Entrevista com Terra Prima: "Estamos aqui para ficar!"

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Por Paulo Finatto Jr. e Ben Ami Scopinho
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Não há dúvidas de que o nosso país vem revelando uma série de bandas interessantes ano após ano. De um lado, o metal extremo parece conquistar a cada dia um espaço ainda maior no cenário internacional. Do outro, bandas como ANGRA e HANGAR parecem mostrar que o metal tradicional/melódico nacional possui a mesma força. Em atividade desde 2004, os recifenses do TERRA PRIMA lançaram recentemente o seu primeiro álbum, "And Life Begins", com uma dose considerável de influências bem particulares. O grupo, que aos poucos vem se sobressaindo aos demais - inclusive no mercado japonês -, nos conta mais sobre o 'debut', o passado, a sua música e sobre o futuro promissor. A conversa foi com o vocalista Daniel Pinho, que é acompanhado por Diego Veras (guitarra), Otávio Mazer (guitarra), Pedro Diniz (baixo), João Nogueira (teclado) e Tiago Guima (bateria).

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Embora a trajetória do TERRA PRIMA tenha iniciado em 2004, somente agora que a banda está lançando o seu primeiro disco. Como foi a trajetória de vocês até a concretização do álbum "And Life Begins"?

Daniel Pinho: Primeiramente, um olá a todos os leitores e colaboradores do Whiplash! Agradecemos esse espaço tão importante para divulgação do nosso trabalho. Vamos lá! Quanto aos seis anos da fundação até a gravação, trocamos algumas vezes de formação e cada membro novo traz uma bagagem diferente. Nós fizemos vários shows em outras cidades e principalmente em Recife, onde fizemos o Abril Pro Rock, tocamos ao lado de várias bandas e em alguns outros festivais. Lançamos duas demos. A demora para lançar o disco foi porque nós não nos conformaríamos com um disco gravado em home studio, como tantos fazem por aí. Havia uma necessidade interna para gravar da forma correta, com pré-produção, produtor e em um estúdio onde o pessoal fosse especializado em heavy metal. Graças a Deus conseguimos tudo isso. Fizemos um planejamento de mais de um ano finalizando as músicas e nos preparando pra gravar. É um sonho possível, bem trabalhoso, mas muito prazeroso e possível... Acreditem! Gravamos no Mr. Som com Heros Trench e Marcello Pompeu, dois produtores especialistas em heavy metal, ganhadores de Grammy. Um sonho realizado.

Não é mais novidade as bandas que inserem elementos regionais em sua sonoridade. O uso de referências do maracatu, do baião, da salsa e da música flamenca aconteceu de maneira natural para o TERRA PRIMA ou foi uma forma calculada para se diferir do que é oferecido no cenário atual?

Daniel Pinho: A salsa e o flamenco foram influências trazidas por Tiago Guima, nosso baterista, que tem uma bagagem muito grande em estudo de ritmos; e Pedro Diniz, baixista, que toca numas bandas alternativas. O baião e o maracatu fazem parte da cultura pernambucana. A gente ouve isso em todo canto que vai. Luiz Gonzaga, Lenine e Nação Zumbi são referências da música pernambucana e nacional. Nós realmente sentimos a necessidade de usufruir de toda essa cultura que já vem do berço e ela vem naturalmente, afinal já nascemos com o DNA batucando. Não é uma coisa que precisamos parar e pensar, ver harmonia, melodia e muito menos ouvir como os outros fazem. Quando a gente menos espera, encaixa um baiãozinho aqui ou uma batucada ali, sempre da forma mais fluída e natural possível.

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De que forma a experiência adquirida ao vivo, tocando ao lado de nomes como BLAZE e ANGRA - além de participaram do Abril Pro Rock em 2010 -, contribuíram definitivamente no processo criativo de "And Life Begins"?

Daniel Pinho: Basicamente nada. O lançamento oficial do "And Life Begins" no Brasil foi no Abril pro Rock 2010, quando tocamos com BLAZE BAYLEY. Antes já havíamos tocado com o ANGRA. Acho que tocar ao vivo com bandas de grande porte ajuda mais nas questões de performance - iluminação, cenário e comportamento em cima do palco - e equipamento que propriamente de processo criativo de gravação. Serve para trocar experiências de viagens, locais legais pra tocar, etc. Lógico que sempre ouvimos as boas bandas, como ANGRA, IRON MAIDEN, o projeto solo do BLAZE, que é muito legal. Mas elas servem mais de inspiração para continuar lutando do que como referência criativa.

Em "And Life Begins", uma série de músicos participa como convidados. Andria Busic (DR. SIN) e Rafael Bittencourt (ANGRA) são os mais notáveis. Como foi concretizado esse apoio e a ajuda dos artistas nordestinos que contribuíram com a abertura "GateZzzZzz"?

Daniel Pinho: O Andria Busic foi uma ideia do produtor Marcello Pompeu. Na época, o Heros estava masterizando o relançamento do "Original Sin" e surgiu a ideia do Andria gravar no TERRA PRIMA. Rafael Bittencourt foi uma ideia que tivemos ao ouvir o disco solo dele. Vimos o show também e na gravação do OFICINA G3 fizemos o contato final, já que eu estava auxiliando o Heros e o Pompeu na gravação e o Rafael estava prestigiando o evento. A voz dele encaixou perfeitamente em "Essence". Os dois fizeram um grande trabalho no disco, muito além do que pedimos. Quanto ao Gilmar Bolla 8, a introdução pedia alguém especialista em maracatu e a referência desse ritmo com rock no Brasil é o NAÇAO ZUMBI, onde Bolla 8 toca alfaia. Precisávamos ainda de uma voz feminina para fazer aquela vocalização de "Essence". Ouvimos algumas garotas, mas quando Babi Jaques (BABI JAQUES E OS SICILIANOS) fez uma gravaçãozinha caseira de improviso não tinha mais o que escolher. Todos ficaram surpresos com a voz dela, inclusive o Rafael Bittencourt, que falou que era a parte mais bonita da música. De fato, eu diria até do disco inteiro!

"And Life Begins" é apenas o primeiro álbum de vocês, mas já conta com o suporte de uma gravadora, a Voice Music. De que modo vem sendo o trabalho com eles?

Daniel Pinho: A Voice propôs um sistema bem legal de trabalho, pelo fato de ser o primeiro disco. Eles disponibilizaram uma parte da prensagem livre para podermos, além de recuperar o investimento, ainda tirar um trocado. O Silvio Golfetti foi muito honesto e atencioso com todo o processo de prensagem e entrega, tendo ele inclusive dado uma pressa para podermos ter alguns discos no lançamento.

Para muitos headbangers, o nordeste brasileiro é considerado como uma fonte para o heavy metal extremo. Como o cenário tipicamente agressivo absorveu uma banda melódica como o TERRA PRIMA?

Daniel Pinho: Tem muito banger do melódico e do tradicional aqui. Também temos bons amigos no DECOMPOSED GOD, CRUOR, CANGAÇO e MALKUTH por exemplo. Pode até rolar aquele de que não goste do estilo, mas quando abstraímos o subestilo para focarmos o heavy metal, que é o principal, o respeito é bastante evidente de ambas as partes. O cenário é bem dividido aqui e tem gente pra todos os gostos.

O fato de a banda ser nordestina e estar em volta do seu primeiro disco dificulta a exposição de "And Life Begins" frente ao resto do Brasil e, por que não, do mundo?

Daniel Pinho: Não acho que o fato de ser nordestina seja tão relevante nesse processo. Ainda mais com a gama dos canais de divulgação na internet (o Whiplash! como exemplo). O fato é que estamos dando apenas os primeiros passos. Como diz "Step by Step" (a oitava faixa do disco): "There are more places to go" (existem mais lugares para ir). Vamos aos poucos brigando pelo nosso lugar ao sol. Estamos confiantes no trabalho bem feito no A"nd Life Begins", ainda mais pelo fato de ser um primeiro disco, com uma qualidade de gravação excelente... E como diria "Essence" (a faixa número onze): "We're here to stay!" (estamos aqui para ficar!).

No Japão, "And Life Begins" saiu via Radtone Music. Como está sendo a repercussão do disco no Oriente e no restante do mundo?

Daniel Pinho: Ainda não temos uma dimensão exata, visto que tem apenas duas semanas do lançamento do disco. O nosso contato lá falou que as vendas estão boas e que as críticas estão bem legais. Esperamos que tudo dê certo por lá, pois sabemos que o Japão é um grande consumidor de heavy metal.

As músicas "Time to Fly" e "Await The Story's End", juntamente com a cadenciada "Step By Step", costumam ser as mais destacadas em críticas ao disco. Como vocês vêem a repercussão de cada uma das onze músicas que compõem "And Life Begins"?

Daniel Pinho: "Life Carries On" e 'Time to Fly' sempre foram o nosso carro chefe. Ao gravar as outras começamos a ver que elas estavam bem niveladas. A prova disso é que as pessoas se dividem bastante acerca da melhor música. "Step by Step" é a única balada do disco. "Await The Story's End" foi uma grata surpresa, pois ela é uma das músicas mais antigas da banda e foi completamente repaginada. é ótimo saber da boa repercussão que ela tem trazido. Muita gente nos fala de "Essence", que realmente é uma das mais belas. Eu destacaria também "Rage", que é a mais pesada e densa; e "Gain", com riffs instigantes e duetos que oscilam entre velocidade e melodia. "And Life Begins" tem um refrão que acho que em breve todos cantarão (risos). Acho um belo disco, mas sou bem suspeito pra falar!

A dupla Marcello Pompeu e Heros Trench (KORZUS) venceu recentemente o Grammy Latin America pelo trabalho ao lado do OFICINA G3. Como eles contribuíram no resultado final de "And Life Begins"?

Daniel Pinho: Eles foram decisivos. Fizemos uma pré-produção onde eles ajustaram detalhes do esqueleto das músicas. O Pompeu estava presente em todas as gravações e sempre ajustava uma coisa ou outra. Muito experiente, reorganizou partes inteiras de algumas músicas (como "And Life Begins" e "Rage", por exemplo). Eles fizeram parte da finalização da composição do disco como um todo. O Heros, além de ser o responsável pela mixagem inteira, sempre dava pitaco nos arranjos da gravação. Eles foram os produtores clássicos. Enfim, atingiram tudo que esperávamos e foram além, dando novas ideias e conceitos. A nossa gratidão por termos trabalhado com eles é infinita e muito provavelmente voltaremos ao Mr. Som no segundo do TERRA PRIMA.

Com o disco presente na maioria das lojas do nosso país, qual será o próximo passo que o TERRA PRIMA pretende dar? Vocês pensam em uma turnê pelo Brasil? Já querem iniciar o processo criativo de um novo álbum?

Daniel Pinho: Primeiro precisamos que todos os bangers saibam da nossa existência. Para isso, estamos nos organizando para fazer shows nas principais cidades do país. Não sabemos se será uma tour propriamente dita, com sequência de shows, mas nossos esforços serão para tocarmos na maior quantidade possível de lugares diferentes. Além disso, estamos agendando, em parceria com a Insano Booking, uma tour na Europa para novembro. Tudo indica que 2011 vai ser animado! Quanto ao novo disco, provavelmente gravaremos em 2012, caso o mundo não acabe (risos).

Para finalizar, agradeço a entrevista e deixo esse espaço para vocês deixarem uma última mensagem aos leitores do Whiplash!

Daniel Pinho: Nós que agradecemos! Caros leitores do Whiplash!: espero que vocês tenham gostado das palavras e do disco "And Life Begins". Também espero que vocês estejam dando chance para conhecerem bandas novas vindas de todos os lugares. O TERRA PRIMA agradece todos que tem nos dado apoio e carinho nos diversos shows, comunidades do Orkut, Facebook, Twitter e Myspace. Os "terráqueos" estão crescendo bastante e queremos que sejam ainda mais. A Terra é o palco... O céu é o limite! Vamos lá!




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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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