Dorsal Atlântica: Depois do fim... revive a lenda
Por Écio Souza Diniz
Fonte: Pólvora Zine
Postado em 05 de maio de 2012
Uma notícia há pouco publicada nas redes sociais da internet fez não somente a mim, mas vários headbangers Brasil afora estufarem os olhos. Esse anúncio tratava-se da provável volta aos palcos e ao estúdio de uma das pioneiras bandas e lendárias do Metal nacional, a DORSAL ATLÂNTICA. É evidente que o brilho deste retorno refletiu muito em fãs da banda, que não tiveram a oportunidade de vê-la ao vivo. Ao mesmo tempo despertou o nariz empinado e torcida de cara de várias pessoas. Para nos falar sobre todos esses aspectos, bati um papo com o sempre carismático, e ao mesmo tempo enigmático, Carlos Lopes (Carlos Vândalo).
Dorsal Atlântica - Mais Novidades
Pólvora Zine: Carlos, comece nos contando o que levou a decisão desta reunião.
Carlos Lopes: O amor dos fãs.
P.Z: Explique melhor como funciona a campanha que vem sendo feita para colaboração coletiva para o lançamento de um novo disco da Dorsal.
Carlos: Crowdfunding é um sistema de realização de projetos, financiado pelas pessoas, sem intermediários. O apoiador investe um valor no projeto e recebe em troca a realização de ver o sonho se tornar realidade e de forma coletiva. Um novo disco da DORSAL ATLÂNTICA com formação original pode se tornar realidade em 2012, através desse mesmo financiamento coletivo. A data limite é 10 de JUNHO de 2012. Se até essa data, se o valor total de 40 mil reais não for arrecadado, o CD não será produzido. Desse valor 27,5 % são do imposto de renda e 12% do site CATARSE. O restante está subfaturado e cobre os gastos com ensaios, gravação, mixagem, masterização, prensagem, arte, pagamento dos técnicos e entrega dos digipacks pelo correio com os demais brindes. Por exemplo, a nova edição do livro GUERRILHA! com capa dura e letras prateadas, custa, a unidade, quase 100 reais e não colocamos um centavo em cima. Esse é o valor de um livro de luxo feito em quantidade limitada.
O APOIADOR receberá em primeira mão o novo CD da DORSAL ATLÂNTICA, em formato digipack, gravado pela formação original, separada há 22 anos. Os valores de contribuição cobrem todas as despesas relativas à gravação e prensagem do novo CD da DORSAL ATLÂNTICA. As diversas opções de investimento estão disponíveis no site CATARSE.ME.
http://catarse.me/pt/projects/659-projeto-novo-cd-da-banda-de-metal-dorsal-atlantica
http://dorsalatlantica.com.br/
P.Z: Como é pra você retornar com a formação clássica da banda (que gravou os álbuns "Antes do fim", "Dividir e conquistar" e "Searching for the light"), que conta com seu irmão, Cláudios Lopes, e o batera Hardcore?
Carlos: Emocionante, apenas isso. É parte do meu DNA.
P.Z: Por um tempo, notava-se digamos que uma resistência quanto você falar sobre a Dorsal, e seu envolvimento estava bem integralmente com o MUSTANG (banda de Rock and roll que Carlos fundou após o fim da DORSAL ATLÂNTICA). Quais os motivos o faziam ter tal posição?
Carlos: Estou fazendo o que os fãs me pediram, o que os fãs me pedem há 12 anos. Mas tudo é negociado, shows por enquanto não, então optei por um disco de inéditas, um disco feroz calcado no passado e mirando o futuro da música pesada no Brasil. Apenas cedi ao encanto dos fãs, ao pensar primeiro neles e não mais em mim, mas também pedi uma contrapartida: o investimento. Se a DORSAL faz tanta diferença na vida de milhares, esses mesmos milhares devem se erguer, trabalhar conjuntamente para ver esse sonho se realizar.
P.Z: O livro Guerrilha que conta a história não somente da Dorsal, mas do início da cena Metal e underground brasileira, foi um marco em termos de lançamento do gênero. O livro dá uma visão clara de como é difícil viver firme e com dignidade na cena. O que você acha do livro e qual a importância dele?
Carlos: Provavelmente o livro se transformará em um longa metragem, já estou conversando sobre isso com um produtor desde o ano passado. O relançamento do livro virá junto à campanha do CD da DORSAL. Se o CD não for lançado, o livro também não será. E essa nova versão do GUERRILHA! é muito especial: capa dura recoberta por simulação de couro negro, papel interno couchê 150 gramas e título impresso em letras prateadas em hot stamping. O livro só será lançado se a campanha do CD da Dorsal for vitoriosa.
P.Z: Outro bom presente dado aos fãs da banda, sobretudo, os mais novos, foi o relançamento do "Antes do fim" em CD (intitulado "Antes do fim depois do fim") e também do "Ultimatum", que inclusive, recentemente está tendo relançamento em vinil, que ficou a cargo do Leon (Manssur "Necromaniac", vocalista e líder da banda carioca APOKALYPTIC RAIDS). Deve ter sido um trabalho árduo estes relançamentos (sobretudo o "Antes do fim", que você regravou as músicas), mas recompensador?
Carlos: O Antes do Fim de 2005 acabou de ser relançado em digipack e o Ultimatum em LP através do Leon Manssur. Trabalhoso, eu não diria, mas caprichado. Todos os meus trabalhos, sejam musicais ou literários, são extensões da minha criatividade, da minha alma e também por causa disso, não podem ser leiloados. Ou fazemos o melhor , o mais criativo, ou de nada valerá tanto esforço, tanto amor. Em 2005, eu e o baterista do MUSTANG, Américo Mortágua, regravamos o Antes do Fim para que o disco voltasse ao mercado. O disco foi feito com a mesma sonoridade rústica, e com todo o comprometimento para fazer o melhor e assim foi feito. Gosto mais da versão de 2005 do que a de 1986, apesar de compreender que são incomparáveis.
P.Z: Vou aproveitar para pegar o gancho da pergunta anterior, e gostaria de saber se você pretende relançar o "Alea Jacta Est" e "Straight", que hoje são muito difíceis de encontrar para comprar.
Carlos: É um acordo entre gravadora e autor. Se nos procurarem, a gente conversa.
P.Z: Ao retornar com a DORSAL ATLÂNTICA, provavelmente você terá uma agenda bem cheia. Não fica difícil para você conciliar isso com as atividades do MUSTANG?
Carlos: Difícil é conciliar tudo, não só as bandas. Minha vida não é só música, ela é uma parte importante de mim, de quem sou, mas não é a única coisa. Posso fazer tudo o que puder, seja com música ou literatura, desde que haja cabeça, tempo e verba.
Sobre a volta: A DORSAL não voltou, ela deve gravar um CD, caso o apoio dos fãs seja maciço. Show é uma outra história, depende dos promotores. Para corroborar cito o caso do Maranhão: fomos convidados para sermos os headliners de uma noite do 'Metal Open Air', tendo como abertura para a Dorsal Atlântica, as bandas Exodus e Anthrax. Muitos diriam sim, eu disse não porque não havia cachê. Muitas bandas pagam para abrir shows internacionais, pagam para tocar, eu nunca fiz isso. Mas essa verdade é minha, é nossa, é única e não pode ser provada, pois caráter não se prova.
P.Z: A quantas está a composição das músicas para o novo disco? O que poderemos esperar dele?
Carlos: Não gosto de prometer, porque antes de tudo promessa pode vir a ser fato, mas ainda não é. A inspiração para o novo trabalho vem dos nossos primeiros trabalhos entre 1986 e 1990, ou seja, a fase da banda com o trio que pode vir a gravar o novo CD. As músicas estão sendo escritas há dois meses, desde que o projeto foi pensado.
Meu Filho me Vingará (sobre Euclides da Cunha), Stalingrado (sobre a vitória dos russos contra os nazistas), Operação Brother Sam (sobre o golpe de 1964 e a reação americana contra a esquerda brasileira), Jango Goulart, Eu Minto, Tu Mentes, Todos Mentem, O Retrato De Dorian Gray, Corrupto Corruptor, Colonizado / Entreguista, A Invasão Do Brasil, 168 Bpm, Imortais.
P.Z: Diga-nos como você tem encarado as críticas raivosas e negativas de alguns que torcem a cara para a volta da banda?
Carlos: Só me preocupo com os nossos fãs, com quem nos apoia, com quem nos ama.
P.Z: Você disse na entrevista a Roadie Crew, que não pretendia fazer shows com este retorno. Mas você não acha que seria um bom presente para os fãs fiéis da banda, sobretudo, a geração mais nova e os apoiadores?
Carlos: A campanha foi criada para um CD que está sendo financiado pelos fãs. Este é o novo disco da banda que o público pediu insistentemente durante 12 anos que voltasse. O CD não deixa de ser uma volta, mas marca algo maior: o retorno da maior banda de heavy metal do país. Eu farei a minha parte que é criar um disco inesquecível que renovará e relembrará quais são as reais fundações do metal brasileiro. O público que nos der a mão será recompensado de muitas formas, uma delas, e a mais recente é que a última faixa do disco é um hino escrito em homenagem aos fãs da DORSAL, as pessoas mais especiais de todo o planeta.
P.Z: Carlos, boa sorte e sucesso com seus planos. É evidente que será uma revitalização para o Metal brasileiro o retorno da DORSAL ATLÂNTICA. O espaço está livre para você deixar uma mensagem aos fãs e todos que apoiam e apoiaram a banda.
Carlos: Nada é mais importante do que ver esse CD pronto neste momento. Se o valor não for arrecadado até 10 de JUNHO e não julho, não há plano B para nós, nem para a DORSAL. Dependerá do público ver essa página virada ou não, dependerá do público nos mostrar que o socialismo, a grande ferramenta da internet, é real e não a "violência".
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 músicas que conseguem unir os tiozões do metal e a geração enzo
Testament é anunciado para o Liberation Festival em São Paulo
Chad Smith, Danny Carey e Stewart Copeland tocam com o Rush em documentário
O álbum clássico que complicou a vida de Axl Rose; "é realmente muito difícil cantar aquilo"
Vocalista do Flotsam and Jetsam detalha dificuldades em turnês nos Estados Unidos
Os dois gênios da guitarra que, para Neil Young, ajudaram a matar o rock
A gravação perdida de Brian Wilson produzida por Liminha que nunca foi lançada
Vocalista de black metal enfrenta acusações que podem lhe render 12 anos de prisão
O clássico do AC/DC considerado por Angus Young "um rock perfeito para um guitarrista"
5 músicas de metal que são vergonha alheia, mas todo mundo ouve mesmo assim
Os melhores riffs de guitarras de todos os tempos, segundo Zakk Wylde
Blue Medusa ou Dragonforce? Alissa White-Gluz revela qual sua prioridade
Disney lança coleção de vilões inspirada na estética do heavy metal; veja modelos
Como "Under Pressure" foi criada, nas palavras de Roger Taylor
Kurt Cobain recusou turnê com lenda do rock após vê-lo completamente bêbado
Para David Gilmour, Mick Jagger apenas interpreta um personagem: "O Pink Floyd não é assim"
O apelido que John Lennon dava aos Rolling Stones quando sentia raiva da banda
Nicko McBrain admite decepção com Iron Maiden por data do anúncio de Simon Dawson



Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
5 bandas de metal nacional dos anos 1980 que mereciam ter mais sucesso
Lemmy: tatuagens, política, strippers e atrizes pornô
Bob Daisley: baixista dá detalhes de sua briga com Osbourne



