Max Cavalera: turnê com Ramones foi ponto alto da carreira
Por Gabriel Costa
Fonte: Live-Metal.net
Postado em 03 de novembro de 2009
Jeff Maki, do site Live-Metal.net, conduziu em novembro de 2009 uma entrevista com o vocalista e guitarrista Max Cavalera (SOULFLY, CAVALERA CONSPIRACY, ex-SEPULTURA). Confira alguns trechos da entrevista abaixo:
Live-Metal.net: NAILBOMB foi um projeto temporário? Você algum dia consideraria fazer outro disco do NAILBOMB, talvez com uma colaboração diferente ou algo do tipo?
Cavalera: "Não, o NAILBOMB na verdade acabou. Foram apenas dois álbuns que fizemos, 'Point Blank' e 'Proud to Commit Commercial Suicide'. Eu ainda toco algumas das faixas do NAILBOMB ao vivo de tempos em tempos. Muitos fãs curtem, muitas pessoas estão perguntando a respeito, mas não vou mais fazer nada com a banda. Nós a mataríamos, sabe? Nós terminamos com ela".
Live-Metal.net: É, eu achei que era algo completamente único na época, algo completamente inesperado. Me impressionou muito. É quase como se houvesse um culto de seguidores da banda e do álbum.
Cavalera: "Sim, eu escuto muito isso sobre o NAILBOMB."
Live-Metal.net: Digamos que daqui a 20 anos alguém tenha o livro de história do metal. Onde você acha que o seu legado estará? No SEPULTURA ou no SOULFLY, e por que?
Cavalera: "Eu acho que seria com ambos. Porque o SEPULTURA foi uma grande parte disso, também, porque nós apresentamos uma banda do Brasil. Foi algo inédito naquela parte do mundo com uma banda de heavy metal. Então fomos os primeiros em muitas coisas - primeira banda da América do Sul, primeira banda brasileira. Os álbuns que eu fiz com eles, até o 'Roots', são álbuns legendários. As pessoas os consideram álbuns muito, muito legais, que mudaram a vida de muitas pessoas. Também há o SOULFLY, que é outro capítulo que está se desdobrando agora, enquanto falamos. Então, ambos".
Live-Metal.net: Você disse "até o 'Roots'. Eu na verdade estava ouvindo o "Roots" no caminho para cá e eu acho que [é um álbum incrível. Na sua opinião, "Roots" é um álbum menor ou é só o que você escuta da perspectiva dos fãs?
Cavalera: "Você tem fãs do SEPULTURA que gostam de diferentes discos. Alguns deles gostam do 'Arise', alguns deles gostam do 'Chaos A.D.', alguns deles gostam do 'Beneath the Remains'. Alguns deles gostam do 'Roots' — diferentes álbums para diferentes pessoas. Eu fico satisfeito por gostarem dele [do "Roots"] — eles gostam do álbum, então eu acho que isso é o que importa".
Live-Metal.net: Como o NAILBOMB, "Roots" foi meio inesperado — o disco estava cheio de surpresas.
Cavalera: "Nós adotamos uma abordagem diferente. Toda a viagem até os índios [a tribo Xavante, no Mato Grosso] e a coisa toda foi realmente única — o visual da capa do disco com o índio, aquilo foi inédito no metal. Eu acho que até Dave Grohl disse que aquele foi o álbum que, para ele, mudou o metal. Ele disse isso em uma entrevista, e eu achei legal, vindo de alguém tão 'grande' quanto ele. Então eu fico contente que o álbum tenha conseguido tudo isso, e eu ainda toco 'Roots [Bloody Roots]' toda noite — a canção 'Roots' é um clássico, é algo que eu tenho que tocar — uma 'música obrigatória do Max. E eu me divirto muito fazendo isso, de verdade."
Live-Metal.net: Quais foram os pontos altos e baixos da sua carreira com o SEPULTURA ou o SOULFLY?
Cavalera: "Os mais baixos foram a morte do Dana [Wells, enteado de Max] e a separação do SEPULTURA, que aconteceram ao mesmo tempo. Na época, eu até pensei em desistir da música por um tempo — foi um período realmente depressivo. Os mais altos... Eu acho que com o SEPULTURA foi a turnê com os RAMONES no Brasil. Aquilo foi incrível. Foram apenas cinco shows — era a turnê do 'Chaos A.D.' e o promotor decidiu trazer os RAMONES para fazerem cinco shows, juntos, SEPULTURA e os RAMONES. E os shows lotaram, isso se espalhou como fogo selvagem. E pra mim foi uma turnê legendária, viajando com uma banda como os RAMONES, dividindo o palco com eles. Eles eram ótimos caras, muito legais. Aquela turnê foi ótima. Foi no meu país, e eu toquei na minha cidade natal [Belo Horizonte]. Eu acho que o show na cidade natal foi o ponto mais alto. Cinco mil pessoas aparecem na minha cidade natal, todos fãs do SEPULTURA, então foi ótimo".
Live-Metal.net: CAVALERA CONSPIRACY, isso é como o NAILBOMB? Uma coisa temporária?
Cavalera: "Não, na verdade o CAVALERA CONSPIRACY vai continuar. É algo que eu vou carregar por um longo tempo — acho que enquanto eu puder. É ótimo tocar com o Igor [Cavalera, baterista] — é meu irmão, e é uma enorme conexão com o passado. E é ótimo fazer discos com ele. Eu adorei fazer o álbum 'Inflikted'. Foi tão divertido gravar com ele novamente. Sem pressão, foi apenas divertido. É divertido estar em um estúdio com ele e detonar aquelas canções e só observar o álbum ganhar vida. E muitas pessoas estão perguntando pelo segundo. Está nos planos. Em algum momento do ano que vem, ou coisa assim".
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