Metal Nacional: Bianchi, Mancini e Andreoli comentam a cena

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Marcelo Prudente, Fonte: Rockonstage
Enviar correções  |  Comentários  | 

Se você pensar em heavy metal nacional os três primeiros nomes que logo vêem à cabeça são Sepultura, Angra e Shaman. Lógico que há inúmeras bandas com qualidade de sobra, mas essas são referência tanto no mercado nacional quanto internacional. Fomos bater um papo com Thiago Bianchi (Shaman), Leo Mancini (Shaman) e Felipe Andreoli (Angra), onde os músicos contam novidades da carreira, comentam o panorama do heavy metal no Brasil e planos futuros. Sem mais delongas, Shaman e Angra...

1875 acessosAngra: Os primórdios de Angel's Cry antes da Demo Reaching Horizons5000 acessosPhil Anselmo: mandou um "White Power" mas nega ser racista

A matéria foi originalmente publicada no RockOnstage e no Jornal do Interior.

Vocês lançaram no ano passado o álbum, Origins. Como tem sido a recepção até o momento?

Thiago Bianchi: Nós estamos na melhor fase da banda! Infelizmente, o que não está é o heavy metal no Brasil.

Leo Mancini: Tem muita gente elogiando, dizendo que o disco está legal. Tanto crítica quanto os fãs.

Thiago: Só está difícil mesmo a cena!

Você diz em relação a ter bons lugares para tocar, boas produções e público?

Thiago: O heavy metal está em baixa! Temos convocado os ‘metaleiros’ para ir para cima, por que as pessoas parecem ter interesse apenas na internet. O disco, Origins, está vendendo bem, por incrível que pareça nessa época da MP3, mas nos shows falta comparecimento do público.

Origins é um disco conceitual com uma estória que remete ao nome da banda. Vocês poderiam nos contar um pouco mais sobre o conceito do disco?

Thiago: É a estória do nosso mascote, Amagat, que aparece nas capas dos álbuns. A idéia foi contar a origem desse xamã, que é um avatar assim como Jesus, Krishna e Buda. Ele era um garoto de uma tribo que se negou estudar para ser um guerreiro, com isso fugiu para o meio da floresta, e lá, através da meditação, se iluminou e voltou para sua tribo como um xamã. Assim começava a estória do xamã. É como se o álbum se entregasse ao Ritual (primeiro disco da banda), por que é bem a origem dele e vai até onde acontece o enredo de Ritual, que é outra mudança para o personagem. Talvez continuemos contar essa estória no próximo disco. Veremos...

Vocês foram a fundo ao xamanismo ou foi tudo interpretação de vocês dentro desse conceito?

Thiago: É um conceito dentro de um conceito. É a nossa interpretação. Nossa intenção não é trazer a religião xamã, mas, sim, iluminação espiritual através da música e não pelo xamanismo.

O álbum, Origins, poderia ser considerado o sucessor de Ritual, visto que em Reason a banda parecia sem foco e perdida quanto a sua identidade e em Immortal ainda tratava de aparar as arestas para um vôo pleno?

Leo: Com certeza! No álbum Immortal eu, Thiago e Fernando estávamos entrando na banda e nos conhecendo musicalmente. Tínhamos o Ricardo (fundador da banda) como influência e, lógico, como norte de nossas concepções musicais, de modo a não nos perdermos da linha de composição. Ou seja, Immortal foi um CD muito importante para nos conhecermos musicalmente. Depois começamos a compor o Origins, que não foi um disco rápido de fazer como Immortal. Levamos um pouco mais de tempo. Mas foi bom por termos tido tempo de trabalhar e maturar melhor as idéias.

Thiago: Temos orgulho do Immortal! Por que remontar; escolher membros novos e ter o disco em nossas mãos com encarte foram seis meses. A diferença, como falei no começo da entrevista, que o momento está ruim para o metal. O Shaman com a formação antiga formação e nossos amigos do Angra pegaram o ápice do heavy metal e talvez o fim de uma era, por que a música faliu no Brasil e está a caminho no Mundo. Você liga o rádio e não escuta música, escuta apenas jingles!

Mas você não acha que metal sempre andou na sombra, mais no underground?

Thiago: Não! Os shows gringos estão cada vez mais lotados. O Metallica lotou o estádio do Morumbi dois dias seguido e as bandas brasileiras estão com cada vez menos público. Eu acho isso um insulto! Temos coisas consagradas mundo afora, como: carnaval, mulata, feijoada, caipirinha e o heavy metal brasileiro. O Brasil tem o Angra, Shaman, Krisiun, Sepultura... Lá fora somos idolatrados, aqui dentro não! Como uma banda brasileira não lotou um estádio sozinha? Isso é inaceitável a meu ver! Essas bandas eram para lotar estádios há muito tempo.

Isso não é um pouco do ranço de nos acharmos colônia?

Thiago: Exatamente! É ranço de ser um povo colonizado. Enquanto tivermos essa mentalidade isso não vai mudar. Se você escutar os nossos discos e da turma do metal nacional, é perfeito cara! Eu acredito que o Angra, Sepultura e, desculpe a honestidade, o Shaman estão entre as melhores bandas de metal do mundo. Brasil é um celeiro de talento, está na hora de olharmos para o que é nosso.

Não parece aquela velha estória de ter que ir para ‘gringa’; ser valorizado lá e depois voltar para fazer sucesso aqui?

Thiago: Mas a gente já fez isso!

Felipe Andreoli: Antigamente isso tinha algum valor, por que era muito difícil ir pra fora do país. Mas, hoje em dia, é muito fácil. Veja o Torture Squad, Shaman, Mindflow, Shadowside... Todo mundo já tocou lá fora! Isso não quer dizer mais nada. E cada vez mais os gringos estão vindo no Brasil e nós com essa atitude de colono. O público lota show de helloween e Stratovarius, mas ninguém vai aos shows das bandas brasileiras.

Thiago: Nós somos celebrados na internet, mas na hora de pagar ingresso para o show, o cara não paga. Só está faltando uma conscientização geral de vamos valorizar.

Hoje, a banda parece mais à vontade soando melhor e mais precisa, o que reflete o Shaman como uma unidade. Isso se deve ao fato de terem tido mais tempo para elaboração do álbum e, lógico, estarem tocando juntos há algum tempo?

Leo: Sim! Hoje sabemos o que fazer e a hora de fazer.

Thiago: Nós nos despimos do ego, assim como conta a estória do álbum. Não tivemos a frescura de quem fez o que, só medimos o que é bom ou ruim. Independente de quem vinha.

Leo: Com isso, tivemos a liberdade de chegar a um consenso e equilíbrio.

Isso é muito difícil dentro de uma banda?

Thiago: É quando os egos não deixam. Na verdade, é tudo muito fácil, desde que você atinja um nível de maturidade e tenha capacidade de abrir mão em favor do outro.

Felipe: As pessoas não praticam esse desapego. Ás vezes, a pessoa tem uma idéia e luta por ela mesmo que o resto da banda esteja contra. Não há o desapego: a maioria não está gostando da idéia, qual a próxima?

E foi o oposto disso na gravação do álbum?

Leo: Sim! Foi super tranqüilo. Não teve nenhum atrito.

O disco foi produzido pela própria banda, o que parece reforçar o que comentei sobre a banda ser, hoje, uma unidade. Assumindo a produção do álbum, essa foi realmente a meta?

Thiago: Com certeza, liberdade total até chegar ao Ricardo (risos - brincadeira)! Por que ele é a pessoa que “shamaniza” as músicas. É a visão de toda essência da banda. Nós pegamos a idéias, organizamos e entregamos mastigado, com isso, ele pode dar o direcionamento.

Leo: Esse processo aconteceu mais no disco Immortal, nesse álbum foi mais tranqüilo!

Thiago: É tudo muito claro: Leo aparece com as músicas prontas, nós dificilmente mexemos nelas, já vêm bem prontas. Mas quando não é assim ele aparece com instrumentais. O Fernando (baixista) e eu fazemos muito melodias e refrãos, e eu, geralmente, dou conceito de idéias de letras e estórias e o Ricardo ‘shamaniza’.

Finnaly Home é o primeiro single e vídeo clipe. A canção trata da simplicidade, com a idéia que o menos é mais? Vocês acreditam que hoje vivemos num ritmo frenético talvez injustificável?

Thiago: Finnaly Home é o momento, na estória do disco, que Amagat se ilumina e percebe que tudo isso aqui não significa nada! O que significa, na verdade, é o amor que você tem pela própria vida, por isso ele se sentia em casa. Esse é o motivo das pessoas e das diferentes etnias presentes no vídeo clipe. E essas são etnias marcadas por terem que se deslocarem de suas terras, entretanto, conseguiram achar sua casa em outro lugar, por que na verdade a casa está dentro de você!

O que o Shaman nos reserva para o futuro?

Leo: Turnês! Muitos shows!

Vocês lançaram o DVD com a orquestra Tcheca, mas há planos de gravar algo dessa turnê?

Thiago: Passou isso pela nossa cabeça, mas acho que uma coisa de cada vez. Nós estamos tentando trabalhar esse disco como deve ser trabalhado e fazer mais shows, que é uma coisa que estamos tendo um pouco de dificuldade.

A demanda de shows internacionais está tirando esse espaço?

Thiago: Fomos tocar na Argentina semanas atrás, na quinta-feira teve Tarja; na sexta o Shaman, sábado Ozzy Osbourne e domingo Slash. Como competir com isso?

Felipe: Sabe o que eu acho engraçado: A molecada nos vê tocando e vão comprar instrumentos e se matam de estudar, mas não vão a show. Como eles querem ser músicos, se eles mesmos não servem de público, vão tocar para quem?

Thiago, nos últimos meses você movimentou o público heavy metal com a publicação de uma carta. Do que se trata essa carta? Onde você queria chegar com sua publicação? E do que se trata Metal Prol Brasil?

Thiago: É tudo o que a gente comentou no começo da entrevista. Eu estou cansado de ver meus colegas, músicos, chateados com o que fazem. É uma mistura de amor e ódio. O Brasil perderia muito sem Felipe Andreoli; Leo Mancini; Angra; Andreas Kisser; Andre Matos; Ricardo Confessori... Isso para mim dói, cara! Eu não estou nem ai para quem não gostou. Eu vou falar o que acho e fazer o que considero que tem que ser feito.

Thiago: O Metal Prol Brasil é uma iniciativa para mover a galera em assinar um documento para que seja instituído no Brasil o dia do metal. Isso vai mudar muito? Não vai! Mas, pelo menos, mostra que o pessoal está começando a fazer alguma coisa. Quem sabe o mês de Novembro passa a ser o mês do metal no Brasil, com as casas noturnas tocando metal, o que acaba instigando as pessoas irem e comparecerem. É fazer algo pela nossa classe, e eu me orgulho disso e posso falar: estou fazendo algo.

Você sentiu um feedback positivo?

Thiago: Colocamos o site no ar e já passou das cem mil inscrições. O endereço é metalprolbrasil.com. Em breve, teremos uma caixa postal no ar. Tem gente trabalhando. Estamos começando fazer barulho!

Leo, além do Shaman, você anda bem ocupado com sua carreira solo, a qual você acabou de lançar um disco, Acoustic Hits. Conte-nos um pouco mais sobre o disco.

Leo: O Acoustic Hits foi idealizado pelo dono da gravadora Turbo Music, que é a antiga gravadora do Shaman. Eu tinha um material gravado há muito tempo atrás no formato acústico, e eu queria fazer um presente para meus familiares, com isso, fui a essa empresa para fazer as capas, e um dos caras da gravadora pediu que deixasse alguns discos para o pessoal escutar. No dia seguinte, eles me ligaram convidando para fazer um disco comigo, comentei que estava focado no Shaman e não teria tempo. Eles ficaram uns oito meses tentando me convencer, mas só aceitei quando tive tempo para trabalhar o disco como deveria e eu queria como fazer tudo sozinho, gravar no meu estúdio, elaborar os arranjos e ter alguns amigos como convidados.

O disco tem rendido bons frutos, prova disso é a canção, Kiss From a Rose, na trilha sonora da novela, Araguaia.

Leo: Eu terminei o disco no final de 2008, mas o pessoal da gravadora sugeriu esperar o momento certo para lançar o CD. Em Julho de 2009 a gravadora comentou que estava em conversa com a Som Livre e que eles tinham gostado do material. Passou um tempo, e como eu estava trabalhando bastante, acabei desencanando. Um dia recebi e-mail de uma amiga, que é fã do Shaman, dizendo que tinha comprado meu disco. Ninguém me falou que o disco fora lançado! Liguei para Turbo Music e não sabiam também do lançamento do álbum. Isso aconteceu por que a gravadora tinha parceria com a Som Livre, ou seja, havia autonomia deles em lançar o material. E começou assim! Eu estava em restaurante e uma pessoa comentou que tinha escutado minha música na novela Malhação. Com uma coisa levando a outra, uma das músicas chegou à outra novela, Araguaia.

O que representa para você ter uma música numa grande mídia como a tevê Globo?

Leo: Antigamente ter uma música numa novela era uma coisa muito grande. Hoje em dia, é mais pelo reconhecimento. Abre portas, lógico! Mas era uma coisa que eu não esperava e foi um bom reconhecimento.

E como está a situação do Tempest?

Leo: O Tempest está finalizando o segundo cd. Só precisamos acertar algumas participações internacionais.

Você pode nos adiantar quem serão essas participações?

Leo: Quando o pessoal do Winger veio agora no Brasil, eles passaram no estúdio para ouvir nosso CD e o Kip Winger aceitou o convite de participar do álbum. Outro nome é Tim Reaper que topou na hora o convite. Há ainda outra pessoa, mas não posso falar por que o convite ainda vai ser feito.

Qual a previsão de lançamento?

Leo: É para o começo do segundo semestre.

E como foi a experiência de tocar com grandes nomes do hard rock e metal como Tim Reaper e Jeff Scott Soto?

Leo: A primeira vez que eu toquei com Jeff foi em 2002, e foi também a primeira vez que toquei com alguém de fora, então, foi legal e tenso ao mesmo tempo. Depois disso já fizemos outros trabalhos juntos como turnê pela Europa. Eu estou escrevendo uma música para o novo álbum dele, que tem participações de Richie Kotzen e Nuno Bittencourt.

O que vocês plantaram em 2002 estão colhendo agora.

Leo: É isso ai!

Obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês...

Leo: Obrigado pela companhia, por seguir nossa carreira. Espero vê-los nos shows. Música para todos!

Thiago: Acessem nosso myspace – shamanimmortal e nosso twitter - @shamanofficial. Muito obrigado. E Keep Rockin’!

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

AngraAngra
Banda reage à tragédia com Adrenaline Mob

1875 acessosAngra: Os primórdios de Angel's Cry antes da Demo Reaching Horizons942 acessosAngra: mais um vídeo das gravações do novo álbum1908 acessosBlind Guardian e Rhapsody: Como seria Hansi e Lione cantando juntos?2676 acessosAngra: Uma rara versão acústica de "Carry On" com Andre Matos0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

Kiko LoureiroKiko Loureiro
Vídeo revela penoso processo de desenvolvimento até o Megadeth

Andre MatosAndre Matos
Assista vídeo de Carry On com Van Canto no WOA

Em fotoEm foto
Andre Matos agradece influência de Rob Halford

0 acessosTodas as matérias da seção Entrevistas0 acessosTodas as matérias sobre "Shaman"0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"

Phil AnselmoPhil Anselmo
Mandou um "White Power" mas nega ser racista

20 Filmes Mais Punk20 Filmes Mais Punk
"Rock N Roll High School" em primeiro

Iron MaidenIron Maiden
As 20 melhores músicas da "Era de Ouro"

5000 acessos20 Filmes Mais Punk: "Rock N Roll High School" em primeiro5000 acessosSlash: por que ele usa óculos escuros o tempo todo?5000 acessosSom ruim, fezes e urina: Um brinde à farsa de Woodstock5000 acessosIron Maiden: Bruce Dickinson votou pela saída do Reino Unido da União Europeia5000 acessosShows e Festivais: 13 tipos de metalhead que você sempre encontra5000 acessosCordas de guitarra: como elas são vistas no microscópio?

Sobre Marcelo Prudente

Marcelo Prudente, 28 anos, nascido em Volta Redonda/Rio de Janeiro. É profissional da área de Comunicação, trabalha com Publicidade e Jornalismo. Começou a tomar gosto pela música quando criança por influência dos pais e tio. Louco pela carreira do velho madman, Ozzy Osbourne. Curte também Iron Maiden, Kiss, Rammstein, Rob Zombie, Alice Cooper, etc. E já perdeu a conta dos bons shows que já assistiu e dos ótimos discos que tem. Para mais informação: http://rockonstage.blogspot.com/. Long live to Rock n' Roll.

Mais matérias de Marcelo Prudente no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online