Texas Hippie Coalition: entrevista no Screamer Magazine

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Por Yogue Alencar, Fonte: Screamer Magazine, Tradução
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"Nós somos a banda de foras da lei... chamam-nos de THC". Assim começa a primeira música do mais recente álbum do Texas Hippie Coalition, Peacemaker. Uma intrigante mistura do Southern rock e Screaming Metal. O THC é liderado por Big Dad Ritch, uma espécie de Hulk tatuado, um cara que parece o cruzamento de um atacante de futebol com um membro de uma gangue de motoqueiros. Ao falar com ele, no entendo, essa imagem se desfaz, Ritch é educado, articulado e pensativo... o típico cavalheiro Sulista.

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A banda TEXAS HIPPIE COALITION pode ser desconhecida para a maioria, mas prepare-se, pois Peacemaker é um álbum que vai lhe fisgar na primeira ouvida, é o tipo de álbum que te faz querer ouvir alto por dois motivos: Um, é tão bom que deve ser tocado no talo, e dois, com um som agressivo como este, não é engraçado irritar os vizinhos?

Ritch começou o THC com um objetivo muito específico em mente: "Tenho certeza que varias bandas começam apenas com músicos tocando uns com outros", - diz ele com seu sotaque sulista. "Essa banda aqui, eu realmente sabia o que queria fazer dela, eu sabia como queria comercializar a banda, como eu queria promover a banda, e onde eu queria estar musicalmente. Sendo assim, esta banda realmente foi formada em uma mesa de negócios ao invés de um estúdio, na verdade eu entrei em contato com alguns dos melhores músicos que eu conhecia aqui pela nossa pequena área, que chamamos de Red River Valley, é exatamente na fronteira entre Texas e Oklahoma, e de vez em quando nós saltamos de um lado para o outro, dependendo de qual estado está nos perseguindo." - Ritch faz essa observação com uma cara séria, levando a crer que, enquanto ele é educado e respeitoso, ele é o tipo de cara que você não quer chatear, pisar em seus calos, é algo que definitivamente será perigoso para sua saúde. "Quando eu era jovem, meu pai podia me dar um álbum do Van Halen, ou Bad Company, ou do Nazareth, porque havia um monte de coisas boas assim, parece que faltava na época eu colocar essas bandas juntas, é quase como Bruce Wayne olhando para Gotham City e dizendo: 'Meu Deus, este lugar precisa de algo', e o que esse lugar precisava era do Batman. Eu não estou dizendo que eu estou tentando colocar uma máscara e ser um herói para a música, mas eu definitivamente gostaria de deixar algo para esta geração, eu queria que eles tivessem algo para cravar seus dentes, assim como eu fiz com Lynyrd Skynyrd, ZZ Top e Bad Company, na realidade eu não achava que poderia fazer isso nessa pequena cidade do Texas, mas parece que o resto do mundo gostou, e tem uma certa gana por este tipo de som com esse tipo de atitude. E assim nasceu o THC. “

A atual formação é composta por Ritch nos vocais, Randy Cooper e Wes Wallace nas guitarras, John Exall no baixo e Timmy Braun na bateria. No entanto, quando o novo álbum estava prestes a ser concluído, a banda sofreu um duro golpe, quando foi diagnosticado que Cooper ficaria afastado da guitarra por quase um ano, por conta de um problema com sua saúde. “Randy tem dois cistos em seu braço, e eles estão envolvendo seus tendões, ele só consegue tocar guitarra de cinco a quinze minutos por causa da dor. Nós não vamos deixar nosso irmão para trás, temos uma grande quantidade de ótimos guitarristas por aí que vieram nos oferecer seus serviços, mas não podemos prometer algo que já pertence à outra pessoa, e esse posto pertence ao Randy. Então vamos continuar como um quarteto. Esperávamos que Randy melhorasse logo para ser capaz de sair em turnê com a gente, mas isso não vai acontecer. Fomos em frente e fizemos o vídeo (do primeiro single Turn it Up) com o Randy".

Ao olhar o site da banda e a página no Facebook, todas as fotos promocionais do Peacemaker foram feitas sem Cooper, trazendo a critica e a preocupação entre alguns fãs. Ritch explica porque isso foi necessário: "Eu sinto que se nós promovermos a banda com cinco membros e sairmos em turnê com apenas quatro, algumas pessoas irão pensar 'propaganda enganosa', poderíamos ter problemas legais com os promotores de eventos. Randy terá que fazer uma cirurgia e ter um longo período de recuperação, nós esperamos tê-lo de volta no início do próximo ano. É um assunto difícil... é um assunto difícil para nós porque somos todos uma família".

O álbum foi produzido por Bob Marlette, um especialista em hard-rock que já produziu discos de artistas tão notáveis como Alice Cooper, Seether, Sebastian Bach e Filter. Questionado sobre como era trabalhar com um produtor com esse tipo de reputação, Ritch para por um segundo, e pronuncia uma única palavra: "Fantástico", ele continua: "Quando você trabalha com alguém assim, você deseja ser mais talentoso. Podemos escrever uma canção no violão e trazer para ele, e dizer: ‘Eu não sei se isso vai dar certo, mas eu quero que dê’, E ele dirá ‘Essa música vai dar certo, basta você trabalhar comigo’. A cabeça do Bob é como uma tela, uma tela muito grande, e ele tem um monte de tintas lá dentro, quando ele chega para pintar, ele já sabe como será o resultado. A maioria de nós vê apenas uma tela branca, e ficamos tentando entender para onde estamos indo. O Bob já sabe, quando ele começa uma música, ele já tem a visão completa do resultado final. Foi difícil confiar nele no início do nosso relacionamento, mas à medida que ele foi aumentando, eu já estava naquela: 'Puta merda, esse cara é um gênio'. Quando se trata de música ele é super talentoso. Uma das canções de destaque do álbum é de 8 seconds, que foi escrita a partir da perspectiva de um touro de rodeio. Nós começamos a escrever essa canção, e eu pensei que eu deveria escrevê-la do ponto de vista do touro. Quando eu finalizei a música eu estava muito satisfeito com ela, porque mesmo sendo da perspectiva do touro, é como se fosse ‘onde eu estou com meus sentimentos e minhas emoções’. Se eu fosse um velho touro vermelho, eu certamente ia arrancar o cowboy de suas botas, isso eu garanto! Ninguém iria montar em mim por oito segundos!”. Outra música única é Paw Paw Hill, ela começa com um preguiçoso dedilhado de violão, te embalando, fazendo com que pense que será uma mudança no ritmo das músicas, quando de repente a banda surge com uma explosão sonora. Baseada em uma história verdadeira de infância, Ritch explica: “Tínhamos família no interior de Oklahoma que íamos visitar, lá havia uma linha de árvores que não deveríamos ultrapassar, e se você fizesse isso estaria em apuros. Pra piorar, as pessoas lhe diriam que ‘Existe um Sasquatch naqueles bosques, há um monstro na mata’ e você pensaria nas coisas mais terríveis. Mas a ameaça real, na mata, não era essa, na verdade, lá estava sendo fabricado o 'moonshine*¹' do vovô! Então quando contei essa história ao Wes, eu e ele escrevemos essa música, ele me dizia no que estava pensando e eu lhe dizia que ele estava no rumo certo”.

Ritch está à vontade agora, parece uma boa hora para lhe fazer uma pergunta sobre o nome da banda. É apenas coincidência que as iniciais de Texas Hippie Coalition sejam THC? "Pura coincidência" - diz ele de cara fechada, até que ele não consegue se segurar e solta uma grande risada. "Nós temos muito orgulho de ser do grande estado do Texas, conhecido como o país de Deus. Tanto na bandeira dos Estados Unidos, quanto na nossa temos as cores vermelho, branco e azul. O 'Hippie' é na verdade uma dedicatória aos meus pais, eles eram dois adolescentes muito jovens quando eu nasci, e eu cresci nessa atmosfera hippie*², algo mais descontraído. E 'Coalition' é de Coalizão, é para trazer a ideia de uma grande família. Queremos que os fãs façam parte do que somos, se você vier a um show dessa 'Coalizão', você verá nossos fãs aparecendo com pratos e mais pratos de comida. Temos um grande "Eat 'n' Greet" e não cobramos ninguém, tudo o que você precisa fazer é trazer um prato de comida. Isso é algo fantástico em ter fãs como esses, eles são mais do que fãs, são membros da família. A prova disso é que, nós tocamos em um bar não faz muito tempo, e um cara veio a mim e disse: ‘Aqui tem estudantes, tem hippies, cowboys, há todos os tipos de pessoas aqui, e não tivemos nenhuma briga durante toda a noite! Todos estão curtindo a festa numa boa. Como você faz para que todas essas pessoas te sigam eu nunca vou saber’. E eu lhe disse, é porque dei o nome de 'Coalizão' para minha banda. Não é para um grupo de pessoas, é para todos nós!"

Ritch foi muito atencioso cedendo seu tempo, mas é uma noite quente de verão, sexta-feira no Texas, e ele sem dúvida têm lugares para ir e pessoas para ver. Perguntado se ele gostaria de dizer qualquer coisa para encerrar, com um brilho nos olhos, ele responde: "Que todo mundo curta o THC”.

(*uma espécie de Whisky fabricado ilegalmente durante a noite, afim de não pagar as taxas federais)

*² o termo 'hippie' não segue o estereotipo que temos da palavra hippie aqui no Brasil, eles chamam de hippie aquele cara cabeludo, cheio de tatuagens e piercings que vive normalmente em sociedade mas sem aceitar as regras impostas por ela. Seria uma mistura do nosso termo hippie, aquele cara tranquilo e despreocupado, com o cowboy americano, que é aquele cara mais durão, castigado pela vida.

Entrevista por Richard Rosenthal - Traduzido por Yogue Alencar

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Sobre Yogue Alencar

Nascido em Brasília no dia 29/07/1983, Yogue Alencar é músico (guitarrista), Analista de TI e representante oficial da banda Texas Hippie Coalition no Brasil. Não passa de mais um fanatico por Heavy Metal e Southern rock \m/.

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