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Archaic Winter: entrevista com Greg Maupin e Luis Landeo

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Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
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O Archaic Winter surgiu em 2006 por meio do guitarrista Greg Maupin (Agony Divine) e no mesmo ano lançou seu primeiro álbum, "The Psychology of Death". Sempre investindo na junção do Death Metal com o Black Metal, Greg, mesmo com problemas de saúde, ainda lançou a demo "Blood Of The Priest" em 2010 de forma bem tímida. O projeto tomou sua real forma quando o guitarrista, com a sua saúde já recuperada, encontrou o vocalista peruano Luis Landeo em 2012. Com um vocal mais versátil e um lado mais sombrio e obscuro em suas letras, Landeo caiu como uma luva no projeto e logo lançaram a demo "Demon" no mesmo ano. Ainda no ano passado o Archaic Winter soltou um 3"split intitulado de "Sinister Alliance", onde dividiu a bolachinha com os chilenos do Unblessed e os libaneses do Melankoly. Em 2013, mais afiados do que nunca, o duo lança "Esoteric Doors" e mostram sua verdadeira força. Falamos com os dois sobre este trabalho que acabou de sair do forno e muitos outros assuntos na entrevista a seguir.

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Primeiramente conte-nos por que demorou tanto para que vocês lançassem o segundo álbum? Afinal é uma diferença de 7 anos entre "The Psychology of Death" e "Esoteric Doors"?

Greg Maupin: Tive alguns problemas de saúde e fiquei inapto para tocar. Continuei a compor, mas neste período não lancei nada. Cheguei a gravar uma demo, mas muitas poucas cópias foram liberadas.

Como foi o processo de composição deste novo trabalho?

Luis Landeo: O processo de escrever as letras foi fácil e difícil. Fácil porque escrevi as letras em meus momentos de inspiração e difíceis porque eu queria expressar uma mensagem sinistra e obscura de histórias explícitas que eu tinha sobre magia negra, além de tentar acoplá-las à música de Greg.

Aliás, qual a principal diferença vocês vêem entre "Esoteric Door" e o primeiro trabalho?

Luis: O primeiro álbum foi lançado em 2006 com Peter Hasselbrack como vocalista. Mas, Peter é um bom cantor de Death Metal, enquanto eu tento combinar vocais Black Metal com Death Metal e ao mesmo tempo vozes limpas. Por isso somos diferentes, a grande diferença para mim são apenas os vocais, pois o primeiro trabalho foi um Black Metal com vocais de Death Metal.

Greg: Bem, o primeiro álbum falava mais sobre morrer, morte e luto. A produção foi mais fria, bem como um álbum de Black Metal, mas tinha vocais de Death Metal. As letras sobre a psicologia da morte são alguns dos meus temas favoritos. Em "Esoteric Doors" eu explorei os tons e pequenas progressões que são comumente encontrados no Black Metal. Os temas líricos lidam com o lado mais sombrio da religião e foram influenciados por relatos históricos e lendas.

A sonoridade do novo disco mostra um Black Metal com facetas de Death Metal, mas não se restringe apenas a isso. Vocês concordam?

Luis: Sim, porque nossa música tem influência do Thrash Metal e um leve toque de Groove Metal. Mas nossa base mesmo, e como gostamos de dizer, é que fazemos um Deathned Black Metal.

Greg: De fato. Minha música sempre exibirá os sons de todos os vários subgêneros do Metal. Eu ficaria aborrecido se eu só tocasse um estilo de Metal. Eu só quero ser pesado e extremo, sem limites.

Interessante notar que o som praticado pelo Archaic Winter também nos remete a nomes do Black Metal brasileiro. Isso seria pelo fato de Luis ser sul-americano ou é algo natural?

Luis: Para ser sincero com você eu gosto do Death Metal brasileiro, Power Metal e Thrash Metal. A banda de Black Metal brasileiro que escuto é o Sarcófago, mas eles mesclam Thrash e Death Metal com Black Metal.

Aliás, vocês conhecem algo da cena extrema do Brasil?

Luis: Oh claro cara! O Brasil tem bandas incríveis e muito legais, nós temos que começar com as minhas bandas brasileiras favoritas: Sepultura, Sarcófago, Deathraiser, Lacerated and Carbonized, Violator, Bywar, Paura, Encéfalo, Angra, Claustrofobia, Profecia. Mas, em minha opinião de jornalista, porque você sabe que eu edito uma webzine de Metal chamado: Arsenal Del Metalero, (http://arsenaldelmetalero.blogspot.com) e eu entrevistei bandas de seu país. Para mim o Brasil é como uma ilha, um continente, pois no resto da América do Sul fala-se espanhol e no Brasil fala-se Português. Isto dificulta a comunicação e compartilhamento com o resto dos países. Muitas bandas da América do Sul se matam para tocar no Brasil, porque nós crescemos ouvindo o bom Metal do seu país.

Greg: Eu conheço obviamente Sarcófago e Sepultura, e sei que há muitas bandas daquela região (N.E.: Minas Gerais). Mas é difícil citar apenas uma.

Luis, você já tinha integrado outras bandas antes? Como foi entrar para o Archaic Winter?

Luis: Foi legal, porque o Archaic Winter é um projeto de Metais onde ambos os membros são livres para expressar a música de suas mentes insanas do mal (risos). Eu escrevo minhas letras que expressam o eu do meu coração negro e da minha mente distorcida. As melodias de Greg são perfeitas para minhas letras. Eu quero dizer: sinto-me feliz de ter Greg como amigo e parceiro, e estar na banda. Muitas bandas estão nessa só para a indústria, nós apenas queremos expressar nossa paixão pela arte obscura e o Metal.

Greg: Luis e eu nos encontramos on-line quando eu estava promovendo a minha outra banda, Agony Divine. Foi tudo rápido. Ele me disse que poderia fazer vocais na linha Black Metal e eu disse a ele que eu estava procurando um cantor para o meu projeto do Archaic Winter. Enviei-lhe uma música que eu havia composto e alguns dias depois ele mandou-a de volta com os vocais. A faixa se chama October Fire. Luis tem contribuído, compondo as letras e ele ajuda com os deveres promocionais também.

Voltando a "Esoteric Doors", o álbum possui bateria programada, o que faz com que muitos fãs de Metal desaprovem isso. Porém, no disco ela soa bem natural. Falem-nos um pouco sobre o assunto.

Greg: Bem, eu comecei a estudar informática e gravação digital, além de trabalhar em estúdio há 10 anos. Cresci trabalhando com equipamento analógico e a transição de era foi fácil. Eu simplesmente quero fazer música e o software de bateria me permitiu continuar fazendo isso. Além disso, a programação de bateria pode ser muito realista, se for feita corretamente. Agora prefiro usar software de bateria a um ser humano. O software é muito mais eficiente no que diz respeito ao tempo. Eu vivo uma vida muito ocupada e, infelizmente, eu não vivo compondo e tocando. Eu admiro as pessoas que conseguem superar as adversidades de uma forma positiva e, apesar de muitas pessoas pararem e desistirem depois de muitos anos, eu não farei isso e a bateria programada me permitiu continuar sem precisar de um humano.

Como tem sido a repercussão de "Esoteric Doors" até então?

Luis: Realmente essa é uma questão para o Fabian War, o dono do selo pelo qual lançamos o álbum. Ele me disse que muitos zines e pessoas fizeram uma pré-encomenda do trabalho, isto é legal. Sobre o impacto das três músicas que divulguei no You Tube, vi bons comentários, as pessoas gostaram das músicas, então eu estou feliz.

Greg: O álbum acabou de ser lançado, mas só tivemos boas notícias a respeito. Só o tempo dirá o que as pessoas realmente acharam do trabalho

O Archaic Winter pretende se apresentar ao vivo?

Luis: Ah, sim, provavelmente no próximo ano vamos tocar, mas por enquanto estamos focados em compor mais músicas. Eu aposto que uma hora tocaremos ao vivo (risos). Mas, o importante de tocar ao vivo é a relação que queremos ter com o público, que exploda energia! Queremos ver as pessoas dando mosh.

Greg: Esperamos tocar ao vivo no futuro, mas eu não sei se isso vai realmente acontecer.

Podem deixar uma mensagem.

Luis: Obrigado pela entrevista. Valeu brothers, não desistam de seus sonhos, não deixem que acabem com eles, atropelem, matem quem passar pela sua frente para te atrapalhar (risos). Recomendo que siga-nos no facebook: www.facebook.com/ArchaicWinter e desfrutem aqui: www.facebook.com/arsenaldelmetalero, este é o facebook da minha webzine: http://arsenaldelmetalero.blogspot.com este é o site. E, claro, agradecer às pessoas que nos seguem, nos ajudam, e as pessoas que leram esta entrevista.

Greg: Muito obrigado a todos pelo apoio. Mantenham se fiel ao Metal por toda a vida!


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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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