Mustaine: "estaremos bem ocupados no próximo um ano e meio"

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Por João Vitor Hatum de Mendonça, Fonte: Rust In Page, Tradução
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David Farrier da 3 News, da Nova Zelândia, conduziu uma entrevista com Dave Mustaine nos bastidores do Logan Campbell Centre, em Auckland, na última noite (dia 5 de outubro), durante a apresentação de MEGADETH e SLAYER no país.

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Sobre o papel da política na música do Megadeth:

"Do jeito que o mundo está agora, não se trata nem de viver em sociedade pacificamente; se trata de quem tem as maiores bombas. E isto é muito triste. Especialmente agora, o que está acontecendo no meu país, sendo um Americano."

"Eu amo meu país, mas eu também sou um músico internacional, então eu vou a lugares..."

"Ontem eu estava vendo umas camisetas em uma loja e elas diziam várias coisas ruins sobre a América e várias coisas ruins sobre Bush. E veja, eu posso concordar com as coisas ruins sobre a antiga administração, mas até você ter ido à América, nos julgar baseado no que é nosso governo, não é justo. Então eu tento ser o mais imparcial possível com nossos políticos e as coisas sobre as quais falamos e tentamos manter isto mais próximo do ponto de vista de qualquer um."

"Quando Obama se tornou presidente, houve várias pessoas que ficaram realmente felizes. Eu não votei nele. E eu não acho que ele será um grande presidente. E neste momento nos já vemos todas estas coisas dando errado. Ele gasta muito tempo na TV; é sempre sobre seus encontros com a sua esposa. Quem liga?! Todo mundo sai e janta com sua família. E não estão sendo feitas coisas o bastante. Mas agora de repente, ele é o presidente das Nações Unidas também, então ele é o homem mais poderoso do mundo. Quero dizer, pense nisto. Há toda esta predição na fé e estas coisas sobre existir um governo mundial, uma moeda mundial... coisas deste tipo. Bom, dinheiro, o euro... todos estes tipos diferentes de dinheiro, eles estão diminuindo isto para apenas poucas moedas diferentes. Veja o que está acontecendo na Europa, com toda a característica de todos aqueles países se perdendo."

Sobre as pessoas que dizem que bandas de heavy metal como o Megadeth não têm nada útil a dizer sobre o que está acontecendo no mundo:

"Bom, eles obviamente não ouviram a minha música. Acho que é muito seguro fazer afirmação genéricas - dizer que heavy metal, em geral, é rústico e que as letras são insanas. Mas, para mim, eu vejo isto desta forma: Se você só trabalha com isto, como é que você pode ser tão eloqüente com suas palavras? A maioria dos caras no heavy metal, eles são o sal da terra. Nós somos como as pessoas que geralmente não se misturam com o resto da sociedade e nós encontramos algo que funciona. Agora eu, eu sou muito prolixo, eu estive na Casa Branca, eu cobri a Democratic National Convention, eu me encontrei com o presidente... eu fiz várias coisas. Eu tive um projeto aprovado como lei nos Estados Unidos. Então eu sou meio que uma anomalia."

Sobre o seu projeto que foi aprovado como lei nos Estados Unidos:

"Foi a lei do motor-eleitor. O que acontece é que nos Estados Unidos da América, você precisa ser registrado para votar. E era muito inconveniente achar um lugar de votação para se registrar e poder votar, e os locais de votação tornaram isto ainda mais difícil. Então o que fizemos foi pensar, 'Ok, qual a maneira mais fácil de fazer isto?' Rock The Vote se envolveu com isto, a MTV se envolveu com isto e eu me envolvi com isto com algumas outras celebridades. Há uma provisão no formulário da carteira de habilitação que diz, 'Você quer se registrar para votar?' Tudo o que você tem que fazer é ir lá [selecionar um campo] e você está registrado. O quão fácil é isto? Este, para mim, é o jeito Americano - fazer algo que realmente simplifique a vida das pessoas sem cobrar delas um monte de dinheiro, entende?! Isto foi tão livre - apenas um bando de celebridades doando seu tempo. E agora nós ajudamos um país."

Sobre o documentário "Some Kind Of Monster" do Metallica, que mostrou um lado bem diferente dele:

"Eu não vi [o documentário]. Não quero ver. Porque eu nunca posso responder nada sobre o Metallica sem isto ser colocado fora do contexto. Como, eu disse algo sobre nosso novo disco - eu acho que nosso novo disco é melhor do que o último disco deles ['Death Magnetic'], mas que eles têm vários discos que são melhores do que as coisas que eu já fiz. Então isto é meio que... foi um elogio, mas as pessoas pegaram isto na imprensa e disseram, 'Dave Mustaine acha que seu disco é melhor do que o do Metallica.' E tipo, 'Bom, você tem ouvidos.' Você escuta os dois discos e eles soam totalmente diferentes. E esta foi a primeira vez na minha carreira toda em que acreditei que de fato fiz algo que fosse.. não que fosse comparável, mas de longe melhor. E eu não estou dizendo isto porque sou eu - mesmo que não fosse no Megadeth, eu diria que este disco é melhor do que aquele por causa do jeito que ele soa."

"Eles [Metallica] são uma ótima banda; eles não precisam que eu elogie eles. E a conclusão é que não há nada que eu possa dizer sem isto ser colocado fora de contexto e mal interpretado."

"Isto é meio triste, porque eu digo 'eu não quero falar nisto,' eu sou desrespeitado, se eu falo nisto, eu sou mal interpretado. E isto não influencia em nada na minha vida."

"Se houver uma oportunidade de tocar com estes caras no futuro, eu irei levar em consideração. Eu não quero brincar na roda, então se eles querem tocar comigo, então iremos conversar a respeito, mas não há conversa; nós não ouvimos nada."

"Você deve se lembrar... Veja, o lance é que eles não possuem nenhum aviso no vídeo [no filme 'Some Kind Of Monster'] dizendo, 'Hey, Dave completou 40 anos hoje e ele está passando seu aniversário com Lars Ulrich.' Se isto fosse dito, as pessoas provavelmente diriam, 'Que jeito horrível de passar seu aniversário. Aniversário de 40 anos - passando com um cara que é seu rival.'"

"O que tinha acontecido era o 11 de setembro em 2001, nosso país foi atacado - sendo isto um trabalho interno ou não, ninguém tinha pensado nisto ainda. E enquanto isto, estávamos em Seattle, tivemos que cancelar nosso show em respeito à nação, fomos ao Canadá e tocamos no dia seguinte no dia 12 e eu deveria voar de volta para casa no dia 13 para meu aniversário de 40 anos. Bom, os aviões foram cancelados, então tivemos que ir de ônibus do Canadá até São Francisco - não poderia ir para [casa] Phoenix - e quando cheguei em São Francisco, eu estava muito chateado. Eu pensava, 'Eu não posso ir para casa. Minha festa de aniversário. Foi tudo preparado, todo o planejamento...' quero dizer, você nem imagina quando algo acontece no outro lado do país, o efeito cascata, como isto afeta todas estas outras vidas, mas eu pensei. E então passei minha noite com ele [Lars]. E foi tipo, 'Eu farei isto [participar das filmagens], mas quero ter o direito de recusa [se a imagem vai ou não ser usada no filme].' E depois que [o filme] ficou pronto, eu disse, 'eu não quero fazer isto.' E eles foram e fizeram do mesmo jeito. Então este foi basicamente o fim da linha para mim. E Lars me ligou e pediu para fazer o lance do [Rock And Roll] Hall Of Fame e eu disse 'Não.'. . . "

"O único motivo de eu ter concordado em fazer isto [participar das filmagens do 'Some Kind Of Monster'] foi que eu esperava que isto fosse curar a nossa amizade e nós poderíamos, em algum momento, ser civilizados novamente."

"Eu ainda gosto do James [Hetfield] - eu sempre gostei do James. Eu acho que há um consenso no mundo - se você tivesse que escolher entre os dois, você escolheria James. E eu vi como minha carreira foi ajudada por isto e como foi machucada por isto. Mas várias das coisas que acontecem comigo na minha carreira, não estão sob meu controle - estão nas mãos de Deus e ele já planejou toda minha vida. Houve várias vezes quando eu fiz alguma coisa estúpida e você toma estas decisões por conta própria. E quando você olha os destroços depois de tudo o que você fez, é meio que, 'Wow! O que eu fiz?' [risos] Porque várias vezes, também, você irá olhar para isto e dizer, 'Eu não fiz isto. Eu não causei isto.' Mas só porque você estava lá e não fez nada, não significa que você não causou isto - você poderia ter impedido."

Se sua religião mudou sua perspectiva nas coisas e na forma que ele age:

"Mudou várias coisas. É como, esta coisa toda na qual você estava falando [problemas com o Metallica]. Isto foi resolvido a muitos anos atrás e são o público e os jornalistas que mantem isto vivo. Eu não quero falar sobre isto - eu prefiro ter alguém pisando no meu pé do que falar sobre isto de novo. E o negócio com... Nós tivemos alguns problemas a muitos anos atrás com o Slayer também. Foi algo que foi dito, foi lamentável, mas foi a 19 anos atrás. Estes caras [Slayer] não ligam, eu não ligo - são os fãs que mantem isto rolando. E quando um cara está fazendo uma entrevista e ele está Ok e alguém chega e o chuta no saco com uma pergunta inesperada, muda totalmente o andamento da entrevista. E então você dirá alguma coisa porque o entrevistador antagonizou você, o que é o jogo na comunidade metal agora - 'Ver se você consegue tirar algo de Dave. Vamos irritá-lo.' E quer saber?! Isto não funciona mais comigo, porque eu sei o que está acontecendo antes mesmo de ir nestas coisas. E não há nada que eu esteja dizendo que estou me arrependendo."

Sobre o que vem em seguida para Dave Mustaine e se o Megadeth tem mais discos para lançar:

"Eu não sei sobre discos agora, porque eu odeio completamente a minha gravadora; eu estou muito desapontado com a gravadora Americana... Neste momento eu tenho um programa de rádio chegando este mês por três anos no Clear Channel. Tenho minha autobiografia saindo no próximo ano na HarperCollins, que é um dos maiores publicantes... Depois disto turnê [na Nova Zelândia], vamos até a Austrália, vamos até o Japão, voltamos aos EUA, fazemos a [turnê] Canadian Carnage, fazemos alguns shows com o Slayer, tocamos nos EUA com o Machine Head e uma banda chamada Suicide Silence, que é uma banda meio popular na América atualmente e outra banda [chamada] Arcanium. E então depois disto iremos discretamente aos feriados para passarmos um tempo com nossas famílias, etc. Então recomeçamos em Janeiro - sairemos por mais dois meses. É algo secreto; eu não posso anunciar isto, de verdade, porque eu sei que alguém irá assistir a isto... Mas temos dois meses com datas planejadas no começo de janeiro e então iremos atravessar os mar para alguns festivais e algumas turnês na Europa. O bom é que há tantos lugares que querem que a gente toque, que estaremos bem ocupados pelo próximo um ano e meio".

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Sobre João Vitor Hatum de Mendonça

Nascido no interior de São Paulo em 1988, hoje graduado no curso de Bacharelado em Ciência da Computação, fanático por Rock e Heavy Metal desde pirralho, sendo, hoje, um dos responsáveis pelo site Rust In Page e criador do blog Inside Loud. A paixão pelo Rock surgiu lá pelos 10 anos de idade com um álbum do Aerosmith e, desde então, teve (e ainda tem) entre seus músicos e bandas favoritas nomes como Iron Maiden, Judas Priest, Megadeth, Rush e Van Halen. Mas, independente de rótulos e conceitos pré-definidos, seu gosto musical viaja desde o som mais pesado de um Carcass, até os experimentalismos de um Mr. Bungle e o som mais moderno de um Stone Sour, apenas ouvindo o que lhe agrada e soa bem aos ouvidos. Hoje, além de trabalhar na área de Computação e ser um 'músico' casual, despende parte de seu tempo no blog Inside Loud, em homenagem a uma de suas maiores paixões: a boa e velha música.

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