Mysteriis: Ressurgimento Infernal - entrevista com Mantus

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Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
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No final da década de 90 o Brasil e seus fãs de Metal Extremo desfrutaram do surgimento de ótimas bandas de Black Metal, a maioria delas oriundas do Rio De Janeiro. Nesta frente de batalha vinha o Mysteriis que mostrava um enorme potencial e, depois de ótimas demos, lançou um clássico do estilo, o debut About The Christian Despair. Agora a banda retorna com a formação responsável por esses trabalhos para o lançamento de Hellsurrection, álbum que comemora 13 anos de fundação do Mysteriis. Falamos com Mantus, guitarrista fundador da banda sobre passado, presente e futuro do Mysteriis. Confira nas linhas abaixo.

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Como surgiu a idéia de retornar à cena e quais as expectativas para este retorno da banda?

MANTUS - Desde que encerramos as atividades, em momento algum pensamos que pudéssemos retornar, menos ainda com a formação original, que é nossa melhor fase em minha opinião e a época em que conseguimos um melhor entrosamento musical e de amizade também. Sinceramente achei que fosse algo sem volta! Estávamos muito cansados! Os anos se passaram, as coisas mudaram, a vida mudou e com isso uma nova oportunidade surgiu de estarmos todos em contato novamente, exatamente como era há 13 anos. A conversa inicial foi em 2009 e era pra ser em comemoração aos 10 anos do primeiro álbum. Mas acabou que os planos não se concretizaram e a situação esfriou um pouco, mas continuamos nos falando e finalmente no começo de 2011 tivemos como revitalizar a ideia e chegar as vias de fato, com o início das gravações do novo disco. Decidimos não falar sobre isso enquanto o disco não estivesse pelo menos 50% gravado. Até que tivessemos realmente a certeza de que era um retorno real e válido! Algo que estivessemos conseguindo trazer de volta de maneira natural, sem maiores expectativas! E foi o que aconteceu! Estamos de volta com a formação original (Eu-Mantus - guitarra, Agares - vocal, Agramon - baixo e Malphas - bateria) em comemoração aos nossos 13 anos com o Mysteriis! Assinamos com o tradicional selo brasileiro Heavy Metal Rock para o lançamento do novo álbum Hellsurrection e esperamos mostrar a força do verdadeiro Black Metal brasileiro, resgatando pelo menos em parte, tudo o que fizemos de melhor no início da banda. É um disco para fãs de Black Metal e admiradores do velho Mysteriis! Estamos orgulhosos por estarmos conseguindo depois de 13 anos consolidar nossa história em um trabalho honesto, underground e com cheiro de enxofre delicioso!

Quais foram os motivos que levaram o Mysteriis a encerrar a carreira?

MANTUS - Desde que mudamos a formação após o lançamento do EP Fucking In The Name of God, as coisas já não foram mais as mesmas. Tivemos grandes dificuldades para manter um line-up estável e com pessoas com a mesma linha de pensamento que a nossa. Isso se estendeu durante bons anos e fizemos alguns trabalhos dos quais eu particularmente não me orgulho. Algo quase "forçado", como uma forma desesperada e inconsciente de não acabar com a banda, sempre prezando por toda a luta que tivemos. Era inadmissível jogar a toalha! Mas no final das contas nada daquilo estava nos deixando felizes e realizados da forma que deveria. Tivemos também problemas burocráticos e profissionais com o nosso selo, na época a Demise Records e ao juntar todos esses incidentes, vimos que já não estávamos satisfeitos, decidindo então encerrar as atividades sem previsão de retorno!

Durante este hiato vocês mantiveram contato com a música pesada, estiveram antenados com a cena, enfim, conte-nos sobre o que vocês fizeram durante este tempo?

MANTUS - Sempre! Após o término do Mysteriis, nos dedicamos ao Darkest Hate Warfront alguns anos, eu na sequência ao Vinterthron e desde 2008 tenho priorizado meu trabalho com o Patria, além de participações em outros projetos de metal extremo que não vem ao caso eu citar aqui.

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É inegável que na época em que o Mysteriis surgiu no final dos anos 90, o Black Metal estava em voga, portanto hoje o estilo, ainda reina, portanto no underground. Qual a sua opinião isso?

MANTUS - Acho que discordo de você quando diz que o Black Metal estava em voga no final dos anos 90! Sinceramente estava apagado, principalmente no Brasil! Algo obsoleto! Mas acredito que o Black Metal de verdade nunca foi uma moda como apenas um mero estilo musical pode ser! Existe muita coisa por trás dele e isso é algo que poucas pessoas têm a capacidade de absorver e dedicar à vida! Considero-me uma dessas poucas pessoas e procuro não me importar com o que a grande mídia capitalista e o pseudo-público modista faz com o Black Metal! Independente de qualquer coisa, a verdadeira essência vai sempre existir, então pra mim nunca houve um momento em que não existisse Black Metal. Apenas momentos em que a mídia não deu muito importância às bandas que o representavam! Tanto no começo dos anos 90, como no final e até nos dias de hoje, é possível vermos grandes representantes dessa arte e que fazem o trabalho com a mesma eficácia das bandas antigas e naturalmente mais reconhecidas. Minha opinião é que uma verdade dita mil anos atrás continuará sendo verdade se dita hoje! Isso é o Black Metal, atemporal, transpirando verdade, sangue, suor e orgulho!

Ainda falando sobre o estilo, no final dos aos 90 e começo dos anos 2000 o Rio de Janeiro possuía uma cena prolífica de bandas de Black Metal como vocês, Unearthly, Apocalyptic Raids e Nocturnal Worshipper. Mas ao mesmo tempo havia polêmicas como brigas e mau relacionamento entre as bandas. O que você pode nos falar sobre isso?

MANTUS - O único mau relacionamento era com a "horda" Nocturnal Worshipper, causado pelo baixista Hofgodhar, que insistia em tentar difamar o Mysteriis e algumas outras bandas que estavam em evidência na época! Ele distribuía flyers anti-Mysteriis e respondia entrevistas dizendo que éramos uma banda cristã e coisas clichês do tipo. O mais engraçado é que o dito cujo virou cristão e se envolveu com música gospel e unblack metal já há alguns anos. Foi expulso da cena e não lhe restou opção! Coitado! (risos) Uma vergonha pra ele e pra quem acreditou e seguiu as asneiras que aquele idiota inventou! Enquanto nós estamos firmes e fortes lutando em prol do verdadeiro Black Metal até hoje e tenha certeza que nos próximos 10, 20, 30 anos, até o final de nossa vida! É algo que está no sangue! Enfim, não demorou muito para o tempo trazer a verdade à tona! Espero que com isso as pessoas que na época acreditavam nele, tenham aprendido alguma coisa com essa situação no mínimo hilária. Eu gostaria muita de ver a cara dessas pessoas ao saber que aquele lixo medíocre se juntou a verdadeira laia dele, a corja evangélica!

Como está e como você vê a cena do Metal extremo no Rio de Janeiro atualmente? Mudaram muitas coisas dos últimos dez anos pra cá?

MANTUS - Eu já não moro mais no RIO há uns 3 anos. Estou morando na Serra Gaúcha agora! Mas obviamente tento acompanhar o que vem acontecendo, não só no Rio como em todo o Brasil! Temos que valorizar nossas bandas! Do RIO eu sou suspeito pra falar, mas sou um grande admirador do trabalho do Grave Desecrator, Hellkommander, Sodomizer, Unearthly, Coldblood, Enterro, Impacto Profano, Apocalyptic Raids, entre outros. Nitidamente muita coisa mudou e creio que nem seja o caso eu citar aqui todas as mudanças, mas uma delas foi a questão da internet e o que ela proporcionou, de negativo e de positivo! Bom, acho que todos sabem muito bem do que eu falo... Mas mesmo apesar dos pesares, a cena parece estar mais forte que nunca! Espero que continue assim e melhore a cada dia!

O primeiro álbum da banda, About The Christian Despair, é hoje um clássico do Metal extremo nacional, e, porque não, mundial. Como você vê este disco hoje, doze anos após seu lançamento?

MANTUS - Agradeço por suas palavras em relação ao nosso primeiro álbum! É bom ver que as pessoas o consideram um clássico! Pra mim é no mínimo uma grande honra poder ouvir isso! Só posso ficar orgulhoso! Na época, como muitas bandas em início de carreira, não ficamos 100% satisfeitos com ele. Não exatamente com as músicas, pois eu as acho realmente boas e funcionais até hoje! Mas o que poderia ter sido bem melhor foi a produção sonora do disco! Acabamos fazendo tudo com um baixo orçamento e com pressa, o que fez com que o resultado final não ficasse exatamente da maneira que queríamos. Mas hoje em dia, pouco mais de 12 anos depois de seu lançamento, eu o vejo com muito bons olhos. Gosto bastante do material e acredito na qualidade que ele teve na época em que foi lançado. Mas sou uma pessoa perfeccionista, às vezes até demais, então se eu for olhar pela parte técnica do disco, eu estaria refazendo ele até hoje e com certeza sempre reclamando do resultado.

Este retorno é em comemoração aos 13 anos do Mysteriis. Vocês pretendem lançar apenas o álbum pra comemorar ou seguir em frente com a banda fazendo shows e continuarem compondo para futuros lançamentos?

MANTUS - Não temos planos a longo prazo ainda. Simplesmente conversamos e resolvemos tentar um retorno. Como eu disse anteriormente, essa conversa dura desde 2009 na realidade, mas só agora em 2011 que foi possível e todos da formação original tiveram a possibilidade de encarar toda a responsabilidade necessária. Não é apenas a reunião para 1 único álbum comemorativo, pois temos a intenção de continuar o trabalho de verdade. Mas não estamos ainda pensando em shows, apenas focados na gravação do novo álbum. Após seu lançamento e promoção veremos o que acontece!

Há planos de lançarem mais algum tipo de trabalho comemorativo como um DVD?

MANTUS - Por enquanto sem qualquer plano, mas sem dúvida seria algo extremamente interessante. Quem sabe...


A banda sempre trabalhou com capas polêmicas em seus álbuns e em Hellsurrection a coisa não é diferente. O que você pode falar sobre isso e quem produziu a nova capa?

MANTUS - Sem dúvida é algo que sempre tivemos em mente! Capas agressivas e afrontadoras, principalmente para a igreja e a religião em geral! A ideia da capa do novo álbum é uma simbiose entre a capa do nosso primeiro disco About the Christian Despair e o título Hellsurrection, um trocadilho da palavra HELL e RESURRECTION, conceito que expressa muito bem o retorno da banda e do que somos feitos. A capa foi criada por mim! Sou artista gráfico e venho me dedicando exclusivamente a esse emprego. Tenho trabalhado para grandes bandas e selos de todo o mundo como o caso do Borknagar, Dimmu Borgir, Vader, Belphegor, Obituary, Korzus, Dark Funeral, entre muitas outras. Como ilustrador assino Marcelo Vasco.

Como está sendo o processo de composição do novo e futuro álbum Hellsurrection e o que os fãs podem esperar deste novo trabalho?

MANTUS - Posso dizer que estamos de volta como o velho Mysteriis do começo de carreira! Claro que há sempre algo novo e inusitado, pois é difícil nós termos a mesma pegada de 13 anos atrás, mas garanto que esse novo trabalho irá beirar o Black Metal que fazíamos nas demos e primeiro álbum! Com a formação original estamos conseguindo consolidar muito bem as ideias e o resultado está ficando surpreendente para nós mesmos. Não estamos ficando mais velhos, estamos ficando melhores (risos). Bom, o disco está 70% gravado e inclusive estou respondendo essa entrevista do RIO, pois estou aqui para as gravações dos vocais.

Thomas Backelin (Lord Belial / Suécia) e Lord Kaiaphas (ex-Ancient / Noruega) participarão do disco. Com se deu este contato?

MANTUS - Sou grande amigo e admirador dos dois. Lord Kaiaphas é brasileiro e carioca, pra quem não sabe. Então sempre tivemos contato desde muito cedo. E Thomas conheço há mais de 10 anos! Já fiz vários trabalhos gráficos para o Lord Belial desde o final da década de 90. Estive na casa dele na Suécia em 2009! Enfim, temos uma relação de amizade e nada melhor do que ter a participação de amigos para fechar com chave de ouro esse novo disco comemorativo! E ainda teremos outras participações especiais que serão anunciadas futuramente...

Agradeço pela entrevista, este espaço é reservado para vocês deixarem uma mensagem.

MANTUS - Agradeço em nome do MYSTERIIS a todos aqueles que sempre nos apoiaram e acreditaram em nosso trabalho! Esperamos que todos apreciem o novo álbum e que ele contribua da melhor maneira para o fortalecimento da cena Black Metal brasileira, que é pelo que sempre lutamos e prezamos! Salve o verdadeiro e único Black Metal brasileiro!




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Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

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