Innocence Lost: soando modernos sem seguir tendências

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Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
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Maturidade é algo fundamental para uma banda que almeja alçar vôos mais altos. Na maioria dos casos isso vem com o tempo, em outros esse quesito nunca é atingido e raras vezes isso vem do berço. O caso dos cariocas da Innocence Lost é exatamente o mais escasso. Apesar de jovens, os músicos têm os pés no chão e sabem muito bem aonde pisam. Divulgando seu primeiro EP, intitulado “Human Reason”, a banda vem obtendo bons resultados da crítica e do público e agora se prepara para lançar um trabalho oficial completo. Falamos com o tecladista, vocalista e compositor Aloysio Ventura, com a pequena notável vocalista Mari Torres e com Rodrigo Tardin (baixo) sobre tudo que circundou a banda durante o processo de composição e divulgação do EP, assim como outros assuntos. Completam esse time, Heron Matias (bateria) e Juan Carlos (guitarra).
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Primeiramente conte-nos um pouco como foi conceber o primeiro trabalho, o EP “Human Reason”?

Aloysio Ventura: Para mim foi muito gratificante, porque pude usar muita criatividade mas minhas partes de teclado, o pessoal da banda tem a mente muito aberta e isso deixou o EP, mesmo só com 5 músicas, bem variado. Também foi muito divertido, pois somos todos amigos de longa data e tudo rolou de forma muito tranquila.

Como funciona o processo de composição da banda?

Aloysio Ventura: É um processo muito orgânico e natural. A gente se reúne na casa do nosso baterista, Heron, e muitas vezes em estúdios. Fazemos “jams” em cima de ideias que algum membro trás ou que surgem na hora, depois trabalhamos cada um sua parte e lapidamos até ficar do agrado de todos. As letras são escritas na maioria pela nossa vocalista, a Mari e o Rodrigo, baixista. Algumas composições porém já chegaram quase prontas, como foi o caso de Nameless Hunter que é do Juan e do Rodrigo e Falling Down que eu compus.

Hoje há facilidade em se gravar um EP e até mesmo um álbum oficial devido às tecnologias que temos disponíveis. Muitas bandas pecam em termos de produção devido a essa facilidade. No caso de vocês, o trabalho ficou impecável em termos de sonoridade. Fale-nos um pouco como vocês vêem esse fato e qual a preocupação da banda na hora de produzir o EP?

Aloysio Ventura: Cada músico e cada banda tem que saber aonde quer chegar com o seu trabalho ou hobby... Desde o início a Innocence Lost teve a proposta de levar o trabalho a sério. Nosso EP é o nosso primeiro cartão de visitas, se fosse de alguma forma diferente do que foi feito, nós não poderíamos usá-lo como tal. Desde a decisão de que iríamos gravar foi tomada procuramos fazer da melhor forma que estivesse dentro do nosso alcance. Os caras do Estúdio Pyro Z entenderam nossa sonoridade muito rapidamente e tudo tornou mais fácil registrarmos as músicas como queríamos.

A sonoridade apresentada em “Human Reason” mostra uma pegada moderna, mas sem deixar a tradicional veia Heavy Metal. O que vocês podem nos falar sobre isso?

Aloysio Ventura: Todos nós curtimos bandas clássicas e também as mais novas dentro do meio do Rock e Metal. Acredito que essa mistura viria naturalmente. Eu busco não compor coisas que soem “datadas” acho que o músico que se prende a uma época e compõe somente dentro daquele espectro da música, fica muito limitado. A gente compõe sem se limitar, depois a gente vai garimpando as melhores coisas e trabalha, por isso que soa assim. No final das contas, pelo lance de curtimos as bandas de Heavy Tradicional, tentamos sempre manter coisas que também remetam a elas. Quando misturamos tudo e não vira uma “quimera”, nós usamos.

Aliás, no release de vocês diz que “o som da banda é centrado no Heavy Metal moderno com influências principais de Metal progressivo...”. Classificar o som como moderno num pode soar pejorativo em termos de Heavy Metal? Ainda mais em se tratando de uma banda de músicos jovens?

Aloysio Ventura: Eu acredito que não. A gente gosta de ressaltar isso, porque achamos importante a banda buscar soar atual. Tem coisas que com o passar do tempo deixam de funcionar, musicalmente. O Maiden pode usar guitarras dobradas em grande parte de suas músicas, o Stratovarius pode ter levadas de pedal duplo continuas por 4 minutos, por que foram essas características que definiram o som deles. Não acho legal uma banda nova querer reproduzir essas coisas. Soa como cópia. Eu num quero copiar os meus ídolos, por mais que seja natural que acabemos compondo passagens que lembrem uma ou outra banda. Lógico que isso vai acontecer, é isso o que escutamos. Se eu quisesse compor músicas que soem como “Master of Puppets”, eu montaria um cover de Metallica. Para mim, trabalho autoral tem que soar novo, com características diferentes das outras bandas que estão por aí. Quem curte a sonoridade do Iron Maiden vai comprar CD e ir ao show do Iron Maiden, não de uma banda que soa como eles.

Voltando ao EP, um dos grandes destaques do trabalho são os vocais de Mari Torres. O timbre dela foge um pouco do comum e soa potente e suave ao mesmo tempo, saindo daquela linha lírica que infestou o Metal nos últimos tempos. O que podem falar sobre isso?

Mari Torres: Na Innocence Lost todos tinham a preocupação de não parecermos uma banda de Gothic Metal, pelo fato unicamente de ter uma mulher no vocal, pensando nisso, meu foco principalmente sempre foi mostrar que mulheres também 'dão conta' de cantar Heavy Metal! E fui buscando técnicas usadas no estilo, como o ‘belting’(N.E.: Belting, num explicação simples, é uma técnica vocal utilizada, para se produzir uma voz mais clara projetada, em volume alto e nota musical agudas e extremamente aguda sem danificar as cordas vocais) que é uma técnica que eu uso e abuso... (risos). Uma banda gosta de refletir suas influências no som que toca, eu ouvi sim muito vocal lírico, e me ajudou em muita coisa, principalmente a estudar respiração, mas eu foquei em ouvir cantores como Floor Jansen, Russell Allen e Magali Luyten e estudando todos eles cheguei em um vocal mais Heavy Metal!

Rodrigo Tardin: Uma das coisas que sempre ouço das pessoas depois do show costuma ser: “Como que sai todo esse vozeirão da Mari, que é tão pequenininha?” (risos)!

Qual a temática lírica abordada em "Human Reason"?

Aloysio Ventura: Falamos desde temas atuais como impacto ambiental da ação da humanidade até uma história sobre um etéreo caçador de pecadores.

Como tem sido os shows, como está a agenda de vocês e quais músicas tem se destacado nas apresentações?

Mari Torres: Agenda está lotada até o mês de janeiro, para a divulgação do EP “Human Reason”, depois disso vamos focar nas composições do full length o ano todo. Nameless Hunter abre o nosso show e é sempre muito empolgante, Falling Down que vem em seguida é nossa única balada e bastante aguardada, Burning Empire é quando chegamos ao final do show e é quando destruímos o palco de tanto banguear com o público.

Como uma banda que conta com uma ‘front woman’ vocês ainda sentem que há algum preconceito por parte disso?

Mari Torres: De fato não é comum ver bandas com vocal feminino tocando Heavy ou Prog Metal, mas estamos ganhando nosso espaço e passando confiança ao público do estilo, quando mostramos o nosso som, então por enquanto não sentimos as diferenças ou desvantagens apenas por ser uma banda de Heavy/Prog com vocal feminino e trabalhamos para que não ocorra.

Podem deixar uma mensagem.

Mari Torres: Agradecemos muito o espaço e oportunidade de falar sobre o nosso trabalho, aguardem as novidades e continuem acompanhando a banda pelas páginas:
http://www.reverbnation.com/innocencelostbr
http://www.myspace.com/innocencelostbrasil
http://www.youtube.com/user/InnocenceLos...
https://twitter.com/#!/InnocenceLostBr
http://innocencelost.bandcamp.com/

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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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