Glenn Hughes: "o espírito de John Bonham estava conosco"

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Por Nathália Plá, Fonte: Blabbermouth.net, Tradução
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Em uma nova entrevista com GLENN HUGHES, feita pelo Nightwatcher's House Of Rock, o lendário ex-DEEP PURPLE/BLACK SABBATH discute sua recente apresentação como líder do BLACK COUNTRY COMMUNION, que também traz o guitarrista JOE BONAMASSA, o baterista Jason Bonham (UFO, FOREIGNER, LED ZEPPELIN) e o tecladista Derek Sherinian (DREAM THEATER, ALICE COOPER, BILLY IDOL). Segue abaixo um pequeno trecho da conversa.

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Nightwatcher's House Of Rock: Falando em termos de letra, quais músicas no álbum te deixam mais orgulhoso?

Glenn Hughes: "The Great Divide". Eu poderia te falar que é o disco inteiro. Vamos só falar disso. "Black Country", simplesmente porque eu digo que “Eu sou o mensageiro, essa é minha profecia... Estou voltando ao País Negro”. Quando eu canto isso significa que estou indo ao cerne do meu ser, aonde eu nasci, no País Negro. O País Negro, para todos objetivos e propósitos, significa a terra natal do hard rock. PURPLE, ZEPPELIN, JUDAS PRIEST, todas essas bandas nasceram lá. Então eu estou realmente... "Eu falo com milhões, de cidade a lugarejo... viemos da terra do coração... nós caminhamos pelo fogo... nós chegamos à medida... uma linha na areia... é frio na montanha... e essa é nossa terra..." Eu tenho arrepios, porque eu realmente estou de pé e fincando a bandeira de uma banda de rock n' roll. Eu nunca escrevi uma letra tão forjada em granito. Isso é Rock. "One Last Soul" é uma música vencedora. É para vencedores. Sabe, “Você é a última alma, você pode vencer.” Basicamente e uma música para vencedores. É algo que eu realmente não escrevo muito a respeito. O Rock’n’Roll deve ser negro, e rígido. Mas também é um raio de luz para as pessoas que querem vencer. "The Great Divide" para mim é provavelmente a música mais espiritual no disco porque eu estou dizendo às pessoas que eu estou de volta. Que eu encontrei meu caminho de volta àquele topo da montanha e que estou na grande encruzilhada. Estou procurando pela América, estou vendo algo que é belo. Estou aqui. Estou de volta e é bom. Estou aqui com meus amigos. Estou dizendo que não acredito em superstições e que vou deixar minha consciência ser meu guia. Basicamente é uma música de momento. É uma grande música. É tudo o que eu queria que fosse.

Nightwatcher's House Of Rock: Muita atenção tem sido dada até então aos seus vocais, nas faixas que foram vistas até então, e são muito precisos, são extremamente bem feitos. Mas seu baixo está incrivelmente bem tocado. Você se acerta muito com o Jason nesse álbum, e tem um embalo forte que move as músicas de uma maneira muito orgânica, que não é forçado, parece muito natural. Como é trabalhar com o Jason nesse álbum, depois de conhecê-lo por praticamente a vida toda dele.

Glenn Hughes: Aí é que está. Eu toquei com todos os grandes bateristas do rock. Eu toquei com o pai do Jason. Então aqui estou eu, 40 anos depois, tocando com o filho dele. Eu conheço o Jason antes mesmo de ele se lembrar de mim. Eu fui o “Tio Glenn” desde sempre. Agora eu tenho a chance de cuidar do filho do John. Sou muito protetor com relação ao Jason. Temos um laço de família muito forte por causa do pai dele. Ligar-me ao Jason... A primeira música que gravamos "Stand (At The Burning Tree)" logo no primeiro dia. Quando vimos, e ele veio tocando em ½, foi tipo, “Ok, deve ser assim”. Ele é um garoto muito musical. Ele te desafia absolutamente. E eu adoro um bom desafio. Eu também adoro o fato de que podemos concordar em discordar (risos). Por exemplo, tem uma música no disco chamada "No Time". Eu escrevi ela na metade da marcação que você a escuta. No fim da sessão o Jason simplesmente começou a tocar, pegou o ritmo e passou para 40 bps acima do que eu fiz. Eu fiquei furioso a princípio. Eu fiquei tipo “Como você pode fazer isso?” Mas quando você escuta do modo que ele toca, é como, “Ok, você tem razão”. Essa é uma banda onde desafiamos uns aos outros. Não é só chá com biscoitos. Nós somos quatro pessoas impetuosas. Então isso também aparece.

Nightwatcher's House Of Rock: Com o estilo dele de tocar bateria sendo tão semelhante as vezes com o do pai dele, alguma vez pareceu que o espírito de John estava olhando a gravação?

Glenn Hughes: Eu disse que o pai dele estava lá. Não se esqueça, eu acredito nas mãos do destino, e carma, e os aspectos budistas das coisas, sobre não haver erros no mundo. Tudo que aconteceu deveria acontecer. Eu acredito que o espírito de John estava conosco. Eu tenho de acreditar nisso, nessas coisas boas. Sabe, eu conheci um John Bonham diferente do que a maioria das pessoas lê a respeito, o John maluco. Eu conhecia a família do John. Eu conheci o cara que cavava o chão da casa dele e coisas assim. Então é esse de quem falamos. O pai do Jason estava conosco nessa gravação. Ele está conosco todos os dias. O John está conosco o tempo todo, e é assim que gostamos de pensar. Jason e eu passamos muitos momentos falando sobre isso. É uma coisa muito bonita e eu sou muito protetor com relação a ele.

Leia a entrevista completa no Nightwatcher's House Of Rock.

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Sobre Nathália Plá

Mineira de Belo Horizonte, nasceu e cresceu ouvindo Rock por causa de seu pai. O som de Pink Floyd e Yes marcou sua infância tanto quanto a boneca Barbie, mas de uma forma tão intensa que hoje escutar essas bandas lhe causa arrepios. Ao longo dos anos foi se adaptando às incisivas influências e acabou adquirindo gosto próprio, criando afinidade pelo Hard Rock e Heavy Metal. Louca e incondicionalmente apaixonada por Bon Jovi, não está nem aí pras críticas insistentes dirigidas à banda. Deixando a emoção de lado e dando ouvidos à técnica e qualidade musical, tem por melhores bandas, nessa ordem, BlackSabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Metallica e Dream Theater. De resto, é apenas mais uma apreciadora do bom e velho Rock'n'roll.

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