Nervosa: "Não é só homem não! Tem muita mulher que fala bobeira!"

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Por Bruno Blackened Monteiro
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Com a proposta de tocar Thrash Metal oitentista, a NERVOSA é um power trio paulistano composto por Fernanda Lira (baixo e vocal), Prika Amaral (guitarra e backing vocal) e Pitchu Ferraz (bateria), algo incomum no estilo, visto que a maioria das bandas do subgênero é formada, predominantemente, por homens. Mas as meninas da NERVOSA não ficam atrás quando o assunto é fazer som agressivo, sujo, pesado e cortante, mostrando determinação, respeito e paixão pelo estilo que tocam. Em entrevista para o Blog Olhar Alternativo, elas falaram abertamente sobre o surgimento da banda, o EP 2012/Time of Death e as apresentações que já fizeram, entre outros assuntos. Confira!

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A NERVOSA surgiu em 2010. Falem sobre o início da banda e as dificuldades que vocês enfrentaram ao longo desses três anos.

Prika Amaral: começou quando eu tinha uma banda de Death Metal (INNER VOICES) e precisávamos de um baterista. Então me indicaram a nossa antiga batera (referindo-se à Fernanda Terra) e resolvemos montar uma banda só de mulheres. Passamos quase um ano e meio atrás de integrantes, mas foi muito difícil porque todos que achávamos não se encaixavam na banda. Até encontrarmos a Fernanda Lira. Aí que a banda começou a andar. Virou um power trio por que a outra guitarrista (referindo-se à Karen Ramos) praticamente nem passou pela banda, só fez alguns shows. Como ela (Karen Ramos) é de Curitiba, teve que sair porque a agenda começou a ficar muito corrida e ela, em outra cidade, não tinha como acompanhar. Quando nos tornamos um power trio foi que realmente começou.

Fernanda Lira: na verdade, a Prika entrou em contato
comigo. Eu tinha acabado de sair de outra banda (HELLARISE), tinha sido demitida. (risos)

Prika: para nossa sorte, não é?

Fernanda: eu estava desanimada, mas na época que ela veio falar comigo eu já estava com “sangue nos olhos” de novo e o que ela falou era exatamente o que eu queria: “Banda de Thrash, com influência disso, disso e disso. Queremos levar a sério”. Então falei: “Meu, é pra ser”. E aí fomos fazer o meu teste, tomar uma caipirinha... (risos)

Prika: doses de caipirinha num bar, meu! (risos)

Fernanda: numa banda, o importante, às vezes, é mais ver se batem as ideias do que a sintonia para tocar. Então deu certo, com mesma química e foco. As dificuldades são as mesmas que qualquer banda de Metal tem: é difícil divulgar o trabalho, não pode contar com a mídia grande... Essas coisas. Então você tem que fazer o dobro.

Prika: a cena Metal no país é muito desvalorizada, então é nós por nós mesmas.

Fernanda: quando você se predispõe a tocar Metal, já sabe o que vai encontrar.

Como é estar num power trio só de mulheres? Quais as vantagens e desvantagens disso?

Prika: tem a vantagem da logística. Com power trio é muito mais fácil. Tipo: três passagens, o custo para quem traz é menor e também na hora das decisões. Para chegarmos a um consenso, fica muito mais fácil.

Fernanda: e temos opinião forte. Imagina se fossem cinco meninas, nossa! Ia rolar um mosh pit por decisão! (risos)

Vocês já ouviram comentários negativos ou depreciativos por ser uma banda só de mulheres?

Prika: ah, isso tem direto.

Fernanda: e não é só homem não! Tem muita mulher também que fala bobeira, “É, só consegue as coisas porque tem...” (Fernanda não termina a frase, mas faz um gesto rápido que lembra uma vagina). Mas isso é algo que temos que saber lidar.

Prika: falam que conseguimos as coisas por que somos mulheres e temos certa vantagem. Tem porque é novidade e o pessoal fica curioso, mas eu penso da seguinte forma: há um monte de bandas de mulheres. Se estamos aí, não é por qualquer coisa. É porque batalhamos, corremos atrás, vivemos e damos o máximo por isso.

Pitchu Ferraz: é essencial. Banda de mulheres tocando Thrash é essencial. Acho que é legal.

Fernanda: no Brasil, tem várias bandas de mulheres de Thrash, Death Metal, o que não era comum há um tempo. Mas acho que é uma tendência mesmo. E tem o fator novidade, o que acaba “ajudando”, de certa maneira. É algo diferente. Tudo o que é diferente acredito que chama atenção. Por exemplo, quando surgiu o Folk Metal, ninguém tinha visto Metal tocado com violino, então chamou a atenção, por isso teve o boom. No caso de Metal feito por mulher, acho que é a mesma coisa.

Pitchu: sempre rola a crítica e o preconceito.

Fernanda: é, preconceito sempre tem. Muita gente que não admite que chame um pouco mais de atenção e que não entende que batalhamos.

Prika: geralmente, a mulher não leva tanto a sério quanto homem. E é difícil você achar integrantes que vão levar a sério. Uma banda inteira de mulheres que levam a sério é muito difícil, mesmo porque o preconceito dentro de casa é grande. A mulher que fala: “Eu curto Rock, eu vou tocar Rock”, o pai fala: “Não, você vai estudar”. Agora se for um menino, vai falar: “Ah, legal, vai lá, mas vai estudar também”. A própria família reprime um pouco mais a mulher.

Fernanda: acabamos lendo, vendo ou ouvindo uma coisa ou outra. No começo era difícil, chocante. “Mas fazemos um trampo tão sincero! Por que tem gente falando isso?”. Eu não entendia, achava injusto. Hoje em dia, acho normal. Se tem gente que crítica o Black Sabbath, não vai criticar umas meninas aí? Então é questão de saber lidar. Xingamentos e bobeiras já não ligamos.

Prika: faz parte do sucesso. (risos)

Por que vocês optaram por não colocar uma segunda guitarrista depois da saída da Karen Ramos?

Prika: por que é difícil achar mulher para tocar e que leve a sério. Ainda mais mulher que curte Thrash Metal, que toca e que é gente boa, porque mulher é um bicho difícil de lidar. Por exemplo: é TPM, é ciumenta... Eu achei que nunca eu ia ter uma banda de mulheres porque eu não tenho paciência com mulher com frescurinha. E elas (apontando para Fernanda e Pitchu) são mó lixão...

Fernanda: somos todas podres, por isso que combina (risos). Mas é verdade.

Prika: é difícil achar uma menina que seja firmeza para seguir em frente. E como o underground não tem muito estrutura, ao vivo o som fica mais nítido do que duas guitarras. Se o equipamento do evento não for bom, duas guitarras acabam com o show.

Fernanda: voltando àquele outro assunto, isso que nós falamos não é generalizando. Eu, pelo menos, e acredito que a Prika e a Pitchu também, pelas nossas experiências anteriores. Todas nós já tivemos bandas só de meninas. Eu me traumatizei bastante. Até o motivo que eu fui chutada (da HELLARISE) é muito bobo! Tipo: “Ah, por que você chama mais atenção” ou “Ah, por que sua calça...”... Bobeiras assim. Então você acaba pegando trauma. Será que eu vou querer ouvir esse tipo de coisa de novo? Mas as meninas aqui são todas sem frescura.

Prika: é, xingamos na cara! (risos)

Fernanda: é, o que tem que falar, fala e já era! (risos)

Como tem sido a aceitação e a receptividade em relação ao EP 2012?

Prika: foi bem legal! Principalmente o vinil, que a Napalm (Records) lançou na Europa e esgotou em pouco tempo. Inclusive a galera já tinha antes de termos as nossas cópias porque as nossas demoraram a chegar! O pessoal curtiu bastante e elogiou a qualidade da gravação. Por isso, usamos o mesmo estúdio que gravamos a demo. Foi bem legal!

Fernanda: a palavra é “surpreendente” mesmo, porque o que recebemos de retorno da demo e do clipe foi muito além do que esperávamos.

Prika: o clipe, quando lançamos, teve dezesseis mil visualizações em um dia (no YouTube).

Fernanda: doideira, cara!

Prika: queríamos, tipo, cem visualizações por dia. Quando acordamos no dia seguinte, recebi um e-mail dizendo: “Parabéns por você ter um clipe com dezesseis mil visualizações”. Meu, aconteceu algum erro no YouTube!

Fernanda: é, achávamos que era algum um erro. (risos)

Prika: amanhã volta para as duzentas (risos). No dia seguinte, foi dobrando e dobrando. Hoje em dia está com mais de duzentas mil visualizações.

Fernanda: foi muito surpreendente. O clipe abriu muitas portas: gravadora, manager... O YouTube é uma ferramenta importante a nível de internet. Tipo: “Pô, três meninas tocando Thrash, fazendo carinha de mau! O que é isso?” (risos). Estamos tocando em Macapá graças à demo. Não temos um disco ainda, é uma demo! Mas foi surpreendente, muito acima do esperado, muito acima mesmo.

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No Brasil, o EP saiu com o nome 2012, mas no exterior saiu como Time of Death. Por quê?

Prika: por que a gravadora queria algo exclusivo. Como a demo aqui no Brasil foi independente, eles (Napalm Records e Nuclear Blast Records) queriam colocar um título no EP para poder vender no vinilzinho. Como a Masked Betrayer já tinha um clipe, vamos colocar Time of Death porque foi a primeira música que fizemos.

Fernanda: o motivo é diferenciar o lançamento daqui do lançamento de fora.

Interessante notar que a capa da versão estrangeira mostra uma versão Eddie de cada uma que gravou o disco.

Fernanda: Queríamos bastante esse negócio de caveira...

Prika: de zumbi...

Pitchu (ironizando): nem gosta de Iron Maiden!

Fernanda e Prika: não, não, ninguém gosta! (risos)

Na festa de lançamento de Time of Death, músicos como Amilcar Cristófaro (TORTURE SQUAD), Edu Lane (NERVOCHAOS), Marcelo Pompeu e Antônio Araújo (ambos do KORZUS) estavam presentes. Todos eles contribuíram para que o EP saísse?

Prika: com certeza! O Edu (Lane) é produtor de shows. Ele produziu alguns e nos convidou para tocar, então todos nos ajudaram, de alguma forma. O Amilcar também está sempre junto, sempre dá apoio e é um amigo muito próximo.

Fernanda: decidimos fazer uma festa para agradecer todos que contribuíram com a banda de alguma maneira. Então tinham amigos, imprensa, produtores e a galera que sempre vai. O Antônio Araújo, por exemplo, sempre marca presença com a mina dele nas apresentações. Foi uma festa para comemorar a good vibe de ter saído a demo. Foi bem bacana!

A abertura para o DESTRUCTION em fevereiro no Via Marquês foi difícil, já que estavam sem baterista. Jully Lee ainda estava sendo adaptada no posto?

Prika: na verdade, ela já tinha saído. Quem fez o show foi o Amilcar.

Fernanda: a Jully foi uma amiga que deu uma força numa época que a banda precisava. Nossa batera havia saído, não tínhamos achado alguém definitivo e estávamos com datas que precisavam ser feitas. O Amilcar fez o que estava no alcance dele para nos ajudar, para não termos que cancelar.

Prika: a Pitchu ainda não tinha caído do céu. (risos)

Fernanda: e aí ela (Jully Lee) fez dois shows, mas viu que não era o que ela queria, tanto que ela ficou só um mês. Ela participou de uma fase de transição da banda, deu um help.

Qual a expectativa de tocarem hoje em Macapá, em um lugar diferente e para um público diferente? O que vocês esperam dos metalheads amapaenses?

Prika: a recepção está sendo demais! O pessoal está dando muita atenção, nos levando para conhecer os lugares... Pelo que a galera tem falado, vai ser legal pra caramba! Estamos bem ansiosas!

Fernanda: curtimos muito esse negócio do novo. É um evento grandão e gostamos de desafios, tocar num lugar que tem muita gente, pessoas de outros estilos... É sempre um desafio e queremos também mostrar pela primeira vez nossa batera nova.

Pitchu: vai ser demais! Essa semana toda teve encontros, palestras, congressos e hoje vai ser o... (dia do Metal, pelos maloiks feitos por ela).

Fernanda: vai ser o dia de derrubar o palco! (risos)

Para encerrar com chave de Metal! (risos). O espaço final é de vocês. Querem dar uma palavrinha para a galera?

Prika: agradecer todos que estão aqui pela atenção, pela recepção, pela estrutura e pela oportunidade também. Agradecer ao Eddie (Martins, líder do Coletivo Frente Norte), que fez isso ser possível.

Fernanda: obrigada pelo espaço! Esperamos que o pessoal curta tanto a entrevista quanto o show e é isso aí. Esperamos voltar em breve!

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Sobre Bruno Blackened Monteiro

Metalhead, Gamer, Otaku e Jornalista. Essas são as palavras que me descrevem melhor. Um jovem que faz de tudo para apoiar o Heavy Metal, seja através de resenhas, artigos, fotos, reportagens, entrevistas ou mesmo estando assiduamente nos shows apoiando e bangueando ao som das bandas. Amo o Metal desde os 16 anos e minhas vertentes favoritas são Thrash, Death e Power Metal. Também gosto de Gothic, Doom e Black Metal, mas o Thrash é o que me move! THRASH!

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