Psychotic Eyes: entrevista ao blog Som Extremo

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Por Christiano K.O.D.A., Fonte: Som Extremo
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Uma das mais talentosas bandas do nosso underground. É assim que se pode definir, sem medo, a Psychotic Eyes. Esse batalhador trio soltou recentemente o ótimo “I Only Smile Behind the Mask” (ler resenha em http://somextremo.blogspot.com/2012/01/psychotic-eyes-i-only-smile-behind-mask.html), segundo full length, e de lá para cá, vem colecionando críticas positivas Brasil afora. O que surpreende é o fato do álbum ter sido lançado apenas virtualmete. O blog Som Extremo (http://somextremo.blogspot.com) conversou com o simpaticíssimo Dimitri Brandi (vocal/guitarra) para saber um pouco mais sobre isso e outras questões, como comparações entre os dois trabalhos do pessoal. Além dele, Alexandre Tamarossi (bateria) e Douglas Gatuso (baixo) completam o time. E é preciso registrar aqui: esta é uma das mais interessantes entrevistas já publicadas pelo blog. Ótima leitura!

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Fotos: Eliton Tomasi


A primeira coisa que se percebe entre o primeiro e o mais recente álbum é a sua diferença vocal. Por que essa mudança? Isso foi algo planejado?


Dimitri Brandi - Sério mesmo, cara? Nem percebi (risos). Não foi algo planejado, acho que nesse novo álbum cantei mais espontaneamente. Talvez no primeiro CD eu estivesse mais travado, por a ser a primeira gravação. Neste eu estava mais autoconfiante e já tinha todos os timbres e arranjos de voz definidos, já sabia que cara eu queria dar para cada música.


E hoje, sua voz tem sido comparada à de Jeff Walker (Carcass) e Angela Gossow (Arch Enemy). Isso o incomoda?


Dimitri - De jeito nenhum! Jeff Walker sempre foi uma das minhas maiores influências como vocalista, ao lado do Chuck Schuldiner (Death), John Tardy (Obiturary), Jon Nordveidt (Dissection), Carlos Lopes (Dorsal Atlântica) e Mille Petrozza (Kreator). Respeito muito o trabalho da Angela, acho que ela evoluiu muito como vocalista desde que começou com o Arch Enemy. Mas prefiro o trabalho da banda nos primeiros discos.


Ainda comparando os dois trabalhos, o atual parece ainda mais trabalhado, enquanto o ‘debut’ é mais direto, ainda que fugindo dos padrões do Death Metal tradicional. Concorda? Será essa a tendência da Psychotic Eyes nos futuros álbuns?


Dimitri – Concordo! Nesse disco trabalhamos os arranjos com muito mais afinco do que no primeiro álbum. Chegamos a transcrever as partituras de todas as músicas, sabíamos exatamente a tonalidade de cada parte, a fórmula de compasso e as divisões rítmicas. Creio que essa será a tendência que vamos seguir, a de pensar os arranjos em detalhes e trabalhar bastante o som. Mas isso não significa que não haja espaço para o improviso ou para a espontaneidade. Várias partes foram alteradas ou mesmo criadas durante a gravação, porque aquilo que estava planejado não ficava tão legal. De nossa parte, a intenção é deixar o som ainda mais progressivo e trabalhado, mas sem esquecer do ouvinte, que merece riffs marcantes e que fiquem na cabeça, nada de exibicionismos técnicos.

Ainda dentro da questão dos estilos de cada álbum, o que os levou a aumentarem suas influências musicais para gravarem o mais recente ‘full length’?

Dimitri - Somos uma banda com mais de dez anos de estrada. Com o tempo você vai incorporando novos elementos ao som, dependendo de cada fase da sua vida, das bandas novas que vai descobrindo, das bandas velhas que vai revendo, daquelas que nunca gostou, mas passa a gostar. Quando começamos, tínhamos influência das bandas de Thrash Metal clássico, algo que nunca perdemos, mas fomos adicionando elementos de outros estilos, como o Doom Metal, Hard Rock Clássico e Rock Progressivo. Por exemplo, tinha uma época da minha vida em que eu só ouvia Black Metal e Rock Progressivo (risos); do Immortal, eu pulava pro Yes, depois voltava para o Dissection e depois um Camel. Essa salada musical que você degusta como ouvinte acaba refletindo na maneira de compor. E isso é muito interessante, facilita criar músicas que não soem como cópia, que acrescentem e façam o ouvinte sentir que está diante de algo novo. O Alexandre (baterista) também tem grande parcela de culpa, pois sempre foi um pesquisador de novos ritmos, se interessa muito pela percussão brasileira, pelo Jazz, já trouxe elementos de percussão oriental. Esse tipo de fraseado, se bem aplicado ao Metal extremo, fica muito interessante. Por exemplo, ele pode colocar um fraseado de Bossa Mova em cima de um pedal duplo com trechos de blast beats, que ninguém vai perceber que tem MPB ali no meio (risos). A bateria continua extrema, mas com uma sonoridade diferente.

E o primeiro disco conta com encarte com as músicas em inglês e português. Por que não adotaram essa estratégia para o atual?

Dimitri - Só porque neste ainda não fizemos o encarte, já que o álbum não saiu como CD físico. Se isso acontecer, com certeza o encarte virá com as traduções das letras, pois isso é algo muito importante para nós. Tenho muito cuidado na hora de escrever as letras, quero contar as melhores histórias possíveis, quero que as palavras soem agressivas mas a ideia geral seja interessante. Isso vem da influência da literatura, as palavras não são somente o suporte da voz, como se fosse mais um instrumento. Há uma preocupação com a mensagem. Embora não seja uma lição, a gente não quer ensinar ninguém e nem passar nenhuma moral, mas histórias que marquem o ser humano, que contem algum drama pessoal, letras assim são muito marcantes e muito mais interessantes.

Como você já disse, infelizmente “I Only Smile Behind the Mask” foi lançado apenas virtualmente. Ainda pretendem lançá-lo no formato físico ou já pensam em fazer isso somente no próximo disco?

Dimitri - Eu gostaria muito de ver “I Only Smile Behind the Mask” em uma edição física. A capa é muito bonita. Além disso, como você disse antes, sinto falta de um encarte com as letras para que as pessoas possam acompanhar as histórias que contamos no disco. Mas, infelizmente, prensar um disco independente hoje no Brasil é uma furada financeira. As vendas, que nunca foram muito boas, estão reduzidas a quase zero. Então achamos melhor disponibilizar o disco para download. Melhor que as pessoas tenham acesso à nossa música e possam divulgá-la. A decisão se mostrou acertada, pois nesses poucos meses o disco já foi mais baixado do que o primeiro álbum foi vendido, e isso porque ele já foi lançado há anos.

Você também já pincelou há pouco sobre isso, mas a ligação das músicas do Psychotic Eyes com a literatura esteve sempre evidente na trajetória do conjunto. Por que essa escolha? Compor baseando-se em livros é mais fácil ou mais complicado?

Dimitri - Todos na banda somos viciados em literatura, quadrinhos e filmes. Assim, sempre tivemos inspiração nas melhores histórias da arte. Por um lado é mais fácil, pois quando você lê um bom livro, a inspiração vem mais fácil. Por outro, é muito mais difícil, pois não há tanta liberdade, já que você não pode mudar a história. Em “I Only Smile Behind the Mask” há duas letras nessa linha. “The Humachine” foi inspirada no livro “O Diabólico Cérebro Eletrônico”, de David Gerrold. O livro conta a história de um computador consciente, criado para resolver problemas que nenhuma máquina conseguiria resolver. A letra é, na verdade, um poema criado pela máquina, em que ela reflete sobre a sua própria existência e finalidade. Entremeado a isto, há diálogos entre o criador e a criatura. Gosto especialmente do trecho final, em que o programador, irritado com a máquina, diz a ela que a finalidade da máquina é pensar logicamente. Aí o computador surpreende devolvendo, na lata: “se o meu propósito é pensar com lógica, qual seria o seu?”. Outra letra que recebeu inspiração de outra obra foi a da “The Girl”, inspirada em “Geni e o Zepelim”, do Chico Buarque. Sempre gostei muito da música e achava a história bem típica do Metal. É uma prostituta que evita um genocídio ao aceitar passar uma noite com o general do exército inimigo. Uma história que trata de preconceito e altruísmo, de fazer o bem pela humanidade mesmo que ela não mereça. Escrevi uma outra letra, em inglês, contando a mesma história da original e fizemos um arranjo totalmente novo. Não é um cover, mas, como gostamos de dizer, é uma “desconstrução”.

Levando em conta a complexidade dos arranjos de vocês, não poderia deixar de perguntar sobre o processo de composição instrumental da banda. É uma pergunta batida, mas neste caso, acho que vale mesmo a pena saber.

Dimitri - Não temos regras. Às vezes começamos com os riffs de guitarra e vamos moldando a música, a ordem de cada parte. Esse foi o caso de “Welcome Fatality”, “Life” e de “I Only Smile Behind the Mask”, em que praticamente cheguei com os riffs prontos, já na ordem do que seria a introdução, estrofe e refrão. Mas algumas músicas começaram pela bateria: o Alexandre me mostrava uma levada no ensaio e íamos explorando, improvisando até surgir algum riff que encaixasse. Foi o caso de “Dying Grief”, em que ele criou a rítmica do começo da música e eu fui desenvolvendo algo que se encaixasse. “Throwing into Chaos” foi a mais estranha, pois a primeira coisa que apareceu foi a bateria da introdução e depois a letra, feita por Adriano Villa. Só depois disso colocamos os outros riffs. Acontece também de alguém compor alguma coisa, transcrever a partitura e enviar para os outros criarem suas partes, mas basicamente a composição ocorre nos ensaios e depois vamos moldando. “The Humachine” foi inteira composta em ensaios, mas depois mudamos muita coisa na gravação, algumas até de improviso.

Já existem planos para vídeo clipes? Quais os próximos passos da Psychotic Eyes?

Dimitri - Sim, vamos gravar um clipe para “Throwing into Chaos”. Ainda estamos escrevendo o roteiro, pensando nas cenas, nos atores, coisas assim. Queremos um clipe que conte uma história e passe a mensagem de esperança da letra. Isso é curioso, pois embora a letra do Adriano aborde a destruição do mundo, a mensagem é bem esperançosa, destacando que muitos estão tentando mudar o rumo das coisas e aprender a viver no caos que a humanidade criou. Eu também gostaria de ver um clipe para a “The Girl”, com atores interpretando toda a história. E quem sabe uma animação para “The Humachine”, já que nessa faixa tivemos a participação do artista multimídia Edgar Franco, professor universitário que sempre estudou as histórias em quadrinhos e as novas tecnologias.
Outro plano da banda é sair em turnê, queremos tocar no Brasil inteiro. Espero que isso se concretize em 2012.

O blog Som Extremo agradece a entrevista, Dimitri. Esteja à vontade para deixar seu recado final.

Dimitri - Só tenho a agradecer ao excelente blog que é o Som Extremo. Aqui conheci várias bandas e pude lembrar como a cena do Metal extremo brasileiro é foda! Você está de parabéns, Christiano, seu trabalho em prol do Metal extremo brasileiro é uma referência impossível de não lembrar, tanto aqui no blog quanto na Roadie Crew.

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Sobre Christiano K.O.D.A.

Um cara diretamente ligado ao Som Extremo, fã de livros e filmes, formado em Imagem e Som, Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Faz parte da banda de grindcore Prey of Chaos e tem um blog dedicado à música barulhenta. Enfim, alguém que faz da música sua vida.

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