Lomenzo: "Há muita empolgação no Megadeth"
Por Eduardo Miranda da Glória
Fonte: Brave Words
Postado em 09 de junho de 2007
James Lomenzo, baixista do MEGADETH, falou sobre diversos assuntos em entrevista a Mitch Lafon, publicada no BW&BK's, incluindo a recente turnê da banda com o HEAVEN AND HELL e seu último disco, "United Abominations". Aqui estão alguns trechos da conversa:
BW&BK: Vamos falar sobre baixo. Você tocou com o White Lion e o Black Label Society, e esse é seu primeiro (CD) com o Megadeth. Como você encarou o projeto em termos de preparação, linhas de baixo, etc. ou Dave (Mustaine) apenas disse "toque isso"?
Lomenzo: "Bom, eu já toquei também com David Lee Roth, Slash... então, eu toquei um bocado de tipos diferentes de música. Eu ainda sou um estudante do instrumento. Quando eu comecei na banda eu tive que pegar um catálogo e 'tirar' 20 dos clássicos que Dave (Mustaine) e os caras estavam tocando e não sendo um grande ouvinte de Megadeth foi preciso um grande esforço da minha parte para realmente aprender essas músicas e 'colocá-las' nos meus dedos. Com o passar do tempo e tendo aprendido essas 20 músicas, eu tinha uma noção do que era o som do Megadeth, mas nunca tendo estado com Dave em estúdio, logicamente, fiquei um pouco nervoso e senti que eu provavelmente precisava dele para me guiar. Quando cheguei lá Dave não disse muita coisa. Ele estava ouvindo o que eu estava fazendo e de vez em quando ele dizia 'vamos seguir as guitarras nessa parte'".
BW&BK: Dave parece revitalizado com a atual formação...
Lomenzo: "É realmente uma questão de empolgação. Eu estive em bandas onde depois de cinco anos o relacionamento entre as pessoas acabava com a música e o entusiasmo pelo projeto. Então o que você tem aqui são os irmãos Dover que são fãs do Megadeth e músicos excepcionais e um cara como eu que é experiente e um novo fã da banda. Então, para mim, é tudo ainda muito empolgante e novo musicalmente".
BW&BK: Você está surpreso sobre a aceitação do álbum mundo afora?
Lomenzo: "Estou encantado, mas não completamente surpreso devido ao que eu vi nos shows. Há muito entusiasmo nessa banda. Dave está revitalizado, como você disse, e pronto a dar 110%, algo que contagia a todos".
BW&BK: E sobre a turnê com o Heaven and Hell?
Lomenzo: "Foi realmente um grande convite e não pudemos negar. Estávamos planejando fazer algo onde seríamos os principais. Mas essa turnê fez muito sentido para nós. No Canadá, nós tivemos o Down abrindo o show e eu achei que isso deu um espectro mais amplo ao show. O som como está agora (Down), como foi há algum tempo (Megadeth) e de onde tudo veio (Heaven & Hell). Há uma divergência na música sobre porque ela não soa mais como a mesma velha música. Linearmente, isso faz um bocado de sentido para os fãs e é isso que leva tantas pessoas aos shows. Nos Estados Unidos, nós tivemos Machine Head abrindo e foi igualmente interessante. Isso trouxe os adolescentes e o fãs que já conheciam algo do Black Sabbath e o Megadeth, além daqueles mais tradicionalistas - que seria o grupo no qual eu estaria se fosse ao show como um fã".
BW&BK: Como foi dividir o palco com o grande Geezer Butler?
Lomenzo: "Um dia, eu estava no túnel que dá acesso a uma das arenas e de repente eu ouvi atrás de mim 'Eeei James', então me virei e era o Geezer. Fiquei o tempo todo falando como se fosse Roger Rabbit (imitando a voz) 'Nossa, ele sabe meu nome'. Então, é muito empolgante. Quando eu era criança eu vi Larry Graham com Sly & The Family Stone na TV, aquilo realmente me atraiu para o instrumento. Eu arranjei um baixo, mas nunca pude tocar nada como aquele cara. Anos depois, eu vi Geezer no Califórnia Jam [Festival de 1974] e lembrei de observar seus dedos. Pra mim que aquela seria a maneira que nós, caras brancos, deveríamos tocar a coisa. Nossa - é assim que nós vamos fazer Rock!"
BW&BK: Vamos falar do White Lion. Alguma chance de reunião?
Lomenzo: "Bem, eu falei com Mike Tramp e ouvi que Vito voltou a tocar, mas acho que rola muita tensão entre os dois. Não sei o motivo. Um dia, eu vi na internet que o White Lion estava saindo em turnê, mas era apenas o Mike. Eu não acho que seja de todo mal, mas o fãs provavelmente querem ver o Vito também".
BW&BK: Você pensa em fazer algo ainda com o White Lion? Não terminou como devia - você gostaria de continuar o que ficou inacabado?
Lomenzo: "Do meu ponto de vista, eu não sei se fazer algo com eles estaria em jogo, mas já que disse - Sim! Poderia rolar. Eu meio que evitei fazer algo com eles por causa do Megadeth. Esta é minha banda agora. Se eu estivesse livre, eu encorajaria os caras a juntarem-se e deixar as diferenças de lado, colocá-las em pratos limpos para fazer a coisa funcionar".
BW&BK: É no Megadeth que você quer ficar até o final da sua carreira ou é apenas uma parada antes da próxima banda?
Lomenzo: "Vou te dizer algo - eu não toquei com muitas pessoas que tenham alma musical e sinceridade, e estou falando sobre Mustaine e os irmãos Dover, de maneira que não posso me ver tocando com outros caras. Eu só tenho olhos para o Megadeth".
BW&BK: Então nada de álbum solo ou projetos de jazz/fusion?
Lomenzo: "Enquanto o Megadeth precisar de mim - sou 100%".
BW&BK: Quais os planos do Megadeth?
Lomenzo: "Estaremos tocando em vários dos festivais de verão da Europa e em um bocado de datas em casas de show como principais que estamos tentando ajeitar de setembro a outubro. Agora, que o álbum está aí tentaremos dar o melhor de nós. Estamos também pensando sobre fazer novas músicas".
BW&BK: Já?
Lomenzo: "É. Não se pode parar um trem que acaba de deixar a estação".
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