Ultraje a Rigor: o disco que invadiu todas as praias
Por Vinícius Castelli
Fonte: Pilha na Vitrola
Postado em 13 de outubro de 2010
Há 25 anos as vitrolas começaram a tocar canções ousadas de um álbum que havia acabado de sair do forno. Eles eram apenas garotos, mas brincalhões, inteligentes e atrevidos.
O disco? Nós Vamos Invadir Sua Praia. A banda? Ultraje a Rigor.
Agora, 1/4 de século após seu lançamento, o disco é relançado (Polysom, R$ 80 em média) da mesma forma que veio ao mundo: vinil. Em edição limitada, o álbum integra a série ‘Clássicos em Vinil’. Produzido com 180 gramas de vinil, teve o áudio remasterizado das fitas originais.
Os mais desavisados podem achar que se trata de uma coletânea de clássicos da banda, afinal, listam no disco canções como Rebelde Sem Causa, Mim Quer Tocar, Ciúme, Inútil e Eu Me Amo, por exemplo.
Ultraje A Rigor - Mais Novidades
Mas não. É o disco de estreia do Ultraje, que das 11 faixas que lá constam, nove invadiram todas as praias. "Eu mesmo não tenho mais onde ouvir vinil", brinca Roger, vocalista, guitarrista e compositor da banda. "Eu fiz questão de ter um para mim e estou louco para ouvir em algum lugar. Parece disco importado, e fico contente, pois estão escolhendo a dedo os discos que saem", conta.
E não é só Roger que deve estar contente. Os fãs também, afinal, é quase impossível encontrar CDs do grupo. Roger revela que recebe muitos pedidos de fãs pelo Twitter (@roxmo), mas não tem como atender, pois não possui poder sobre os discos. "As músicas serão sempre minhas, se eu quiser regravá-las, tudo bem. Mas as versões originais, os fonogramas, pertencem às gravadoras. A Polysom disse que vai lançar nosso segundo disco em vinil também", salienta.
Os garotos de São Paulo saíram da casa dos pais e passaram dois meses no Rio de Janeiro gravando o disco, relembra Roger. "O clima no estúdio com o Liminha era gostoso, tínhamos brincadeiras de ginásio. Colocávamos baldes com água em cima da porta, quando alguém entrava se molhava todo", conta aos risos. "Tudo correu bem, na direção certa e nós nos divertindo. Acho que passou esse clima para o disco". E passou mesmo.
Mas Nós Vamos Invadir Sua Praia não foi feito só de brincadeiras. As letras alfinetavam o momento político do País e também observavam o comportamento social. "Era algo que catalisava o pensamento do pessoal na época, então, sem dúvida era mais estimulante escrever naqueles tempos. Tinha mais assunto".
Quando o álbum saiu, o País vivia o fim da ditadura, e algumas faixas como Marylou tiveram de ser modificadas. "A frase que ficou foi ‘Botar ovo pelo Sul’, quando a ideia era outra", brinca o músico. "Dava um pouco de medo, não era a mesma coisa dos anos 1960, mas ainda dava um pouco de medo. Você tinha de falar por meio de analogias, de subterfúgios", diz.
O grupo começou alguns anos antes, fazendo releituras de canções dos Beatles. Roger destaca que faziam as canções da fase inicial do grupo inglês, pois eram mais fáceis de tocar.
Roger tira do bolso várias histórias engraçadas, entre elas, a da grafitagem. "Fazíamos as propagandas com filipetas e grafite nos muros para divulgar a banda", revela rindo. E continua: "O grafite era moda, né, colocávamos nosso logotipo e ninguém sabia do que se tratava, mas achavam curioso. Às vezes chegávamos no bar para tocar e o dono dizia: ‘Eu já ouvi falar de vocês’. Mas não, ele tinha visto no muro da esquina".
Sucesso espontâneo em plena época de efervescência cultural, Nós Vamos Invadir Sua Praia veio para ficar. E ficou! Assim como o Ultraje, ativo até hoje. O álbum se tornou um clássico, quebrou barreiras e agora está aí, novo em folha novamente.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Com mais de 140 shows, festival Welcome to Rockville anuncia atrações para 2027
O que Nicko McBrain pensava ao ver Bruce Dickinson no palco antes da saída
Aerosmith realiza primeiro dos dois shows comemorativos; veja setlist e convidados
O problema no Alter Bridge que fez Mark Tremonti criar sua própria banda
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Os dois guitarristas que Kerry King nunca conheceu após décadas no Slayer
Os oito discos essenciais do thrash alemão, segundo a Ultimate Guitar
Por que o Smashing Pumpkins foi tirado da abertura do The Police, segundo Corgan
A música do Lynyrd Skynyrd que Dave Mustaine colocou no Metallica sem Lars Ulrich perceber
Korzus lança single/videoclipe "Blind Deaf Mute"
Jorn Lande conta como foi ter um baterista de black metal em sua banda
A cirurgia que membros do Metallica, Slayer e Megadeth precisaram fazer, diz Hetfield
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
O roqueiro que comprou briga com Humberto Gessinger e Samuel Rosa
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
É verdade que Kiss significa Cavaleiros a Serviço do Coisa Ruim? Paul explica
A canção do Led Zeppelin que é "uma piada" mas ensina os jovens a gostar de Rock
A banda chamada de "novo Led Zeppelin" que tinha Metallica no bolso, e mesmo assim não estourou

O que a censura fez com a letra de "Marylou", do Ultraje a Rigor, segundo Roger
Por que Peter Gabriel ligou para Roger, do Ultraje a Rigor, pedindo desculpas
3 clássicos do rock nacional que todo mundo que foi criança nos anos 1980 sabe de cor
Marilyn Manson: "Sou ainda pior fora do palco"
Dream Theater: Myung não tinha planos de ser baixista



