Alice in Chains: DuVall fala sobre conflito, caos e criação

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Por Ana Elisa Lilix, Fonte: Drowned in Sound, Tradução
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Para alguns artistas o sucesso vem rapidamente, para outros, é necessário trilhar um caminho de pequenas bandas a mega-estrelas. É justo dizer que William Duvall, o frontmam de fala calma do ALICE IN CHAINS, trilhou o longo caminho. Por sete anos agora, ele tem o trabalho dos sonhos e a impossível tarefa de "vestir os sapatos (e a flanela)" de Layne Staley, ao ser o homem de frente de uma das bandas no centro do terremoto grunge de Seattle nos anos 90. É uma reunião de sucesso, criticamente aclamada e produtiva: o quarteto lançou dois álbuns, "The Devil Put Dinosaurs Here" (2013) e "Black Gives Way To Blue" (2009), além de lançar hits em festivais e lotar arenas ao redor do mundo.

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Mas a história de DuVall é diferente. Ele não foi uma mega-estrela do grunge nem um gênio atormentado - sua história vem de muito antes do ALICE IN CHAINS, bem antes do NIRVANA e do SOUNDGARDEN. Como guitarrista das lendas do hardcore de Atlanta, NEON CHRIST, ele viu o Rock Alternativo crescer de uma pequena cena permeada pelas éticas do punk rock "feita por garotos e para garotos", até o som decisivo da Geração X. Ele viu a música com a qual cresceu conquistar o mundo, quase se destruir e inspirar bandas que se tornaram experientes estadistas do rock alternativo. Então ele se uniu a uma delas. William DuVall conversou com Marc Burrows do Drowned in Sound para falar sobre conflito, caos, criação e punk rock.

Você começou em bandas de hardcore em 1983, e essa é uma cena completamente diferente onde existe uma conexão intensa entre a banda e o público, e a próxima banda que toca é parte da galera que pula no palco. Isso não poderia estar mais distante dos shows que você faz agora. Como foi essa experiência?

William DuVall: É uma coisa de louco. Principalmente porque no começou da cena hardcore nos EUA era tudo muito pequeno. Eu nem estenderia à cena inteira no mundo todo - poucas pessoas na Finlândia, então você descobria um pouco no Japão, um pouco na Itália, e você recebia essas cartas. Minha banda, o Neon Christ, lançou um disco no começo de 1984, produção e lançamento independentes, como a maior parte das pessoas. Chamávamos nossa empreitada de "Crise Social Records" - Acabei de inventar essa - mas estar no seu quarto tentando criar essas músicas, então estar no quarto dos seus amigos selando envelopes, recebendo encomendas da Rússia e cartas escritas com um inglês ruim...isso era antes da internet, começo dos anos 80, era tudo muito pequeno e muito inocente, muito cheio de paixão. Olho pra trás e vejo esse momento como único na história.

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Obviamente, quando você chega no começo dos anos 80, a música tinha sido vendida aos adolescentes por algumas décadas. Desde os anos 50 eles estavam cientes desse mercado jovem, onde pegavam a rebeldia dos garotos e a vendiam de volta, tipo o ELVIS ou quem quer que fosse. Sempre eram adultos falando para a garotada. CHUCK BERRY é um cara crescido, mas ele canta sobre "sweet little 16" [N.T.: gracinha de 16 anos], e embora as músicas sejam fantásticas, a coisa do Hardcore é a primeira vez em que os garotos na verdade tomaram o controle dos meios de produção de forma mais significativa do que estava acontecendo no mundo, sem você e sua pequena cena ter conhecimento dos outros. É uma coisa estranha na consciência coletiva, onde isso simplesmente tinha que acontecer. Tudo o mais tinha acontecido - e agora aquilo tinha que acontecer. A coisa do Hippie tinha acontecido, a coisa dos anos 70, o Punk dos anos 70. Aquilo ainda eram pessoas adultas fazendo música para elas mesmas e seu público intelectual. Essa coisa do Hardcore eram garotos de 15, 16, 14 anos pensando em como fazer e descobrindo os meios de produzir os álbuns, começando pequenas fanzines - era uma coisa muito poderosa e nos sentíamos encorajados por isso. Não poderia ter sonhado com um ambiente melhor para ter crescido, tudo foi muito decisivo em muitos níveis, e isso te ensina muitas lições para levar por vários estágios da sua vida, certamente em termos de persistência, fazer as coisas e não esperar que as pessoas façam por você, não esperar ser descoberto. [O pensamento] era "essa música é importante simplesmente porque falamos que é", e então acabou que estávamos certos! Ai ela transforma a cultura toda, incluindo influenciar o que aconteceu em Seattle.

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De certa forma, voltei ao ponto de origem ao me encontrar numa banda como o ALICE IN CHAINS, porque a cena que deu luz a eles não poderia ter existido sem as cenas que a precederam. Todas aquelas bandas eram meus amigos - BLACK FLAG, HÜSKER DÜ, o BAD BRAINS, mais tarde o pessoal do SONIC YOUTH, DRI, CRUCIFUCKS, SCREAM, todas as bandas que o Ian MacKaye estava - MINOR THREAT, FUGAZI... o primeiro show do FUGAZI nós é que organizamos em Atlanta - foi a primeira turnê deles. Essas coisas ajudaram a criar o modelo que acabou explodindo em Seattle. Então está tudo conectado. É interessante e estranho - a dimensão disso me deixa impressionado. Perceber a dimensão que o Rock tem já tinha me impressionado antes. Quando a coisa toda de Seattle aconteceu eu fiquei de queixo caído, o Nirvana absorveu literalmente o valor que meus amigos e eu tínhamos e fez disso algo maior. Foi uma valorização. Foi muito estranho, e também muito triste quando as contradições de certa forma dominaram algumas pessoas. [Kurt] Cobain nunca superou as contradições - você vem dessa cidade pequena, uma cena que se desenvolve e você fica contente de simplesmente tocar numa festa no porão de alguém, e então ao mesmo tempo você quer escrever músicas que cheguem a mais pessoas, e não quer recusar oportunidades: se uma grande gravadora diz que quer lançar um álbum seu, você não quer recusar isso. Parte de você quer ser famoso também, levar sua mensagem ao mundo e assim ser valorizado, mas então acontecem as inevitáveis invasões de privacidade, os aproveitadores e todo esse tipo de coisa, e você precisa conciliar isso aos seus valores do punk rock, digamos assim. HENDRIX e o THE DOORS e aquelas pessoas não tinham muito disso - eles tinham suas próprias lutas com a integridade também, mas era um pouco diferente. A coisa do punk tornou isso muito extremo e tinha a coisa do anti-rockstar. Era só ver a próxima banda sair do público. Não havia barreiras, não havia segurança.

Olhando pra trás, fico grato e surpreso que ninguém tenha se machucado, muitos dos shows que me lembro eram nessas frentes de loja que você mesmo montava, muitas vezes era completamente ilegal - sem permissão, sem nada. Certamente sem segurança - você não contrataria seguranças porque ia chamar quem? Os policiais? Eles te odiavam. A coisa toda era "errada", e se alguém descobrisse o show, ele seria cancelado. A própria garotada que se vigiava. Algumas vezes um adulto podia te ceder o espaço, mas isso era o máximo de envolvimento que eles tinham. Fico surpreso que ninguém tenha se machucado com gravidade. Surpreso de não ter tido mais acidentes. Então ver como funciona agora - seguranças que hoje trabalham em festivais provavelmente cresceram com aquela música ou com música que foi inspirada por aquela cena.

É um clima totalmente diferente agora, e no fim, como resultado disso acho que todos melhoramos. Às vezes ainda encontro esse espírito dentro de mim, depois de todos esses anos de luta para conciliar essas contradições. Como há pouco tempo, quando recebemos uma estatueta de "Ícone" da Revista Metal Hammer, e em todas entrevistas dizem "Então vocês ganharam o 'título de ícone'", ai eu só começo a rir. Não em desrespeito ao prêmio ou pela Metal Hammer nem nada disso, mas por...Ícone? Sério? É o tipo de coisa na qual eu com 16 anos teria jogado todo tipo de dardo, lança, flecha e lâmina de faca. Porque eu sei a verdade; nós somos só quatro babacas tentando ganhar o dia. E eu sei que eles estão homenageando a história da banda, está tudo envolvido nisso também, e eu apareço na metade do caminho, então nesse sentido eu entendo. Mas eu não olho a minha direita e vejo um ícone quando olho pro Sean Kinney ou o Jerry Cantrell. Eu sei quem somos - e não me sinto mais ícone do que o taxista que me trouxe aqui ou do que a pessoa que vai limpar essa sala após sairmos. Ainda, dito tudo isso, a questão vai mais além porque ninguém é um ícone, ninguém que eu admiro foi. Hendrix não foi. Mohammed Ali também não. Ainda que eu precisasse que fossem...então eu reconheço a necessidade da Metal Hammer ou quem quer que seja de nos dar esse tipo de prêmio, e ver essa banda e os indivíduos nela dessa forma, assim como eu precisava ver outras pessoas assim. Quando você começa a tentar pensar demais sobre o assunto, você vira um pretzel. É mais ou menos esse problema que Cobain e algumas outras pessoas matriculadas na cena de Seattle estavam tendo. Aquelas bandas de Seattle, incluindo o ALICE IN CHAINS e o PEARL JAM certamente estavam tentando mudar a natureza da fama, mudar não só como ela era, mas como ela agia.

Muitas das bandas de hardcore que se rebelaram nos anos 80 ainda estavam presentes na explosão do grunge...

William DuVall: Sim, e todos estavam "Manda mais! Manda mais! Manda tudo!" Existe uma diferença de perspectiva. Existia e existe. Você não pode mudar isso, e acho que isso simplesmente depende da sua formação. Você não pode mudar de onde veio. Eu não quero mudar.

Você acha que ainda existe algum elemento daquela cena que ainda esteja presente nos seus valores e sua abordagem?

William DuVall: Com certeza, é como eu disse, você não pode mudar de onde veio. E existem vários sentidos, é difícil até de especificar, pegar um exemplo, porque passa por tudo o que você faz. Passa por como você lida com alguém que se aproxima na rua e diz 'posso tirar uma foto? posso isso, posso aquilo?', então se você começa a se sentir incomodado ou irritado, vai rapidamente repensar seus atos.

Na cultura da mídia social é mais a coisa da foto, e é complicado porque qualquer pessoa que você simplesmente aborde e peça uma foto, metade vai dizer 'não'. E se isso acontece com você, algumas vezes várias e várias vezes por dia, ou se você está em turnê e sai na rua, qualquer lugar que você vá é provável que isso aconteça dezenas de vezes, porque sabem que você está na cidade e quando é uma cidade pequena o show é "O evento" da cidade naquela noite. Então se você não quer lidar com isso, simplesmente não saia do seu quarto de hotel.

É isso o que você representa, não é? Meio que um Rock and Roll itinerante que chega à cidade.

William DuVall: Correto - e isso é maior que todos nós, maior que qualquer indivíduo. Algo que não acho que dê pra entender completamente - você só tenta fazer o melhor que pode. Se dedica ao trabalho - se dedica a cada show. Ao momento, aos álbuns, à entrevista ou o que quer que seja.

Você tem uma situação peculiar, porque percorreu o longo caminho - pulou a parte onde teria a batalha existencial, entrou numa grande banda quando estava tudo bem fazê-lo...

William DuVall: Interessante você dizer isso, porque acho que se eu conscientemente sabia disso ou não, havia muito de auto-sabotagem que aconteceu no período onde eu posso ter tido que enfrentar diretamente esse medo existencial. Se algo tivesse acontecido comigo nos anos 90, teria sido muito difícil de suportar - Assisti alguns dos caras que eu gostava, eu gostava da música que vinha de Seattle e gostava do que eles estavam tentando dizer não só musicalmente, mas para a cultura, pelas entrevistas. Os vi sendo criticados e suportando tudo, vi o que aconteceu a eles como um resultado. Todas aquelas bandas sofreram algum tipo de colisão frontal e arcaram com as consequências. Nos casos mais extremos, foram pessoas que não sobreviveram, e até quem sobreviveu, mortalmente dizendo, pagaram um preço alto. PEARL JAM teve que parar imediatamente, [Eddie] Vedder teve que sair, 'Não quero mais isso, não me importo com o que vai acontecer com a nossa 'carreira', ou damos um tempo ou vou ter que sair'. Você está literalmente falando de vida e morte, sobre sua vida, criativa, espiritual e literalmente falando. Acho que se algo tivesse acontecido comigo, se eu não tivesse seguido esse longo caminho, quem sabe como teria acabado? Provavelmente não tão bem. Não consigo deixar de achar que se o destino age em algo nisso, se existem anjos e espíritos olhando por nós, talvez eu tenha tido sorte? Tive uma jornada interessante e ela não envolveu o que você disse. Algumas vezes sinto que perdi alguma coisa ou sei lá, mas aconteceu como tinha de ser, porque estou aqui, inteiro, tenho toda essa experiência e posso contribuir com ela, posso levá-la para o que quer que eu faça a partir de agora. E isso acrescenta a essa experiência. No geral, estou muito bem com isso.

E de repente você está em uma dessas grandes bandas. Esperava que isso acontecesse?

William DuVall: Bem, o primeiro show que fizemos foi uma apresentação na VH1 [Canal de TV por assinatura], acho que era o [Especial] Decades Rock Live. Foi num grande anfiteatro em Nova Jersey e foi filmado - aquele foi o primeiro show que eu fiz com o ALICE IN CHAINS. Originalmente, o Phil Anselmo iria cantar "Would?" e eu faria "Man in The Box". No fim, eu provavelmente não estaria no programa, porque para os produtores era a escolha entre o Anselmo - que tem essa história longa e pública com a banda - cantando uma das músicas mais conhecidas do ALICE IN CHAINS, e então eu, um completo desconhecido fazendo "Man in The Box".

O que aconteceu foi que era para a Anne Wilson do HEART ter cantado 'Rooster', mas mais cedo naquele dia, por motivos de posicionamento com as câmeras ou algo assim, eu cantei essa música [na passagem de som] porque estava lá e a Anne não tinha chegado. Ela apareceu depois e quando me viu fazendo "Rooster" disse, "Certo, você vai ter que cantar essa música". Era pra ser o grande momento da Anne com o Alice no show dela. Era o show do HEART, [mas] eles pediram para a banda participar para que aquele fosse um anúncio de que a partir daquele momento haveria atividade pública do ALICE IN CHAINS - essa foi a festa de "estreia" da banda, e o HEART - as 'comadres' de Seattle - iriam ser as anfitriãs. O momento dela era pra ser em "Rooster", eles já tinham conversado sobre isso em todos os jornais e tal, "espere até ouvir Anne cantar 'Rooster'", e então ela me deu a música! Foi uma enorme e agradável surpresa. Foi ótimo porque ao fazer isso ela me garantiu um lugar no show quando ele foi transmitido, o que deu luz a essa ressureição propriamente dita da banda. Foi transmitido quando estávamos começando a viajar em 2006, então o momento foi muito fortuito. Foi muito gentil da parte dela porque isso não acontece muito frequentemente no show business.

Você lembra do primeiro show que fez com o Alice in Chains como banda principal?

William DuVall: Muito vagamente - a primeira coisa foi no VH1, a segunda foi no Moore Theatre, em Seattle, ai é tão mais complexo que você nem mesmo consegue pensar nisso, você esquece, apaga. Tem toda a história - você está nos bastidores e lá estão a mãe do Layne, o pai dele, o Kim Thayil, todas essas pessoas do passados deles, algumas das quais você conhece de capa de álbuns que comprou, outras você não conhece porque eram só pessoas que curtiam a cena, assim como acontecia na cena de Atlanta. Essas pessoas que te conhecem há anos. Foi muito louco - mais uma vez o foco era o show, a música, deixar as coisas acontecerem, focar em você mesmo, ir lá e fazer sua parte. Me lembro de poucas coisas avulsas, e que era mais se concentrar e trabalhar. Você tem Seattle e então tem que ir pra San Francisco, Los Angeles - uma série de pequenas datas em bares como aquecimento. Então viajar a Boston, Nova York, então Europa - meu sexto show foi para 40 mil pessoas em Portugal. Foi como estar surfando pequenas ondas e então vir o tsunami - ou você surfa ou morre.

Você sempre soube que teria um sucessor do seu primeiro álbum com a banda, "Black Gives Way To Blue"? Tinha uma conversa de que era um lance de um só álbum...

William DuVall: Não conversamos sobre isso conscientemente, e quando éramos questionados a respeito em entrevistas, daríamos a resposta padrão, "Ah, vamos ver o que acontece", porque você não quer se comprometer. Como dissemos quando perguntavam e como sabemos, planejar muito a frente é bobagem e a vida vai te levar pra onde for. Você pode ter esperanças e sonhos, mas planos? Isso é outra coisa. Acho que fomos inteligentes em não nos comprometer com um outro álbum - porque isso te permite evoluir naturalmente a tal ponto. "Veja essas demos" ou algo do tipo. Você permite que isso aconteça sem ter algum tipo de grande projeto. Talvez esse seja só um artifício psicológico que se desenvolve em nós mesmos, mas é o que parece funcionar. Acho que se alguém fosse ser completamente honesto sobre essa questão, acho que todos nós teríamos achado idiota parar nesse ponto, ou deixar passar mais 10 anos para um novo álbum. Se quisemos admitir ou não, houve um impulso criado junto ao "Black Gives Way To Blue", e esse impulso aumentou com a turnê desse disco. É simplesmente natural que se as pessoas chamam o "Black Gives Way To Blue" de nosso "Back in Black" [1º álbum do AC/DC sem o vocal original de Bon scott], o nosso "For Those About To Rock" teria que vir depois. Se alguém tivesse tentado nos dizer que teríamos empacado, tudo bem, é assim que funciona.

Suponho que essa seja a vantagem de se estar no tipo de banda que você está, não estar sob o comando de uma gravadora te deixa livre desse tipo de pressão...

William DuVall: Mais uma vez, é o luxo de ter o seu próprio tempo em estúdio e seu próprio esquema ao fazer um álbum. É uma posição bem rara de se estar, porque quando o disco está pronto não existe o mesmo nível de interferência da gravadora. Não existe nada daquilo de "escrevam singles! Não estou ouvindo nenhum single aqui!" Temos muita sorte por isso, e não levamos isso como vantagem de forma alguma. Ao mesmo tempo, existe uma grande força conjunta para levar qualquer coisa [à gravadora] e dizer, "essa pode dar certo", mas eles estão aceitando o que oferecemos a eles - as músicas não são escritas com isso em mente. O que é uma coisa muito legal. Muito mesmo. Uma música como "Hollow", que foi lançada basicamente como o que chamamos de "street track" [faixa não comercial] e chegou ao primeiro lugar na rádio dos EUA, onde o espaço é bem limitado. Isso é muito legal.

Como funciona a dinâmica de composição de músicas na banda? Alguém chega com a música pronta e diz 'aprenda'? Ou todos contribuem com riffs e ideias?

William DuVall: É tudo isso. Acho que o Jerry tinha "Voices" pronta, eu provavelmente coloquei algumas harmonias ou algo assim, mas ela veio totalmente pronta. Outras, como a "The Devil Put Dinosaurs Here", vieram de jams. Sei que "Phantom Limb" era uma demo instrumental que me mandaram, e eu imediatamente tive que fazer alguma coisa. Dentro de mais ou menos um dia tinha escrito toda a letra. Em poucos minutos eu tinha alguns versos e no outro dia, mais ou menos, eu os refinei. Tudo aconteceu muito rápido. Basicamente dentro de 48 horas deles terem me mandado a demo intrumental eu a mandei de volta com todo o vocal feito, e ele é muito igual ao que você ouve no álbum. A gravação em si foi reproduzir o que tinha feito em casa. Ela não tinha um solo, então em algum momento em que estávamos no estúdio concentrados na gravação, o Jerry me perguntou "quer fazer o solo nessa, por que eu não tenho nada." As coisas são feitas de diferentes formas.

Deve ter sido um momento bem legal, ir além de "ser chamado para cantar com a banda" para "ser chamado para gravar com a banda" e então "ei, faça o solo de guitarra"...

William DuVall: É legal pra mim, porque sou primeiramente, antes de mais nada, um guitarrista. A parte de cantar aconteceu por reviravoltas do destino, eu ainda não entendo como tudo se deu. É ótimo poder fazem ambos, mas guitarrista era tudo que eu queria ser quando era um garotinho de 8 anos. Fazer isso no ALICE IN CHAINS é muito bom.

Por Marc Burrows




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Sobre Ana Elisa Lilix

Paulistana, aos 13 anos descobriu no Rock and Roll a verdadeira redenção. Grande admiradora de bandas setentistas, tem predileção também pelas noventistas e seu foco é justamente uma destas, o Alice in Chains.

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