Paradise Lost: "downloads complicam nossa vida"

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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O site Metalshrine, da Suécia, entrevistou recentemente o guitarrista do PARADISE LOST, Aaron Aedy, que falou sobre o novo álbum e sobre a questão dos downloads.

Tradução: The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd

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Metalshrine: Vocês decidiram compor material mais pesado [para o novo álbum "In Requiem"] ou isso foi um processo natural?

Aaron: "O que acontece é que nunca planejamos um álbum. Não nos reunimos para discutir coisas do tipo ‘Ok, este é o plano para o próximo álbum’! Não fazemos isso, apenas deixamos as coisas acontecerem naturalmente. Estamos satisfeitos em ver como as músicas que temos gravado ultimamente têm tanta energia e peso ao vivo. Acho que temos tentado isso há alguns anos. No caso do álbum ‘Symbol of Life’ [de 2002], nós tentamos conseguir o mesmo tipo de som do ‘Believe in Nothing’ [de 2001], mas acabou soando muito melhor ao vivo do que no disco. Em cada álbum temos tentado capturar esse tipo de efeito. Trabalhamos com Rhys [Fulber, produtor] novamente e Jeff [Singer, bateria] é um membro oficial..., bem, ele já está na banda há dois anos. Quando gravamos o último álbum, ele só havia entrado na banda umas duas semanas antes de começarmos a produção, mas ele conseguiu deixar sua marca. E trazer Mike Fraser para mixar foi um grande avanço. Eu fiquei muito empolgado quando soube que tínhamos fechado com ele. Ele já trabalhou com AC/DC, METALLICA, SLAYER, THE CULT! Muita gente mesmo, e fiquei realmente empolgado quando soube que iria fazer a mixagem com ele. Nós gostamos bastante de tocar ao vivo, da emoção e da energia do palco. Na minha opinião, e sou um tanto suspeito para falar, o novo álbum é muito bom. Todos estamos satisfeitos com ele. É bem legal. Estamos ansiosos para tocá-lo ao vivo".

Metalshrine: O que um cara como Rhys Fulber, com quem vocês já trabalharam antes, trouxe para o processo de composição do novo álbum?

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Aaron: "Rhys gosta de se envolver bastante. O que acontece com o Rhys é que, antes de trabalharmos com ele no ‘Symbol of Life’, ele ficou enchendo o nosso saco para trabalharmos com ele no ‘Draconian Times’ [de 1995], porque ele é um grande fã da banda. Ele tem a ambição de fazer o melhor álbum do PARADISE LOST de todos os tempos. É isso o que ele quer fazer. E ele não é apenas um produtor, ele é alguém que se preocupa muito com a música e não apenas com o pagamento. Ele realmente quer o melhor para a banda e ter esse tipo de contribuição, você sabe, às vezes podemos estar ensaiando coisas que depois mandamos pro Rhys e ele diz ‘Humm, quer saber? Acho vocês deveriam tentar isto’ ou ‘Isso é legal’. É bom ter alguém de fora, com uma visão diferente, enquanto você trabalha. Ele tem boas idéias e um bom ouvido para uma boa música. Além disso, ele é um grande amigo e é bem divertido quando estamos juntos no estúdio. Ele realmente te ajuda a dar o melhor de si pela banda. Esse é realmente um ótimo relacionamento profissional".

Metalshrine: Vocês pensam em trabalhar com ele novamente no próximo álbum? Fazer algo do tipo "Bob Rock/METALLICA"?

Aaron: "(Risos) Pra te dizer a verdade, e eu só posso falar por mim mesmo, mas eu e Nick [Holmes, vocalista] conversamos sobre isso semana passada e pensamos ‘pra quê mexer em time que está ganhando’? É muito bom trabalhar com ele, mas pode ser que um dia ele fique de saco cheio da gente (risos). Mas não dá pra prever o futuro e você sabe, quando está compondo, se o disco vai ficar bom ou não. Gosto muito do Rhys e adoro trabalhar com ele, então não consigo imaginar não trabalhar com ele no futuro, mas ninguém sabe o que pode acontecer".

Metalshrine: Vocês vão para os EUA com o NIGHTWISH em outubro? Você gosta da música deles?

Aaron: "Na verdade, não. Essa não é a minha praia. Gosto do pessoal da banda. Nunca conversei com a ex-vocalista, mas os caras da banda são bem legais. Pra te dizer a verdade, abrimos um show deles em Londres há um ano e meio atrás e ao vivo deu pra perceber que o som deles é muito melhor e eu puder ver por que eles tocam tão bem. Eles são muito bons no que fazem. Eles são a melhor banda que já ouvi naquele estilo. Eu realmente gosto deles mas, para ser honesto, ainda não ouvi muito material deles, então não posso dar uma opinião definitiva sem ouvir muita coisa. Não seria justo! Você não consegue ouvir de tudo. Às vezes, especialmente se você está em turnê, a última coisa que você quer ouvir é mais Heavy Metal".

Metalshrine: Em relação a comprar álbuns e fazer download hoje em dia, isso é algo que te assusta? Como você vê essa situação? Já falamos um pouco sobre isso antes.

Aaron: "Isso realmente já nos afetou antes. O álbum ‘Believe in Nothing’ deveria ter sido lançado em setembro de 2001, depois precisou de uma remixagem e foi colocado em algo que chamam de ‘tráfego de superstar’, que é basicamente um lançamento no Natal. Então decidiram adiar até fevereiro, mas já tinham distribuído cópias promocionais do álbum e alguém o colocou na Internet antes de ser lançado, então aquilo realmente ferrou a gente, pra ser sincero. Mas fazer o quê? Isso é muito chato. As pessoas pensam que estão ferrando as gravadoras, mas as gravadoras são as primeiras a serem pagas, é o artista que acaba não sendo pago. E se não ganhamos dinheiro não podemos... porque quanto menos dinheiro você tiver, menos você pode investir numa gravação de boa qualidade. Algumas bandas novas precisam ter outros empregos. É muito difícil".

Metalshrine: O que você acha que vai acontecer? As gravadoras precisam fazer alguma coisa.

Aaron: "Acho que o iTunes ainda vai demorar uns cinco anos pra decolar. Há toda uma geração de pessoas que acreditam que têm o direito de pegar os álbuns de graça. Depois eles postam no Blabbermouth.net reclamando dos artistas... espera um pouco, eu vou passar na sua casa, pegar a sua televisão, porque eu não tenho uma, e depois vou falar pra banda pagar as prestações da minha casa, porque eu acho que deveria ter uma de graça. (risos)"

Metalshrine: Isso é interessante porque sou professor e acho que nenhum dos meus alunos já comprou ou vai comprar um disco algum dia. Eles apenas fazem download, é só o que eles fazem.

Aaron: "É difícil. Quando eu tinha uns doze anos, um cara na rua comprava um álbum e os outros gravavam fitas. Mas agora só é preciso que uma pessoa no mundo compre para que todos possam copiar. Isso é que é ridículo. Acho que o LINKIN PARK, há uns quatro ou cinco anos, gravou o álbum mais vendido do ano e eles venderam quatro milhões e meio de cópias. Dez anos antes o álbum mais vendido era o da MADONNA e ela vendeu quarenta. Agora as bandas fazem turnês para ganhar dinheiro, porque elas perdem dinheiro com os álbuns. Quando fizemos a turnê do ‘Draconian Times’, para garantirmos um show de alto nível, usamos dois caminhões, dois ônibus e ficamos oito semanas em turnê, que custou £300.000 [R$1.200.000,00]. Contamos aquilo como perda, mas agora não se faz mais isso. É muito difícil. Agora todo mundo tenta ganhar dinheiro com as turnês e todas as bandas estão sempre fazendo turnês, então as agências pagam menos porque há muita gente. Então você acaba tentando ganhar dinheiro com camisetas. Isso é ridículo!"

Leia a entrevista completa (em inglês) no neste link.




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The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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