Coverdale: baladas que balançam as batidas do peito
Por Thiago Coutinho
Fonte: Blabbermouth.net
Postado em 15 de fevereiro de 2008
O jornalista Matthias Mineur falou recentemente com o vocalista e líder do WHITESNAKE a respeito do novo álbum de estúdio do grupo, "Good To Be Bad", a parceria com o guitarrista Doug Aldrich, o processo de composição do novo trabalho, entre diversos outros tópicos.
Matthias Mineur: Dez anos separam "Restless Heart" e "Good To Be Bad". Desde então, o que mudou e o que continua o mesmo no WHITESNAKE?
David Coverdale: "Sinto que o ‘Restless Heart’ foi mais como um álbum solo, pois na verdade foi assim que tudo começou, até a EMI chegar até mim e dizer que queriam que fosse um álbum do WHITESNAKE. Então, tivemos que mudá-lo para que ficasse mais como o ‘SNAKE. Comparado a isso, ‘Good To Be Bad’ é muito mais WHITESNAKE, do início ao fim. Para mim, o coração e a alma do WHITESNAKE continuam os mesmos. E como não poderia ser assim? É, tem sido sempre assim, a coisa mais preciosa para mim. O grupo me ajudou a sustentar a minha família e me deu uma vida incrível. Respeito e cuido disso, e vou proteger a banda tanto quanto eu possa de quaisquer danos. Abraço e me divirto com as recompensas que me foram dadas. Como veículo musical, a banda me ajuda a me expressar e, com sorte, faz o mesmo com os músicos que trabalham sob esse guarda-chuva criativo".
Matthias Mineur: O quão importante foram as turnês que aconteceram nos últimos três anos para motivá-lo a escrever um álbum?
Coverdale: "Muito, muito importante. Os músicos com quem venho trabalhando e a resposta positiva das pessoas que foram nos ver e nos dar suporte me motivaram a compor e gravar novas canções pela primeira vez em muitos anos. E também encontrei um novo e inspirador companheiro nas composições, o Sr. Aldrich. Eu me permitiria ficar mais para baixo, mas, felizmente, por um período curto de tempo, por todo o clima negativo em torno da indústria musical, mas agora sinto isso mais nas grandes gravadoras. A relutância deles em seguir para frente e abraçar novos modos de negócio acaba criando muitos dos seus próprios problemas. E eles parecem incapazes de perceber isso. Pensei que, de repente, toda a mágica havia sido dissipada, mas eu estava errado. E fiquei muito feliz de ver que a música é apoiada pelos fãs mais ‘hardcore’, que ainda querem ter a substância de um álbum em suas mãos ao invés de baixarem isso pela internet. Hoje em dia você tem que repensar em como organizar a sua carreira, e não ser leviano".
"E quando penso nisso tudo é maravilhoso. O WHITESNAKE comemora seu 30º aniversário este ano e ainda continua crescendo. Sou muito grato por ainda poder ser um músico na ativa, criar novas canções, sair em turnê e tocar para platéias que apreciam nos ver. Enquanto as pessoas estiverem aceitando que não nos parecemos mais como há 20 anos, mas que ainda podemos tocar com fogo e paixão, então acredito que ainda podemos ficar por aí por mais alguns anos. Ainda sou grato por ainda estar envolvido com uma gravadora, a SPV. Trabalho com um time ótimo, que oferecem suporte. Pessoas boas e sólidas".
Matthias Mineur: Como você compôs o material todo? O quão importante foi Doug Aldrich para você como compositor, músico e amigo?
Coverdale: "Pessoalmente, estou sempre compondo algumas coisas aqui e acolá, para uma referência futura. Gravando fitas cassetes de idéias. Para mim é muito natural compor. Eu medito antes de começar a trabalhar. Acho que isso me ajuda a trazer meu espírito criativo, a focar as coisas. Doug e eu começamos a compor muito naturalmente, desde o início. Relativamente sem esforço algum e muito divertido. Foi uma colaboração 50/50. Ele é uma pessoa abençoada e muito entusiástico".
"Doug também ajudou a mixar o álbum. Então, ele esteve envolvido no projeto desde o início até o fim. Ele não trouxe nenhum excesso em sua bagagem, nenhuma agenda sobrecarregada e um desnecessário ego a ser combatido. Ele é muito apaixonado pelo que faz e, graças a Deus, nessa paixão toda encontra-se o WHITESNAKE. Ele tinha certa familiaridade com a banda antes de nos encontrarmos ou trabalharmos juntos, estava bem familiarizado com as identidades criativas que eu gostaria de estabelecer, e ainda trouxe uma incrível energia e urgência para o WHITESNAKE e isso ajudou a não colocar limites e tudo isso sem comprometer nossa atitude original. Ele é um guitarrista estupendo, qualquer um que já o viu pode comprovar isso. Muito inspirador para mim. E, além do mais, nós desenvolvemos uma amizade forte".
Matthias Mineur: Poderíamos dizer que "Good To Be Bad" traz uma mistura de suas raízes blues com uma atitude moderna?
Coverdale: "Para mim ele tem todos os elementos, todos os ingredientes que me divirto com o WHITESNAKE. É um álbum bem sólido, melódico, com algumas baladas bem legais, e é claro que essas baladas ajudam a balançar as batidas no peito! Acho que é um trabalho bem completo, na verdade. Cobre muito do meu legado musical. Um capítulo positivo no livro do WHITESNAKE. Sou capaz de cantar gritando ou simples suspiro, com todos esses pontos entre eles, sinto-me muito confortável com este material novo. E também tentamos novas vertentes para que eu cantasse, o que deixou o álbum mais fresco, interessante e divertido. Quando Doug e eu nos sentamos para trabalhar nas idéias um do outro para a estrutura do álbum, tudo veio imediatamente, de forma muito natural. Não havia perigo em comprometer a identidade do WHITESNAKE quando tentamos ser mais modernos. Diria que se quaisquer influências chegaram seriam de elementos dos trabalhos prévios que se juntaram para formar o som do WHITESNAKE, acompanhado de uma injeção vinda de Doug, Chris, Timothy, Uriah e Reb. Chris Frazier [N. do T.: o novo baterista] trouxe uma veia mais Ian Paice [N. do T.: baterista do DEEP PURPLE] de volta à banda. Ele tem swing, groove e muito rock ‘n roll. O groove do WHITESNAKE está de volta! Como banda, esses caras sabem como contar a história do WHITESNAKE".
Matthias Mineur: Fale um pouco sobre o produtor Michael McIntyre. Qual era seu objetivo e de que modo ele ajudou no álbum?
Coverdale: "Michael está comigo desde 1987. Ele era originalmente um membro da equipe de produção do WHITESNAKE. Então, quando me mudei para Lake Tahoe, descubri que ele morava próximo a Reno, então o convidei para trabalhar como meu assistente pessoal. Ele me mostrou um valor indescritível, e continuou a trabalhar no lado empresaria do WHITESNAKE por muitos e muitos anos. Ele organiza todos os aspectos da minha vida pessoal e nos negócios. Além disso, é um engenheiro de som fantástico e esteve envolvido nas gravações dos meus álbuns desde ‘Slip of the Tongue’. Somos grandes amigos, somos grandes amigos. Mais como irmãos mesmo. Então, quando ele está gravando minha voz, tenho total confiança em seu julgamento".
Matthias Mineur: O álbum foi originalmente anunciado para o fim de 2007. Alguma razão específica para o atraso?
Coverdale: "A gravação do álbum foi constantemente atrasada por conta de diversas interrupções. No entanto, foi um testamente para que Dog, Mikey e eu, também conhecidos como ‘The Brutal Brothers’, de que continuaríamos a andar para frente. Para frente e para trás era o nosso lema para este projeto. Além do mais, não havia pressa para que terminássemos tudo rapidamente. Decidi tirar uma ano de férias para que não houvesse muita pressão para fazermos o álbum, assim não haveria problemas, daríamos uma parada... uma respirada. Isso funcionou para que tivéssemos uma perspectiva melhor. E pessoalmente, foi importante para mim, pois assim pude balancear o tempo de trabalho com a minha família. Nem sempre é fácil. Mesmo quando você está gravando em casa! Mas o mais importante é: isso tudo vale a pena? E sinceramente posso dizer que sim! Certamente valeu a pena por todos os problemas a atribulações para chegarmos até aqui e simplesmente desfrutar do nosso árduo trabalho. É um álbum divertido".
Matthias Mineur: Quais audiências vocês esperam atingir com "Good To Be Bad"? Fãs de heavy metal, hard rock ou maníacos por blues? Ou talvez pessoas mais jovens?
Coverdale: "Todos estão convidados a tirar um pedaço dessa torta. Há coisas aqui para todo mundo".
Matthias Mineur: Fale-nos um pouco sobre a turnê com o DEF LEPPARD. Uma escolha perfeita em que vocês serão co-headliners...
Coverdale: "Três horas de um boas, fortes e melódicas canções! O que mais vocês poderiam querer? Joe Elliott e o restante do grupo são meus amigos há muitos anos. Era óbvio que um dia acabaríamos saindo em turnê juntos. Gostaria de estar na platéia para os shows que faremos juntos. Acredito definitivamente que esteve será mais do que um evento, será uma experiência. Let's Get Rocked In The Still Of The Night! [N. do T.: um trocadilho com dois clássicos do DEF LEPPARD e WHITESNAKE: "Lets Get Rock" e "In Still Of The Night", respectivamente]"
Matthias Mineur: O que podemos esperar do WHITESNAKE ao vivo em 2008?
Coverdale: "Vamos celebrar o 30º aniversário do WHITESNAKE com shows que serão matadores. Um novo show, com novas canções e um novo trabalho de estúdio. A propósito, este é o nosso 10º álbum. Há muita diversão chegando. Não perca a festa!"
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