Chris Cornell: "me sinto totalmente livre"

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Por Fabio Rondinelli, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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Joe Baldwin, do Undisputed Music and Entertainment Journal de Baltimore, entrevistou recentemente Chris Cornell, ex-vocalista do SOUNDGARDEN e do AUDIOSLAVE, que falou sobre sua saída desta última e descartou um possível retorno do SOUNDGARDEN.

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Undisputed Music: Seu mais novo projeto solo chama-se "Carry On". Gravar um disco solo é diferente de gravar com o AUDIOSLAVE ou o SOUNDGARDEN?

Chris Cornell: "Sim, bastante. [Gravar com] O SOUNDGARDEN era diferente do AUDIOSLAVE, assim como o AUDIOSLAVE é diferente de gravar sozinho. O TEMPLE OF THE DOG era diferente de todos esses. Qualquer coisa que você faça trabalhando com outras pessoas, especialmente três ou quatro outras pessoas, muda tudo. Com o SOUNDGARDEN eu realmente estava envolvido em tudo, de composição a produção, sons, mixagem... cada aspecto da coisa. Com o AUDIOSLAVE estive longe da produção. O produtor fez a sua parte. O SOUNDGARDEN nunca permitiu isso, cortávamos os produtores. Eu só queria saber como era (não produzir). E estava trabalhando com o Rick Rubin (no AUDIOSLAVE), me senti confortável em deixar tudo nas mãos dele. Me liguei mais em cantar e escrever as músicas, mas não estive lá quando Tom (Morello) gravou suas guitarras ou coisa assim. Fazer um disco solo é meio no estilo do SOUNDGARDEN, mas diferente'.

Undisputed Music: Então você não quis fazer como Trent Reznor [NINE INCH NAILS) e gravar todos os instrumentos você mesmo?

Chris Cornell: "Não, não creio que ficaria tão bom. Acho que quando o PRINCE faz, fica legal. Eu gravo demos em que toco todos os instrumentos e sai bastante mecânico. Meu senso rítmico é o mesmo quando toco guitarra, baixo ou canto. Fica parecendo uma máquina".

Undisputed Music: Eu sinto que é dessa maneira que os discos mais novos do NINE INCH NAILS têm soado.

Chris Cornell: "É, percebi isso nos discos do Lenny Kravitz também. Que nem o segundo disco dele... havia um certo calor, talvez porque o cara saiba como se faz. É por isso que sempre tentei ficar longe disso. Eu gosto daquela coisa viva, que respira, quando você junta alguns músicos. A beleza de um disco solo é que se algo não sai do jeito que eu queria, eu posso voltar e modificar".

Undisputed Music: Então o que aconteceu com o AUDIOSLAVE?

Chris Cornell: "Foi uma combinação de várias coisas. Nunca chegamos a um acordo sobre certas questões de negócios. Ignoramos isso por um tempo pois estávamos ocupados e fazendo grandes discos. Estávamos prestes a sair em turnê e essas porcarias de negócios afetariam nossa serenidade na estrada. Aquilo começou a se repetir mais e mais. Claramente precisava ser resolvido. Nos encontrávamos para isso, mas nunca chegávamos a um acordo. E também o fato de termos escrito tantas músicas e lançado tantos discos em um período tão curto de tempo, o que nos deixou numa situação em que criar algo novo seria trabalhoso demais pra que eu me interessasse. Tínhamos uma abordagem de composição bem direta ou minimalista, que foi ótima para mim por um tempo, mas gosto de mudanças e há muito mais que gostaria de fazer. Com a combinação disso tudo, pensei: 'se tenho de descobrir com minha própria cabeça uma maneira de reinventar essa banda, seria melhor eu simplesmente ter meu próprio espaço'. Trata-se de liberdade".

Undisputed Music: Seria parte das razões você sair para que os outros caras do AUDIOSLAVE pudessem fazer a sua reunião do RAGE AGAINST THE MACHINE e Tom tocasse o projeto NIGHTWATCHMAN?

Chris Cornell: "Sim, de certo modo. Nunca achei que estivéssemos indo pro buraco ou que não fôssemos nos falar novamente. Eu também não achei que fosse necessário dizer isso, que estávamos nos separando. Isso também é besteira. É como dizer 'oh, a banda não acabou'. Eu não quero dizer isso pelos próximo dez anos, algo como 'a banda não acabou, mas vou fazer alguns discos solo pelos próximos dez anos e assim que quisermos, seremos novamente o AUDIOSLAVE'. Não é assim que me sinto. Estou a fim de fazer alguns discos solo e continuar assim. Estou curtindo. Eu nem deveria estar numa banda. Sou muito concentrado em termos de música. Gosto de liberdade. Posso escrever e tocar tudo. Há gente como eu que tem feito isso por anos. Há também aquele estranho valor que um nome de banda tem. Você mencionou o NINE INCH NAILS, mas tem também MARILYN MANSON, MINISTRY..."

Undisputed Music: MEGADETH.

Chris Cornell: Oh, sim, ele. Não é como uma banda. Eles fazem o mesmo que eu. Eu só não uso o nome de uma banda.

Undisputed Music: O SOUNDGARDEN se reunirá um dia?

Chris Cornell: "Acho que não. Normalmente há um cara que encabeça esse tipo de coisa, e não acho que o SOUNDGARDEN conte com esse tipo de sujeito".




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Sobre Fabio Rondinelli

É paulistano e tem 22 anos. Há cerca de uma década conheceu o Rock através de Aerosmith e The Offspring. Um pouco depois, com uma ajudinha básica do Iron Maiden, descobriu o Metal e seus derivados. Hoje é devoto de ambos e aprecia bandas das mais diversas vertentes: de Beatles, Queen e Pink Floyd, passando por Engenheiros do Hawaii e Radiohead, até Angra, Blind Guardian e System of a Down. Visita o Whiplash faz alguns anos e certo dia resolveu traduzir algumas notícias para o site.

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