Iron Maiden: guitarrista Bob Sawyer conta sua história

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Por Adriano Ribeiro, Fonte: Sleazegrinder, Tradução
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"Este livro aborda a idade das trevas do IRON MAIDEN: shows, curiosidades, contando tudo o que se passou, incluindo meu tempo com a Donzela durante a década de 1970, assim como o meu tempo no PRAYING MANTIS, que excursionou com o Iron Maiden em duas ocasiões - no "Metal for Muthas" e também na primeira turnê própria do Maiden - e toda a loucura que rolou por lá! Eu sempre fui um nerd para manter notas e outras coisas, e estive sentado sobre este material por anos, como um bastardo preguiçoso. Demorou um pouco para fazê-lo, mas agora que está escrito e eu espero encontrar uma editora no Reino Unido para publica-lo."

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Estas foram palavras de Bob Sawyer, (também conhecido como Bob Angelo), ex-guitarrista do Iron Maiden e do Praying Mantis, durante seus anos de formação nas décadas de 1970 e 1980. Como um fã de Maiden, eu esperei por um bom tempo para fazer contato com ele para poder entrevista-lo. Graças ao poder da internet, fiz contato em fevereiro de 2014, e Bob ficou feliz em falar durante uma hora sobre o livro e também sobre suas experiências durante a cena formativa do rock/heavy metal britânico de modo mais geral.

Discutimos suas primeiras influências - que incluíram SHADOWS, DUANE EDDY, Tony Hicks do THE HOLLIES, ERIC CLAPTON e também sobre MICHAEL SCHENKER, cujo trabalho com o UFO em 1970 foi, naturalmente, uma influência sobre o Iron Maiden, a quem Bob se juntou no final de 1976:

"A época, eu já havia tocado em bandas por alguns anos, incluindo em uma chamada XERO, e também em uma banda de Londres chamada SHADY LADY (que não deve ser confundida com a banda norte-americana homônima), em que eu entrei no verão de 1976, substituindo Dave Colwell, que depois viria a se juntar a bandas como 720, SAMSON, bem como a alguns projetos relacionados ao Iron Maiden e, eventualmente, ao BAD COMPANY.

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Eu também estive em uma banda chamada NITRO, com Dennis Willcock, que em 1976 assumiu os vocais do Iron Maiden. Em dezembro daquele ano, quando eu já não tocava mais no Shady Lady, eu estava em meu carro, parado no semáforo (no cruzamento da Lea Vale com a Sewardstone, Chingford, Essex, para ser mais preciso!), quando ouvi alguém gritar na janela, perguntando se eu ainda estava tocando em qualquer banda. Era Dennis Willcock e lá também estavam Steve Harris e Dave Murray. Uma semana depois, eu estava no Iron Maiden. Naquela época, eles ensaiavam em um trailer em um campo enlameado, e tínhamos que percorrer toda essa lama, era como a Batalha de Somme.

A formação do Iron Maiden, neste momento, e durante todo o tempo que fiquei com a banda, era Ron Rebel (bateria), Dennis Willcock (vocal), Dave Murray (guitarra), Steve Harris (baixo) e eu (guitarra). Essa foi a formação de dezembro 1976 até julho de 1977, quando eu saí. Basicamente o que aconteceu lá foi que Dennis Willcock queria esse outro cara na banda, Terry, e eu e Dave fora - embora, obviamente, Dave se juntou a eles novamente algum tempo depois."

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O set list neste momento era composto principalmente por músicas próprias, a maioria das quais seriam gravadas no álbum de estréia, "Iron Maiden", lançado em 1980, bem como em um ou dois outros. "Drifter", por exemplo, foi lançada como uma música lado B e também em um EP. Em seguida, foi gravada no álbum de estúdio seguinte, "Killers", em 1981. O Iron Maiden também tocava a música "I Got The Fire", do MONTROSE, que continuou a ser tocada por algum tempo e depois também foi gravada ao vivo e no estúdio, como música de lado B.

Questionado quanto o som do Iron Maiden, sobre o quanto as músicas assemelhavam-se às versões gravadas mais tarde, e se elas eram mais lentas e com influências de blues, como sugerem relatos na internet de integrantes das formações antigas do Iron Maiden, Bob respondeu:

"As influências eram rock progressivo britânico - especialmente bandas como STRAY e NEKTAR - Steve foi realmente influenciado por isso - e também de rock americano, como KISS, TED NUGENT e, posso dizer, Montrose. As músicas eram um pouco mais lentas, mas não tinham influências de blues".

Para ter uma noção do que como isso era, eu tentei imaginar "Drifter" em um ritmo mais lento e começou a soar familiar - eu perguntei a Bob se durante o seu tempo com a banda que a canção tinha uma semelhança passageira com "Blowin Free", do Wishbone Ash.

"Você está correto sobre a conexão entre "Blowin' Free" e "Drifter"! Dois anos mais tarde, porém, quando todo equipamento da banda foi roubado, eles fizeram uma pausa e somente Murray e Harris permaneceram. Eles não fizeram quaisquer shows, mas remodelaram a banda através de 1978 e 1979. Lembro-me que eu os assisti, como um membro da platéia, e a primeira coisa que notei, como guitarrista, é que tudo era mais rápido - eles construíram o som em torno da velocidade com que Dave tocava, e todos os guitarristas que passaram pelo Maiden depois disso: Parsons, Dennis Stratton, você sabe, a mensagem era: esse é o nosso som agora e é assim que você tem que tocar essas músicas. Assim, o som da banda era então todo voltado para como Dave Murray tocava guitarra".

Perguntei a Bob como eram os shows: "Em que locais vocês estavam tocando?"

"Nós tocávamos todas as semanas no pub "Cart & Horses" e, a cada semana, a multidão foi crescendo e crescendo. Eu não podia acreditar no que estava acontecendo."

Mesmo assim, o Maiden tinha um show de luzes e a teatralidade de palco, atípica da maioria das outras bandas que se apresentavam no circuito de pubs de East-End, o que ajudou a atrair um público que desejava um pouco de rock carismático. As biografias oficiais do Iron Maiden que contam a história da banda tocando nesses obscuros pubs em East End de Londres durante o tempo de Bob, afirmam que o agendamento de shows ao norte e a oeste de Londres foram planejados mais tarde por DJ Neil Kaye e Rod Smallwood. A versão de Bob dos eventos indica porém que, embora isso possa ser verdadeiro na maior parte, o maiden já teria se aventurado em locais com visibilidade ao norte de Londres, atuando como banda de abertura de algumas bandas maiores:

"Na minha época, o Iron Maiden abriu para o TRAPEZE no "Camden Music Machine", embora não tenha sido o nosso melhor momento. Começamos com "Transylvania" (faixa instrumental que viria a ser gravada no primeiro álbum, alguns anos depois), mas tivemos problemas técnicos terríveis e as coisas não funcionaram como deveriam. Pensávamos que éramos realmente bons, mas nós realmente não conseguimos lidar bem com essa situação e o Trapeze, por sua vez, mostrou-nos como isso deveria ser feito. Eles já tinham feito várias turnês pelos Estados Unidos e esse show mostrou quem eram os homens e quem eram os meninos."


O show do Trapeze no "Music Machine" às vezes é mencionado em sites de fãs, e existe um panfleto, mas foi a primeira vez que eu ouvi falar alguma coisa sobre o show em si. Um pouco mais de escavação em torno indicou que o Iron Maiden realmente estava sendo observado por gente da "A&R" que, nesta ocasião, era David Bates - que assessorou o Def Leppard na época (e os ajudou a assinar com a "Mercury Records"). Ele citou em seu site o show na Music Machine como um dos que mais se destacaram na década de 1970.

Assim como o Iron Maiden e o Def Leppard, outra banda da época utilizou a abordagem de duas guitarra para criar efeito melódico, mas poderoso: Praying Mantis. Em janeiro de 1980, Bob se juntou a eles:

"Na época, eles estavam selecionando um novo guitarrista, e Tino Troy (membro fundador) entrou em contato com Steve Harris para perguntar sobre mim. Steve lhe disse: "sim, grande guitarrista, coloque-o no palco", o que foi a confirmação para que ele me desse o emprego. O Mantis foi uma grande banda, que realmente tinha algo musicalmente. Como o Iron Maiden, nós tocamos músicas próprias com harmonias de guitarra, no estilo Wishbone Ash. A banda também me faz lembrar de BLUE OYSTER CULT, às vezes."

A permanência de Bob com o Mantis durou, porém, apenas o verão de 1980:

"Eu não quis seguir a linha do partido, o que é um eufemismo para "eu me comportei como uma diva!". Mesmo depois de ter o apoio da gravadora, fui viver em Cornwall pelo resto do verão, como uma estrela de rock no exílio e, três meses mais tarde, quando voltei, pronto para fazer algo, eu perdi minha chance. Eu entrei na banda WEAPON por um tempo, mas depois fiquei no circuito pub com os companheiros. Já deu, cada vez que você está fora de uma banda ou a banda se divide, você tem que começar tudo de novo a partir do zero - o que é um negócio precário".

Bob não teve apenas a sorte de tocar por algum tempo em algumas das bandas mais importantes do NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), mas também de ter visto algumas das maiores bandas de rock enquanto ainda batalhavam arduamente por seu espaço, ao se apresentar em locais menores. Os destaques incluem DEEP PURPLE (quando o seu álbum fundamental "In Rock" era lançado), J GEILS, WIZARD e RAY BUCHANNAN no "The Sundown" (um antigo cinema convertido em Edmonton), T-REX, em 1971, no "Roundhouse", em Londres, THE FACES, FREE e STEVE MARRIOTT tocando seus sets incendiários em locais como o "Marquee Club" de Londres. A lista continua e é claro que Bob é alguém que estava lá no centro da ação durante alguns momentos muito emocionantes e formativos para os gêneros de rock e heavy metal.

Hoje, Bob Sawyer ainda é um guitarrista louco, construindo Stratocasters, e é o orgulhoso proprietário de mais de vinte guitarras que ele toca com o auxílio de um fiel amplificador Marshall de 100 watts. Seu mais recente empreendimento é uma mistura Blues Rock, R&B e Jazz chamada FIREBIRD SEVEN, que também traz em sua formação um outro músico conhecido do NWOBHM, o baixista Kev Riddles, que tocou com ANGEL WITCH e TYTON.

O livro promete ser incrível e traz todos os tipos de coisas para fãs de Iron Maiden e do NWOBHM mais geral, incluindo uma nova "árvore genealógica do Iron Maiden", baseado nos próprios arquivos de Bob, e que deve esclarecer algumas das imprecisões publicadas anteriormente em árvores genealógicas do Iron Maiden e especulações de internet que tendem a ser prejudicadas por omissões e imprecisões. Para mais informações visite a página no Facebook.

https://www.facebook.com/pages/Bob-Angelo-The-Early-Days-Wit...

Todo o texto acima foi originalmente publicado no blog "Sleazegrinder" em 15 de fevereiro de 2014, e sua autoria é de Alex Eruptor. Eu, Adriano Ribeiro, entrei em contato com o Bob através do Facebook e lhe fiz algumas perguntas adicionais:

Quais são as suas primeiras lembranças dos ensaios e shows com o Iron Maiden?

Bob Sawyer: Meu primeiro show com o Iron Maiden aconteceu em um evento privado na parte de trás de um pub. O público era formado por pessoas "certinhas". Mas adoraram a banda!

Dizem que na época algumas músicas de Iron Maiden, como "Exile Innocent", eram gigantescas, chegando a quase 10 minutos de duração. Isso está correto?

Bob Sawyer: Sim, as músicas eram longas, bem escritas e arranjadas.

Então seria correto afirmar que se você ainda estivesse no Iron Maiden, toda a carreira da banda seria mais ou menos como é hoje, com músicas mais progressivas e menos heavy metal?

Bob Sawyer: Sim. Eu gosto de rock progressivo muito mais do que eu gosto de metal.

Recentemente tivemos a notícia da existência de um bootleg de 1977, embora ainda ninguém teve a oportunidade de ouvi-lo. Você sabe se há outro ainda mais antigo, especialmente de seu tempo com o Iron Maiden?

Bob Sawyer: Eu tenho uma gravação de um show no "Cart & Horses", datada de março de 77. O som não é tão bom, mas captura a banda perfeitamente.

Você pretende lançá-la em algum momento? Certamente muitas pessoas gostariam de ouvir...

Bob Sawyer: Não, eu não posso. Eu teria a indústria do Iron Maiden atrás do meu sangue!!!!

Você ainda mantém contato com Steve Harris?

Bob Sawyer: Não. Faz 10 anos que não o vejo.

No DVD "The Early Days", você afirmou que Dennis Willcock foi o responsável por sua saída da banda. Por outro lado, Dennis diz que não foi bem assim, que a verdadeira culpada por sua saída foi Clare, a ex-namorada de Dave Murray...

Bob Sawyer: De acordo com Ron Rebel, foi Dennis quem me queria fora da banda. Clare foi a razão pela expulsão de Dave Murray, eu acredito.

Como você se sentiu quando soube que estava fora da banda?

Bob Sawyer: Fiquei muito chocado e decepcionado. Isso veio como uma total surpresa.

Algumas pessoas afirmam que você quase voltou em 1979, mas Dennis Stratton acabou contratado em seu lugar... Isso é verdade?

Bob Sawyer: Não. Eu soube que o Iron Maiden estava procurando por um guitarrista em 79, então eu telefonei para Steve. Mas nada aconteceu.

Se o Iron Maiden resolvesse fazer um show especial, provavelmente de despedida, com todos os ex integrantes vivos cantando/tocando as músicas de suas épocas na banda e te convidasse, você aceitaria?

Bob Sawyer: Sim. Seria no mínimo interessante. Mas eu realmente não acho que isso aconteceria. Rod Smallwood não faria dinheiro o bastante com isso.

Fãs do Iron Maiden sabem que nem todas as músicas de Steve Harris são realmente de Steve Harris. Eles sabem que Paul Day é o autor de "Strange World", ou que Thunderstick é co-autor de "The Ides of March", por exemplo. Alguma música sua foi creditada a Steve Harris?

Bob Sawyer: Eu não posso dizer por "razões contratuais", mas parece que a maioria das pessoas sabe sobre "******** from the law".

Você poderia me dizer sobre as suas atividade atuais?

Bob Sawyer: Eu ainda toco em pubs ocasionalmente. Você pode me encontrar no Youtube: Firebird Seven, NITRO BLUES, BOB'S BEAUTIES... Mas, por favor, não espere por heavy metal!!!




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Sobre Adriano Ribeiro

Adriano Ribeiro é fã xiita do Iron Maiden, daqueles que não perdoa até hoje Bruce e Adrian por terem saído da banda - e não importa se voltaram. Nas horas vagas, tem como hobby conhecer seus ídolos na música, conseguindo com eles fotos e autógrafos.

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