Accept: Udo sepulta qualquer esperança de ver a banda reunida
Por Rafael Carnovale
Postado em 22 de junho de 2006
Há anos na estrada, seja com o Accept ou com seu projeto solo, o baixinho invocado de voz "a lá Pato Donald", Udo, mostra seu talento e habilidade na composição de bons temas heavy vez por outra incluindo uma pitada de hard-rock em suas músicas. Com um novo CD na praça, "Mission Nº X", uma banda afiada, conversamos com Udo via fone, que se mostrou simpático e direto, e sepultou qualquer esperança de ver o Accept reunido um dia.
Entrevista concedida ao Portal Mundo Rock
(http://www.mundorock.net).
Mundo Rock - "Mission No.X" aparenta ser um álbum conceitual. Tanto o encarte como a arte e algumas letras estão conectadas a um tema em comum, uma missão. Era esse o objetivo quando vocês começaram a compor o álbum?
Udo Dirkscheneider - Na verdade não. Nunca pensamos em fazer um álbum conceitual. As idéias foram vindo aleatoriamente, sem um objetivo em comum. Alguns elementos vêm depois, e isso pode ter sido sim um fator que conectou as idéias. Mas na verdade queríamos enfatizar que estamos em nosso décimo álbum, ou como queira, nossa décima missão.
Mundo Rock - Lorenzo (bateria) deixou a banda durante a turnê do CD anterior, "Thunderball". O que aconteceu e como foi o processo de entrada de Francesco Jovino na banda?
Udo Dirkscheneider - Foi algo muito triste. Durante o verão europeu, a irmã de Lorenzo foi acometida de uma doença fatal, e tinha poucas semanas de vida. Isso o afetou muito, e ele decidiu largar a música. Isso nos pegou durante uma importante turnê escandinava, e tivemos muita sorte de achar Francesco e prepará-lo a tempo para o show, pois desde sua entrada até o primeiro show se passaram apenas 20 dias, e ele teve que fazer um grande esforço.
Mundo Rock - A faixa título é o heavy metal típico da banda UDO, acrescida de alguns flertes com o hard-rock, e algumas vocalizações novas para você. Como foi este experimento?
Udo Dirkscheneider - Na verdade eu sempre tento inovar, dentro das possibilidades. Procuramos incluir uma ou outra coisa nova, mas com o cuidado de que soe coerente, e no final acabamos inovando pouco (risos). Como eu disse, as idéias vêm e vão. Quanto aos vocais, é sempre bom tentar algo novo, e eu gostei bastante disso.
Mundo Rock - "24/7" foi o primeiro single e EP. Porque a escolha desta faixa?
Udo Dirkscheneider - Nossa gravadora escolheu. É a velha história da música mais acessível, que possa representar o álbum. E funcionou muito bem, pois a reação da crítica e fãs foi a melhor possível.
Mundo Rock - "Primecrime on Primetime" é uma boa faixa, e fala sobre a influência negativa da TV na educação das pessoas. O que você pensa sobre este tipo de mídia atualmente?
Udo Dirkscheneider - Sou contra a TV. Até vejo algumas coisas, mas no geral é o de sempre: violência, crimes, programas idiotas, superficiais. Esta música fala sobre isso. Eu mesmo não me sinto confortável ao saber que nossos filhos estão ligados a esse tipo de informação.
Mundo Rock - "Stone Hard" é bem mais lenta, um pouco diferente do que você tem feito atualmente, com uma levada bem AC/DC. Você ainda ouve bandas como AC/DC, Led Zeppelin?
Udo Dirkscheneider - Concordo. Eu vivo ouvindo meus discos antigos, mas não necessariamente eles me influenciam. Acho que cheguei a um ponto que minha sonoridade é toda pessoal, e algumas influências podem até aparecer, mas eu estou feliz com as músicas que faço.
Mundo Rock - E as baladas agora aparecem com mais frequência , coisa que começou de leve com o álbum "Objection Overruled" do Accept. Você canta com uma voz bem limpa, como é para você trabalhar com baladas?
Udo Dirkscheneider - Eu gosto muito e tem funcionado bem. Mas só coloco uma balada no CD se ela realmente mexer comigo e me passar algo relevante. Nos dias de hoje, não podemos ser tão linha dura e nos recusarmos a colocar baladas. Gosto, passei a compor, e sempre irei por algumas em meus trabalhos.
Mundo Rock - Stefan Kaufman (guitarra) compõe com você todas as músicas. Mas notei que ele sola pouco nos shows... é uma opção?
Udo Dirkscheneider - (Risos) Ele sola sim, apesar de não ser um guitarrista-solo. Mas ele cuida de toda a harmonia, e até escreve alguns solos, como os de "Cry Soldier Cry" e "Eye Of An Eagle". Ele no Accept era um baterista que gostava da guitarra, mas desde aquela época ele não se ligava muito em solar, apenas nos ritmos.
Mundo Rock - Como têm sido os shows para a promoção do novo CD?
Udo Dirkscheneider - Ótimos! Fechamos uma perna européia de 20 dias recentemente, e estaremos presentes em vários festivais de verão ao longo do ano. Também queremos voltar a América do Sul o mais rápido possível.
Mundo Rock - Falando sobre o Brasil, como foram para vocês os shows em SP e Curitiba? Estive no show em SP, e foi um grande momento.
Udo Dirkscheneider - Adorei... o pessoal é fantástico e caloroso. Não imaginava que mobilizaríamos tantas pessoas, a ponto da galera me esperar no hotel para fotos e autógrafos... inesquecível!
Mundo Rock - Você fez uma boa turnê com o Accept ano passado. Há planos para shows em 2006?
Udo Dirkscheneider - Não. De maneira nenhuma. (Enfático).
Mundo Rock - Como foi se encontrar com Wolf, Herman, Peter e Stefan novamente no palco?
Udo Dirkscheneider - Curioso... era para eu dizer que foi como rever a minha família (risos). Mas não chegou a tanto. Algumas pessoas gostaram, outras não. Mas não posso negar que foi muito divertido e emocionante. O grande problema é que não há mais magia, não existe mais nada que nos una num palco, e esta turnê foi a prova cabal disso.
Mundo Rock - Wolf e Peter disseram que por eles o Accept continuaria, e que poderia até surgir um novo disco de estúdio, mas que você não deseja isso. Para você o Accept já encerrou sua história?
Udo Dirkscheneider - Declaração estúpida essa por parte deles . Ninguém na banda queria gravar nada. Isso com certeza é parte das merdas que são ditas por tudo quanto é canto (risos). Não falamos de compor, nem de DVD ao vivo, nem de reunião definitiva, nem de conto de fadas (risos). Apenas queríamos fazer alguns shows, afinal a banda UDO é minha prioridade.
Udo Dirkscheneider - É impossível voltarmos a gravar. Não existem problemas pessoais, mas não conseguiríamos escrever, devido as diferenças musicais que existiram entre nós. Eu e Wolf nos respeitamos, mas pensamos diferente quando o assunto é música. Não é pessoal, é simplesmente uma mágica que não existe mais. Porém conseguimos ficar junto o suficiente para alguns bons shows.
Mundo Rock - "Nailed To The Metal" foi um bom DVD, mas faltou a inclusão de um show completo. Há planos para tal com a nova turnê?
Udo Dirkscheneider - Sim... inclusive já temos um bom show gravado na turnê de "Mission No. X". Mas ainda queremos registrar alguns bons shows, para escolhermos os melhores, com melhores locais e som. E colocaremos milhões de bônus, fiquem tranquilos! (risos).
Mundo Rock - Udo, obrigado pela entrevista e nos vemos em breve!
Udo Dirkscheneider - Obrigado a todos e com certeza nos veremos, pois quero muito voltar ao Brasil. Será fantástico!
Site Oficial: http://www.udo-online.de
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