Doug Aldrich: Quando Ronnie Dio encarou um grandão no bar

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Por Nathália Plá, Fonte: Blabbermouth.net, Tradução
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Jeb Wright, do Classic Rock Revisited, entrevistou em abril de 2011 o guitarrista Doug Aldrich, WHITESNAKE/ex-DIO. Seguem trechos da conversa.

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Classic Rock Revisited: Você se sente confortável quando dizem que é um dos melhores [guitarristas] por aí hoje em dia?

Doug: Jimmy Page e Jeff Beck ainda estão aí tocando pra caramba; eles são os grandes. O Eric Clapton ainda está tocando. Acabamos de perder Gary Moore, que era um dos melhores. E daí você tem o Michael Schenker e o Uli Roth… todos esses daí são mestres da guitarra. Eu agradeço muito o que você está dizendo mas eu na realidade não me sinto à vontade com elogios. Eu sei que há certas coisas que eu faço bem e apenas tento fazê-las no melhor das minhas habilidades. Eu estava trabalhando em uma música com meu camarada Derek Sherinian, que é o tecladista do BLACK COUNTRY COMMUNION. Em dado momento ele vai fazer outro disco solo. O Derek é um músico loucamente talentoso. Nós fizemos essa música e ele a criou e me mandou de volta. Ele veio e estava tentando me fazer tocar uma parte com ele e eu fiquei tipo, "Cara, isso é difícil. Eu não consigo. Eu posso fingir e fazer isso do meu jeito mas eu não consigo fazer como você". Ele não se importou com isso mas isso só mostra que eu tenho de fazer as coisas do meu próprio jeito. Quando eu faço as coisas assim eu consigo segurar as pontas.

Classic Rock Revisited: O que você tem a dizer sobre a intensidade do David Coverdale?

Doug: Para mim, honestamente, não estou dizendo isso porque eu trabalho com ele, a primeira vez que ouvi o David Coverdale cantar eu soube que era o tipo de voz que eu queria em um vocalista. Ele tem a maior voz e um tom gigantesco. É tipo como o som do Eddie Van Halen na guitarra, vocalmente – o David é tão especial assim. Na última turnê, nos até cancelamos algumas datas, mas a voz do David está novamente a 100%. Você nunca sabe realmente como alguém é até estar trabalhando com essa pessoa. Tentar captar a voz do David em um microfone pequeno é algo que não dá para acontecer. Eu nunca disse isso antes, mas você pode botar um microfone próximo a um amplificador e conseguir um som do que está se passando, mas você não consegue o som real todo. Quando você ouve o David Coverdale cantar no estúdio, em um microfone, você percebe que voz gigantesca ele tem. O Ronnie James Dio também tinha uma voz gigantesca.

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Classic Rock Revisited: Tenho de te perguntar sobre o Ronnie James Dio. Ele foi fundamental em sua carreira quando te contratou para estar na banda dele. Diga-me como foi perder o Ronnie.

Doug: Eu vi que o HEAVEN & HELL tinha shows marcados para 2010 e pensei que ele estivesse melhor – foi isso que tornou a coisa tão difícil. Eu mantinha contato com o Ronnie mais para falar sobre esportes do que sobre música. Ele amava o New York Giants. Era temporada de jogos quando ele adoeceu. Ele me pediu para fazer uma turnê no final de 2009. Eu disse que se ele pedisse ao David e ele concordasse seria um prazer. Quando ele adoeceu, eu tentava conversar com ele sobre coisas divertidas, como futebol e tal, ao invés de sobrecarregá-lo com perguntas sobre a saúde dele. Eu só perguntava como ele estava e ele dizia, "Essa coisa é um pé no saco mas estou melhor". Eu recebi uma mensagem quando estava fora me dizendo que ele estava muito doente e eu liguei para a Wendy [Dio] na mesma hora e ela me disse que ele não ia agüentar. Eu disse "Estou voltando amanhã. Você acha que ele agüenta até amanhã?" Ela disse "Ele definitivamente quer te ver mas você tem de vir." Eu estava tão preocupado que falei para minha esposa para pegar o bebê e fui ver o Ronnie. Eu agradeço tanto por ter feito isso. Ela disse a ele que nós o amávamos e ele piscou para ela e então sabíamos que ele tinha entendido. Eu não cheguei a dizer adeus pois ele faleceu antes que eu conseguisse chegar lá. Foi uma enorme perda para o metal. Eu tenho muita sorte de tê-lo conhecido e passar um tempo com ele, além de tocar música com ele. Uma vez nós fomos a um bar próximo porque eu queria ver um jogo dos Eagles. O Ronnie foi comigo. Um colega dele de longa data chamado Willie se juntou a nós e tinha um cara grandão que era algum tipo de ator, e ele torcia para o outro time e ele não me deu sossego. Ele ficava fazendo comentários rudes e o Ronnie ficou puto. Daí o Ronnie se levantou e ficou cara a cara com esse grandalhão. Eu fiquei tipo, "Puta merda". Nós fomos expulsos do lugar, mas olha só que legal, o Ronnie veio e me defendeu.

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Leia a entrevista na íntegra no Classic Rock Revisited.




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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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