Cavalar: Coice de Puro-Sangue

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Por Ben Ami Scopinho
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O Cavalar está relançando o CD "As A Metal Of Fact", liberado inicialmente em 2005 de forma independente. Este segunda edição conta com o apoio da Voice Music, traz um novo projeto gráfico e suas canções foram remixadas e remasterizadas por Heros Trench (Korzus), e é dona de um Heavy Metal tão visceral e honesto que não passou despercebido da mídia especializada ao redor do globo, que vem rasgando elogios ao grupo.

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A banda está baseada em Londres, Inglaterra, e tem como mentores o baterista brasileiro Arn e o vocalista inglês Twitch, além de Dave Rimmer, que assumiu o contrabaixo há pouco tempo. Enquanto a banda procura um novo guitarrista, o Whiplash! trocou algumas idéias num papo via e-mail com Arn, que falou sobre sua paixão pela música, as expectativas de "As A Metal Of Fact" e as perspectivas enfrentadas por qualquer um que tenha um conjunto e que queira batalhar no underground, cujas dificuldades não conhecem fronteiras.

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Whiplash!: Olá Arn. Primeiramente gostaria de dar-lhe os parabéns pela segunda edição de "As A Metal Of Fact", o disco está matador! Bom, não há como negar que o núcleo do Cavalar é formado por você e o vocalista Twitch. Como foi o início de tudo?

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ARN: Eu viajei para a Inglaterra para tentar formar esta banda, pois não conhecia ninguém para montá-la aí no Brasil, e foi através de anúncios em lojas de música locais e uma dose de sorte que encontrei o vocalista Twitch.

Whiplash!: Uma vez formado o Cavalar, vocês já tinham uma linha sonora definida que queriam seguir, ou deixaram as idéias rolarem e tudo fluir de forma espontânea?

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ARN: Sim, eu compus a maioria das músicas com outros dois guitarristas ainda vivendo em Nova York (entre 2001/2004) e quando a banda por lá acabou (estava com um outro nome e formação) resolvi pegar o que era meu, mais várias novas idéias e montar esta nova banda, com novo nome, etc...

Whiplash!: O termo Cavalar é perfeito para sua sonoridade. Mas como os europeus interpretam uma denominação que está em português?

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ARN: Bom, a pronúncia é exatamente a mesma, Como no Metallica ou no Pantera!! Na verdade nome é algo bem peculiar e muitas bandas possuem nomes muito legais que praticamente não significam algo em especifico, vide Korzus, Pink Floyd e Thin Lizzy.

Whiplash!: O Cavalar tem como base a Inglaterra. O que fez vocês atravessarem todo o Atlântico para gravar o álbum no Bavini Studio, em São Paulo?

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ARN: Eu sou paulistano e todo o pessoal do estúdio são músicos que na qual eu já tinha tocado em bandas passadas. Na verdade eu só arrastei o vocal pro Brasil e pegamos outros amigos para fazer o disco. Foi meio que um trampo em ritmo de férias!!

Whiplash!: A recepção da mídia especializada ao redor do globo está sendo extremamente positiva. O ponto em comum são as comparações de sua música com o que era feito pelos precursores do rock pesado, em especial o Black Sabbath, considerando que Twitch possui uma voz semelhante à do velho Ozzy. Como vocês encaram isso?

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ARN: Timbre é algo que você nasce com ele, o Twitch tem este timbre e ponto. Marilyn Manson e o Alice Cooper, Danzig e o Jim Morrison, e Lenny Kravitz e o Prince, mas ninguém acha isso algo negativo, não é???? Temos como influência inúmeras bandas dos anos 70 e 80 e pelo fato que tocamos de uma forma simples e direta, então a comparação com o Sabbath se torna a maior referência no final, mas copiar uma banda é algo que nunca está nos nossos planos.

Whiplash!: Particularmente, acho que as canções do Cavalar vão muito além de Black Sabbath. Tem suas raízes nos anos 70, é claro, mas há arranjos atuais como em "Deadman" e "Us", por exemplo, além de a excelente gravação resultar em algo realmente contemporâneo...

ARN: É tudo uma mistura do que crescemos ouvindo, de Deep Purple a Pantera, de Led Zeppelin, AC/DC a Slayer e por aí vai. As grandes bandas são as nossas referências (ainda bem!!).

Whiplash!: O que levou o guitarrista Tadeu Dias e o baixista Marcus Ardanuy a deixarem o Cavalar? Afinal, as resenhas do disco foram excelentes desde o início...

ARN: Falta de uma carreira sólida??? O disco é considerado por muitos críticos na mídia especializada como um dos melhores lançamentos dos anos 2000... Em termos de como se elaborar o verdadeiro Heavy Metal. Mas isso não foi ainda o suficiente para conseguirmos uma gravadora internacional, um empresariamento ou coisa do tipo, por quê?? Isso eu realmente ainda não sei... Eu e o Twitch moramos em Londres e os demais ficaram em São Paulo após as gravações, sendo assim, não há como mantê-los no grupo!!

Whiplash!: Como começou a parceria entre o Cavalar e a Voice Music? A distribuição de "As A Metal Of Fact" está limitada somente ao Brasil, ou se estende a outros países?

ARN: Eu retornei ao Brasil neste início de 2007 para realmente trabalhar o álbum no meu país, uma vez que este não tinha distribuição nacional. O Sílvio da Voice Music foi a minha única e certa opção de escolha. Ele tem o perfil de como deve ser alguém que lida com bandas e não apenas com resultados financeiros!! Acredito que a Voice Music também distribua a alguns países da América do Sul. Em relação à Europa, Japão ou Estados Unidos, não temos distribuição para o álbum ainda.

Whiplash!: Não tive a oportunidade de escutar a primeira versão, mas a nova edição de "As A Metal Of Fact" está com as faixas remixadas e remasterizadas, além de uma nova concepção gráfica. Quais são as maiores diferenças na sonoridade propriamente dita?

ARN: O disco ficou mais gordo, cheio, pesado. Foi agora masterizado pelo Heros Trench, um cara do Metal!!!!

Whiplash!: Arn, você passou por um período meio nômade, não? Já rodou pelos EUA e agora está na Inglaterra. Como um músico de Heavy Metal, quais são os maiores atrativos e dificuldades entre estes países?

ARN: Bom, não há mais cena de metal em lugar algum (já morei em Los Angeles, Nova York e atualmente em Londres). O que existe é uma porrada de bandas tentando tocar e tentando trabalhar o seu produto como uma pequena empresa, etc... Aquela coisa de você ser um bom músico e cair nas graças de algum empresário e sair com um contrato para uma turnê com o Megadeth ou Ozzy Osbourne acabou basicamente nos anos 80!!!

Whiplash!: Mas sempre tem um lado bom! Existe uma maior liberdade para trabalhar suas músicas. Me lembro que, nos anos 80, era típica a interferência de gravadoras e empresários sobre os grupos no momento de se criar as músicas. Mas também é frustrante ter um bom registro em mãos e não conseguir tocar para grandes audiências... Pelo fato de Tadeu Dias e Marcus Ardanuy terem ficado em São Paulo, o Cavalar conseguiu tocar pela Europa?

ARN: Bom, hoje as gravadoras que não metem o nariz nas bandas, são as mesmas que não pagam um centavo de investimento nestas (ou seja, não te pago, não te cobro!!!!), ou então estão trabalhando com artistas já consagrados que não precisam de nenhum palpite para vender mais, pois estas funcionam de qualquer maneira. Duvido uma gravadora que gaste 500 mil reais num novo artista, não supervisione cada passo dado no processo desde composições até o apelo visual final. Sobre os shows, o Cavalar encontrou novos músicos para a agenda de shows que possuíamos até então.

Whiplash!: E o Brasil? Dá para traçar um paralelo entre o underground inglês e o brasileiro?

ARN: O nome diz tudo (underground = buraco, subsolo!!!!). O sonho é o que motiva um artista e por isso é que, apesar de ficarmos na merda, sem um centavo como recompensa de tudo que investimos em música (a menos que você se estabeleça nesta carreira), a luz no finalzinho do túnel nos traz a vontade de tentar sempre um pouco mais. Eu mesmo já estou a 22 anos tentando!!!!

Whiplash!: Bom, mas com certeza o Cavalar já deixou sua marca com o coice que é "As A Metal Of Fact". São os discos que ficam para contar a história, então sempre vale a pena.

ARN: Com certeza. Disco bom é disco feito com paixão, com verdade e respeito em todos os aspectos. Muita gente me falou que tínhamos que nos adaptar à música e sonoridade atuais para conseguirmos um espaço no mercado, mas na verdade, eu particularmente não aguentaria sequer chegar às gravações deste CD se esta banda não estivesse seguido por este caminho.

Whiplash!: Arn, os músicos do Cavalar conseguem viver da música?

ARN: Ninguém!! Isso que fez o nosso antigo guitarrista não ficar mais na banda, uma vez que não era possível só viver desta fonte!! Twitch trabalha em uma livraria, eu sou pintor de parede e Dave Rimmer, além de tocar covers, também trabalha em uma livraria aqui em Londres!! No Pain No Gain!!

Whiplash!: Vocês tocam o puro Heavy Metal, sem frescuras e emocionante. ARN, o que você acha da infinidade de subgêneros em que o Heavy Metal foi se ramificando com o passar das décadas?

ARN: Acho tudo válido, pois cada músico e a cada novo agrupamento (banda), se gera uma nova sonoridade e posteriormente um novo estilo ou um rótulo. Eu particularmente gosto de boa música, melodia, etc... Eu consigo ouvir a verdade e o talento de uma banda em seus timbres, arranjos, bom gosto de idéias, e isso para mim não tem um estilo a seguir. Boa música é boa música!!


Whiplash!: "As A Metal Of Fact" foi composto originalmente em 2005. Vocês batalharam muito, mas estão colhendo alguns frutos. Apesar do contratempo na procura por novos integrantes, há novas composições em andamento? Como estão soando e há previsão para o segundo álbum?

ARN: Temos um novo álbum praticamente a caminho, mas o fato de estarmos sem guitarrista faz que tudo fique em stand-by. Gostaria de começar a mexer neste novo repertório o quanto antes. Estamos de dedos cruzados!!!

Whiplash!: Bom, só posso desejar boa sorte a todos por aí! Arn, agradeço pela entrevista e fique à vontade para as considerações finais.

ARN: Agradeço primeiramente a todos do site Whiplash! e gostaria também de agradecer aos leitores pela paciência de lerem até esta última resposta de uma banda ainda desconhecida como a nossa!!! Se você curte metal, conheça o Cavalar!

Homepage: www.cavalarrock.com.

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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