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FullMetal: entrevista com a banda Arandu Arakuaa

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Por Flavio Kawakami, Fonte: Blog Programa FullMetal
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Batemos um papo com o guitarrista e fundador da banda Arandu Arakuaa, Zândhio Aquino. Ele nos contou um pouco mais da trajetória da banda e as dificuldades que tiveram nesse curto espaço de tempo desde sua fundação. Confiram a entrevista.

Programa FullMetal: Para começar, qual a origem do nome? Como foi escolhido e qual a sua importância?

Zândhio Aquino: Arandu Arakua é uma expressão de origem tupi guarani e em tradução livre significa saber dos ciclos dos céus ou sabedoria do cosmos. Escolhi enquanto lia o livro de Kaká Werá Jecupé: "A Terra dos Mil Povos - História Indígena do Brasil Contada por um Índio" gostei do nome por se tratar do conhecimento iniciático das sociedades primitivas de nossa terra e por ser bastante forte e de fácil pronúncia.

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P.FM: Como surgiu a ideia de formar uma banda que cantasse em tupi?

Z.A: Foi natural, pois passei a maior parte de minha vida morando perto de comunidades indígenas. A escolha pelo tupi antigo se deu pelo fato de ter sido a língua mais falada no Brasil até metade do séc. XVII e por ser hoje uma língua extinta (existe o nheengatu falado por caboclos na Amazônia que apesar de ter influência do tupi, segundo estudiosos não é tupi antigo). Musicalmente a língua soa muito bem, talvez porque compus as letras primeiro e as músicas obedecem essa dinâmica.

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P.FM: Foi complicado encontrar pessoas que se interessassem pelo projeto?

Z.A: Complicadíssimo, mas isso já era de se esperar, pois em outros projetos sempre encontrei barreiras para expressar minha musicalidade justamente por essa diversidade. Foram mais de dois anos tentando recrutar qualquer músico que se interessasse pela ideia e as respostas mais frequentes eram coisas do tipo "metal cantado em tupi, você está de brincadeira cara?! Se você tiver a fim a gente manda um Iron, Metallica, Slayer e ver no que dá, mas nada desse lance de índio e música nordestina aí porra!" Nesse meio tempo continuei compondo e fazendo gravações caseiras. Em Outubro de 2010 entro em contato a Nájila (vocal) através de um classificado de músicos na internet que prontamente aceitou o convite, em janeiro de 2011 Adriano (bateria) também contatado através de um anúncio na internet passa a integrar a banda e menos de um mês depois convidou o Saulo (baixo) para a banda, algo bastante positivo haja vista os dois já tocarem juntos desde os tempos de moleque. Então com essas quatro pessoas na sala de ensaio o som foi tomando forma.

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P.FM: Qual foi a maior dificuldade nesse curto período de existência da banda?

Z.A: Creio que passamos por dificuldades comuns à maioria das bandas underground e não saberia eleger a maior delas. Todos nós da banda moramos na periferia e entorno de Brasília, e tentamos conciliar a banda com trabalho, estudos e família. Mas estamos felizes em tocar juntos e fazer o que amamos e não largaremos do osso nem que a vaca tussa haha.

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P.FM: A formação do grupo sempre foi a mesma?

Z.A: Sim. Claro que no início do projeto houve audições e participações de outros músicos em alguns ensaios, mas nada que pudesse ser considerada uma banda.

P.FM: Quais são suas principais influências? O que vocês ouvem fora do metal, ou até mesmo dentro, influência nas composições do grupo?

Z.A: Seria bem complicado enumerar influências já que cada integrante da banda tem gostos musicais bem diferentes. Ouvimos desde música indígena brasileira, embolada, maracatu, moda de viola a Metal Extremo passando por música clássica, mpb, música étnica de diferentes países, enfim, como diria Frank Zappa "só existe dos tipos de música a boa e a ruim". Na hora de compor e fazer os arranjos procuramos não ter influências diretas, mas indiretamente com certeza somos influenciados por tudo que ouvimos, lemos, vivemos e sonhamos.

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P.FM: A banda tem feito muitos shows? Como está a receptividade do público?

Z.A: Temos uma média de 2 a 3 shows por mês, o que consideramos um bom número se tratando de uma banda nova no underground e que só tocou no DF e entorno até então. Cara a receptividade está sendo muito positiva tanto em relação ao EP quanto aos shows, também estamos recebendo um retorno bem legal de pessoas de outros Estados e temos esse desejo de tocar em todos os lugares possíveis e assim poder levar nossa música e passar nossa mensagem.

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P.FM: Vocês são de Brasília certo? Como é a cena metal por ai?

Z.A: Todos na banda nasceram no Distrito Federal, exceto eu que sou de Tocantins, mas já moro por aqui há sete anos. Consideramos que o DF tem uma cena forte no que se refere a boas bandas de metal e sempre estão surgindo novas bandas pra elevarem ainda mais o nível, claro também tem bandas que fazem um som bem genérico e de qualidade duvidosa. Infelizmente enfrentamos dificuldades que creio serem comuns em todo nosso vasto país, como a falta de espaço para as bandas tocarem; falta de incentivo do poder público; falta de cobertura da mídia local; os famosos grupinhos fechados que querem decidir quem deve ou não aparecer; falta de interesse do público em prestigiar as bandas locais. Isso só pra citar alguns pontos, pois sabemos que a situação do underground é bem mais complexa e renderia uma boa tese de pós-graduação (boa sorte pra quem tentar). Mas quero acreditar que esse cenário pouco abala a criatividade e perseverança dos músicos que carregam equipamento nas costas, tocam sem cachê e com som ruim, pegam carona pra conseguirem voltarem para casa, abdicam do lazer no fim de semana para compor novas músicas. Afinal historicamente no nosso maravilhoso Brasil a arte sempre foi marginalizada ainda mais em se tratando de Heavy Metal. No fim do dia ainda é divertido e excitante ser do contra cara, talvez mais ainda se você tem uma banda de metal com temática indígena haha.

P.FM: Você conviveu com pessoas que viviam em tribos indígenas na sua infância, vem dai o interesse em cantar e tocar musicas focando essa temática?

Z.A: Exatamente. Nasci e passei minha infância na zona rural da região central do Estado do Tocantins nas proximidades da Terra Indígena Xerente e relativamente perto da Terra Indígena Krahô. Na adolescência tive alguns colegas de aula indígenas e sempre tinha índios por toda parte, logo isso não era novidade para mim. Sempre tive o desejo de fazer algo por essas sociedades tão subestimadas em sua própria terra. Depois de terminar a faculdade vim para Brasília e já em condições de me dedicar à música foi natural unir esses dois mundos.

P.FM: Poderia nos contar um fato curioso sobre a banda? E qual foi o show mais marcante?

Z.A: Bom, tendo a lembrar dos acontecimentos mais pitorescos haha. A banda demorou algum tempo para conseguir seu primeiro show, pois toda vez que tentávamos algum show diziam coisas como "Arandu Arakuaa? Banda de metal com letras em Tupi? Ah vai passar trote em outro seu filho da puta!". Em alguns shows quando estamos levando os instrumentos para o palco noto que algumas pessoas olham com estranheza o kit de percussão do nosso baterista, meu teclado e nossa vocal pelo fato de ser mulher. Daí na primeira música os mesmo olham com a aquela cara de "porra nunca imaginei que essa guria tivesse essa voz de capeta e que essa banda fosse tão pesada". Sabemos que rola preconceito sim com a temática e a musicalidade da banda e/ou talvez falta de informação, mas no fim é divertido e a maioria curte e quem não curte tenta respeitar a banda por sua proposta. Quanto ao show mais marcante penso sempre que será o próximo da nossa agenda.

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P.FM: Quando ouviremos o primeiro CD da banda? Quais os projetos futuros?

Z.A: Ainda estamos tentando levantar fundos para tal, mas esperamos que seja o mais rápido possível, pois a banda já conta com 13 composições dignas de serem registradas e levadas a público. Os planos são gravar o CD, gravar um vídeo clip e levar nossa música ao maior número de pessoas possíveis, pois sentimos que temos uma mensagem a passar e que nossa trajetória só está começando. Também estamos em processo de recrutamento de um(a) flautista pra integrar a banda, então se você toca flauta e/ou pífano e se identificou com a proposta da banda entre em contato conosco.

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P.FM: Muito obrigado pela entrevista e sucesso!

Z.A: Nós que agrademos imensamente o espaço cedido para falarmos sobre nossa música. Para quem curtiu nosso som gostaríamos de dizer que é sempre uma honra compartilhar nossa música, portando divulguem o quanto poderem e vamos apoiar as bandas nacionais, pois o Brasil está muito bem representado no que tange ao Rock Pesado. Quem ainda não conhece a banda é só baixar nosso EP no http://aranduarakuaa.tnb.art.br/. Forte abraço e boas energias a todos nós!

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Flavio Kawakami
[email protected]


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Sobre Flavio Kawakami

Estudante de comunicação e multimeios na Universidade Estadual de Maringá.

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