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Mastodon: novo álbum a caminho, diz Brann Dailor

Por Glauber Soares
Fonte: Loudwire
Em 15/02/14

Segue abaixo entrevista com o carismático baterista Brann Dailor, do Mastodon, que fala sobre o novo álbum de estúdio que está previsto para ser lançado ainda no primeiro semestre desse ano.

Há quanto tempo vocês estão no processo de gravação ?

Brann: Hoje é o último dia. Há mais uma música para ser cantada, alguns detalhes finais que não podem ser esquecidos aqui e ali, e então estará tudo pronto.

Eu acho que cada álbum de vocês é único, mas existem partes deste novo disco que lembra algum trabalho anterior?

Brann: Sim, aliás, este novo álbum tem um pouco de tudo o que já fizemos. Eu sinto que sempre que escrevemos algo novo em estúdio, nós encontramos algo que a gente gosta dos álbuns ou canções anteriores, não fazemos nada igual, mas temos influências dos nossos primeiros trabalhos. Há o fato de que nós não podemos realmente mudar o que somos como músicos e tudo o que nós fazemos, surge naturalmente em conjunto. Eu posso dizer que o registro atual contém um material mais pesado do que dos dois últimos álbuns. Me faz lembrar um pouco o nosso terceiro disco "Blood Mountain", tem alguns elementos de todos os álbuns, mais ao mesmo tempo tem muitas coisas novas, vocês irão testemunhar isso tudo. Eu creio que será uma grande surpresa para os fãs. Isso é o que realmente estamos procurando. Eu já até imagino as pessoas ouvindo e ficando absolutamente horrorizadas ou absolutamente felizes. Algumas se perguntando: " Oh meu Deus, o que é isso?"

Este será um álbum conceitual, um álbum que seguirá um enredo, tema ou história? Ou será como o último, 'The Hunter' com faixas distintas e individuais?

Brann: A maneira que eu posso descreve-lo agora é bastante vaga, não há como eu dizer o conceito do álbum. Nós tivemos um ano de gravação para este registro e durante esse ano muita coisa aconteceu. Não fizemos uma mudança drástica, mas você sabe, coisas grandes têm acontecido. Se ele é muito mascarado, se é conceitual ou distinto, esta tudo lá. Fora isso, não fomos pesquisar historicamente ou não fomos tão a fundo no passado para escrever. Não fizemos como na época de "Crack The Skye" quando tivemos de estudar e nos aprofundar bastante para escrever sobre a história conceitual do álbum, este é um álbum mais livre, liricamente. Neste registro lidamos com o que tem acontecido ao longo do caminho, as coisas que temos enfrentado em nossas vidas e tudo isso afetou o resultado da nossa obra, isso afeta a vida de qualquer pessoa.

Existe algum sentimento de necessidade ou desejo dentro da banda para escrever outro álbum conceitual futuramente?

Brann: Não é algo que nós realmente estamos necessitando. Nós fizemos isso algumas vezes e se caso no futuro surgir a vontade de fazer mais algum, então nós vamos fazer. Nós certamente não precisamos fazê-lo agora, contudo eu gosto de ter um tema. É bom você ter um incentivo, dizer em voz alta, o que realmente você quer fazer, basicamente, como fizemos com este registro : "Ei, nós estamos trabalhando nas coisas que aconteceram durante nossa história." Isso se refletiu no título do álbum.

Então vocês já decidiram um título para o novo álbum?

Brann: Sim, mas ainda não posso dizer.

[Risos] Claro. Seguindo em frente. Eu sou um grande fã dos vocais de Bill.

Brann: Ah, sim. Os vocais guturais? Gritando?

Sim, aqueles sons monstruosos que ele faz. Estes vocais não tem mais aparecido nos últimos álbuns, se comparados aos primeiros registros. Existe uma chance de ouvirmos um monte de guturais de Bill e Brent neste disco?

Brann: Não é verdade. Quero dizer, você certamente ouviu o Bill nos últimos álbuns. Mas hoje nós dividimos tudo, é muito meio-a-meio, Tanto o instrumental, os arranjos quanto as letras e os temas. Há muitas músicas que são complementadas, misturadas e emendadas. Temos riffs do Bill, do Brent e riffs de Bill e Brent juntos. Ou seja tem coisas feitas juntas, mas tem também algumas canções que são apenas do Brent e um monte de outras músicas que são apenas do Bill, assim também comigo e com o Troy.

Brann: Na verdade Bill não tem gritado tanto no álbum, nem Brent. Bill fez alguns vocais, mas eu não posso afirmar. Eu acho que, geralmente, funciona com os vocais da seguinte forma: Troy , eu e Brent cantamos, e Bill nos da o suporte necessário, somos uma equipe. Todos escrevemos as letras e tentamos encaixar tudo, deixar tudo perfeito e tudo isso é feito pouco a pouco, ainda há um monte de linhas de baixo do Troy. E por falar nisso, Troy esta soando muito bem no disco, soa super-poderoso. Mas com Bill, mantemos o que viemos fazendo desde Leviathan e Crack the Skye. Talvez da próxima, Bill [Risos].

Mastodon acaba de anunciar uma turnê incrível a partir de abril com Gojira e Kvelertak. Isso me fez lembrar de sua turnê com o Opeth e Ghost logo depois de vocês lançarem "The Hunter". Vocês tocaram uma tonelada de materiais novos naquela turnê. Podemos esperar o mesmo desta vez?

Brann: Eu não tenho certeza, depende de quando o álbum sair. Se o registro estiver lançado, então sim, mas se não, então você já sabe. As bandas que estarão conosco são incríveis, se o álbum estiver pronto, então nós faremos uma grande apresentação.

Portanto, então não há estimativa provisória para quando o novo álbum será lançado?

Brann: Eu suponho que ele não vai sair até o final de abril, porque nós vamos começar a dar os últimos retoques, você sabe, todos os detalhes minuciosos, somos bastante perfeccionistas, e só iremos disponibilizar este novo trabalho, quando ele estiver totalmente pronto, em todos os sentidos, arte, capa, músicas, edição, etc. Vocês só irão ouvi-lo quando estiver realmente concluído. No final de abril ainda estará muito cedo para disponibilizá-lo, mas eu não posso afirmar nada também, muitas coisas podem acontecer. Beyoncé acabou de lançar um disco, de madrugada, mas eu não acho que nós chegamos lá ainda. [Risos]

Repórter: Brann, eu sou um grande fã do seu estilo pessoal de tocar bateria. É uma combinação estranha e tem uma precisão incrível! pelo que eu sei, o seu estilo de tocar bateria é influenciado pelo jazz e rock progressivo e caracterizado por estruturas complexas, atípicas rítmicas com aquelas paradas irregulares. Como você criou e mantém um estilo tão criativo, individual, caótico e imprevisível?

Brann: Eu realmente não sei dizer. [Risos] Eu realmente não tenho uma resposta. A única coisa que posso dizer é que eu não fui devidamente treinado para tocar bateria, então eu realmente não tenho uma ideia do que estou fazendo, eu apenas faço. Talvez eu esteja tentando me passar por um músico profissional, mas ao mesmo tempo eu realmente não tenho ideia do que está acontecendo. [Risos]. Eu sou um grande fã de Phil Collins e Billy Cobham, Tony Williams e alguns bateristas de jazz, essas foram umas das minhas grandes influências.

Brann: Sabe, eu meio que tento manter essa mentalidade ou sensibilidade e aplicar isso para um som mais técnico e pesado, porque você não pode ser tão suave como eles são. Eu ficava observando a forma com que eles tocam, como conduzem. Eu sempre tive influência de jazz, blues, punk e rock em casa, meus pais eram hippies e tocavam em uma banda caseira. Mas pensando de uma maneira diferente, de outro aspecto, eu buscava formas diferentes de tocar, mas mantendo a ideia central. É assim que faço, assim que me sinto, foi dessa maneira que a minha forma de tocar surgiu, tentando fazer com que as influencias que eu tive na música se tornassem diferentes, e ao mesmo tempo, interessantes e originais. Todos nós temos coisas que nos inspiram, eu já tive vários momentos e inspirações na minha vida, nós temos que ser nós mesmos, deixando surgir o artista que existe dentro de si.

Brann: Eu faço o que eu gosto, e não me sentiria feliz em seguir regras ou padrões da música, eu toco como eu quero e isso torna tudo interessante. Funciona na maioria das vezes, e se sou induzido a tocar de outra maneira, eu sinto que estou indo contra a minha própria personalidade, se eu não fizer o que eu quero fazer, não haverá nada de especial. Eu estarei apenas tocando, e não serei eu mesmo. Não faz sentido para mim, não é a coisa certa a fazer. Você tem que inventar, criar, mas não imitar ou fazer o que as outras pessoas querem que você faça. Você não será único, será apenas mais um e não ficará feliz com isso.

Muitas pessoas consideram a discografia do Mastodon uma das mais aclamadas do metal da década de 2000. Que outras bandas, em sua mente, têm sido extremamente consistentes e elogiadas, assim como vocês?

Brann: Bem, são muitas; Neurosis, Tool, Melvins , Big Business, Baroness, Kylesa, Intronaut, Gojira... Todas estas e muita outras, que veem apresentando músicas incríveis, é uma nova geração da música pesada. É uma coisa impressionante. Somos amigos de muitas bandas destas, sairemos em turnê com o Gojira, conhecemos alguns membros do Eyehategod, Baroness, Melvins e tudo isso é sensacional.

Gojira, Baroness, etc. Realmente são bandas incríveis. Ah, e Brann, muito obrigado por falar comigo hoje. Eu mal posso esperar para finalmente ouvir o seu novo álbum. Nós estávamos ouvindo alguns de seus álbuns anteriores na noite passada e estávamos nos perguntando: De que planeta vocês são? Realmente inacreditável. Eu não poderia descrever. É exatamente o que queríamos, o que sempre buscamos um dia. Em relação ao novo álbum, espero que todo mundo goste, nós certamente gostaremos muito.

Brann: Não há de que, amigo. Estamos obcecados com a tentativa de fazer tudo perfeito, tanto quanto possível. Nós nos dedicamos totalmente a este trabalho. E Hoje é o último desta completa obsessão. Não queremos errar nem ao menos uma pequena nota, vamos utilizar o tempo que for. Na nossa situação atual, nós queremos agradar a nós mesmos primeiro, queremos fazer o que gostamos e isso pode gerar uma grande surpresa ! Eu gostei de tudo de verdade que esta no novo álbum. E espero que vocês gostem também. Até breve.

Muito obrigado mesmo Brann, até.

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Sobre Glauber Soares

Glauber Soares, 18 anos, natural do estado do Tocantins. Quando nasceu as maiores bandas de Metal já tinham história e teve seu primeiro contato com a leitura e com o Metal difundido quando tinha apenas 7 anos de idade pelo fato de seu pai ter lhe presenteado gibis de história em quadrinhos e viver escutando em casa fitas do Black Sabbath, Queen, Nazareth, Pink Floyd, Dire Straits, etc. Estudou o Ensino Médio e é formado em um curso técnico, pretende fazer faculdade e cursos como por exemplo de inglês. Seu conhecimento na língua veio da música e da internet. Vai nos poucos shows que acontecem no estado em que vive. Hoje escuta muito Death Metal, Progressive Death Metal, Technical Death Metal e muitas variações desse gênero, toca bateria tanto real quanto virtual. Suas bandas favoritas no momento são Opeth, Mastodon, Gojira, Death, In Mourning, Necrophagist, Edge of Sanity, Baroness e muitas outras. Porém no geral gosta de todas as formas de Metal e já escutou desde Doom, Groove, Black até Thrash, Heavy, Progressive. Durante a vida foi aderindo a diversidade musical e sempre analisa a história da banda e do gênero quando a conhece, estuda suas características e peculiaridades. Tem muitos hobbies como o velho futebol, escrever, ler, desenhar, jogar alguns games, malhar e sair. Frequenta muitos lugares e ambientes diferentes sempre querendo conhecer novas pessoas e fazer amigos.

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