In Torment: o poder da carne se desvinculando do espírito

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Por Ben Ami Scopinho
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Foco. Essa palavra pode resumir muito da atual fase da banda In Torment, que está completando 15 anos de existência. Tendo lançado em 2011 seu segundo álbum, "Paradoxical Visions Of Emptiness", os gaúchos partiram para destilar toda a brutalidade e técnica de seu Death Metal ao público europeu, e, aproveitando seu retorno ao Brasil, o Whiplash.Net conversou com o vocalista Alex para saber as novidades. Confiram aí!

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Whiplash.Net: A estreia com "Diabolical Mutilation Of Tormented Souls", em 2006, possibilitou considerável reconhecimento ao nome In Torment. Que tal começarmos com um balanço, com os melhores momentos e as maiores dificuldades a partir daí?

Alex Zuchi: Foi justamente a partir do lançamento do "Diabolical Mutilation Of Tormented Souls" que a banda começou a ser reconhecida como uma das forças do Death Metal nacional, e o apoio da Rapture Records foi muito importante para a concretização desse projeto. As resenhas desse álbum foram em sua grande maioria muito positivas, fato este que nos trouxe confiança para tentar levar o IN TORMENT a um novo patamar.

Alex: Conseguimos, em função da grande aceitação ao álbum, levar a sonoridade do In Torment a diversos estados brasileiros. Firmamos parcerias com bandas nacionais, bem como revistas, zines, rádios, apreciadores de metal extremo, etc. Dificuldades são inerentes ao underground, por isso tentamos conviver com elas e ultrapassá-las na medida do possível. Temos uma visão clara de nossos objetivos, assim, seguimos determinados a alcançar essas metas.

Alex: É contraditório, mas parece que essas dificuldades nos trouxeram uma motivação extra. Hoje o In Torment é uma banda muito mais focada! 'Aquilo que não te mata, te torna mais forte', já dizia o mestre Nietzsche.

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Whiplash.Net: Em 2011 vocês lançaram "Paradoxical Visions Of Emptiness". Ainda que o debut mostrasse o In Torment com um estilo definido, técnico e com grande variação rítmica, houve algo que vocês quiseram explorar neste novo repertório?

Alex: No "Paradoxical Visions Of Emptiness" queríamos levar todos os elementos do primeiro álbum a um nível mais alto. Neste intervalo de cinco anos, nos tornamos músicos melhores e mais aptos a colocar em prática nossas ideias. A confiança originada na receptividade do "Diabolical" foi fundamental para moldarmos uma sonoridade mais pessoal para o In Torment. Se no primeiro CD parecíamos com alguma banda, no segundo criamos algo muito mais original. Gostamos muito dos timbres do "Paradoxical Visions Of Emptiness", conseguimos, juntamente ao produtor Sebastian Carsin do Estúdio Hurricane, criar um álbum que soa muito mais extremo e, ao mesmo tempo, mais 'audível'. E no terceiro será ainda melhor! Aguardem!


Whiplash.Net: "Paradoxical Visions Of Emptiness" é um disco conceitual. Mas de que ponto partiu a ideia de uma consciência que almeja controlar a carne e o espírito da humanidade?


Alex: O conceito do álbum "Paradoxical Visions Of Emptiness" foi criado por mim. Há alguns anos venho lendo muito material relacionado ao universo, dimensões paralelas, energias cósmicas, etc. Achei interessante fundir esses temas com conceitos filosóficos, principalmente aqueles fundamentados no livro "Assim falou Zaratustra". Gosto bastante da premissa do homem transcender seus limites para alcançar o conhecimento máximo, não importando o preço pago para tal informação. No conceito do álbum também fundimos o Vazio como uma dimensão viva, que almeja a carne e o prazer. A medusa simboliza a manifestação do Nada. Ela busca a energia da carne para retomar seu poder. Acredito muito no poder da carne se desvinculando do espírito. No poder que reside na nossa própria estrutura corporal.


Alex: Levando essa visão para a realidade, a intenção foi separar a alma da carne e distanciar dos preceitos religiosos que pregam que a alma é imortal e que estará destinada ao céu ou inferno. Acredito que devemos levar nossas experiências ao limite enquanto estamos vivos, aptos a criar e aprender diariamente. Não me imagino deixando de vivenciar experiências em virtude de que minha alma irá ser 'eterna' e destinada a algum lugar 'celestial'.


Alex: Levei essas ideias para o nosso guitarrista, Rafael Giovanoli, e ele criou esse desenho muito bem feito e representativo do conceito central da obra. Por sorte, o In Torment tem integrantes como o a Rafael, que além de ser um tatuador muito talentoso, é um desenhista impressionante!


Whiplash.Net: O vídeo para "Labyrinth of Depravity" retrata muito bem a técnica e brutalidade do In Torment, e o ambiente que escolheram ficou ótimo. Como rolou todo o processo das filmagens?


Alex: Desde o primeiro CD tínhamos a ideia de gravar um vídeo clipe. Porém, infelizmente, não conseguimos a verba nem pessoas adequadas para colocar nossas ideias em prática. Dessa vez, contudo, estávamos determinados a gravar um vídeo e, após o período de escolha da música e a adaptação dos novos membros (o Bruno e o Dionatan caíram como uma luva na banda!!!), encontramos essa locação em nossa cidade, São Leopoldo. As vielas 'labirínticas' dessa Olaria foram perfeitas para as tomadas criadas por Lucas Cunha, um dos mais competentes produtores de vídeo de Porto Alegre. Fiquem atentos a esse nome!

Alex: A música "Labyrinth Of Depravity" foi nossa escolha em virtude de ser uma das músicas mais técnicas do álbum, assim como uma das mais variadas. A receptividade tem sido excelente e estamos muito orgulhosos do trabalho realizado no vídeo e esperamos futuramente trabalhar com a mesma equipe!

Whiplash.Net: Em função das dimensões continentais e do pouco público pagante no Brasil, muitas bandas estão achando viável encarar os palcos europeus para divulgar seus discos. Considerando que o In Torment acabou de voltar de sua primeira turnê pelo Velho Mundo, quais suas impressões acerca disso? Com pouca verba, a vida na estrada pode ser bem difícil, certo?

Alex: Com pouca verba, a vida é complicada para tudo! A banda é formada por alguns sujeitos que já se encontram há tempos na casa dos 30! Um já perto dos 40 (desculpa Alexandre, hehehe!). Então, conciliar famílias, trabalhos e estudos sempre é complicado. Mas o amor e determinação que temos pelo In Torment supera essas dificuldades. A turnê europeia foi fundamental para termos uma visão mais global da cena underground mundial! Lá também existem dificuldades. A Europa também passa por uma crise econômica intensa.

Alex: Porém, o que me chamou a atenção foi a organização e o respeito que os produtores têm para com as bandas. Mesmo em eventos de menor porte, existe a preocupação em proporcionar as melhores condições para os músicos. Aqui no Brasil, infelizmente, muitos 'produtores' chamam as bandas de mercenárias caso elas solicitem coisas 'absurdas' como um pequeno cachê, alimentação e estadia. Contudo, acho que o underground no Brasil vem melhorando. Hoje vemos muitas pessoas apoiando as bandas nacionais. Hoje vejo muitos shows lotados e pessoas comprando merchandising. Essas atitudes são fundamentais caso queiramos uma cena tornando-se profissional. Bandas talentosas, temos aos montes!

Whiplash.Net: E o que mais te marcou pelos países pelos quais vocês percorreram na 'Torment Over Europe', que, aliás deu oportunidade para tocarem ao lado de nomes como Suffocation e DRI?

Alex: A "Torment Over Europe Tour 2012" foi a realização do sonho de todos os integrantes da banda. Tocamos em países como República Tcheca, Itália, Alemanha, Polônia, Croácia e Hungria. A receptividade após os shows sempre era intensa! Tocar com bandas do porte do Suffocation, D.R.I. e Sinister foi realmente empolgante e conhecer esses músicos também foi muito bacana. Para mim, Praga, na República Tcheca, é o lugar mais bonito que tive o prazer de conhecer até agora. O ponto alto para o In Torment foi quando o vocalista interino do Suffocation, Bill Robinson, parou o show e pediu para que o público aplaudisse nossa apresentação (que havia sido a primeira do festival). Isso nos encheu de orgulho e mostrou que estamos no caminho certo. Temos planos para voltar em breve ao continente europeu!

Whiplash.Net: Muitas bandas independentes estão aparecendo por aí, mas vender discos não é mais suficiente e as condições e espaços para tocar aqui no Brasil muitas vezes beiram o ridículo. Sendo assim, quais as expectativas de fazer parte desta classe artística?

Alex: Fazer parte da cena underground nacional é motivo de grande orgulho, pelo menos tento encarar dessa forma. Porém, precisamos profissionalizar nossa cena. Precisamos de locais adequados para os shows. Precisamos de um equipamento decente. Precisamos, principalmente, nos desvincular dessa ideia antiquada do radicalismo na cena. Bandas e público de black, death, doom, heavy, thrash, etc, precisam entender que um cenário forte se constrói com união. Não com segmentação. Outra coisa que acredito que seja necessário mudar é a visão de algumas bandas mais estabilizadas no cenário nacional que se acham as 'salvadoras' do metal no país. Essas bandas olham somente para o próprio umbigo e avaliam a cena pelo número de pessoas que comparecem aos seus eventos. Portanto, 'salvadores' do metal nacional, a cena em nosso país é maior que seus caprichos pessoais.

Whiplash.Net: Há alguns anos, em uma entrevista para o site All The Bangers, vocês admitiram que seu 'sistema de divulgação era muito deficitário'. Tendo chegado a essa conclusão, que medidas o In Torment adotou para corrigir essa falha?

Alex: O In Torment foi, por muitos anos, uma banda na qual somente nos preocupávamos em ensaiar e criar músicas. Nós não tínhamos uma visão abrangente do que era importante para o desenvolvimento de uma banda. Agora completamos 15 anos de história e admitimos que perdemos muito tempo por sermos 'meio desligados'. O primeiro passo para mudar é admitir o erro. Com isso, há uns quatro anos atrás, começamos a pensar em formas para levar o nome da banda para mais pessoas. Nesse processo de divulgação, conhecemos a MS Metal Press e.desde então, temos trabalhado em parceria com o Eduardo Macedo e sua equipe e as coisas começaram a acontecer com maior efetividade para o In Torment.

Whiplash.Net: E quais os próximos passos para o In Torment, agora que retornou ao Brasil?

Alex: Estaremos nos próximos meses fazendo alguns shows no sul do país e, paralelamente a isso, estamos completamente focados na composição do terceiro álbum. Já possuímos o conceito, bem como praticamente duas músicas prontas e diversos riffs brutais! Em breve estaremos divulgando o nome do CD, assim como informações mais detalhadas do novo petardo!

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos. O espaço é do In Torment para as considerações finais, ok?

Alex: É o IN TORMENT quem agradece ao Whiplash.Net pela oportunidade de divulgação e pelo apoio sempre presente. Aqueles que quiserem obter informações mais detalhadas sobre a banda, escrevam para [email protected] e acessem:
http://www.intormentbr.com/
https://www.facebook.com/intormentbr
http://www.myspace.com/intormentbr




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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