Veni Domine: a união perfeita entre o Doom e o Progressivo

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Vicente Reckziegel, Fonte: Witheverytearadream
Enviar correções  |  Ver Acessos


Quando conheci o Veni Domine, alguns anos atrás com o disco "Material Sanctuary", de cara a sensação foi das melhores, pois o Progressive Doom Metal da banda é de primeira qualidade. E, após esse tempo, poder realizar uma entrevista com a banda, e mostrar mais dela para o pessoal daqui, realmente é algo gratificante. Quem concedeu essa entrevista foi o guitarrista Torbjörn Weinesjö, que revelou o motivo do grande hiato vivido pela banda no fim dos anos noventa e principio dos anos 2000, e mais detalhes sobre os discos do Veni Domine.

Black Sabbath: a passagem de Ian Gillan pela bandaBlack Sabbath: um Tony Iommi que você não conhecia

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Vicente - Conte-nos um pouco sobre as mais de duas décadas de existência do Veni Domine.

Torbjörn Weinesjö - Começamos em 1987, gravamos nosso debut, que foi lançado em 91 em Eastbourne, Inglaterra (Kingsway Records), selo ligado ao Thunderload Records e gravamos 3 CDs entre 91 e 97, tivemos alguns problemas com o nosso quarto CD, pelo final do contrato, mas todas as partes envolvidas, finalmente, chegaram a um acordo. Na MCM Records para gravamos 23:59 e Tongues. Tivemos algumas mudanças na formação durante os anos, mas Thomas Weinesjö, Fredrik Sjöholm e eu permanecemos desde o início.

Vicente - A banda no início chamava-se Seventh Seal, certo? Qual foi a razão para mudar o nome?

Torbjörn Weinesjö - Ah, é, faz 20 anos, então eu não me lembro os detalhes exatos sobre isso, mas nós não ficamos satisfeitos o suficiente e decidimos mudar o nome antes do primeiro lançamento.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Vicente - Você lançou seu mais recente álbum, "Tongues", em 2007. Como foi a gravação deste álbum?

Torbjörn Weinesjö - Sim, foi ótima e nós envolvemos nela alguns grandes artistas. Ez Gomer do Jet Circus, Andreas Passmark (ex-Narnia, Royal Hunt, etc), Gary Kusthoss (multi instrumentista americano), Peter Carlsohn do Jerusalem. Todos fantásticos e eles acrescentaram um sabor que nunca tivemos antes! Foi gravado no Room of Doom ( www.roomofdoom.nu ), e a arte foi feita por Gary Kusthoss, um cara fantástico!


Vicente - E a reação dos fãs foi a que vocês esperavam?

Torbjörn Weinesjö - Sim, de fato, sempre haverá alguns fãs querendo os bons e velhos tempos e outros que gostam que tentemos novos caminhos.

Vicente - Além disso, você lançaram outros cinco álbuns. Conte-nos um pouco sobre cada um.

Torbjörn Weinesjö - Fall Babylon Fall - Primeiro CD, sempre especial. Gravado em outro país, o que na época foi um grande negócio! Imagine alguém querendo tê-lo em um estúdio profissional, pagando o produtor, despesas, todo o trabalho. Experiência muito legal, eu tinha apenas 20 anos na época. Apenas o sonho rock and roll de ter o proprietário da gravadora entregando-nos o seu cartão de crédito uma noite para termos um grande jantar. O verdadeiro sonho do rock. Mas também um monte de percalços, teclado que explodiu (literalmente), mau funcionamento dos amplificadores e outras coisas. Eu sou um cara muito amigável para você conhecer, e o lugar que costumávamos almoçar e jantar, um bar na esquina do estúdio, um dia havia um cara muito bêbado que estava meio louco comigo por alguma razão que desconheço, um dia ele falou que minha atitude era de como se eu fosse dono do lugar. Então, ele queria dar um soco no meu rosto, mas antes que pudesse fazer isso, ele caiu da cadeira e foi o fim do jogo para ele naquele dia. Sim, nós tivemos que terminar as gravações em Estocolmo, Fredrik pegou um resfriado ou algo parecido, que foi algo bom, pois assim pudemos encontrar os irmãos Wahlquist nos estúdios Thunderload. Com certeza, tivemos algumas grandes memórias com eles também.

Material Sanctuary - Gravado nos estúdios Thunderload em Sthlm, buscamos para o álbum o maior peso possível, e conseguimos muito do que queríamos. Longas, longas noites e noites de gravação, lembro de como nós gravamos até as 5 ou 6 da manhã e depois íamos para casa por algumas horas de sono, antes de ir trabalhar às 8 da manhã, é um milagre que não começamos a usar drogas para mantermos esse ritmo. Nós realmente tiramos tudo de nós mesmos, e não íamos trabalhar por um longo prazo. Não me lembro por quanto tempo nós gravamos, mas foram meses e meses.

Spiritual Wasteland - Mesmo local de gravação, senti desde o início que a nossa comunicação com a gravadora começou a cair, o que levou a uma gravação muito tensa, tarde da noite, o trabalho tedioso. Fizemos pré-produção que acabou nunca sendo usada e quando entramos para gravar, decisões de mudanças nas músicas, letras tudo desabou sobre a banda e nós não estávamos preparados para isso. A gravadora não gostou das músicas, então eles queriam salvar o dia, fazendo alterações tardias, as quais lutamos muito para que não ocorressem. Nunca entendi muito bem por que fizemos uma pré-produção em primeiro lugar. Lembro de uma das sessões em que o produtor gritou comigo dizendo que este foi o pior dos solos de guitarra que já havia escutado! E eu até era bacana com o cara, como quem não se importa... O melhor dos ambientes para trabalho com arte. Assim foi e fomos determinados em terminá-lo. Eu gosto do CD, mas ele possui tantas lembranças amargas.

IIII - Album of Labour - Como o título diz, nós não tivemos nenhuma comunicação com a gravadora, deveríamos gravar em seu estúdio e eles o produziriam, mas nada aconteceu, até que começamos nós mesmos a fazer tudo. No final, amarraram-nos o contrato e quando queríamos sair, já que eles claramente não tinham interesse algum em nós, eles alegaram que tinham gastado um bom dinheiro com o tempo de estúdio. Adicione a isso, eles queriam há muito tempo alugar o estúdio por metade do dia, e eu já estava mais ou menos inclinado em terminar as gravações em meu próprio, o Room of Doom. Muito dinheiro foi gasto para sermos capazes de terminar as gravações. Eu me senti muito mal, ferido mesmo pela gravadora, por sermos obrigados a gravar e produzir, eu tinha que fazer acontecer praticamente tudo, sempre em seu estúdio, mas depois consegui com que concordassem para que eu finalizasse no meu próprio estúdio. Então, as coisas pioraram quando queriam dinheiro pelo tempo de estúdio e nós caímos fora. Assim, entre 97-04 tudo ficou meio parado, até que encontramos uma solução, e pelo menos o CD saiu. Eu também tenho que dizer que esta é a minha perspectiva, e é claro que eu sou preconceituoso, eu aposto que a gravadora viu tudo de uma forma diferente.

23:59 - A opção de negócio que a gravadora antiga não queria, agradecido por finalmente estarmos livres! Gravado no Room of Doom. Não há muito a dizer, muito feliz por estar trabalhando em músicas novas depois de tantos anos trancados! Este é o clima no CD.

Vicente - Um novo álbum em breve? Cinco anos é muito tempo, muitas pessoas querem ouvir algo novo do Veni Domine

Torbjörn Weinesjö - Estamos trabalhando, enquanto nos falamos, em um novo CD, estamos com tudo bem adiantado e esperamos por um lançamento em breve.

Vicente - O Progressive Doom Metal da banda é ótimo, um dos melhores do mundo. Como você vê esta cena nos dias de hoje?

Torbjörn Weinesjö - Obrigado, você sabe que eu não sei. Eu nunca fui de procurar escutar tanto esse estilo. Então, eu não sei.

Vicente - Como é a cena na Suécia para o Rock e Metal?

Torbjörn Weinesjö - A cena é muito boa, mas pequena.

Vicente - O que vocês sabem sobre o Rock e Metal no Brasil?

Torbjörn Weinesjö - Eu sei que há um monte de bandas que estão surgindo e crescendo, mas eu não acompanho as cenas da música ao redor do mundo, Não é que eu não gosto de bandas ou de música. Eu só não escuto o tempo todo para manter o controle, a vida é ocupada com tantas outras coisas.

Vicente - Em poucas palavras, o que você pensa sobre essas bandas:

Torbjörn Weinesjö -
Deep Purple: Clássica, heróis de infância

Rush: Arte, inteligente, divertido

Candlemass: grandes caras e músicas brilhantes, tão pesados quanto o conseguem ser

Black Sabbath: Nunca fui super fã deles, mas eu gostei muito quando Tony Martin era o vocalista, e também adoro o som da bateria no Dehumanizer. Sem dúvida, Tony Iommi é um compositor brilhante!

Rainbow: Amor e ódio, algumas das canções mais brilhantes, e alguns das piores, Ritchie é um dos guitarristas que falam com a minha alma, quando ele está realmente "lá".

Vicente - Por fim, deixe uma mensagem para todos os brasileiros que conhecem ou gostariam de conhecer mais sobre a música do Veni Domine.

Torbjörn Weinesjö - Obrigado por todos os e-mails e pedidos! Os brasileiros parecem ser um grupo tão bom de rapazes e moças e eu gostaria de conhecer e cumprimentar a todos vocês. Espero ter essa chance num futuro próximo!




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção EntrevistasTodas as matérias sobre "Veni Domine"


Músicas Longas: 12 das melhores do Metal com mais de 20 minutosMúsicas Longas
12 das melhores do Metal com mais de 20 minutos


Black Sabbath: a passagem de Ian Gillan pela bandaBlack Sabbath
A passagem de Ian Gillan pela banda

Black Sabbath: um Tony Iommi que você não conheciaBlack Sabbath
Um Tony Iommi que você não conhecia


Sobre Vicente Reckziegel

Servidor público, escritor, mas principalmente um apaixonado pelo Rock e Metal há pelo menos duas décadas. Mantêm o Blog Witheverytearadream desde Dezembro de 2007. Natural e ainda morador de uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Sul, chamada Estrela. Há muitos anos atrás tentou ser músico, mas notou que faltava algo simples: habilidade para tocar qualquer instrumento. Acredita na música feita no Brasil, e gosta de todos os gêneros, desde Rock clássico até Black Metal.

Mais matérias de Vicente Reckziegel no Whiplash.Net.

Cli336x280 CliIL Cli336x280 CliInline