Tiamat: "se pagarem a passagem, toco até em Bagdá"

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Por Maria Fernanda Cals, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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Ofir Messer, da revista israelense Metalist, recentemente conduziu uma entrevista com o líder do TIAMAT, Johan Edlund, que falou, dentre outras coisas, sobre a mudança ocorrida nas letras da banda, em decorrência de sua mudança para a Grécia.

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Metalist: Sobre o novo álbum, parece que vocês tiveram algumas influências do Oriente Médio ao compor. Isso aconteceu devido ao seu atual lugar de moradia ou há algum outro motivo por trás disso?

Johan Edlund: "Acho que desde que me mudei para a Grécia, há quase três anos, me sinto em um local bastante diferente. Cresci na Suécia e depois morei na Alemanha durante muito tempo, mas não senti uma diferença tão grande. Estocolmo e Hamburgo, por exemplo, não são assim tão distintas, exceto pelos respectivos idiomas que cada uma tem. A mudança para a Grécia, no entanto, me fez sofrer um certo choque cultural positivo. Me sinto bem e gosto daqui. É um ambiente inspirador. Agora, talvez mais do que nunca, o que me cerca me inspirou ainda mais. Acho que essa é a primeira vez que realmente pensei em cultura. No passado, jamais dei atenção. O fato de ter crescido na Suécia não me fez pensar muito a respeito da cultura sueca, por esta sempre ter sido parte de mim. Já aqui na Grécia é algo estimulante".

Metalist: Sei que sua opinião a respeito do cristianismo não é muito boa, mas o que você acha de outras religiões, como o budismo ou o judaísmo? Você considera todas as religiões iguais?

Johan Edlund: "Definitivamente não são iguais. São muito diferentes entre si. A atitude das pessoas em relação àquela religião que lhes 'rege' também se distingue. Há desde os mais decididos fundamentalistas até os protestantes cristãos - estes últimos são maioria na Suécia. Lá, eles são quase ateus. Acreditam em Deus ou em Jesus somente quando sentem uma necessidade disso. Podem também decidir quando a religião é boa para eles. Quando não é o caso, eles simplesmente não ligam. No caso dos fundamentalistas, eles realmente vivem de acordo com o que seus livros sagrados dizem, não importa aonde estejam, sejam muçulmanos ou católicos. A questão fundamentalista me interessa, pois, como cresci na Suécia, não vivi muito disso. Aqui na Grécia, por outro lado, a religião é levada muito mais a sério. As pessoas vivem como suas religiões pregam. Não simplesmente dizem 'sou cristão' ou 'sou protestante'. Elas estão dispostas a fazer alguns sacrifícios e a viver sob determinadas diretrizes".

Metalist: Já se passaram 15 anos desde a última vez que o TIAMAT visitou Israel. O que você se lembra dos dias por aqui e do show que fez no país?

Johan Edlund: "Lembro que foi muito legal. Naquela época, Tel Aviv, cidade onde ficamos, não era considerada tão perigosa devido a ataques terroristas. Também tocamos em outro lugar, mas permanecemos principalmente em Tel Aviv, que era segura. Algumas semanas depois houve alguns ataques a bomba onde havíamos ficado e foi quando percebemos que Israel tem muitos problemas, apesar de não termos sofrido nada deles quando estivemos aí. Ficamos impressionados com as pessoas que conhecemos. Pessoas muito jovens, que saíam mesmo que houvesse uma ameaça, se interessavam por música e conseguiam viver bem e sem medo naquela realidade. Acredito que eles não percebiam o risco que corriam e o conflito que havia na área. Era legal ver que nem esse tipo de tensão nos impedia de fazer shows ou aos fãs de irem a nossas apresentações".

Metalist: Você gostaria de voltar para Israel, seja pra tocar ou apenas pra visitar? Ou o país não parece mais exótico pra você, agora que vive em um local similar e que já esteve aqui?

Johan Edlund: "Eu gostaria de voltar a Israel porque gostamos muito daí. Estivemos próximos de voltar algumas vezes. Um show estava mais ou menos confirmado, porém na mesma semana em que íamos fechá-lo a guerra do Iraque começou e muitos vôos foram cancelados. Durante a guerra do Golfo, alguns mísseis caíram em Israel, então meus companheiros de banda, principalmente aqueles com filhos, preferiram esperar para ver se aconteceria mais algum problema. Pessoalmente, eu iria para Israel qualquer dia da semana. Muitas pessoas vivem aí, então por que não seria possível fazer um ou dois shows? Se nos oferecessem um show em qualquer lugar do mundo, eu iria. Tocaria até mesmo em Bagdá se pagassem as passagens".

Metalist: Além do TIAMAT, durante os últimos dois anos ouvimos notícias a respeito de outro álbum do LUCYFIRE e também sobre um projeto solo seu em sueco. Qual é a situação deles hoje em dia?

Johan Edlund: "Quando finalmente assinamos com a Nuclear Blast, tudo foi muito rápido. Desde o primeiro momento em que tivemos essa gravadora cuidando de nossos lançamentos, pudemos começar a fazer planos para o TIAMAT e como conseqüência todos os outros planos mudaram. Este ano me concentrarei e me devotarei totalmente ao TIAMAT. Realmente não sei quando lançarei CDs de outros projetos, porém espero que aconteça em breve, especialmente o álbum do LUCYFIRE".

Leia a entrevista completa (em inglês) neste link.




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Sobre Maria Fernanda Cals

Carioca, nascida em 1984 sob o signo de escorpião, é musicista. Além disso, trabalha também com jornalismo, publicidade, webwriting e webdesign/programação. É visitante assídua de portais dedicados ao rock e heavy metal e fã das bandas Opeth, Behemoth, Katatonia, Dark Funeral, Belphegor, dentre outras.

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