, Atilla (Mayhem). Este foi um outro sonho que realizei. Eu estou orgulhoso porque eles colocaram suas magias nesta faixa. Eu criei essa canção com a ideia de dois versos brutais sendo para o Glen, eu sabia que era o estilo dele. E os outros dois refrões obscuros eu imaginei que cairiam como uma luva para o Atilla. E eu estava certo. Eu estou tão orgulhoso disso. Belphegor foi bastante inspirado nestas duas bandas em seu início e eu ainda respeito o que eles fizeram para a comunidade extrema do Metal.

HORNS UP - Eu diria que Belphegor pode ser chamada de lenda e facilmente comparador com Cannibal Corpse, Behemoth e Vader, por exemplo. Belphegor influenciou novas bandas e serve como inspiração para aqueles que querem descobrir mais sobre Satanismo em geral e assuntos relacionados. Você poderia sugerir algo para ler ou ouvir para aqueles que querem descobrir mais sobre este assunto?

Helmuth - Sem sugestões, mas obrigado, é uma honra para mim que as pessoas entendam e respeitem nosso legado. Alguns odeiam o que fazemos, ou são muito estúpido para entender, ou se sentem ofendidos... tudo bem para mim.

Por duas décadas, nós glorificamos a extrema arte e a chama do Belphegor ainda está queimando para criar mais Metal. Eu digo, quantas bandas podem dizer o mesmo hoje em dia? Ainda existem poucas bandas que prezam o obsceno, o brutal.

HORNS UP - Por fim, o que você tem escutado ultimamente? E qual seria sua banda favorita de todos os tempos? É uma curiosidade pessoal nossa, uma vez que você não deve ouvir somente bandas relacionado ao Metal.

Helmuth - Bandas favoritas, eu preciso mencionar algumas como Black Sabbath, Slayer, Death e Morbid Angel. Existem várias que eu tenho o prazer de ouvir e apoiar.

Eu sou bastante mente aberto quando se trata de rock e metal. Eu sempre escuto música. Existem várias para listar. No momento eu estou ouvindo Van Halen - A Differente Kind of Truth. Eu gosto do Mr. Eddie Van Halen, e este álbum é um dos melhores do Hard Rock que ouço em anos. Estas guitarras são ótimas, e o David no microfone é o cara. É claro que Motörhead esta na minha playlist pelo menos uma vez por semana, Rainbow, Danzig, Dio, Deep Purple, The Who, Mötley Crüe, King Diamond... eu curto todos eles. Quando se trata de guitarristas solos, meu favorito é o Yngie Malmsteen, sem tom, sua velocidade, a proximidade com o clássico é surreal.

Últimas palavras!

Muito obrigado pelo espaço. Conjuring the Dead foi lançado em Agosto pela Nuclear Blast;

Eu gostaria de agradecer aqueles que ouvem nossos álbuns, comprar nossos produtos nos shows e todos aqueles que participam de nossos rituais ao vivo. Corram até as lojas e comprem o Conjuring the Dead! Suporte nosso legado, suporte o Belphegor!!

Vejo vocês na estrada para o inferno em Dezembro...



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