Ov Hell: ex-Gorgoroth fala sobre "super banda" black metal

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Por Emanuel Seagal, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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O jornal norueguês Bergensavisen publicou uma entrevista com Tom Cato Visnes (vulgo King of Hell; GOD SEED, ex-GORGOROTH) sobre sua nova banda, o OV HELL, que também conta com Stian Tomt Thoresen (vulgo Shagrath; DIMMU BORGIR, CHROME DIVISION)
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"A igreja é mais satanista do que nós somos. Eles são os que estão preocupados com Satã, não nós," disse King no artigo.

Sobre sua relação com as histórias escritas pela mídia sobre o black metal, queima de igrejas, adoração a Satã e violência ele disse:

"Me importa muito pouco. Black Metal não é uma crença. De qualquer forma eu não tenho muito em comum com a maior parte disso. Minha visão é de que o mundo em si não é preto ou branco, bom ou ruim. As pessoas que dão valores às ações que as cercam - é uma espécie de valorização subjetiva onde alguem torna a si mesmo um Deus."

OV HELL lançou seu primeiro álbum, "The Underworld Regime".

"No passado eu usava o pseudônimo King of Hell, sem ter um significado mais profundo nisso," disse King.

Bergensavisen: Você está tentando provocar?

King: "Não. A música, as imagens, as letras - tudo isso é parte de uma expressão artística. Muitos consideram provocante e assustador, sim, mas para nós são apenas parábolas."

Bergensavisen: Você ainda encontra muito preconceito?

King: "É assim que acontece quando você tira a 'mentira da vida' das pessoas e questiona suas crenças estabelecidas. Nós refletimos sobre as coisas que fazemos. Pegue a igreja por exemplo. Eles escolheram Jesus como seu personagem heróico. Mas naquele tempo enquanto ele estava vivo havia outros personagens heróicos que tinham as mesmas habilidades. A igreja escolheu um deles e começou a escrever sobre ele 40 anos após sua morte. Então a igreja tem servido às pessoas com mentiras e construído um falso senso de valores que é uma violação maior do que nós glorificando algo que é inspirador."

Bergensavisen: Você quer dizer Satã?

King: "Não. O chamado ciclo satanista em Bergen foi criado por um jornalista do BT (o jornal Bergens Tidende). Eu nunca tive relação com ele, nem com Varg Vikernes. A igreja está muito mais preocupada com Satan do que. Eu levo a sério o que é negro na natureza e na mente humana. Forças conservadoras cristãs são muito mais perigosas."

King vê, no entanto, como alguem pode se sentir provocado pela filosofia do antigo vocalista do Gorgoroth, Gaahl, de que não há nada de errado em queimar igrejas.

"Isso, de qualquer forma, não é uma questão que me diga respeito," disse King.

Bergensavisen: Gaahl iria cantar no novo álbum?

King: "O álbum teve sua base em músicas que escreví nos anos de 2005 e 2006. Elas foram feitas originalemnte para o Gorgoroth, mas depois do julgamento isto não foi mais uma opção. Então pensei que Gaahl poderia ainda fazer os vocais. Mas ele repentinamente desistiu do metal extremo - ele mais ou menos se aposentou.

Bergensavisen: Foi quando Shagrath apareceu?

King: "Nós temos conversado há anos sobre trabalharmos juntos. Eu sempre toquei em muitas bandas e com músicos diferentes, então entramos em estúdio. E tivemos Frost (Satyricon), Ice Dale (Enslaved) e Teloch (Gorgoroth) conosco. Mas é questionável se essa será nossa banda ao vivo."

King acredita que ele e Gaahl vão trabalhar juntos no futuro.

"Nós não terminamos nossa parceria, apenas a colocamos no gelo," disse King ao Bergensavisen.

King e Gaahl estiveram envolvidos com o Gorgoroth do ano 1998 até 2007. Mas quando eles tentaram expulsar o guitarrista Inferno, aconteceu uma grande confusão. Uma disputa legal aconteceu e Infernus ganhou os direitos do nome da banda, enquanto King e Gaahl formaram o GOD SEED.

"Houve um conflito de interesses entre nós e Infernus, então não foi um problema para nós que tenha acabado, ou que ele tenha ficado com o nome," diz King. "Mas gastamos muito tempo e energia na música, por isso foi importante cuidarmos de nossos interesses."

Bergensavisen: Então o Gorgoroth de hoje não tem nada a ver com o passado?

King: "Não. Infernus não participou da vida no interior da banda nem escreveu músicas. Os fãs sabem."

Gaahl sendo gay não importa muito a King, nem o fato de seu ex-colega se apresentar no musical "Svartediket" no DNS (o renomado teatro norueguês Den Nationale Scene).

"Eu provavelmente não o faria, não, mas eu posso ainda vir a conferir o musical," disse King. "Gaahl e eu somos muito diferentes, mas musicalmente nós trabalhamos juntos muito bem."

Bergensavisen: E sobre os crimes de violência e os shows chocantes do Gorgoroth?

King: "Muito disso são mitos. Nós que sabemos a verdade temos uma visão diferente do que é real."

GORGOROTH, DIMMU BORGIR, IMMORTAL, SATYRICON, ENSLAVED e outros alcançaram muito sucesso lá fora. É por isso que há tanta agitação quando músicos dessas diversas bandas juntam forças no OV HELL.

"Não acho que a maior parte das pessoas na Noruega entenda o quanto é grande o black metal lá fora," diz King.

"Nosso álbum será lançado em todos os países," disse King. "Grandes campanhas estão sendo feitas. E os nomes principais no mercado estão trabalhando para nós."

King tambem toca no SAGH. Ele também foi membro do AUDREY HORNE, e escreveu metade de "No Hay Band", álbum vencedor do Spellemann (equivalente ao Grammy na Noruega).

"Eu também tenho um projeto com gente do Anthrax e Cradle of Filth," diz King. "Eu escrevo música constantemente, para diversos gêneros musicais. Eu anteriormente fiz muito trabalho de jazz. Eu fui professor por muitos anos, mas agora toda minha concentração está focada em compor música."

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Sobre Emanuel Seagal

Descobriu o metal com clássicos como Iron Maiden e Black Sabbath. Hoje em dia, entre outros gêneros musicais, e sem se limitar a rótulos, ouve principalmente doom, viking e folk metal. Sempre que possível está em busca de novas bandas que tenham algo a transmitir alem de clichês, e mesmo em meio a tantas novidades não dispensa pérolas como o bom e velho Candlemass. Acompanha o Whiplash! desde os primórdios, tendo iniciado sua vida de internauta no mesmo ano de criação do site (1996). Há algum tempo está envolvido com metal, seja trabalhando com eventos, bandas, gravadoras ou imprensa, na tentativa de contribuir de alguma forma para o crescimento desse que é um dos segmentos mais apaixonantes da música, o metal.

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