Viper: uma conversa com o guitarrista Felipe Machado

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Por Daniel Dystyler, Fonte: Arena Heavy
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É com esta entrevista (de um dos grandes desbravadores e responsável pela criação do cenário Heavy Metal no Brasil), que o Arena Heavy me deu a oportunidade de estrear no site com o único objetivo de interagir com a galera que curte o mesmo estilo musical que me acompanha desde... (humm... melhor não dizer desde quando) (:-D).

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Então é isso aí: Daqui pra frente, o meu compromisso é divulgar pra todo mundo que passar por aqui, as minhas visões, opiniões e entrevistas sobre o único estilo músical que, sem nunca ter sido "mainstream" e nem ter recebido o apoio que os outros estilos recebem, ainda assim movimenta as maiores multidões em torno de shows, CDs, DVDs, e segue firme pra completar meio século de existência (que com certeza é mais tempo de vida do que eu tenho...)(:-D)

Então chega de conversa, e vamos pra entrevista:

Durante quase 25 anos, ele sempre empunhou uma das guitarras do VIPER. Hoje, editor de multimídia do Estado de São Paulo, autor do livro que em 2009 foi indicado ao principal prêmio de literatura do país e ainda empunhando a sua guitarra à frente do VIPER, Felipe Machado conversou sobre vários temas.

Sobre o Viper

Se você pudesse voltar 25 anos no tempo, no começo da carreira do VIPER, com a experiência que você tem atualmente, você faria alguma coisa diferente ?

"Eu teria aceitado o André Matos de volta quando ele queria voltar para a gravação de 'Evolution'. Eu não teria gravado as músicas do 'Coma Rage' tão pesadas nem tão rápidas e eu não teria lançado o 'Tem Pra Todo Mundo' com o nome VIPER, e sim com algum nome de projeto paralelo".

Nossa... Que revelações, hein? Essa do André é surpreendente... Eu particularmente gosto do Coma Rage do jeito que é... Bem, e qual foi o momento mais legal ou emocionante da história do VIPER?

"Os melhores momentos foram muitos: Dá pra citar o show de Tokyo, no Japão; o show de abertura do Metallica no Parque Antárctica; a turnê com o Ramones em 1995; o Monsters of Rock no Pacaembu... Enfim, foram todos muito legais. E se considerar que nervosismo é um tipo de emoção, o mais emocionante foi o primeiro show do Viper no Lira Paulista, em abril de 1985. Emoção=nervosismo".

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Então em Abril do ano que vem, o VIPER completará 25 anos do seu show de estréia. Vocês estão planejando alguma coisa para a celebrar esse marco?

"Queremos fazer um show com a formação original (com o André Matos e Yves do Capital Inicial, e com o Renato Graccia na batera) e tocar exatamente o mesmo repertório daquele show. Como durava uma meia hora, depois dá para tocar o repertório normal, com ênfase no Soldiers of Sunrise e Theatre of Fate".

Sobre Heavy Metal e guitarra em geral

Você ainda escuta Heavy Metal "das antigas"? Se sim, o que? E bandas novas? Algum destaque?

"Ainda ouço, sim, porque adoro deixar o iPod no shuffle. Então de vez em quando toca aqueles sons que você nem lembrava direito. Lembro que tocou outro dia o disco 'Act III', do Death Angel, e eu achei bem legal. Metallica é sempre bom, assim como Anthrax, Iron Maiden e outros. O disco de metal que eu mais ouço é o 'Rising Force', do Yngwie Malmsteen. Eu adoro escrever ouvindo som instrumental e esse é um dos melhores discos instrumentais da história, metal ou não. Bandas novas de metal eu não tenho acompanhado muito. Se você souber de alguma boa, me avisa (risos)".

Pode deixar que eu te aviso (tem um monte de bandas bem legais). Ainda sobre o nosso Heavy Metal: Desde que o Metal é Metal com o Black Sabbath surgindo no final dos anos 60, muitos críticos têm "matado" o estilo inúmeras vezes, prevendo que o Metal vai morrer. E aí 40 anos depois, em pleno 2009, é essa insanidade pra conseguir ingressos pro show do AC/DC ou a loucura na lama pra assistir o Iron Maiden. O Metal vai morrer algum dia ? (ou o Manowar tem razão quando diz "The Gods Made Heavy Metal and It Never Gonna Die..." ?)

"O metal nunca vai morrer, porque já é um estilo consagrado. No entanto, como todo estilo segmentado, ele tem altos e baixos. Quando o Metallica lança um disco ou quando o AC/DC vem ao Brasil há uma nova fase, uma espécie de redescoberta. Mas o estilo não morrerá, no máximo ele passará por uma transformação, adaptação. Como todos os estilos, aliás".

Depois de tantos anos tocando, você ainda estuda guitarra? Tem tempo (e saco)? Se sim, o que você faz ou dedica ao instrumento?

"Não tenho tocado muito, muito menos estudado. No máximo eu pego guitarra e faço um som de vez em quando, mas super na boa. Tenho tocado mais violão, tenho uma filha pequena e ela adora. Não tenho muito saco para estudar mais. Prefiro tocar junto com amigos, etc. Mas realmente está difícil encontrar tempo".

Sobre a rede, multimídia e o modelo de negócio

Muitas bandas não vêem problema e até estimulam o download e a reprodução de suas músicas sem nenhum tipo de preservação do direito autoral. Outras bandas tentam coibir esse tipo de ação. Existem vantagens e desvantagens pras bandas nas 2 posturas. Como você vê essa questão?

"A internet é ótima para bandas que já são famosas, porque elas ficam ainda mais famosas com menos custo de marketing, etc. Para as bandas novas, a internet é uma boa ferramenta para atingir seu público, também com pouco custo. Mas na hora de ganhar grana, só quem tem disco no iTunes é que ganha um pouco, além de ajudar as bandas que estão em turnê. As famosas ganham cachê. As que estão começando tem que torcer para estourar, algo que está cada vez mais difícil nessa economia de 'Long Tail'". (Nota do entrevistador: Referência ao livro "A Cauda Longa" de Chris Anderson).

A indústria fonográfica sempre existiu com o mesmo modelo de negócio baseado no conceito "Artistas à Gravadoras à Distribuição à Público". Apenas o tipo de mídia usado foi evoluindo ao longo de 100 anos dessa indústria. Com o advento da Web, o MP3, os peer-to-peer e afins, esse modelo ruiu do dia pra noite. Claro que ninguém sabe o que vai acontecer, mas o que você pensa do futuro dessa indústria?

"Acho que vão surgir outros modelos parecidos com o iTunes, coordenados pelas próprias gravadoras ou pelos próprios artistas. Não tem sentido em deixar todo mundo baixar tudo de graça, porque daí nunca mais veremos artistas novos ganhando o suficiente para seu sustento. Acho legal os artistas terem um contato direto com o público, mas acho que vamos continuar dependendo da crítica para diferenciar (um pouco que seja) as bandas boas das ruins. O mundo não precisa de um milhão de bandas 'mais ou menos'. O mundo precisa de 100, 200 bandas boas e 30 bandas excelentes. E quem vai dizer quem é quem são as revistas, as gravadoras, os blogs, as rádios..."

Editor de Multimídia. Autor de vários livros. Diretor de vídeo. Dono de um blog super visitado. Colunista. Guitarrista do Viper. Se tivesse que ficar com apenas 1 destas funções que você exerce atualmente (e supondo que todas elas pagassem muitíssimo bem e igual) qual delas você escolheria ? Por que?

"Blog. Porque é um lugar onde eu posso verbalizar as coisas que eu estou pensando. Mas isso fica mais legal quando a gente pode fazer filmes, tocar, escrever livros. ou seja, o blog é só um espaço para concentrar todas as atividades".

Bem Felipe, brigadão pela entrevista e queria que você deixasse uma mensagem pros frequentadores do Portal Arena Heavy

"Deixo uma frase do Gláuber Rocha que resume tudo que tenho feito: 'Criar é mais importante que ser feliz'. Abração a todos!!!"




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Sobre Daniel Dystyler

Daniel Dystyler começou sua paixão por música ainda criança ao conhecer os Beatles. Mas a vida mudou completamente quando escutou pela 1ª vez os acordes do Iron Maiden. A partir daí, e por mais de 25 anos, o gosto por Heavy Metal foi só aumentando. Daniel foi roadie do Viper de 1986 a 1991, período que incluiu o lançamento dos álbuns "Soldiers of Sunrise" e "Theater of Fate". Atualmente se diverte tocando guitarra com seus amigos na banda "Number One" e é o coordenador do Festival "Kaizen Rock" que acontece em Outubro e que entre outros benefícios, gera receita para 2 entidades que auxiliam crianças e adolescentes carentes.

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