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Arte Musical

BLS: "Se Ozzy não tem ego, ninguém deveria ter!"

Por Felipe Augusto Rosa Miquelini
Fonte: Brave Words
Em 09/12/06

Debby Rao, de Boston, recentemente falou com o guitarrista do BLACK LABEL SOCIETY, Nick Catanese, sobre o atual lançamento "Shot To Hell" e sua turnê.

A banda está atualmente na estrada fazendo a turnê do "Shot To Hell" (lançado pela Roadrunner Records). Em 1996, Nick se uniu a Zakk Wylde para a "Book of Shadows Tour", e seguiu em turnê pelo mundo com o BLS. O "Evil Twin", como é conhecido pelos fãs do Black Label Society, tem um estilo guitarrístico remanescente do seu chefe Zakk Wylde, e do seu guitar-hero "Dimebag" Darrell Abbott.

DR: O Black Label Society tocou recentemente no Texas. Como está a turnê?

NC: Todos os shows têm sido do caralho. A família BLS está com toda a força. O Texas sempre tem boa comida, e gente boa. Tocar no Texas é sempre um prazer.

DR: A que se deve o rápido crescimento do número de fãs do Black Label Society pelo país?

NC: São apenas os anos que passamos por aí. Zakk produz CDs incríveis. Nós estamos fazendo turnês pra caralho. Tudo isso contribui.

DR: O Black Label Society está atualmente fazendo a turnê do seu mais recente lançamento, "Shot To Hell". Foi inspirador ver a banda tocar tantas músicas novas ao vivo. Músicas como "New Religion" e "Black Mass Reverends" realmente dão à banda um som pesado e novo. Foi um desafio aprender todas aquelas partes diferentes de guitarra nessa turnê do BLS?

NC: Não, não, nem tanto. O Zakk e eu temos um tempo legal juntos. Eu sei o que ele vai tocar. Eu estou abençoado por ter ficado ao lado dele por tanto tempo. Eu saco rápido o que ele vai fazer. Eu amo isso.

DR: Nick, vamos falar um pouco sobre seus solos em "Spoke In The Wheel" e "The Last Goodbye". O que você queria trazer de diferente? Que tipo de som, e equilíbrio você esperava conseguir ao complementar o trabalho de piano do Zakk?

NC: Eu fiquei surpreso ao ter que solar. É uma honra tocar os solos do Zakk. Ele confia em mim e tem fé que eu os faça. Zakk sabe que eu não o decepcionaria. Eu vou assar minha bunda para tocar aquele solo o mais perfeito que eu possa. Mas ainda me dá calos toda vez que fazemos.

DR: Há tantos estilos diferentes de guitarra em "Shot To Hell". Você sente que adicionar toda essa variedade de estilo o torna um guitarrista melhor?

NC: Não, não o estilo de guitarra. Eu só penso que como banda, estamos nos dando tão bem, e isso é visto no palco, e a multidão rebate e nos divertimos todos juntos.

DR: Como você conheceu o Zakk?

NC: Foi em 1996, eu saí da minha velha banda em Pittsburgh, e vi o email do Zakk na Metal Edge. Eu pensei que isso jamais aconteceria mas eu o enviei um email e disse: "Se você for precisar de um guitarrista eu estarei pronto". Como ele precisava de um para o "Book Of Shadows", ficamos juntos desde então.

DR: Como guitarrista, o que é mais importante, velocidade ou técnica?

NC: Nenhum dos dois, você tem que aprender a tocar com o coração primeiro. Essa é a principal lição. Sem coração não importa o quão rápido você é. Você precisa de sentimento e coração.

DR: Nick, vamos falar do seu estilo de tocar. Como você consegue igualar os diferentes tons entre você e o Zakk? É difícil igualar os harmônicos?

NC: Zakk e eu nos igualamos eu acho. Quando eu tinha 16, eu costumava estudar cada frase e música do Zakk até eu me aperfeiçoar nisso, e foi assim que eu aprendi aqueles harmônicos. Agora já deu, nós temos uma puta jam juntos. Eu não vejo de outra forma, ele é Keith e eu sou Ronnie.

DR: Como que foi aparecer na Edição de Junho da revista Guitar Player?

NC: Surreal... fazer parte de um artigo com o Zakk era algo que eu nunca tinha pensado que pudesse acontecer, e eu estou chocado por isso. Todos os anúncios da Washburn, EMG e Tone Pros, eu me choco sempre que me vejo, é sempre estranho."

DR: Como você descreveria "Shot To Hell"?

NC: "Shot To Hell" é uma mistura de "Mafia" e "Book of Shadows", muita coisa pesada e excelentes músicas melódicas, com tanta emoção. Zakk me excita com sua criatividade. Ele é uma máquina de músicas. O pessoal vai gostar muito."

DR: Qual foi sua turnê favorita do BLS até agora? Alguma memória especial?

NC: Todas são especiais em seu próprio jeito; nós nos unimos mais e mais. É uma força inquebrável. Isso vai continuar por muito tempo.

DR: Como foi assistir o Zakk Wylde tocar com o OZZY OSBOURNE no OZZFest esse ano?

NC: Eu sempre gosto de ver o Zakk tocar com o Ozz, me lembra de quando eu o via, e ele tinha 19 e eu 16. Ele brilha, quando ele toca todos aquelas canções, e tocar cada frase do Randy. Zakk é o rei. Eu tenho muito orgulho de fazer parte dessa mistura.

DR: Você é um grande fã do TONY IOMMI? Qual sua canção favorita do BLACK SABBATH?

NC: Meu Deus, eu não poderia ser um guitarrista sem amar o Tony, sem ele não existiríamos. Ele compôs as músicas mais pesadas de todos os tempos. Minha favorita é "Sabbath Bloody Sabbath" e "Into The Void".

DR: Você se lembra da primeira vez em que se encontrou com Ozzy? Como foi encontrar o rei do rock'n roll?

NC: Oh yeah! Essa é uma memória que não vai embora. Eu estava vindo no ônibus, e abri a cortina e lá estava Ozzy e Zakk falando sobre o CD "Down To Earth". Zakk me apresentou, e o Ozzy se levantou, olhou para mim nos olhos, pegou minha mão e disse: "Eu sou Ozzy, e é legal te conhecer!". Eu estou aqui, e tipo o cara gasta seu tempo para se levantar e me cumprimentar, todo astro do rock deveria ser mais humano com seus fãs! Se o Ozzy não tem ego, ninguém deveria ter!

DR: Depois que você fez o teste para o Zakk em 1996, você se lembra da primeira coisa que ele te disse? Você lembra da sua música teste?

NC: Não houve um teste realmente. Ele foi até Pittsburgh, e tocamos no hotel onde ele estava. Eu acho que a primeira música foi "Found What You Were Looking For".

DR: Vamos falar sobre como você começou na música. Quão importante foi o papel do seu pai em te ajudar a descobrir que seu sonho era se tornar músico? Qual o conselho mais importante que seu pai te deu?

NC: Meu pai e mãe são uma benção para mim. Eles me apoiaram em tudo que eu fiz. Desde organizar minha antiga banda até agora. Minha mãe me ajudava com merchandise, chamadas telefônicas, tudo. Eu sou tão sortudo que parece loucura. O melhor conselho do meu pai foi: "Faça agora, porque você nunca sabe quando você não poderá fazer. Divirta-se todo dia."

DR: Você acha que o BLS está voltando às suas raízes com baladas melódicas, riffs pesados de guitarra, com um toque de rock sulista em "Shot To Hell"?

NC: "Eu simplesmente acho que o BLS está amadurecendo como banda e como um todo. Todas as músicas em "Shot To Hell" são maduras e Zakk é um gênio. Só vai melhorar daqui em diante.

DR: A banda está surpresa com a resposta poderosa que a parte acústica está cativando nessa turnê?

NC: Bem, nós não tocamos uma parte acústica durante o show, mas a parte de piano está recebendo ótimos reviews. Mostra como o Zakk é versátil.

DR: BLS tem feito turnê sem parar esse ano. Você curtiu ser o headline do palco secundário no OZZFest esse verão? Foi tudo o que você pensou que seria?

NC: Eu achei incrível. Ozzy adorou ainda mais que o palco A. É muito mais intimista.

DR: Dimebag" Darrell Abbott foi indicado recentemente ao Hall Of Fame em Dallas no Hard Rock Cafe. Quais seus pensamentos sobre essa homenagem ao Dime?

NC: Já era tempo. Dime mereçe isso e mais. Ele trouxe muita coisa para o mundo da música. Não apenas como músico mas como pessoa. Ele é o melhor e sempre será.

DR: Que conselho o Dime te deu como músico, que você guardará para sempre?

NC: Ele me contou depois que fizemos um show em Dallas com o JUDAS PRIEST, ele me abraçou e me disse: "Continue tocando, você tem talento e eu vejo isso. Um dia você vai estar lá com os grandes." Foi uma coisa fudida de ele ter me dito. Me deu ainda mais ânimo.

DR: Que conselho você dá aos estudantes e fãs sobre começar a ter uma carreira na música?

NC: Pratique as músicas, divirta-se, esse é o segredo. Ame tocar. A partir do momento em que você pára de gostar de tocar, comece outra coisa. Tem tudo a ver com o amor à musica.

DR: Nick, vamos falar sobre sua guitarra signature da Washburn. Como foi o acordo com a Washburn?

NC: Bem, eles viram o DVD e o Dime ajudou um pouco. Então aconteceu tão rápido que eu consegui ótimos instrumentos. Eles nunca me decepcionam. A guitarra "Shot To Hell" que fizeram ficou incrível.

DR: Alguma previsão para 2007? Você vê a ressurgência do metal continuar?

NC: Claro que vai tudo começar de novo. Eu acho que vai ficar maior ainda de novo. O exército BLS está aumentando. Dá para ver em cada show no OZZFest que fazemos e em cada turnê. Vai ficando sempre maior.

DR: Obrigado pela entrevista.

NC: Obrigado a você e aos leitores.

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