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Hypocrisy: entrevista exclusiva com Peter Tägtgren

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Por Durr Campos
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A lenda incontestável do death metal da Suécia Hypocrisy lançou ano passado um de seus álbuns mais brutais e melódicos em toda a carreira. "End Of Disclosure" saiu pela Nuclear Blast e desde então o trio caiu na estrada para promovê-lo. Considerados os reis das turnês, os suecos também passaram por poucas boas. Uma dessas ironias do destinos, por exemplo, ceifou a vida do baixista da atração de abertura dos caras ma Europa, Hate, algo que até hoje abala Peter Tägtgren, líder e fundador da banda e nosso convidado para um bate-papo especial com exclusividade ao Whiplash.Net. Esta entrevista foi feita a seis mãos: elaborada por mim, conduzida pelo Diego Cabral da Camara e revisada pela nossa amiga Monica Prado. Acompanhe nas próximas linhas o que saiu dessa "bagunça" amistosa!

Peter, após tantos anos fazendo coisas tão distintas, qual o segredo de manter-se empolgado em estar excursionando pelo mundo, gravando outro álbum do Hypocrisy, etc.? Dada a quantidade de trabalho que possui eu imagino como ainda consegue fazer tudo isso com um sorriso estampado na cara, bicho.

Peter Tägtgren: Bem, para mim é bastante importante não ver isso como um trabalho, pois isto torna as coisas bastante chatas, sabe? Digo, eu realmente gosto de música e realmente gosto daquilo que faço e continuo escrevendo música e pretendo continuar em turnê enquanto as pessoas quiserem continuar me vendo (risos).

Gostaria de mencionar sobre seu trabalho de produtor para outras bandas. Você decide com quais grupos trabalha ou eles vem até você e são aceitos baseados em sua avaliação?

Peter: Sim. Bem são as duas coisas, penso. Algumas vezes eles vem e em outras vezes eu até tento contato com pessoas que quero trabalhar, sabe? Mas também há tanta turnê e coisas do tipo sendo trabalhadas e às vezes é muito difícil fazer as coisas rodarem, digo, tem que sempre se planejar bastante quando se vai produzir algo, pois isto no mínimo um mês.

Eu estava no show em Berlim em sua turnê europeia quando tocaram poucos dias após a tragédia envolvendo o baixista da banda polonesa HATE, Slawek ‘Mortifer’ Archangielskij. Você estava visivelmente abalado. Como foi lidar com algo assim em meio a uma excursão?

Peter: (Emocionado) É realmente… eu não sei bem o que dizer mas, é realmente triste, você não sabe bem o que dizer ou o que fazer porque quando coisas deste tipo acontecem é tipo como se fosse, não sei, irreal. Você sente como se fosse ficção científica porque você não está mentalmente preparado para isto. É tão triste quando coisas como estas acontecem, sabe? Acabamos vendo como a vida é tão frágil, você tem que sempre que cuidar de todo o tempo que você tem.

Peter, é verdade que você possui uma vila na Suécia?

Peter: Uau! É bastante pequena, na verdade. São somente sete casas ou algo do tipo. Não é um negócio grande, sabe? Meu irmão vive lá e alguns fãs também. Bem, não é tão louco quanto parece.

Eu estava ouvindo novamente o "End of Disclosure" pouco antes de elaborar estas questões e ainda penso que ele é bem mais orgânico, brutal e ao mesmo tempo melódico se comparado com o que andou fazendo nos últimos trabalhos. Havia algo fora do comum acontecendo durante o processo de composição deste?

Peter: (Pensativo...) Na verdade eu apenas componho sobre aquilo que estou pensando, eu imagino naquilo que os fãs gostariam de ouvir e também, claro, naquilo que eu gostaria de escutar. Para mim é importante escrever músicas que eu gosto e parece que os fãs também acham o mesmo pois estamos fazendo isto por 20 anos. Eu não quero fazer nada estranho, digo, nenhuma surpresa nos nossos discos, apenas quero que seja um ótimo som; um decente álbum do bom e velho estilo do HYPOCRISY.

"End of Disclosure" levou quatro anos para sair desde "A Taste of Extreme Divinity". A quem culpar?

Peter: Em primeiro lugar, nós fizemos muitas turnês deste último álbum. Foram aí dois anos divulgando. E depois tivemos o PAIN, onde lançamos um álbum e também fizemos uma grande turnê. Eu digo: o tempo é vida! E também, claro, eu quero estar motivado, não quero ter que escrever um álbum porque eu preciso, quero fazer para me sentir bem.

Peter, já que tu estás sempre cercado de brutalidade e peso 24 horas por dia, sete dias por semana, preferes ir mais suave nos fones de ouvido? Quais bandas e/ou artistas te agradam?

Peter: Por agora estou numa fase de ouvir muito os primeiros anos de DAVID BOWIE e, claro, gostei também do último álbum. De vez em quando ouço as besteiras que o Google me apresenta (risos).

The Abyss Studios ainda trabalha a pleno vapor? Há diferenças quando se trabalha para um cliente e para si mesmo?

Peter: Sim, claro. Quando eu produzo a minha própria música é um pouco diferente. Quando vem uma banda há um ponto de vista diferente de como dar forma ao som e assim por diante. Eu penso que é muito bom fazer ambos. Quando eu trabalho as minhas músicas eu posso sempre me arriscar mais, nem sempre isso dá certo, mas eu aprendo muito mais quando eu trabalho comigo mesmo pois eu vou e faço algumas coisas mais loucas que eu não tentaria fazer com outras bandas, pois não quero estragar o tempo deles ou a grana.

Por falar no estúdio, há alguma chance de vermos algo do seu projeto "The Abyss" novamente no futuro? "Summon The Beast" tem quase 20 anos...

Peter: Não, não. Infelizmente não vejo nada sobre isto agora ou no futuro.

Há música sendo escrita neste momento? Se observar o direcionamento seria algo para o Hypocrisy ou Pain?

Peter: Sim. Eu estou escrevendo uma porrada de músicas agora, mas no momento eu não tenho ainda ideia de para quem elas irão, para ser honesto. Eu apenas estou experimentando bastante por agora, no estilo ou coisa do tipo. É muito difícil dizer neste ponto do processo qual será a direção que elas vão tomar, eu apenas tenho diversas ideias agora e estou deixando-as vir e colocando-as no, todas essas coisas malucas. Veremos.

Você diria que o Pain inspira o Hypocrisy e vice-versa?

Peter: Um pouco. O Hypocrisy é mais brutal e o Pain foi feito para ser um pouco mais comercial e atraente, penso eu.

Da última vez que esteve no Brasil foi em setembro de 2010. Algumas memórias daquela vez?

Peter: Sim, claro! Passamos um tempo excelente por aí, pois foi a primeira vez que fizemos uma turnê por estas terras. E bem, nós também tínhamos uma câmera de vídeo conosco o tempo inteiro, então quando fizemos o box especial dos 20 anos da banda utilizamos ali em torno de 25 a 30 minutos da turnê sul-americana para mostrar para nossos fãs que nós realmente nos importamos com eles. Bem, foi um verdadeiro sucesso tanto tocar por aí quanto fazer este DVD.

Estão preparando algo especial para este retorno? Alguns fãs nos pediram que te perguntasse esta.

Peter: Sem dúvidas vamos aproveitar muito mais. Desta vez teremos mais espaço e tempo livre e esperamos que os fãs apareçam de novo para termos mais uma vez um grande momento juntos.

Por último, mas não menos importante, quais as diferenças principais entre Reidar "Horgh" Horghagen, baterista, e Mikael Hedlund, baixista, na banda com relação às composições?

Peter: Mikael não contribuiu com muita coisa e talvez Hedlund volte no próximo álbum com material. Veremos quando ele aparecer de novo.


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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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