Gstruds: Luiz Lemos fala como vive a véia maldita

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Por Leonardo M. Brauna
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LUIZ LEMOS, o Sr. GSTRUDS é um incansável guerreiro que há mais de vinte anos mantém o nome da "Véia Maldita" em evidência no Ceará. Esta que é uma das bandas mais tradicionais do Metal de Fortaleza conseguiu depois de duas décadas lançar o seu "sonhado" debut, ‘Only Tia Gertruds is Real’, graças ao apoio de selos que entendem o valor de seu nome para o Metal da região. A banda hoje segue caminhando com Luiz no vocal, PAULO HENRIQUE (guitarra), CARLOS MENEZES (baixo) e ACÁCIO VIDAL (bateria). Quem comenta um pouco dessa história e os títulos curiosos do CD é o próprio vocalista, que em cada resposta deixa a sua marca de bom humor. Confira.

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A Gstruds é uma das bandas de Metal mais antigas de Fortaleza, se levarmos em consideração a fase ‘projeto’ já somam-se 26 anos. No entanto a banda veio se consolidar mesmo a partir de 1991. Mas só em 2013 lançou o seu primeiro álbum, ‘Only Tia Gertruds is Real’. O que ocasionou tanto essa demora?

Luiz Lemos: Bom, primeiramente gostaria de agradecer a você Leonardo, pela resenha do nosso CD e agora por essa entrevista, e dizer que é um prazer imenso. Eu em nome da Gstruds só tenho a dizer do fundo do coração: valeu mesmo a força, brother! Voltando a sua pergunta, vou tentar ser objetivo, pois é uma longa história... (risos) No inicio dos anos noventa minha participação na GS foi simplesmente com a primeira ‘demo-tape’, na maioria das letras e a capa feita de caneta (ainda tenho a matriz aqui fossilizada), e depois algumas letras também da segunda, a ‘Piada Brutal’. Depois disso fui carinhosamente retirado da banda, daí fiquei de longe vendo-a com o passar do tempo, ser extinta apesar de estar no auge e tocar em eventos grandes realizados na época, pela ‘Rock Shop’ (loja pioneira em trazer grandes bandas nacionais para Fortaleza). Falando com propriedade do meu período de retorno e re-erguimento da GS, começou em 2004 e findou com o lançamento da Demo "Brutal Comic Metal" que foi um resgate de vários sons da primeira ‘Tape’ com a capa da segunda. Ela foi super elogiada pelo Brasil e logo após a GS passou por milhares de formações, essa fase foi longa e infelizmente demorou pra caramba a acertar o feeling da formação atual para o projeto do CD. E olha que nessa novela toda já tinha fechado parcerias com os cinco selos para o tão sonhado ‘debut’. Ficamos com risco de perder esses parceiros, mas tudo deu certo e eles entenderam a demora, alem de grandes selos são também amigos e, enfim, deu tudo certo.

Carlos Menezes, Paulo Henrique, Luiz Lemos, Acacio Vidal
Carlos Menezes, Paulo Henrique, Luiz Lemos, Acacio Vidal

O lançamento de ‘Only Tia Gerstruds is Real’ foi apoiado pelo trabalho dessa parceria que inclui alguns dos maiores nomes do Underground fortalezense. Conte-nos como surgiu essa iéia.

Luiz: Como comentei, no inicio, além de grandes parceiros eles são grandes amigos, a idéia surgiu do zineiro Alessandro Reinaldo, amigo dos primórdios da GS, Cursed Excruciation e do Esporro Sonoro, selo que inaugurou com nosso trabalho. A idéia foi fazer um projeto/mutirão de selos, já que vários queriam participar desse lançamento. Os amigos Emydio Filho (Gallery Productions), Mario Carvalho (Tenebrarum distro), Marcelo (Mvcs Distro) e Nilberto Borges (Metal Island) que é amigo de infância, aceitaram essa aventura e felizmente deu tudo certo pra todos e só posso dizer que a tiragem de CDs já está acabando!

A música da Gstruds é um cardápio perfeito para quem aprecia Thrash Metal, Death Metal, Hardcore e muita diversão. De onde vem toda essa influência?

Luiz: Cara, de minha parte curto de tudo que você imaginar das vertentes do Heavy Metal, mas claro que tenho minhas predileções como o bom e velho Death Metal, Thrash alemão Hardcore, Grind/Crust e os meninos da banda também curtem muito extremo e Thrash, essa salada sonora Junto com muitos filmes de terror, humor negro, quadrinhos e nossa raiz cearense que faz o som da Gstruds até os dias de hoje.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Muitas canções antigas foram parar no ‘full-length’, mas ‘Vingança do seu Madruga’, considerado por muitos o hino da banda, não entrou. Vocês chegaram a fazer uma releitura durante as gravações?

Luiz: Todo mundo pergunta isso, bom, quando estávamos no estúdio gravando fizemos um sorteio de alguns sons antigos e optamos nas mais pesadas, algumas que também estão na boca da galera como ‘Velma a Barata Zumbi’, ‘Satã Obreiro da Universal’ e outras que foram pedidos particulares de alguns selos que estavam nos lançando, mas temos sim uma releitura da ‘Vingança do seu Madruga’ que já rola ao vivo e que com certeza no nosso próximo CD, se tiver (risos), já será a primeira da lista, podem aguardar e ela vem mais "carniceira" e com surpresas.

Foto: Raphael Sousa
Foto: Raphael Sousa

Quase todas as canções vêm com a marca do humor cearense, com exceção de ‘Churrasco dos Vermes’ que transcende à figura cômica se encaixando mais no ‘Gore’. ‘Satã Obreiro da Universal’ mostra a igreja como sendo rival de satã na conquista de fieis. Além da sátira ser bastante inteligente, para o bom entendedor também funciona como dura crítica ao domínio da religião. Pode explicar mais sobre essas letras?

Luiz: A maioria das nossas letras é praticamente a essência da Gstruds, o sarcasmo e humor negro sempre vão imperar nelas. A "Churrasco dos Vermes": leio pra caramba Augusto dos Anjos e também quando a música nasceu, pensei: putz , essa é Death na vêia, algo que não deixo faltar na banda é o Death Metal ems nossos riffs, principalmente ao vivo que colocamos mais peso. Então, ela merecia uma letra à altura e saiu essa metáfora ligada à morte, bem forte por sinal, e na releitura brutalizamos um pouco mais, colocamos os efeitos do maravilhoso Filme ‘Evil Dead’ para homenageá-la devidamente. Em "Satã Obreiro da Universal" não fugiu à regra, na época de criação da letra a ‘Igreja Universal’ também estava em meio às reportagens de lavagem de dinheiro, briga de pastores pela grana alta que estava entrando e no meio disso tudo os tolos fieis firmes e fortes dando apoio a tal igreja pelas agressões a ela, e lembro bem da reportagem do Edir Macedo contando dinheiro rindo para a câmera e ensinando os candidatos a pastores a enganarem esses trouxas, com isso tudo a letra foi saindo rapidamente da minha cabeça de uma ótica sobrenatural de que até o Diabo começaria entrar também na jogada pra retirar um pouco de almas para ele, é claro, não sair perdendo e por ai vai, porém vejam o quanto ela é atual e sempre estará porque a religião jamais deixará de ser um negócio bem lucrativo.

Foto: Raphael Sousa
Foto: Raphael Sousa

A divertidíssima letra de ‘Retroboy’ resgata com termos sarcásticos realidades de uma cena do Metal que se via muito nos anos oitenta e começo dos noventa. O que você tem a dizer sobre essa volta do Metal ‘Old School’ que novamente ascendeu ao Underground?

Luiz: Essa foi nossa idéia. Comentar da maneira GS de ser esse período ‘revival Old School’ (meio que escrachado) de ser rockeiro relâmpago com as facilidades que a internet oferece. Hoje e da forma engraçada de hoje, ter que montar um personagem com seus aparatos metálicos para se ir a um show de rock, coisa que na nossa época jamais fazíamos, porém concordo que deste momento sairam bandas bacanas atuais como ‘Violator’, ‘Farscape’, ‘ByWar’, entre outras, e estamos aproveitando também, pois tudo tem seu lado bom.

Foto: Raphael Sousa
Foto: Raphael Sousa

André Noronha além de produzir o álbum fez participações em três faixas, ‘Puta Purulenta’ e ‘Retroboy’, fazendo ‘backing vocals’ e solando em ‘Terror no Beco da Poeira’. Como surgiu essa idéia?

Luiz: André além de grande produtor nos ajudou pra caramba, devemos essa nossa maturidade sonora no CD a ele, um grande profissional e para uma banda que hoje quer gravar um ‘debut’ coeso e de alto nível ele é o cara do momento, além de tudo, ele é um grande fã da banda e hoje nosso irmão. Lembro que a primeira vez que fui ao seu estúdio conversar sobre o disco, ele de cara me aparece com nossa primeira ‘Tape’, fiquei até com vergonha (risos). A proposta de participar veio dele próprio. No inicio ele pediu para solar na ‘Terror...’, daí convidei-o pra entrar com ‘backing’ em mais algumas e ele aceitou de cara. Para nós foi foda. O resultado está ai, muito legal!

Foto: Raphael Sousa
Foto: Raphael Sousa

Pode falar também das participações de Wolney Mendes e Felipe Ferreira?

Luiz: Desde o inicio das gravações do CD eu pensava em chamar algumas celebridades do nosso cenário, daí o André achou foda a idéia também. A "Terror no Beco da Poeira" ficou um chute na canela, um thrashão forte, daí só lembrei do Wolney (vocal da Betrayal) que sou fanzão e pensei nos seus berros insanos em um dueto. Para ele foi um prazer, topou de cara, e o resultado foi essa música devastadora que particularmente acho a mais insana do álbum. Com relação ao Felipe foi a mesma coisa, é um grande amigo da GS, topou de imediato e nada mais justo pra ele que ter urrado na mais Death do disco, a "Churrasco dos Vermes", que ficou animal. No próximo vou convidar mais dessa cambada de estrelas do rock cearense, ficamos honrados com essas participações e quero futuramente repetir a dose.

João Paulo Babush foi quem executou as partes de bateria. Ele chegou a fazer parte da banda ou foi escalado como músico de estúdio?

Luiz: O Babush chegou sim a participar da GS, passou um tempo tocando conosco, fez alguns shows, e na execução da bateria no inicio das gravações, mas queríamos alguém mais focado, empenhado, e ele amigavelmente saiu da GS. Depois de um tempo encontramos o Acácio bem próximo do lançamento que assumiu a batera de vez, assim espero (risos). Já tivemos muitos problemas por falta de baterista, um dos motivos da demora do lançamento.

Obrigado pela entrevista e pode mandar o seu recado.

Luiz: Mais uma vez gostaria de agradecer a você, grande guerreiro underground, pela resenha e por essa puta entrevista e dizer que são pessoas como você que o Metal nacional precisa sempre! Agradecer também aos selos que investiram na empreitada de "Only Tia Gertrudes is Real" que está tendo uma receptividade enorme; agradecer aos grandes amigos divulgadores do nosso trabalho, Silvio Cesar Barros o vocalista da grande Beowulf, amigo dos palcos da década de noventa, esse é irmão e não é de hoje que curte o som da Gstruds; ao Junior Terror Cult, super amigo e fã da "Tia maldita" diretamente de Fernandópolis (SP), quem sabe um dia a gente tocará nessas bandas; Douglas William, parceiro do blog Hellgates de Brasília, grande brother! Bruno Gabai vocal do S.O.H., fanzão da "Véia" que no último show que fizemos ao lado de sua banda nos fez uma grande homenagem usando uma camisa de mais de 20 anos, ainda com a arte da primeira ‘tape’ (risos), foi muito foda ver isso, de verdade! Aos amigos de antes, agora grandes Bangers que batem cabeça toda vez que subimos nos palcos Underground, nós da Gstruds só temos a dizer BRUTAL NA VÉIA SEMPRE...

Foto: Raphael Sousa
Foto: Raphael Sousa

Contatos:

http://www.myspace.com/gstrudsbanda
http://www.facebook.com/LuizGstruds




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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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