Andre Matos: "A época áurea do Angra está de certa forma no passado!"

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Por Mariana Rezende Goulart, Fonte: Komodo Rock, Tradução
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Em entrevista a Komodo Rock, ANDRE MATOS explicou o conceito de seu disco solo, "Time To Be Free", suas influências musicais, comentou a sensação de quase ter ingressado no IRON MAIDEN e deixou claro que não pensa em um retorno ao ANGRA.

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Seu primeiro álbum solo 'Time To Be Free' saiu em 25 de fevereiro. Você pode nos contar um pouco mais sobre a concepção do disco?

Andre Matos: "A idéia principal era juntar vários elementos e experiências que eu tive por toda minha carreira, de um jeito moderno e original. Eu não gosto quando uma fórmula já estabelecida se repete à exaustão. E isso é que foi o maior desafio, criar um balanço bom entre passado e futuro".

Você pode dizer sua opinião sobre as melhores faixas do álbum?

Andre Matos: "Antes, precisaria explicar sobre o que é o conceito do álbum... 'Time To Be Free' fala basicamente da liberdade que devemos procurar dentro de nós mesmos. Estamos vivendo em um momento de extrema transição no mundo atual; enquanto a tecnologia avança, nós sentimos a falta de certos valores que começam a sumir do aspecto humano. Depois do fim da Guerra Fria e uma polarização desequilibrada do poder econômico, os seres humanos parecem ter perdido parcialmente sua orientação. Nós tendemos a nos importar mais com bens materiais, considerando que esse progresso possa trazer liberdade... mas em um cenário em que internet e celulares estão inseridos na rotina diária, do momento do nascimento da pessoa, a liberdade começa a se tornar uma imagem muito abstrata e inatingível. Música é e sempre foi uma ferramenta poderosa, capaz de reunir todos os tipos de pessoas para um ideal universal. Essa é proposta mais forte desse álbum".

A arte do álbum é bastante evocativa. Você pode explicar as idéias que você teve e como as teve?

Andre Matos: "Essa foi, provavelmente, uma das últimas coisas a ser criada, depois que a música foi terminada. Eu nunca gostei muito da idéia de ter a mim mesmo na capa do CD, a menos que fosse mais como um personagem. Teria que ser parte do todo e inserido em um contexto. Sob esse aspecto, eu acho que o resultado foi um grande impacto - assim como trouxe elementos delicados que preencheram os resto do conceito do álbum. No final, eu acredito que a arte realmente traduz o que está por trás das idéias musicais. Eu só me lamento da arte não ter sido lançada no formato vinil: esse provavelmente seria um formato ainda mais adequado para isso!"

A banda tem três músicos com quem você trabalhou anteriormente tanto no ANGRA quanto no SHAMAN, Zaza Hernandez, com quem você também já trabalhou e o jovem baterista Eloy Casagrande. Quando você começou o projeto, você tinha essas pessoas em mente, ou foi mais procurando músicos para complementar a música que você estava escrevendo?

Andre Matos: "Na minha cabeça, era certo que, ao criar uma banda solo, eu deveria contar com músicos experientes e conhecidos, como ex-colegas de bandas anteriores. É muito importante ter uma equipe firme com você, pois eu acredito que trabalho de equipe é sempre melhor. Eu poderia ter chamado grandes nomes de bandas famosas pelo mundo afora no começo, mas aí, o primeiro problema começaria assim que eu tivesse o primeiro show marcado. Então, eu prefiro continuar com os melhores que estão por perto. As mesmas pessoas que me ajudaram a compôr a música, são as que foram ao estúdio e as mesmas que estão em turnê. Desse jeito, um bom desenvolvimento pode ser experimentado. Sobre o baterista, ele era a peça que faltava na banda - e o fato dele ter apenas 16 anos, não faz dele pior: pelo contrário, ele já foi premiado como melhor baterista das Américas, há dois anos atrás. Mas o que realmente importa é a experiência da banda e eu estou convencido que temos uma grande banda para qualquer momento".

Em 1993, você foi um dos três finalistas na procura de um substituto para Bruce Dickinson no IRON MAIDEN. Você pode nos dizer um pouco mais sobre como aconteceu e como isso te afetou nos anos seguintes?

Andre Matos: "Na verdade, não afetou muito (risos!) Eu realmente acredito que foi melhor não ter sido escolhido, desse jeito eu pude desenvolver minha própria carreira e me tornar um artista sozinho. Nessa época eu era muito jovem, não sei qual teria sido minha reação psicológica. Por outro lado, você há de convir que o Maiden é a banda mais britânica, e eu nunca imaginei um vocalista brasileiro lá".

"Em 1993, quando o Bruce deixou o Iron Maiden, a EMI International começou a procurar por vocalistas em todos os lugares e eu fui abordado por eles no Brasil. Então meu material (que basicamente consistia em dois álbuns do VIPER e a primeira demo do ANGRA) foi enviado à Inglaterra onde uma seleção seria feita. Depois de certo tempo, eu fui informado que ficara entre os três finalistas, o que eu considerei uma grande vitória. O escolhido foi Blaze Bailey, da banda WOLFSBANE".

Quando estava no ANGRA, você vendeu mais de um milhão de discos. Isso é algo que você recorda com orgulho?

Andre Matos: "Sim, eu acho que devo me orgulhar disso, apesar de que na época nós não tínhamos idéia da magnificência de nossas vendas. Melhor que isso, o que realmente me agrada é o fato de que eu ainda posso ver em todos os lugares quão profundamente eu devo ter influenciado a vida musical das pessoas. Permanecer na História é uma grande conquista. Vender discos deve ser uma consequência disso, mas o oposto nem sempre é verdade".

Deixando o Angra em 2000 e devido ao fato do grupo ter prosseguido, você acha que há alguma chance de você voltar à banda um dia, ou agora você está só se concentrando em sua carreira solo?

Andre Matos: "Voltar ao ANGRA nunca fui um objetivo pra mim depois que eu saí. Eu acredito que tudo na vida tem seu próprio ciclo de existência e a época áurea do ANGRA está de certa forma congelada no passado. Eu guardo ótimas recordações daqueles tempos e portanto, considero perigoso se alguém tentar retocar isso com uma nova reunião. Minha prioridade absoluta é a banda solo ANDRE MATOS. Aqui sou capaz de criar o novo e também revisitar o passado, que é uma grande parte da minha história".

Musicalmente, você obviamente tem uma grande variedade de influências, combinando música clássica com música moderna. Você pode nos explicar quem te influenciou mais e por quê?

Andre Matos: "Eu cresci ouvindo juntos dois estilos: Clássico e Rock. Banda como QUEEN, IRON MAIDEN, JUDAS PRIEST, DEEP PURPLE, AC/DC, estão entre as primeiras influências que tive. Mas minha primeira aquisição de Rock foi o CD “Fair Warning”, do VAN HALEN. Então eu passei por diferentes artistas e gostos, para nomear alguns: KATE BUSH (N.T.: Vindo a gravar uma versão de "Wuthering Heights", da mesma, no ANGRA), PETER GABRIEL, STING... Mas se eu tivesse que dizer só uma influência, eu acredito que o QUEEN seria meu favorito de todos os tempos. Ele conseguiam de alguma forma misturar todos os estilos musicais com o rock, sem perder sua própria identidade. Mais tarde eu entrei para a faculdade de Música e me formei em condução orquestral e composição. Mas isso nunca afetou minha paixão pelo rock: pelo contrário, me abriu novos horizontes, me deixou entender o rock de uma maneira muito especial".

Tendo lançando 'Time To Be Free' inicialmente no ano passado, você já está pensando na próxima coisa a fazer? Talvez um próximo álbum?

Andre Matos: "Sim, um próximo álbum está em meus planos. Mas antes, claro, uma turnê mundial deve acompanhar o primeiro álbum. Nós estamos juntando imagens pra um possível DVD, também, para ser lançado em breve".

A entrevista completa (em inglês) pode ser lida no link abaixo.

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Sobre Mariana Rezende Goulart

Estudante de Letras e amante de Heavy Metal e Hard Rock, começou a colaborar com o Whiplash por juntar duas paixões: a música e a tradução.

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