Beatles: entrevista com brasileiro que conheceu o grupo

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Por Marcus Vinicius Magalhães
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Há 43 anos, o maior fenômeno da música mundial acabaria após a saída de Paul McCartney dos Beatles. O anúncio do músico aconteceu em 10 de abril de 1970, entretanto, a banda já estava separada desde o final do ano anterior. Mas, ainda não havia acontecido um anúncio oficial até o pronunciamento do baixista canhoto mais famoso da história do rock.

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A partir dali, o quarteto de Liverpool encerrava uma carreira de sucesso jamais atingida por uma banda, e John, Paul, Ringo e George iniciariam seus projetos de carreira solo.

Apesar disso, os fãs de Beatles nunca deixaram a banda morrer, imortalizando suas histórias, músicas e curiosidades dos integrantes do grupo britânico. É o caso do beatlemaníaco Marco Antonio Mallagoli, presidente do fã clube Revolution, que é reconhecido inclusive pelos ex-Beatles. Natural de São Paulo e fã de Beatles desde 1963, Mallagoli teve o privilégio de conhecer os quatro integrantes da banda inglesa e apresentar seu trabalho aos músicos.

Durante entrevista ao jornalista Marcus Vinicius Magalhães, o presidente do mais antigo fã clube do Brasil falou sobre seu amor pelos Beatles, dos itens raríssimos que tem guardados e ainda detalhou como foi conhecer o quarteto mais famoso do mundo do rock n roll. Dentre os principais momentos ao lado dos músicos, Marco Antonio destacou o encontro com John dois meses antes de seu assassinato, do privilégio de passar uma tarde com George na casa do guitarrista e de se tornar amigo de Paul.

MARCUS: Me fale um pouco dessa sua dedicação em nunca deixar "morrer" as histórias, fotos e notícias sobre o quarteto de Liverpool. Você acredita que os Beatles ainda serão ouvidos pelas gerações futuras?

MARCO ANTONIO MALAGOLI: Eu cresci e vivi ouvindo Beatles e eles são parte integral da minha vida. A música deles me faz viver melhor a cada segundo e eu vivi muitos momentos felizes em minha vida com a música deles de fundo. Para mim, eles são os “Deuses” da música, pois têm o poder de fazer as pessoas felizes. A mensagem deles e muito positiva e fala muito de AMOR e não vejo nada melhor do que manter viva essa mensagem tão importante na vida de todo mundo.

Se eles me fizeram e me fazem ser feliz na vida, por que não dividir isso com outras pessoas? Por que não mostrar isso aos outros? A vida deles teve muitos fatos importantes e eles precisam ser conhecidos pelas pessoas e hoje vejo na internet um monte de baboseiras sobre eles e as pessoas leem como se fosse verdade e acabam acreditando em tudo que leem, por mais ridículo e anormal que seja o fato. Minha luta é manter a imagem deles, como eles criaram e não como esse monte de “Dr. Beatles” da internet colocam hoje em dia, pois hoje qualquer um que lê um livro sobre eles já se julga expert em Beatles, mesmo que seja um livro ruim. Isso me irrita ao ponto de querer mostrar as pessoas o que foram e o que são os Beatles de verdade e não essas falsas historias e fantasias de gente que não tem o que fazer na vida e querem aparecer. Por que querer mudar e/ou inventar em cima de uma historia que existe e que é real? Vejo blogs e site com tanta besteira que me desanima, às vezes, mas ao mesmo tempo me estimula, me faz não deixar pra lá e lutar cada vez mais em manter a historia deles correta e cada vez mais viva.

E como já esta provado, os Beatles são eternos, e muitas gerações futuras vão ouvir, falar, tocar e viver a música deles, assim como hoje, 43 anos após o fim da banda, estamos aqui falando deles, como se fosse uma banda atual. Isso sem falar no lixo musical que existe hoje, nas mensagens ridículas que as letras de músicas trazem, o lirismo e a poesia deixaram de existir nas letras. Falar de AMOR, da mulher amada, deixou de ser uma tônica nas músicas. Hoje e só palavrão, besteira e palavras de baixo calão que não acrescentam nada a cultura e ao coração. Infelizmente incentivados pela nossa mídia nacional em larga escala, e dai as pessoas pensam que aquilo é música, mas não batem no coração, não servem para nada. Então, quando as pessoas ouvem uma boa música, como as dos Beatles, que tem melodia, belas harmonias, vozes bem afinadas e letras com sentido e profundidade, acabam gostando, muitas vezes, mesmo sem entender o inglês. Por isso os Beatles são eternos.

MARCUS: Você se encontrou com Lennon, McCartney, Ringo e George. Poderia descrever, brevemente, como foram esses encontros: o que você falou para eles e como foi a receptividade do quarteto com você?

MARCO ANTONIO MALLAGOLI: Cada um foi num local, época e situação diferentes. Eu estou escrevendo um livro sobre isso e espero estar pronto logo no inicio do ano que vem, onde vou detalhar cada encontro, os papos que rolaram e o que eu senti. Mas foi mágico, maravilhoso, e não consigo contar e explicar sem me emocionar.

Eles me receberam super bem, foram atenciosos comigo e sei que cada um desses encontros foi algo que marcou com profundidade a minha vida.

O primeiro que vi foi Ringo em Londres em 1974, mas não consegui falar com ele. Depois, em Agosto de 1989, estive com ele no camarim após um show em Saratoga Springs, New York, mas não tenho foto desse encontro ate hoje.

Depois George em duas situações – a primeira aqui no Brasil, em São Paulo em fevereiro de 1979 e depois passei uma tarde com ele em Maio de 1987.


John Lennon foi o terceiro Beatle que eu conheci, em New York, dois meses antes de ele ser covardemente assassinado e, graças a Deus, além de varias fotos e da agenda autografada por ele, teve varias pessoas que testemunharam esse encontro.

E Paul McCartney foi o último que encontrei e por mais vezes.

Fui o primeiro fã brasileiro a entrar no camarim dele no Rio de Janeiro em 1990 e ainda por cima duas vezes: uma vez sozinho e outra com minha esposa e meus dois filhos do meu segundo casamento e tivemos momentos agradáveis ao lado dele e da saudosa Linda McCartney.

Nós fomos convidados por ele a ir ao camarim, devido ao trabalho do Fã-Clube que ele me disse que admira muito. Não foi aquela coisa de ficar do lado dele e tirar uma foto sem ele saber quem eu sou, como tem acontecido hoje em dia. Foi algo marcante e profundo, tanto para nós como para ele.

E em 1993, aqui em São Paulo, tivemos o prazer de entrar de novo no camarim e foi quando eu levei meu baixo Hofner 67, e ele tocou com ele, e autografou pra mim.

Depois disso, esbarrei com ele em Londres por três vezes, durante nossa excursão que faço varias vezes ao ano, mas não tenho fotos desses encontros e em vários shows pelo mundo afora, onde ele do palco sinalizou pra mim. São histórias que vão estar em meu livro.

MARCUS: Qual seu Beatle preferido e por quê?

MARCO ANTONIO MALLAGOLI: Para mim, os Beatles são uma coisa só eu não consigo dissociar um do outro, pois foi ai que a mágica toda aconteceu. Eles foram quatro magos e fizeram o mundo mais feliz e não tem como dividir ou dar responsabilidades e funções a cada um. O conjunto das energias foi o resultado do que conhecemos como Beatles. Tanto que só funcionou após a entrada do Ringo. E minha vida girou e gira em torno dos quatro. Na carreira-solo eu acompanho cada um deles, tenho todos os discos lançados por cada um, pelo menos os que eu sei que existem e muitos alternativos e admiro cada um deles separadamente. Mas o trabalho musical e a energia dos quatro juntos não têm igual.

MARCUS: Você conseguiu assistir alguma apresentação dos Beatles? Caso tenha visto apenas apresentações dos integrantes solos, qual o show mais marcante de sua vida?

MARCO ANTONIO MALLAGOLI: Infelizmente nunca vi os quatro juntos. Nos anos 60 a gente não tinha informações como tem hoje, normalmente ficava sabendo de um show deles após ter acontecido, com as noticias dos jornais e revistas mostrando a loucura que era cada show. Quando eles pararam de tocar eu tinha 15 anos e não tinha condições de viajar ao exterior, infelizmente, mas vontade nunca faltou.

Naquela época tudo era mais difícil. Sem contar meu encontro com o George, onde ele tocou pra mim e foi um show particular, eu vi Paul e Ringo ao vivo no exterior e aqui no Brasil.

O mais marcante e sempre o último show e o melhor também.

No caso do Paul, que tive o privilegio de assistir ao todos os shows dele no Brasil, a cada show sempre da uma vontade de “quero mais”. Após as 3 horas e meia de um show dele, que parece ter durado alguns segundos, a vontade de ver de novo e enorme.

Já nem sei mais dizer quantos shows dele eu vi, mas se eu pudesse assistiria a todos que ele faz pelo mundo. Um e sempre melhor do que o outro.

E espero que ele não pare nunca, pois ele hoje e a voz dos Beatles.

MARCUS: Como grande colecionador de itens dos Beatles, qual é seu principal (pode ser mais de um) objeto da banda que você guarda a sete chaves?

MARCO ANTONIO MALLAGOLI: Olha e difícil dizer, pois tudo que tenho, até um simples pedaço de papel com o nome deles, que eu guardo há anos, e valioso. Não sei e nem quero saber se tem valor comercial, o importante para mim é o valor sentimental, de algo que eu coleciono com amor e carinho desde 1963.

Toda a minha coleção é original, não tenho copias nem replicas de nada, e a grande maioria, veio a mim.

Nunca paguei nenhuma fortuna por nada, os itens que eu comprei, foram na época que apareceram e, portanto paguei o valor normal de mercado.

E muita coisa veio por troca, com pessoas no exterior, presentes, enfim eu muitas vezes estive na hora certa no lugar certo e com as pessoas certas.

Tenho um disco de ouro da música “She Love You” que os Beatles ganharam e o John Lennon me mandou de presente, um baixo Hofner 67 original autografado pelo Paul, fotos ao lado de John, Paul e George, discos autografados por Paul e George com meu nome neles, as litogravuras originais de John Lennon, material promocional que ganhei da gravadora inclusive dois discos de ouro, já nem sai mais quantos LPs e compactos em vinil, CDs, VHS, DVDs, revistas, buttons, bonecos... é muita coisa.

Não quero com isso dizer que a minha coleção e a maior do Brasil ou a melhor, sei de muita gente que ate mata por esse titulo, que não me interessa, pois não colecionei com esse objetivo, mas sim para ter um prazer pessoal, mas posso dizer que e uma coleção muito grande e extensa.

Vejo hoje as pessoas se vangloriando no Facebook, colocando fotos de itens de coleção como se fossem únicos e me divirto com isso, pois vejo que as pessoas não colecionam por prazer de ter o material, de curtir o disco, o livro, ou seja, lá o que for, mas para mostrar isso aos outros.

Nisso eu passo, me sinto feliz em ter pra mim e mostrar aos amigos quando vem em casa.

MARCUS: Fale um pouco sobre suas apresentações com a banda Revolution. Qual a média de shows que você faz? Você toca apenas música dos Beatles ou também de outros artistas?

MARCO ANTONIO MALLAGOLI: A banda existe desde 1980 e já tivemos época de tocar de segunda a segunda direto. Hoje, o único original na banda sou eu, fazemos poucos shows abertos, devido as minhas viagens seja a Inglaterra levando grupos para conhecer de verdade os locais Beatles, pois tem muita “fajutice” nesse meio, infelizmente.

Eu faço um trabalho de dedicação a essas viagens, conheço Liverpool desde 1979 e viajo em media pra lá, de quatro a cinco vezes ao ano, e isso me permitiu conhecer bem os lugares onde eles nasceram, cresceram , viveram, saber das verdadeiras historias dos acontecimentos da vida deles a relação das músicas com cada fato ou local, enfim ir com profundidade na vida deles, conhecendo onde tudo aconteceu.

Conheci pessoas que viveram com eles, os conheceram, assistiram shows em pequenos clubes ou em estádios, e cada um tem uma boa historia que acrescenta a minha vivencia e conhecimento.

E nas viagens eu passo isso às pessoas que vão comigo no grupo.

Tem muita historia por ai errada e você contar a verdade no local onde isso aconteceu acaba tendo uma áurea mágica.

Vejo com pesar muita gente indo pra lá e não vendo nada, perdendo tempo e dinheiro e muitas vezes ficam em Liverpool um dia ou dois e voltam dizendo que conheceram tudo. Eu ainda não conheço tudo, apesar de todas essas viagens.

Então, leio em blogs o cara eu foi lá, se perdeu, perdeu tempo em achar os lugares, quando achou, pegou um taxista que contou a ele um monte de mentiras e o cara se acha o máximo. Até dar conselhos às pessoas. risos).

Ou viajo muito com as Exposições Revolution pelo Brasil, que e a única reconhecida oficialmente pela Apple, com autorização deles e a única com objetos originais - fuja de copias, replicas e imitações - o que não me deixa muito tempo em São Paulo.

Por isso temos tocado uma media de 3 a 4 vezes ao ano, em shows abertos e muitos shows fechados, para empresas, aniversários, casamentos, etc....

Um outro problema e que os bares de São Paulo e do Brasil em geral, não valorizam mais o rock nos fins de semana, eles preferem dar espaço a outros gêneros que não vou citar aqui, e o nosso publico prefere shows aos sábados.

Isso sem contar que o pagamento nunca e bom, então quando fazemos shows é mais para ter contato com as pessoas que pedem a banda, do que para ter proveito financeiro. Nos tocamos apenas músicas dos Beatles e algumas da carreira-solo em ocasiões especiais.

Uma vez fizemos no Shopping Metro Tatuapé, aqui em São Paulo, uma Exposição junto ao Fã-Clube do Elvis SPEPS, com meu saudoso amigo Marcelo Costa e no final teve um show onde tocamos uma música dos Beatles e outra do Elvis, nesse caso cantadas pelo Marcelo e nós tocamos todas as músicas. Foi maravilhoso.

Marco Antonio vai apresentar entre os dias 15 a 29 de setembro, no Jardim da Perdizes, em São Paulo, uma exposição dos Beatles no maior stand da América Latina. Durante o evento na Av. Marquês de São Vicente com a Av. Nicolas Boer, em frente ao Parque Jardim das Perdizes, acontecerão apresentações de shows acústicos aos sábados e domingos a partir das 17h.

Para maiores informações sobre esse e futuros eventos do fã clube Revolution, basta acessar o site

http://www.revolution9.com.br

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Sobre Marcus Vinicius Magalhães

Marcus Vinicius Magalhães: jornalista formado pela FIAM, com especialização em Políticas Públicas Sociais pela USP, foi redator, repórter e colunista nas redações da Band, Rede Record, Editora Abril, Climatempo Meteorologia, Rede Internacional de Televisão, Portal Terceiro Tempo e Editora Moderna. Pela música, tenta, desde criança, ser guitarrista, violonista e baterista. Além de já ter se apresentado em grandes rock bares de São Paulo com seu cover Symphony Maiden, atua como assessor de imprensa do grupo de rock nacional Marques Geraldo. Atualmente Marcus é o jornalista responsável pela área de comunicação da EMESP Tom Jobim (Escola de Música do Estado de São Paulo). Entre em contato com o jornalista no blog www.jornalistamarcusvini.com.

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